Finalmente alguns mistérios começam a ser desvendados em relação à EA, ao Steam e ao Origin. Em relação à tal “guerra” entre o Steam e a EA, que seja. Talvez agora tenhamos mais dicas a respeito do porquê de Crysis 2 ter sumido do Steam, além de Dragon Age 2. John Riccitiello, CEO da Electronic Arts, disse, dentre outras coisas, que o Origin venderá conteúdo de terceiros, e não somente games da EA.

Ok, existe aquela questão relacionada ao fato dos DLC’s vendidos dentro dos próprios games talvez ir de encontro à algumas regras do Steam, mas com a confirmação de que o Origin será um concorrente do serviço de distribuição digital de games da Valve, é óbvio que este é “o”, senão “um dos” motivos para as remoções. A Valve, aliás, permanece sem se pronunciar, o que é realmente estranho. O Steam é o maior concorrente do Origin, serviço que ainda está engatinhando, e a EA resolveu, portanto, dar início a uma “guerrinha” com o serviço da empresa de Gabe Newell.

Chego a supor até que este pode ser apenas o início, e que todos os jogos da Electronic Arts sejam removidos do Steam, enquanto, talvez, permaneçam à disposição em outros canais. Outras lojas que não sejam tão significativas quanto a da Valve. Tudo isto, é claro, está incluso nos 3 ítens que Riccitiello “sugeriu” a outras publishers, para crescimento nos negócios: “lançamentos regulares baseados em suas IP’s mais fortes, transformar o próprio negócio em uma plataforma com a ajuda de serviços como o Origin, e manter e fomentar o talento“. Se por um lado a ação da EA ajuda a reforçar a idéia de que a distribuição digital cada vez mais se torna poderosa, por outro também deixa bem claro que para as grandes publishers o jogador tem pouca ou nenhuma importância quando se trata de “dinheiro no caixa”. Não importa se eu ou você preferimos ter liberdade de escolha no tocante ao local onde compraremos nossos jogos.

Concorrência é saudável em qualquer área, e a EA deveria permitir que o Steam continuasse a vender Crysis 2 e Dragon Age 2, pois grande parte dos PC gamers optam pela plataforma da Valve, a qual é, certamente, a mais robusta quando se trata de jogos para PC. Se alguma cláusula contratual do Steam vai de encontro a algo que a EA deseja, por exemplo, por que não tentar entrar em um acordo? Por que muitas empresas sempre optam pelo caminho mais doloroso?

Tanto Dragon Age II quanto Crysis 2 continuam sendo vendidos em outros canais, como por exemplo o Direct2Drive, o Gamesplanet, o Impulse, o GamersGate UK, etc. Não seria melhor, portanto, a realização de um acordo, o qual beneficiaria tanto os jogadores, que continuariam tendo mais uma opção de escolha, quanto a própria EA? Pois ninguém pode sequer imaginar, atualmente, um serviço de venda de games via download como o Steam e seu enorme alcance, suas funcionalidades e seu renome.

Riccitiello quer criar uma plataforma, e é aí que os negócios da EA entram em conflito com os da Valve. E lendo nas entrelinhas, podemos até entender que a IP mais importante para sua empresa, neste momento, seria o Origin (estranho, não?). Ele também cita lançamentos sociais e “mobiles”, além de microtransações. Ou seja, em sua mente a idéia de uma plataforma concorrente do Steam é bem forte.

Aliás, não posso deixar de temer, agora, pelo futuro da PopCap, adquirida pela companhia de John Riccitiello. Óbviamente, todos temos de concordar que a EA tem todo o direito de fazer o que fez, e de continuar com seus projetos. De qualquer maneira, porém, estas “movimentações” podem gerar resultados não muito bons para os jogadores. Battlefield 3 fora do Steam, por exemplo, e, quem sabe, uma futura e possível remoção de todos os títulos da EA do serviço, inclusive os da PopCap.

O Origin ainda terá de crescer muito e receber muitas funcionalidades até que chegue pelo menos perto do Steam, se é que isto ocorrerá. Estes dias, ao abrir meu cliente Origin, recebi uma nova atualização que adicionou ao mesmo suporte a updates automáticos nos games. Ou seja, a EA está, aos poucos, aprimorando sua nova “plataforma”. Mas será que de agora em diante todas as grandes publishers irão criar suas próprias lojas e plataformas? Isto tornará o mundo dos jogos para PC muito caótico, creio eu.

Quanto a quebrar a hegemonia do Steam? Duvido muito. A Valve sabe das raposas que estão em seu encalço, e já possui quase 10 anos de experiência. “Know-how” mais do que suficiente é o que não lhe falta, e a enorme legião de usuários satisfeitos com seus serviços não é algo que deva ser desconsiderado.

É triste, porém, observarmos de agora em diante alguns títulos sendo, quem sabe, lançados em um único canal de vendas. Triste, ilógico e perturbador, pois o que poderá surgir a partir daí? Uma vez que o Origin venderá games de outras empresas, o que impedirá sua proprietária de firmar acordos de exclusividade com as mesmas, levando-se em consideração suas ações atuais?

(Via: Gamesindustry) – artigo muito interessante, aliás.

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