Mass Effect 2: quando a luz destrói as sombras

Estou na parte final de Mass Effect 2. Já atravessei o Omega 4 Relay e estou indo de encontro à tal missão suicida tão mencionada durante grande parte do game. Enfrentar os Collectors em sua “própria casa”. É bem possível que nos próximos dias vocês leiam mais um ou dois artigos a respeito de ME2 aqui no XboxPlus, aliás. Portanto, me perdoem por quaisquer possíveis exageros. 🙂

Antes de iniciar a missão final em Mass Effect 2, joguei o DLC Lair of the Shadow Broker. Em minha opinião, este é o maior pacote de expansão já lançado para o jogo. E quando digo maior, não estou me referindo somente à sua duração, mas também à sua profundidade. São tantas portas abertas em direção a Mass Effect 3, tantos mistérios solucionados (e outros tantos surgindo), tanta ação, tanta emoção, que é impossível não se sentir profundamente emocionado ao jogar esta verdadeira obra prima.

Aliás, fica aqui a dica do leitor Vitor, sobre as 4 HQs (Redemption 1, 2, 3 e 4) que contêm algo como a prévia da história contada em Lair of the Shadow Broker. Bom, e porque resolvi escrever um artigo sobre Mass Effect 2 e Lair of the Shadow Broker? Em primeiro lugar, porque adoro a série. Em segundo lugar, porque este DLC foi o último que joguei antes de partir para a missão final do game. Vale ressaltar que deixei todos os 3 principais DLC’s (Kasumi – Stolen Memory, Overlord e Lair of the Shadow Broker) para o final. Algo como uma prévia do final. E não me arrependo nem um pouco.

É surpreendente como a BioWare consegue lançar pacotes de expansão que valem muito mais do que aquilo que custam. DLC’s cheios de conteúdo. Ricos em detalhes e informações. Verdadeiros “must have” para quem aprecia o universo de Mass Effect. A produtora consegue transformar algo que deveria ser apenas um extra em um “quase jogo”. Completo. Independentemente da equipe que você escolhe para ir com você, sempre existem surpresas, seja na maneira como uma raça até então desconhecida pelo Shepard é apresentada, seja na ação constante, seja nos belíssimos cenários, seja nos personagens extremamente cativantes e/ou misteriosos, etc. Mass Effect 2, aliás, não me canso de dizer, é profundo e rico.

Em Lair of the Shadow Broker o Shepard, na verdade, deve ajudar a belíssima Liara T’Soni em sua ferrenha busca pelo Shadow Broker. Não só isso: ela está também em busca de um amigo muito querido que o vilão raptou e que tem muito a ver com ela e com o “renascimento” de Shepard em Mass Effect 2. Tudo começa a ficar maravilhosamente empolgante assim que você decide se dirigir, juntamente com Liara, até o “esconderijo” do vilão. Ocorre que sua enorme e fantástica nave permanece escondida em meio a uma gigantesca e belíssima tempestade que envolve o planeta Hagalaz.

Antes disso, a maneira como alguém aparentemente confiável se revela um traidor extremamente poderoso representa, por si só, um dos pontos altos do DLC. A luta contra esta criatura é ferrenha e dura. Aliás, Lair of the Shadow Broker possui bem poucos momentos de calmaria, mas tudo foi construído de forma tal que o gamer não se cansa, pois o nível de ação aumenta e diminui de tempos em tempos, fornecendo ao gamer o merecido, rápido e necessário descanso entre uma luta e outra.

A própria Liara sofre bastante do início ao fim da história. Grande parte deste sofrimento vem do rapto acima mencionado; inocentes são mortos em Lair of the Shadow Broker. Aliás, esta criatura/entidade/instituição (jogue, e descubra por si próprio – a “coisa” é muito antiga 🙂 ) controla uma enorme rede de informações, e oferece serviços às mais diversas raças e organizações.  A tal rede é enorme, e o destino da mesma após o término do DLC é mais surpreendente ainda. Não pense você que o Shepard irá destruir a poderosa rede. Longe disso.

O verdadeiro “show” começa quando você, Liara e mais um membro de sua equipe (à sua escolha) pousam sobre a gigantesca e fantástica nave do Shadow Broker. A visão da tempestade fornece momentos de puro encanto, e seria possível passar bons minutos observando tudo ao redor, não fossem os drones e soldados que são enviados para defender a nave. A transição até o interior da espaçonave não chega a demorar, e quando você finalmente descobre o que é o Shadow Broker, a surpresa é enorme.

