Ontem escrevi um pouco a respeito de Mass Effect 2. Comentei a respeito dos DLC’s “Kasumi – Stolen Memory”, “Overlord” e do magnífico “Lair of the Shadow Broker”, também. Ontem à noite mesmo, aliás, finalizei este maravilhoso jogo. A impressão que tal finalização me causou foi tão grande que sonhei com o game. Um sonho meio que “em meio a brumas”: tudo o que eu distinguia era a Normandy, um Mass Relay e um planeta ao longe. Era como se eu estivesse flutuando no espaço e observando a tudo isto.

A noite de ontem foi magnífica e ao mesmo tempo terrível. Magnífica pois finalizei um game pertencente a uma das séries pela qual sou mais apaixonado, e terrível pois agora estou na espera de Mass Effect 3. Vale ressaltar que joguei Mass Effect 2 aos poucos. Bem cuidadosamente e apreciando cada detalhe. Concluí todas as missões: principais e paralelas. Explorei muito. Fucei. Andei. Conversei com os mais variados personagens. Discuti. Lutei. Amei. Corri. E apesar de ter apreciado bastante o antigo veículo Mako, presente no primeiro Mass Effect, não escondo de ninguém minha predileção pelo novíssimo Hammerhead, introduzido na saga através do DLC Firewalker, vale ressaltar.

Concluí, também, todas as 5 missões que faziam uso do Hammerhead, e curti bastante dirigir a nova “máquina flutuante”. Enfim, fiz de Mass Effect 2 uma saga particular de quase um ano. E de forma proposital, pois eu queria experimentar o jogo em doses suaves porém marcantes. “Digerir” cada nova sensação. Experimentar cada nova descoberta. Fiz de Mass Effect 2 “o meu game de 2010”, enquanto jogava outros títulos, tanto no PC quanto no Xbox 360. E querem saber? Acredito que fiz a escolha correta. Pelo menos para o meu padrão de jogador, é claro.

Acredito que a série Mass Effect contenha elementos mais do que suficientes para render um fantástico filme, assim que a trilogia for finalizada. É claro que este encargo deverá ser entregue a mãos muitíssimo competentes, e o resultado, se de acordo, poderá até mesmo rivalizar com Star Wars. Basta darmos uma olhada no game, em seu enredo, em seu Codex, em todo o material adicional que já foi lançado para o mesmo, para percebermos que a série é um verdadeiro “prato cheio” para Hollywood. É claro que digo isto com um certo medo, mas adoraria assistir a um (bom) filme de Mass Effect nos cinemas. Ou melhor, a uma trilogia, como foi feito com “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien.

Hoje é um daqueles dias em que não consigo parar de pensar na experiência de ontem à noite. Encarar a passagem pelo Omega 4 Relay, com todos os possíveis riscos que isto poderia trazer à Normandy e à tripulação, foi algo bem tenso. Após a passagem, o que se vê é de deixar qualquer um de queixo caído. Os conflitos que acontecem daí em diante, tanto entre a equipe quanto contra os Collectors, são de arrepiar.

E as escolhas? Cá estou eu novamente mencionando a enorme gama de escolhas que se pode fazer em Mass Effect 2. E no primeiro também, é claro. Confesso que uma de minhas escolhas na última missão me deixou um pouco preocupado. Não que eu tenha feito algo errado, não se trata disso. Quer dizer, pelo menos a princípio. Ocorre que, em determinado, momento optei por deixar “alguém” me influenciar em uma determinada escolha, e isto, logo após apertar o botão, me causou enorme preocupação. Todos sabemos que Mass Effect é uma série que que permite o transporte de seu personagem de uma sequência para a outra.

E não foram poucas as telas de “loading” em que pude ler bem claramente que as escolhas em Mass Effect 2 afetariam o gameplay em Mass Effect 3. Pois bem, esta escolha que mencionei acima agora me preocupa, principalmente por uma cena que ocorre logo antes do final do game, envolvendo certo personagem que vocês devem deduzir quem é, no qual nunca confiei totalmente, o qual aparece em uma cena um tanto quanto estranha. Cena esta, é claro, que tem tudo a ver com a tal escolha que fiz, e isto fica bem claro na própria tela.

É claro que tudo foi feito com a melhor das intenções (pelo menos de minha parte – e é isto o que me aflige), mas todos sabemos que “de boas intenções o inferno está cheio”, e assim sendo, aguardo ME3 para saber o desfecho deste meu “deslize”, digamos. Estou escrevendo a respeito de Mass Effect 2, mas muito do que escrevo tem a ver também com Mass Effect 1. A partir de agora, entretanto, mencionarei apenas Mass Effect 2, pois é a respeito dele que estou escrevendo.

O fato é que em Mass Effect 2 você consegue se perder em meio a inúmeras vertentes. Existem as raças alienígenas, cada uma com inúmeras particularidades que podem fazer com que você as ame ou as odeie. Existe a questão das escolhas, como já mencionei acima, todas elas sempre “observadas” por um complexo e magnífico sistema de moralidade que vai dar o troco, para o bem ou para o mal, no momento certo. Existe o quesito “amizade”, e em Mass Effect 2 Shepard tem de, aos poucos, conquistar a confiança, a lealdade e a amizade de toda a sua equipe, muitas vezes ajudando-os em assuntos particulares, para conseguir chegar a um time coeso, forte.

