The Saboteur é um dos games que mais está me “prendendo”, ultimamente. Aberto, belo, cativante e grande, este belíssimo trabalho da (infelizmente) finada Pandemic Studios possui muitos itens que podem ser analisados através das mais diversas óticas. É fantástico o modo como a desenvolvedora utilizou as cores para meio que definir situações de perigo, maiores graus de risco, áreas seguras e áreas tomadas pelos nazistas.

O contraste chega a causar enorme surpresa quando se sai de uma área dominada pelos nazistas e se vai para uma área hipotéticamente livre. O filtro P/B deixa paulatinamente de atuar e o que vemos então é toda a beleza de uma Paris ainda resistindo à grosseria do exército alemão. Fantástico, também, é o fato de mesmo as áreas escuras, em preto e branco, dominadas pelos nazistas, serem também belíssimas.

O vermelho das torres de observação e da iluminação utilizada pelos nazistas em seus QG’s é também bastante intimidador, e o jogador realmente sente o peso da situação. Ao me infiltrar em uma espécie de centro de operações da Gestapo como um soldado alemão, disfarçado, tive de conviver com diversos “vermelhos”, seja nas suásticas exibidas em bandeiras e uniformes, seja na iluminação, seja no incêndio que provoquei intencionalmente.

The Saboteur é um jogo que faz com que o gamer se sinta parte de sua história. Você pode tanto ficar andando a esmo pela cidade, quanto dirigir loucamente, parar em alguma instalação nazista e a sabotar, para ganhar dinheiro. Você pode (e deve) também, é claro, realizar as missões primárias e secundárias. É preciso um grande esforço para parar de jogar The Saboteur, uma vez iniciado o game, pois ele meio que abre um mundo extremamente amplo e realista ao jogador, um mundo baseado, em grande parte, na história de nosso pobre planeta.

A preocupação da Pandemic com as cores pode ser visualizada até mesmo enquanto aguardamos o loading do game. Faixas escuras cobrem um cenário sombrio, e vão sendo retiradas pouco a pouco e deixando à mostra uma certa predominância de tons azuis que ajudam a acalmar o gamer.

O vermelho em The Saboteur é o perigo. O vermelho trás consigo, em The Saboteur, a escuridão que o próprio exército alemão carregava consigo. Os gráficos do game, entretanto, são belíssimos, estejamos em que “estágio” for: vermelho, preto e branco ou normal. O próprio amarelo que as janelas deixam escapar pode assumir um aspecto bem lúgubre, muitas vezes, representando um contraste fantástico com a escuridão. Mas The Saboteur também não é só feito de cores.

Trata-se de um game repleto de personagens interessantes e muitas vezes contraditórios. Skylar até agora já me proporcionou diversas surpresas, e até mesmo o protagonista, Sean, causa problemas a si mesmo devido a ser bastante irritável e adorar mandar tudo pelos ares.

The Saboteur é um jogo que deve ser saboreado com atenção máxima a cada um de seus detalhes. Gráficos, enredo e personagens, gameplay, jogabilidade (muito boa), e também a questão das cores que, a mim, causa bastante impacto. Este é um daqueles jogos que, guardadas as devidas diferenças entre a “grandeza” (é claro) de um e outro, deve ser jogado como se joga Mass Effect: com cuidado, atenção e tempo. Mas as cores: significam muito em The Saboteur.

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