Finalizei o jogo The Saboteur há dois dias atrás. Precisei de um certo tempo para, digamos, “digerir” toda a informação e a fantástica experiência que o jogo me proporcionou. The Saboteur oferece ao jogador um mundo belo e aberto, diversos contrastes e um constante combate entre a luz e as sombras, além de permitir que o gamer experimente toda a genialidade do pessoal da (infelizmente) finada Pandemic Studios, que soube explorar muito bem a questão das cores, em The Saboteur. O título da desenvolvedora que foi fechada pela EA conta com belíssimos gráficos, um enredo fascinante, é ambientado durante a segunda guerra mundial em uma Paris ocupada pelos nazistas, e ainda conta com um protagonista, Sean Devlin, muito impetuoso.

Sean, no decorrer da história, tem de lidar com traições, inúmeras surpresas, perda de pessoas a quem amava e, enquanto isto, mantém o foco em sua vingança contra o Coronel Kurt Dierker. The Saboteur nos apresenta duas histórias, digamos assim. Uma é a participação de Sean na Resistência francesa, outra é sua caçada a Dierker. Ambas as histórias estão interligadas, e o jogo permite que tudo isto seja percebido e entendido pelo jogador de maneira muito clara.

Dieker é a personificação do Mal nazista, para Sean, e os nazistas como um todo devem ser combatidos pelo “Irish Man” juntamente com a Resistência. É possível que, daqui em diante, alguns spoilers ou “semi-spoilers” apareçam no texto, portanto, já sabem, não é? Mas tentarei não “escancarar” nada. 🙂 Ocorre que The Saboteur é um jogo que utiliza comparações, contrastes (gráficos ou não), e muito envolvimento emocional entre seus diversos personagens.

O que acontece no Belle de Nuit (espécie de cabaré que, apesar de receber nazistas felizes e bêbados todas as noites, é a moradia de Sean) como represália às ações da Resistência, é triste e, mais uma vez, provoca a aplicação do filtro preto e branco. Agora, um local antes cheio de vida e colorido se torna mais uma lúgubre e abandonada lembrança de outros tempos. Veronique se mostra muito mais forte do que o próprio Sean, em determinado momento dramático do jogo, e um dos principais personagens do game é entregue nos braços da morte por suas mãos, valendo ressaltar que isto foi solicitado pelo próprio personagem. Jogue para descobrir o porquê. 🙂

A narrativa do jogo é tão fantástica que nos permite até mesmo “ler nas entrelinhas”. Desde o início determinados personagens dão mostras de que, uma hora ou outra, irão agir de maneira diferente, para o bem ou para o mal. Quando isto acontece, ainda assim, você se surpreende, pois a Pandemic soube, mesmo fornecendo alguns indícios, manter tudo isto escondido fortemente até o momento certo, e todos sabemos que indícios são: apenas indícios.

É fantástico como a luz vai cobrindo Paris conforme Sean e a Resistência vão ganhando terreno, vencendo bastião após bastião dos nazistas na cidade. A desenvolvedora fez questão de demonstrar a fuga da escuridão em diversas cutscenes, de forma totalmente explícita, o que aumenta ainda mais o alívio quando cumprimos as missões relacionadas. O terror proporcionado pelo exército alemão ganha mais força ainda a partir do momento em que uma espécie de grupo de elite entra em cena. Trata-se do “Terror Squad”, composto por soldados mascarados, muito bem armados, fortes e, realmente, temíveis. Sua própria presença inspira terror, e a partir de determinado momento no gameplay, eles se tornam uma constante dentro do jogo.

Sean carrega consigo diversos “fantasmas”, desde o momento em que perdeu seu amigo Jules nas mãos de seu odiado inimigo Kurt Dierker. Entretanto, este é o principal motivador do irlandês. O combustível que o mantém sempre lutando, e se em determinados momentos fica claro que sua principal motivação é a vingança, também é óbvio o fato de que os efeitos secundários desta vingança possuem enorme importância para a luta contra o exército alemão.

Por outro lado, as reações contrárias não deixam de ocorrer em The Saboteur, e Vittore Morini, outra pessoa que acompanha Sean há muito tempo, o qual é responsável pelo poderoso Aurora, carro que Sean utilizou na corrida em Paris na qual Dierker também estava presente, também sentiu os efeitos de tais reações.

A linda Skylar, aliás, também proporciona momentos bem interessantes em The Saboteur. Ela não era bem quem Sean imaginava, e se mostra uma combatente e tanto, possuindo algumas habilidades que causaram espanto até ao próprio protagonista. Veronique também se mostra uma lutadora fantástica, e observar aquela moça aparentemente frágil empunhando uma arma e disparando saraivadas de balas contra os nazistas é algo muito bacana de se ver.

Sobrevoar Paris a bordo de um Zeppelin alemão e observar todo o contraste entre as áreas com presença alemã e as áreas “livres” também é uma experiência fora de série. Principalmente porque, durante este breve “passeio”, você tem a chance de atirar em torres de observação inimigas, as quais revidam, é claro. A central da Gestapo e sua infiltração na mesma também representa um dos momentos, digamos, mais significativos do game. Ali dentro você recebe uma overdose rubro-negra que é realmente opressora e terrível.

Os problemas pelos quais passa a Resistência, aliás, acabam culminando com a ida de Sean para as catacumbas. Além de um sentimento claustrofóbico, você sente com se a cidade inteira estivesse fazendo pressão sobre você. Como se o peso da Paris invadida inteira estivesse sobre seus ombros. A Pandemic Studios realmente soube trabalhar com o lado psicológico em The Saboteur, e isto é algo realmente raro de se ver.

Um dos grandes prazeres em The Saboteur, o qual já mencionei em um texto anterior mas que nunca é demais relembrar, é dirigir por Paris. Fugir em disparada de motocicletas e veículos alemães proporciona muita adrenalina, e o próprio fato de simplesmente dirigir, a esmo ou então em direção a algum objetivo, é sensacional. Isto reforça ainda mais o lado “mundo aberto” do jogo, além de fornecer ao gamer a oportunidade de presenciar acidentes e atropelamentos no trânsito da cidade. Trata-se de um trânsito com problemas, como se pode perceber.

Enfim, The Saboteur é um dos games que mais diversão e imersão me proporcionaram ultimamente. Seus gráficos propositalmente quase que totalmente em preto e branco em determinados momentos o tornam, além de muito charmoso, muito interessante quando se percebe qual a razão de ser deste efeito. Seu enredo é intenso e alguns personagems possuem enorme ligação entre si. Infelizmente trata-se de mais um jogo que, em minha opinião, não recebeu o devido valor que merece.

Bacana, também, é, após finalizar o game e assistir aos créditos, perceber que ainda é possível continuar jogando, realizar missões secundárias ainda não finalizadas, dar uma volta por Paris, etc. Aliás, a partir daí, você pode atacar alguns nazistas e perceber que membros da Resistência surgem para te ajudar. É, eles se tornaram mais fortes. E você fez parte deste processo. Resumindo: The Saboteur é um jogo fantástico. Você deveria experimentar.

O único local onde encontrei sua versão digital à venda, para PC, foi na EA Store, onde ele custa meros R$ 29,90. Em minha opinião, este jogo vale muitíssimo mais do que isto. Só uma coisa me decepcionou em The Saboteur: o momento final. Foi curto e fácil demais. Um game deste porte merecia um final mais grandioso e difícil. Mas, o que se pode fazer, não é? De qualquer forma, The Saboteur é fantástico.

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