Jogos eletrônicos não são mais brinquedo (só) de criança há muito tempo. Há muito tempo os videogames invadiram o espaço de outras mídias, interagem com diversas outras e permitem que jogadores sejam expostos a informações que muitas vezes e/ou através dos ditos “meios normais” sequer tomariam conhecimento. Hoje em dia não é errado dizermos, por exemplo, que games são arte, salvo algumas exceções. Mike Gallagher, CEO da ESA (Entertainment Software Association), despachou um e-mail de final de ano muito bacana, o qual além das felicitações e da menção à finada proposta de lei do ex-governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, contém informações muito interessantes.

Logo de início fiquei extremamente interessado pela menção ao game online Foldit, desenvolvido pelo Professor Zoran Popovic, da Universidade de Washington. Através do Foldit, alguns jogadores conseguiram decifrar a proteína que ajuda o gene HIV a se multiplicar. Trata-se de algo que perturbava os cientistas há mais de uma década, e que foi resolvido pelos jogadores em conjunto com o jogo acima mencionado em apenas 10 dias. Este é um exemplo fantástico de que jogos eletrônicos não mais podem ser considerados como “besteira”, “coisa de quem não tem o que fazer”, etc. Aqui temos uma clara expansão da “área de atuação dos games”, e sua incursão na área de saúde e pesquisas relacionadas é muito mais do que bem vinda.

Se um “simples” jogo consegue em 10 dias resolver um problema que era um empecilho para cientistas do mundo todo há mais de uma década, que dizer então dos impactos diretos e indiretos disto tudo em outros setores, como a economia, por exemplo? O que podemos esperar, daqui em diante, em relação aos games e a outros tipos de utilizações dos mesmos não ligadas ao divertimento?

Obviamente os resultados dos trabalhos com o  Foldit serão divulgados a especialistas de diversas áreas, e grandes laboratórios também entrarão no meio, é claro. Agora já temos grandes ideias para responder a pessoas que rotularem jogos eletrônicos como “coisas inúteis” e vierem nos chamar de loucos, desocupados, etc.

Como se não bastasse, a indústria de jogos eletrônicos é uma das maiores do mundo. Segundo a ESA, a venda de games, conteúdo relacionado, hardware e acessórios resultou em rendimentos de cerca de 25,1 bilhões de dólares em 2010. É muito provável, apesar da ESA não ter fornecido tal informação, que tais números tenham sido ultrapassados em 2011. Muitos já consideram a indústria de games maior em diversos aspectos quando comparada com a do cinema, e talvez a interação que os games permitem sejam um dos componentes desta fórmula de sucesso.

A ESA também mencionou a exposição “The Art of Video Games“, a qual será realizada no “Smithsonian American Art Museum”, sendo iniciada em 16 de Março de 2012. Gráficos e trilhas sonoras de jogos eletrônicos são mencionados como parte importante de um jogo, e a exposição contará com material de 240 títulos. Os critérios para a escolha dos games variaram desde os efeitos visuais até o uso criativo de novas tecnologias, passando pela influência de eventos mundiais e da cultura popular sobre os jogos.

Só não vê quem não quer. Os games nunca estiveram em evidência como agora, e as palavras de Seth Schiesel no The New York Times, este mês, são muito significativas:

Criadores de games estão produzindo mais entretenimento de alta qualidade para uma variedade mais ampla de jogadores. Nenhuma outra forma de divertimento funde tecnologia digital avançada, engajamento pessoal e relevância cultural para o mercado como felizmente os videogames conseguem. É por isto que os videogames são a forma superior de entretenimento popular“.

Videogames são arte, “prestam serviço” na saúde e representam uma das indústrias em maior ascensão no mundo. Um jogo serviu de instrumento para que jogadores realizassem em dias o que pesquisadores vinham tentando há anos. Jogos eletrônicos movimentam milhões, e estão cada vez mais presentes na vida das pessoas, mesmo daquelas que não possuem nenhuma plataforma para jogos. Pais que o digam.

A educação também já é beneficiada pelos jogos eletrônicos e por sua enorme indústria. Em Setembro a Casa Branca lançou o Digital Promise, uma iniciativa formada por grupos públicos e privados que visa introduzir ferramentas tecnológicas e games nas salas de aula norte americanas. E isto tudo, apesar de ocorrer lá fora, pode muito bem servir de inspiração para outros países. Aqui mesmo, no Brasil, os games agora entram na Lei Rouanet. Quem cria jogos eletrônicos, devido a isto, poderá ser extremamente beneficiado.

O caminho é longo, mas a estrada vai se tornando, pelo que parece, mais aceitável e inspiradora.

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