Em Mass Effect 2 também contamos com perdas. Morte. A própria missão final nos faz lidar com mortes indesejadas. Pessoas queridas de nossa equipe vão morrer ante os tiros inimigos, infelizmente, e não há nada que você possa fazer a respeito. O pior de tudo, pelo menos no meu caso, é que uma destas pessoas passou por um certo “stress” comigo. Mass Effect 2 oferece, a quem se dispor, a possibilidade de um envolvimento psicológico enorme, que aumenta imensamente a imersão. Você sente. Você vibra. Você se empolga. Você chora. Você, enfim, “vive o game”.

É por este motivo que joguei o game em “doses suaves”. Cheguei a ficar um mês sem colocar o DVD na bandeja de meu Xbox 360, inclusive. Mesmo sentindo uma vontade imensa de jogar e finalizar o quanto antes esta magnífica obra da BioWare, me controlei ao máximo a fim de obter a melhor experiência possível. Não estou dizendo que esta é ou não a maneira correta de se jogar Mass Effect 2, é claro. O que existe são diferentes tipos de games, e diferentes tipos de jogadores, os quais podem desejar jogar de maneiras as mais diversas, a fim de satisfazerem sua ânsia pelas experiências que diferentes games podem proporcionar.

Os momentos épicos em Mass Effect 2 são majestosos. Os discursos de Shepard, principalmente nos últimos momentos, são de arrepiar. Até mesmo o durão Krogan Grunt apoia e “entra na onda” do Shepard. O comandante, além disso, possui uma capacidade enorme de conduzir as pessoas, a qual pode, é claro, ser maximizada ou minimizada pelo jogador. Mas no meu caso, em minha opinião, este fator foi extremamente maximizado.

Chego a dizer que o horror presente em cada recôndito da base dos Collectors foi amenizado pelo espírito de vitória que Shepard conseguiu passar aos seus subordinados. Não estou falando de vitória simplesmente. Todos ali poderiam morrer, é claro (aliás, olhando sob a ótica mais otimista possível, esta era a alternativa mais óbvia), mas a certeza de “acabar com a raça” dos Collectors era maior, e isto seria feito, custasse o que custasse. Bom, há controvérsias, aqui. 😉

Enquanto na base Collector, o Harbinger era uma presença meio que constante. Seja falando diretamente ao comandante da Normandy, seja possuíndo o corpo de algum soldado inimigo e exibindo o seu poder. Isto fornecia um elemento ao mesmo tempo atemorizante e ao mesmo tempo instigante. Você poderia chegar a pensar: “- Caramba, o ‘cara’ está ali, é fácil”, tamanha era a veracidade de tudo o que acontecia. Tamanha era a proximidade, muitas vezes, do inimigo mor.

Mas por outro lado inúmeros elementos causavam extrema dificuldade à equipe, assim como durante todo o game. Diferentes frentes de batalha, soldados trabalhando isoladamente em outras partes da base para possibilitar o avanço de sua equipe, e enquanto isso, toda a imensidão da monstruosa base estava ali, com todo o seu peso hediondo pressionando suas costas.

Ninguém pode negar o fato de que Saren, em Mass Effect 1, apesar de não estar sozinho, representava um vilão muito mais passível de ser odiado. Mas as ações dos Collectors, quando você realmente descobre o que eles estão fazendo, se mostram absurdamente monstruosas. Não é a toa que disseram que Mass Effect 2 seria um game muito mais escuro do que o primeiro. Esta escuridão, dada a possibilidade de imersão que o jogo proporciona, poderia até causar certo mal estar a alguns, vale adiantar.

Graficamente, o jogo é um verdadeiro show. Nem há muito o que comentar a este respeito, e nem tampouco é este o motivo deste artigo. Falando em imersão, você chegará a ficar perdido, em alguns momentos, principalmente quando começar a pesquisar, tomar notas, “realizar ligações” e verificar quem são/foram os Protheans, os Reapers, os Geths, etc. E o colosso representado pela Sovereign? E a impressão de “nada” quando a (para nós) grande Normandy fica “frente a frente” com uma nave dos Collectors?

No quesito “RPG” Mass Effect não deixa nada a desejar, a não ser uma certa linearidade. Podemos customizar nosso personagem e todos os que entram para a equipe, individualmente A distribuição de pontos de experiência é facílima, e cada raça e criatura no universo do game pode possuir habilidades especiais que podem inclusive serem aperfeiçoadas. Os Biotics e os talentos por eles proporcionados também oferecem um elemento que de extra não tem nada. Os poderes por eles desenvolvidos podem estar presentes em quase todos os personagens, inimigos ou não, e ser tanto mal quanto bem empregados. Escolhas, é como eu disse. 🙂

É, a obra é majestosa, complexa e belíssima. Agora estou aqui, aguardando ansiosamente pelo desfecho da saga. Aguardando ansiosamente pelo lançamento de Mass Effect 3, e para descobrir o resultado daquela tal minha escolha acima mencionada, dentre outras coisas. 🙂

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