Ultimamente, muito se fala nos jogos free-to-play. Jogos disponibilizados gratuitamente, cuja rentabilização ocorre de diversas maneiras diferentes, além do simples BTP (buy-to-play, ou compre para jogar). Até mesmo desenvolvedoras e/ou publishers de jogos P2P (pay-to-play, ou pague para jogar) devem estar preocupadas com a enorme onda do F2P. A Valve deu um dos passos mais significativos nesta área, ao transformar Team Fortress 2 em um jogo gratuito. Aliás, a dona do Steam começou sua movimentação na área um pouco antes de TF2 se transformar em um F2P.

Exemplos de games free-to-play, de diversos gêneros e níveis de gratuitade, não faltam. Até a Microsoft já foi mencionada. Dawn of Fantasy (um MMORTS), Faxion Online, Dreamlords: Resurrection (outro MMORTS), Battlestar Galactica Online, World of Tanks, Blacklight Retribution, Rusty Hearts e RaiderZ, Age of Conan, Lord of the Rings Online,  etc: todos exemplos recentes de mudanças nos modos de pensamento e negociação de desenvolvedoras e distribuidoras que enxergaram um modelo de negócios que pode muito bem substituir a cobrança de mensalidade e/ou a cobrança pelo jogo, e tornar os títulos mais atrativos e rentáveis.

É claro que a maioria dos exemplos de games free-to-play que encontramos atualmente pertencem ao “nicho” dos MMO’s e similares. Isto não impede, entretanto, que a indústria passe também por uma reformulação, e passemos a pagar por benefícios e/ou serviços adicionais ao invés de pagar pelo produto em si, independentemente do gênero do jogo. Claro: este é um processo para médio-longo prazo. O site Gamesindustry menciona, aliás, a lentidão dos consoles em adotar o F2P em relação a plataformas móveis ou o PC. A popularidade e a lucratividade do modelo também são citadas pelo site.

O Gamesindustry também menciona a Hi-Rez Studios, desenvolvedora do MMO Global Agenda, a qual realizou a transição do falido modelo BTP para o F2P através de uma parceria com a Valve. O co-fundador da Hi-Rez Studios, Todd Harris, ainda dá uma alfinetada nas fabricantes de consoles, de certa forma: “Uma plataforma que permite que o desenvolvedor atualize o game com frequência continuará a vercer“, diz Harris. E não é justamente isto o que temos no Steam, dentre outras coisas?

Ele também cita o problema dos consoles em relação a este mesmo assunto: impossibilidade de atualizações frequentes, ausência de modelos de negócio alternativos, etc. Isto sem contar com o fato de que o foco da Hi-Rez, ainda segundo seu co-fundador, é o PC, portanto, olha aí mais um ponto para o PC enquanto plataforma para jogos. Não é de hoje que eu digo que o PC jamais morrerá como plataforma de games, e esta idéia cada vez mais se fortalece. O PC cresce cada vez mais, neste sentido.

Atualmente, Global Agenda está em 25º lugar na lista “Top games by current player count” no Steam. Logo abaixo de Champions Online, da Cryptic Studios. O Gamesindustry também menciona o grande sucesso de Global  Agenda como um free-to-play, o que mostra também que nada acontece por acaso.

Certamente muita gente está adquirindo ítens “in-game”. Muita gente, aliás, de forma totalmente descontrolada. Gastando dezenas, centenas de dólares. E não só em Global Agenda, é claro. Muitos itens, mesmo os cosméticos, são extremamente atrativos, dependendo do perfil do jogador, o que acaba fazendo com que as desenvolvedoras trabalhem continuamente para lançar novidades em suas lojas, o que por outro lado demanda constante cuidado com o próprio jogo em si. Pois de nada adianta um jogo online oferecer itens maravilhosos se o mesmo está repleto de bugs e falhas as mais diversas.

Temos aqui, portanto, um modelo de negócios que além de oferecer aos jogadores os tais itens dentro do jogo, disponíveis para compra, também oferece atualizações constantes e também gratuitas, como o próprio jogo em si, para que o próprio modelo de rentabilização escolhido se mantenha firme e saudável.

A Sega Europe anunciou hoje que seu MMO free-to-play Spiral Knights, disponível no Steam, já conta com um milhão de contas criadas no mundo todo. E isto em menos de um mês. Para comemorar a marca, a Sega e a desenvolvedora Three Rings anunciaram hoje o lançamento de um novo lote de conteúdo totalmente gratuito. Ou seja, ganha-se por um lado, doa-se por outro, e assim caminha o “movimento free-to-play”.

Muitas pessoas se uniram para tornar possível esta conquista – desde a incrível equipe da Three Rings até nossos parceiros no Steam e, é claro, os milhões de jogadores que entraram no jogo até agora, disse Haruki Satomi, vice-presidente de negócios digitais da Sega America. “Estamos ansiosos para dar as boas vindas a cada vez mais novos jogadores nos próximos meses, à medida que continuamos a expandir e enriquecer o mundo de Spiral Knights“, finaliza Satomi.

Spiral Knights parece estar sendo cuidadosamente aprimorado pela Sega, e já a partir de hoje novidades poderão ser apreciadas no jogo, além dos itens gratuitos acima mencionados. Isto inclui, por exemplo, uma nova dungeon, a “Ironclaw Munitions Factory”. O jogo, aliás, parece ser muito interessante, pelo pouco que joguei, além de contar com gráficos muito agradáveis.

Toda esta movimentação, toda esta disposição, toda esta empolgação em torno dos jogos gratuitos e/ou free-to-play pode significar que o futuro dos jogos eletrônicos talvez seja bem diferente daquilo que observamos hoje. Se as empresas conseguem lucrar oferecendo jogos de forma gratuita e cobrando apenas por itens que, muitas vezes, não interferem em nada no gameplay de quem não os compra, qual o problema em fazer com que tudo isto “transborde”?

Será perigoso? Quais os perigos?  Quais os perigos, por exemplo, de em um futuro próximo termos um Assassin’s Creed free-to-play? É claro que estou apenas “brincando” no campo das hipóteses, agora, e temos de nos lembrar também dos fatores negativos dos jogos F2P, como por exemplo jogadores que não possuem o mínimo de respeito para com outras pessoas. Isto é algo que não se pode negar, mas creio que com o decorrer do tempo tudo isto seja minimizável e até chegue a desaparecer, uma vez todos percebam que um jogo nada mais é que uma obra de arte ou um filme interativo, quem sabe.

As próprias “mantenedoras” poderão criar dispositivos para coibir este tipo de atitude, e quando isto acontecer, muito mais gente se “sentirá tentada a pelo menos tentar” os free-to-play games. Óbviamente, levando-se em consideração esta “expansão” que mencionei, toda esta gratuitade que estou mencionando deverá ser também transposta para outros gêneros de jogo, e deverá também permitir experiências solo, pois muita gente, como eu, prefere a solidão do singleplayer à multidão do multiplayer.

Tudo isto, de certa forma, é muito novo, e é provável, que nos próximos meses diversas outras novidades sejam noticiadas e postas em prática. A indústria de games é muito volúvel, é claro, mas quando ela consegue encontrar um meio termo entre lucratividade, oferta e procura e feedback positivo, a coisa melhora para todos os lados: jogadores e desenvolvedores. Será muito bom se um dia pagarmos apenas por extras, e todos os games nos forem oferecidos de graça. O GamersGate, aliás, tem algumas coisas bem interessantes a dizer a este respeito.

F2P

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