Eis que estou aqui ressuscitando a velha série “jogando e comentando”. Bem, comecei a jogar Subnautica há pouco tempo, e confesso que estou gostando bastante de tudo. Há um pequeno porém, entretanto. Um porém que talvez me afaste do jogo: a sensação de desassossego que ele me provoca é enorme. A sensação de medo, de falta de ar. De angústia.

Não sei se sofro ou não de talassofobia, e para ser sincero, nunca tive problemas com água até hoje. Fiz natação por muito tempo, nadei em diversas praias, e tudo isto sempre me proporcionou enorme prazer. Mas, talvez, e ao contrário do que pensei minha vida toda, mergulhar não seja para mim (vale também lembrar que em clubes consigo numa boa ir até o fundo de piscinas não lá muito rasas).

Subnautica

Mas o fato é que Subnautica está me deixando sem fôlego. Cada mergulho rumo às profundezas, principalmente no estágio em que estou, ainda sem nenhum veículo (tenho 2 das 3 partes do blueprint para fabricação do veículo Seamoth), resulta em enorme tensão. É surpreendente, aliás, como o jogo proporciona imersão tão profunda (parabéns à Unknown Worlds), e é assombroso como ele é capaz de nos perturbar justamente devido a uma de suas grandes qualidades.

O jogo apresenta ambientes lindíssimos, repletos de fauna e flora que podem inclusive ser catalogadas pelo jogador. Ele nos apresenta a um planeta (4546B) fantástico, o qual conta inclusive com marcas de passagem de uma civilização alienígena (falarei mais a respeito disso abaixo).

Subnautica

4546B é um planeta predominantemente aquático. Até existem algumas ilhas, mas o foco da desenvolvedora foi nos ambientes e biomas aquáticos. Tudo em Subnautica força o jogador a ter contato com a água, e aí está, talvez, um dos maiores trunfos do título.

Mas o fato é que a água em Subnautica, para minha surpresa, me assusta. Obviamente, é sensacional perceber que um “mero” game consegue me influenciar a tal ponto, mas quão mais profundo eu mergulho, maior é o meu desespero.

Subnautica

Outro dia construí um conjunto com uma bomba flutuante e vários canos. Tal conjunto funcionava como fonte de oxigênio nas profundezas, próximo à entrada de uma caverna que eu iria explorar. Porém, poucos minutos após o início da exploração (a mais ou menos 100 metros de profundidade), fui assaltado por um medo incontrolável. Senti falta de ar, literalmente, e o desassossego foi tão grande que fui obrigado a abandonar a exploração. Como um jogo eletrônico é capaz de nos fazer reagir assim?

Subnautica

Palmas para a Unknown Worlds, com seus ambientes aquáticos cheios de vida, de destroços, de areia que é levantada conforme grandes peixes passam por ela. Palmas para a Unknown Worlds por ter criado um jogo com uma ambientação tão crível, capas de nos deixar angustiados e deslumbrados.

Vale lembrar que o deslumbramento durante visitas a vários biomas é imenso, mas a angústia também. Não sei se muitos jogadores reagem assim a tudo isto, mas o fato é que estou pensando seriamente em dar um tempo em Subnautica (e não, não estou aqui desmerecendo o game – muito pelo contrário, ele é estupendo).

Subnautica

Outro ambiente que me deixa perturbado é a gigantesca nave Aurora e seus arredores. Conforme vamos nos aproximando da nave por baixo d’água, tudo vai ficando mais assustador. A água assume um tom meio “leitoso”. Ela fica meio turva, e a presença de vida ali é bem pouca. Ouvimos claramente a nave ranger, devido à queda e às explosões recentes. A nave range dolorosamente, e aquele som, debaixo d’água, é atormentador.

Subnautica

Além disso, na minha primeira visita à Aurora fui agraciado com uma companhia assustadora. Um Reaper Leviathan, que me atacou rapidamente e me levou à morte. Logo em seguida, pesquisando na internet, descobri que permanecendo bem rente ao casco da Aurora, o Reaper não nos ataca. Foi assim que consegui prosseguir, naquele ambiente perturbador, naquela água turva, mergulhando em meio a um grande buraco no casco da nave e chegando a uma grande área aberta, onde existiam portas bloqueadas por destroços.

