Gosto muito de jogos com temática espacial, sejam eles roguelikes, sejam eles “simuladores“, sejam eles títulos de estratégia. O espaço me fascina, me encanta desde pequeno, e eu fui um dos que, em 1986, tentaram à todo custo observar o cometa Halley e não obtiveram sucesso (acredite, eu subia na laje da minha casa, na época, e ainda trazia comigo uma escada e uma luneta – mas o tempo e minha falta de experiência de nada ajudaram).

Bem, Landinar: Into the Void é um “jogo espacial”, um título desenvolvido pela Convoy Games, a mesma empresa (um pequeno estúdio) responsável pelo rogue-like pós-apocalíptico Convoy, a respeito do qual escrevi um pouco neste artigo.

O jogo foi lançado ontem, no Steam, através do programa Early Access, podendo ser adquirido por R$ R$ 30,99. Como todo game em Early Access, porém, temos de esperar por problemas, e estes não faltam em Landinar. Entretanto, o jogo conta com uma boa premissa e com boas ideias, e tem tudo para se transformar, com o tempo, em algo realmente espetacular. Em algo verdadeiramente digno de nota.

Landinar: Into the Void

No jogo, você é um capitão de uma espaçonave que deve sair pelo espaço em busca de aventuras. Caçar recompensas, fugitivos, combater piratas, etc. Esse tipo de coisa. Os gráficos do game são bastante agradáveis, e não, não se trata de um roguelike, como pode parecer a princípio. Pode ficar tranquilo, você que foge deste estilo de jogo como o diabo foge da cruz. O título também conta com uma agradável trilha sonora eletrônica, que em alguns momentos nos remetem até aos anos 80, com a presença inclusive de sintetizadores.

Em Landinar: Into the Void, também temos acesso a uma ferramenta, disponível em estações espaciais, que nos permite modificar nossa espaçonave. Podemos remover e adicionar novas armas, capacitores, motores, e também podemos criar naves totalmente novas, do zero, sendo possível inclusive a escolha da classe à qual ela pertencerá (fragatas, cruzadores, corvettes, etc).

Tudo é muito bem organizado, no “Ship Designer”, e conforme vamos adicionando ou removendo módulos, podemos inclusive perceber que talvez seja necessária a adição de mais módulos de energia, de mais capacitores, por exemplo, para que o conjunto como um todo possa ser capaz de dar conta do “tranco”.

Landinar: Into the Void

Um dos detalhes mais bacanas do jogo está ligado às estações espaciais: podemos nelas desembarcar e andar à vontade, conversando com NPCs e inclusive dando diferentes respostas durante os diálogos. Também próximas às estações espaciais encontram-se instalações que permitem que reparos em nossa espaçonave sejam feitos, reparos estes que estão além da capacidade de reparo de nossa ferramenta manual para tanto, a “repair gun”.

Landinar: Into the Void coloca o jogador em um quadrante do espaço sideral composto por 10 setores, inicialmente (mais serão lançados conforme o jogo vai progredindo durante o Early Access), e também permite que entremos em combate com naves inimigas.

Isto é muito bacana, apesar de um tanto quanto problemático. O grande problema aqui é que a nave se comporta de maneira um tanto quanto lenta, pesada, “travada”, mais parecendo um carro, um veículo terrestre, do que um veículo espacial. Até existe um modo de cruzeiro, que acelera bastante as coisas (além de um muito bem vindo boost, através do SHIFT esquerdo), mas este é desativado, obviamente, tão logo acionamos o modo de combate (através do qual nosso armamento é então posto em ação).

A movimentação durante as batalhas é bem difícil, e você se verá girando, muitas vezes, a esmo, sem conseguir acertar inimigo algum, por mais que existam sensores que indiquem as posições dos mesmos. O controle é um tanto quanto duro, e a pilotagem é bem complicada. Quando batemos em algum inimigo, além disso, mesmo com nossos escudos erguidos, observamos um estranho efeito de rebote que faz com que a nave pareça de brinquedo (acredite, é bem estranho). Ela é repelida como se tivesse batido em um elástico, digamos (isso destoa totalmente, em minha opinião, daquilo que esperamos ao lidarmos com pesados veículos espaciais).