Vale ressaltar que a “batalha final” possui elementos, pelo menos que eu me lembre, jamais vistos em toda a série Mass Effect. A batalha é épica. Fantástica. Estou falando de um pacote de expansão que é o supra sumo dos DLC’s da franquia. O Shepard, aliás, tem de usar “velhos métodos” para que a missão seja concluída com sucesso. E como ele os usa bem!

A trilha sonora, como não poderia deixar de ser, é um verdadeiro primor. Um DLC épico requer música épica, e nenhum erro foi cometido neste quesito. É surpreendente como a música consegue nos impelir a jogar cada vez mais. Não foram poucas as vezes em que eu queria desligar meu Xbox 360, devido ao cansaço. Mas continuei jogando, devido ao maravilhoso conjunto áudio-visual oferecido por Lair of the Shadow Broker.

Pouco a pouco vamos entendendo que a rede mantida pelo vilão vai funcionar em Mass Effect 3, porém sob o controle das mãos adequadas. Não vejo mal algum em se formar “pontes” entre uma sequência e outra de um game através de DLC’s, desde que estes sejam bem feitos. E disto a BioWare entende. E com entende.

Raiva, pressa, ódio, medo, beleza, grandiosidade e impetuosidade: tudo isto, e muito mais, está presente em Lair of the Shadow Broker, um DLC que permite, no seu final, a derradeira destruição de nefastas sombras antigas por uma nova e radiante luz. Muito desta luz vem da Liara. Não vou comentar muito a este respeito para evitar spoilers. 🙂

Que dizer, então, do DLC Overlord e das experiências levadas a cabo sob o comando da organização Cerberus com um deficiente mental e um Geth? Experiências estas que, além do sofrimento causado a esta criatura (o humano), criaram uma espécie de inteligência artificial autônoma que deu muito trabalho ao Shepard e sua equipe? E Kasumi – Stolen Memory, então, outro DLC fantástico, que nos apresenta uma nova e intrigante personagem, a qual sofre por alguém cujas últimas memórias jazem em um artefato eletrônico que deve ser destruído?

É isto que eu gosto na BioWare e em Mass Effect. Escolhas que sempre trazem uma consequência. Trocando em miúdos: “plante vento, e colha tempestades“. Ou pense bem em suas decisões visando trilhar um caminho mais fácil e justo. Escolhas. Mass Effect é um game cheio delas. E eu adoro isto.

Adoro tomar tanto decisões que resultarão em pontos Paragon quanto em pontos Renegade. Muitas vezes uma ação aparentemente injusta representa a escolha certa, em determinados momentos. Uma ação violenta pode cessar um mal maior. Em contrapartida, demonstrações de fraqueza, incerteza, medo ou até mesmo recuar ante um desafio, também podem causar resultados positivos. Em Mass Effect é preciso sempre avaliar bem cada situação, levando em consideração tudo o que você já experimentou através do jogo. Tudo tem um porquê. Tudo tem um motivo, e nem sempre estes motivos são claros. A luz e as sombras são uma constante nesta fantástica série. Se você ainda não jogou, não sabe o que está perdendo.

Que venha logo Mass Effect 3, porque hoje à noite eu termino o 2. Collectors, me aguardem. 🙂

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4 Comments

  1. Caramba, deu até vontade de conhecer o jogo.

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    • @Hideki,

      Nossa, você não vai se arrepender. É fantástico. Terminei o 2 ontem. Logo logo posto minhas impressões. 🙂

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  2. Fantástica análise! Lair of the Shadow Broker sozinha já é melhor do que a maioria dos jogos que estão por aí!

    Parabéns, resumiu tudo muito bem. Fantástico seu trabalho aqui na XBox Plus, é uma forma de analisar e comentar jogos muito particular, que eu só vejo aqui.

    Reply
    • @Vitor,

      Realmente. O DLC é um “quase jogo”. Adorei o DLC, e fui deixando ele pro final. 🙂

      Opa, valeu, cara. Eu procuro passar, nas análises, etc, a impressão que o game me causou. O que ele me fez sentir. Acho que isso é algo muito importante. Procuro tentar mostrar o quão interessante pode ser a experiência, e as marcas que ela vai deixar no gamer. Acho muito legal fazer assim. 😉

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