Até aí não pude fazer nada, e fui obrigado a retornar ao lifepod para fabricar duas ferramentas importantíssimas para explorações na Aurora: o cortador laser e o canhão de repulsão. Munido destes dois equipamentos, eu seria capaz de disparar rajadas de energia e remover obstáculos do caminho, além de poder cortar qualquer metal que porventura viesse a impedir meu acesso.

Subnautica

Mas o interior submerso da nave é, também, assustador. Ambientes claustrofóbicos se sucedem a ambientes enormes repletos de materiais para escaneamento. A nave continuava rangendo, e à todo momento me pegava pensando se tudo aquilo iria desmoronar sobre minha cabeça. Diversos materiais recolhidos também ajudavam a contar um pouco a história daquela nave e de seus passageiros, vale destacar.

Mas o fato é que não consegui explorar por muito tempo o interior da nave, e logo me dirigi a saída, com um medo enorme, devo lembrar, de não conseguir achá-la. Logo ao sair, mergulhei novamente e descobri outro local de acesso ao interior da nave, o qual devo começar a explorar em breve (isto se eu continuar jogando, obviamente).

Subnautica

Em Subnautica também existem vários indícios de extraterrestres. Trata-se de uma raça conhecida como Precursores, e me deparei com restos de sua presença meio que por acaso. De meu lifepod eu sempre visualizava uma área permanentemente coberta por nuvens. Pensei a princípio ser um bug, mas mesmo assim, um dia, me dirigi para lá com meu SeaGlide. Foi aí que descobri uma das ilhas de Subnautica, a Mountain Island.

Descobri aí também uma enorme construção alienígena, certamente obra dos Precursores. Após vagar um pouco, achei uma tábua roxa que, em contato com um mecanismo estranho, abriu a porta para mim. Entrei, é claro.

Dentro da construção estava tudo quieto, abandonado. Os Precursores não estavam mais lá, mas sua tecnologia, sim. E ativa! Coletei alguns cubos energéticos, guardando-os em meu inventário (ainda não sei para que), e ativei alguns mecanismos. Um deles relacionava-se a uma espécie de sistema defensivo aéreo (talvez este tenha sido um erro meu, não sei). Havia também certos artefatos protegidos dentro de redomas, e a descrição de um deles em especial me assustou: tratava-se de algo capaz de destruir o planeta inteiro e até, quem sabe, o sistema estelar no qual ele se encontra.

Mergulhei em uma espécie de piscina em um dos grandes salões da construção e logo a seguir descobri que ela me levava ao mar aberto. Ao sair, notei que existiam várias outras construções alienígenas submersas e ligadas através de tubos. Não consegui entrar em nenhuma delas, entretanto, e tal mistério ficou em minha mente por um tempo.

Subnautica

ALERTA DE SPOILER – Pule este trecho caso não deseje receber spoilers

Vale ressaltar que eu havia marcado um encontro com uma equipe de resgate da Alterra (a nave SunBeam), e o local de pouso era justamente uma das praias da Mountain Island. Ao me dirigir para o ponto de encontro, pude ouvir o diálogo dos pilotos da pequena nave espacial, ao mesmo tempo em que uma enorme estrutura da instalação alienígena começava a se movimentar. Tal estrutura mirou na nave e lançou um ataque energético que a destruiu completamente. Assustador.

FIM DO ALERTA DE SPOILER

Subnautica

Finalizando

Subnautica é belo, é imersivo, é instigante. Mas também é assustador e angustiante em vários momentos. Existem, aqui, claramente, elementos de horror. Não sei se conseguirei continuar jogando, uma vez que por diversas vezes um enorme desassossego me assalta (mergulhar a cento e poucos metros, quase 200, é algo bastante angustiante – e me pergunto: e quando eu estiver em posse dos veículos aquáticos, capazes de ir mais fundo ainda?).

De qualquer forma, este texto não desmerece o jogo, de forma alguma. Trata-se de uma obra prima, de um título extremamente bonito, envolvente, cheio de carisma. Prova disso é o temor que me assalta ao jogá-lo.

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