Landinar: Into the Void

Obviamente, é muito provável que tudo isto possa ser melhorado (ou que tais problemas sejam eliminados) através do criador/editor de naves, através da adição de módulos que aprimorem a velocidade e a manobrabilidade. No entanto, me deparei com alguns problemas no jogo que simplesmente impediram minha progressão além de determinado ponto.

Obs: vale também a pena lembrar de algo muito legal durante os combates. Módulos da espaçonave quebram (como as armas, por exemplo), e você, como capitão, tem então de deixar seu cockpit e ir até outras áreas da mesma a fim de consertá-los. Isto adiciona uma camada extra de dificuldade ao jogo, que torna tudo mais interessante e divertido.

Landinar: Into the Void

Retornando aos problemas (e lembrando que estamos falando a respeito de um jogo em Early Access – é de se esperar que ele receba atualizações constantes antes de seu lançamento oficial, mais ou menos daqui a um ano), passei por alguns maus bocados durante o gameplay. Algumas vezes fui obrigado a pausar o jogo, e logo a seguir descobri que a tela de pausa simplesmente não desaparecia mais. Pressionar “Esc” não surtia efeito algum, não existia botão algum para retornar ao jogo, e eu era obrigado, então, a simplesmente encerrá-lo.

Landinar: Into the Void

Com bastante frequência, também, ao carregar meus saves, me deparei com o personagem preso enquanto na estação espacial (após o spawn). Ele simplesmente havia sido posicionado, após o carregamento, entre 2 objetos, de maneira tal que sua movimentação era impossível. Ao carregar novamente outros saves, me deparei com o mesmo personagem preso novamente, porém, desta vez, bem no meio de uma escada, sem nada que o prendesse. No entanto, ele continuava ali, movimentando suas pernas conforme eu pressionava W, A, S e D, sem que no entanto saísse do lugar.

Landinar: Into the Void

“Spawnando” no lugar errado

O jogo também conta com algo, com uma decisão de design, talvez, que eu creio que deve ser revista pelos desenvolvedores: no meio de batalhas simplesmente não há pausa. E isto porque não estamos em um roguelike nem tampouco em um jogo online: Landinar: Into the Void é um título única e exclusivamente singleplayer. Isto é bastante complicado (e inexplicável), além de ser capaz de causar grandes dores de cabeça ao jogador.

Não foram poucos, também, os saves que carreguei (e recarreguei) para tentar fugir do problema do “personagem preso em muros invisíveis”: todos sem sucesso, até o ponto em que tive de recomeçar um novo jogo. Isto sem falar em estranhas quedas de performance, valendo lembrar que rodei o título em uma máquina com configurações bem superiores às recomendadas.

De qualquer forma, Landinar: Into the Void é um indie game que mal acaba de ser lançado. Ele mal chegou ao Early Access do Steam. A ideia por trás do jogo é espetacular. A premissa é extremamente instigante. A possibilidade de construir nossa própria nave, do zero, e depois testá-la no espaço, em combate ou não, representa algo realmente digno de nota.

Landinar: Into the Void

No estado em que ele se encontra no momento, entretanto, eu, pelo menos, não recomendo a compra (a não ser que eu tenha sido bem azarado, mesmo, experimentando bugs e problemas diversos aleatórios).

Recomendo, isto sim, que você acompanhe-o através de suas redes sociais (eis sua página oficial) e também através de sua página no Steam (link acima). Trata-se de algo bastante promissor, não há como negar, e eu mal posso esperar pelo lançamento do jogo completo.

Enquanto isso, fique com um trailer do novo título da Convoy Games:

Poderá gostar também

Pin It on Pinterest