Quando comecei a jogar The Saboteur, não imaginava o quão cativante é o game. O interessante impacto inicial causado por seus gráficos vai além do filtro aplicado em determinados momentos do jogo, o qual deixa determinados cenários do game em preto e branco. O título da finada Pandemic  Studios é repleto de detalhes que podem surpreender, mesmo passados cerca de 2 anos de seu lançamento. Os personagens possuem personalidades bem distintas e interessantes, e você chega a odiar e amar alguns deles, e todos estes sentimentos podem se confundir e você pode meio que chegar a se perder em meio ao seu “rol” de amizades.

Uma amiga vidrada em corridas que não é bem quem você pensa, agentes britânicos em busca de um artefato um tanto quanto estranho, sendo que eles mesmos são bem esquisitos, mortes de entes queridos, corridas loucas pelas ruas de Paris pilotando os mais diversos tipos de veículos, liberdade para sabotar torres, tanques, instalações e outros tipos de “itens” pertencentes ao exército alemão: tudo isto é entregue por The Saboteur em doses suaves que, aos poucos, vão prendendo o jogador.

Você pode experimentar momentos belíssimos enquanto dirige pela cidade e passa por áreas onde existe ou não a influência dos nazistas. Os gráficos fazem parte do gameplay, de certa forma, e de uma maneira fantástica. Luz e sombras. Áreas livres dos alemães são coloridas, alegres. Áreas onde exista sequer uma torre inimiga recebem o tal filtro gráfico, e mesmo assim, os gráficos em preto e branco são belíssimos. A diferença entre as cores e o P/B pode inclusive ser visualizada em tempo real, muitas vezes, bem como a transição entre uma e outra situação.

O jogo fornece doses bem interessantes de ação stealth, também, algo que adoro. O progatonista, o Sean, pode andar livremente pela cidade, e pode desencadear os mais diversos acontecimentos. É claro que ele terá de lidar com todas as consequências de seus atos, e até mesmo roubar um carro parado no trânsito é permitido. Entretanto, existem consequências no caso de você, por exemplo, matar 5 civis.

Ocorre que quando você está fugindo dos nazistas, dirigindo loucamente, em alta velocidade, é um tanto quanto difícil manter o controle do carro (se for um caminhão é pior ainda), e você pode acabar atropelando alguém sem querer. Claro: atropelar membros do exército alemão não ocasiona penalidade alguma. 🙂

Outro detalhe bem interessante em The Saboteur são os “Perks”. São habilidades especiais que você vai destravando conforme realiza determinadas ações dentro do game. E tais habilidades podem ser bem úteis, e envolvem diversos aspectos: combate, sabotagem, utilização de rifles de precisão, etc. Isto acaba tornando a jogabilidade um tanto complexa, e vale ressaltar que ela já é repleta de detalhes por si só. Mas tudo é sempre muito bem explicado, existe um manual que pode ser lido dentro do game, e rapidamente o jogador “se encontra”.

É notável o lado sandbox de The Saboteur. Podemos andar a esmo, pelas ruas de Paris, sem nada fazer. Podemos também dirigir a esmo, pelas belíssimas ruas. E dirigir por áreas rurais, através de estradas de terra ladeadas por belíssima vegetação, é uma experiência muito bonita. Pode-se escalar prédios e casas (outra das habilidades do Sean), desde que não exista nenhum inimigo por perto, o qual então começará a prestar atenção em você até o ponto de soar um alarme, caso você não desista da atitude suspeita.

O mapa exibe constantemente diversos tipos de missões, as quais sempre podem ser realizadas de diversas maneiras. Existem áreas que estão meio que sob a proteção da Resistência, e aqui tudo é mais fácil. Existe inclusive a possibilidade de realizar algum ato de sabotagem em determinadas áreas nas quais os moradores serão incentivados. É fantástica a variedade de missões, aliás, e nunca é demais lembrar que o gamer pode sempre abordar uma mesma missão de diversas maneiras.

O Mal, entretanto, em The Saboteur, é representado de diversas maneiras. Por incrível que possa parecer, de maneira belíssima através dos gráficos em preto e branco e na forma como ocorre a transição para gráficos coloridos. Esta transição e o que está por trás dela, aliás, representa a fuga do tal Mal. O Mal, em The Saboteur, também está claramente expresso nos horrendos olhos azuis do Coronel Kurt Dierker, durante uma sessão de tortura.

O Mal, em The Saboteur, pode ser sentido em toda a sua magnitude principalmente quando você olha para o céu e observa aviões inimigos sobrevoando a cidade. As próprias instalações dos nazistas são repletas de luzes vermelhas que certamente estão ali para oprimir, para representar perigo, para passar a impressão de desespero.

A verdade sobre a vida de Luc, o chefe da Resistência Francesa, e as enormes perdas que ele sofreu devido à guerra, pode também fornecer indícios do porquê ele possui tanto ódio dos nazistas que invadiram sua cidade. Vale lembrar que sua vida era bem diferente, antes da invasão, e ele possuía uma profissão que nada tem a ver com armas, combates e guerra.

The Saboteur é um game que consegue infiltrar em nossas mentes, de forma sutil porém poderosa, todo o maniqueísmo que pode ser encontrado em um determinado local do mundo, durante um dos conflitos mais terríveis de nossa história. Não existem meio termos no último trabalho da Pandemic Studios: ou você é do bem, ou você é do mal, e aqui, os fins justificam os meios. Isto é certificado pela atuação da população de Paris quando se depara com você realizando algo que, a princípio, seria ilícito: eles nada fazem, como que em muda aprovação de seus atos contra algo que os oprime também.

Até mesmo o mercado negro, em The Saboteur, apesar de lhe vender armamento, munições e outros ítens, pode ser considerado, sob certa ótica, como um representante menor das forças que invadiram Paris, pois ele serve tanto a um lado quanto a outro. Seu líder, Santos, deixa isto claro após breve conversa e missão que você realiza para ele. Nada de forma declarada, mas a impressão é fortíssima.

Trata-se de um grande game. Um dos grandes prazeres em The Saboteur, aliás, é dirigir. Geralmente os pontos de início de cada missão estão bem longes do local onde você se encontra, e isto permite que você dirija calmamente por uma bela cidade e observe toda sua belíssima arquitetura e locais famosos. O trânsito pode até atrapalhar um pouco, às vezes, o que ajuda a aumentar o realismo.

O fato de você poder agir furtivamente também é um dos grandes “detalhes” de The Saboteur. Para quem gosta de games com ação stealth, um ótimo sistema de cobertura, perspectiva em terceira pessoa e uma história e uma jogabilidade fantásticas, este título é imperdível. Grande game. Pena a EA ter dado um fim na Pandemic. Mas ela meio que se redimiu, e vende The Saboteur na EA Store por um preço fantástico.

Poderá gostar também

Pin It on Pinterest