Neste artigo, gostaria de utilizar a série Mass Effect, considerando tanto o Mass Effect 1 quanto o Mass Effect 2, para comentar um pouco sobre como eu enxergo a imersão que os games proporcionam ao jogador. Imergir em um game, para mim, significa ficar preso a ele de uma tal forma que seus personagens e seu enredo meio que “saem do jogo” e começam a nos fazer pensar em diversos outros assuntos.

Imersão é primordial em diversos gêneros de jogo, e o gênero RPG é um destes. É preciso que tenhamos sinergia com tudo aquilo com o qual estamos lidando para que possamos progredir no game, e se isto não ocorrer, ou a experiência será negativa ou, no mínimo, não extrairemos tudo o que o título em questão tem para nos oferecer.

É claro que nem sempre a culpa é do game, e muitas vezes pode ocorrer de um determinado jogo não ser do agrado do gamer. Este pode insistir em continuar jogando achando que gosta ou pode vir a gostar do game. Muito provavelmente o resultado será desastroso, e pouco a pessoa aproveitará da experiência. Aliás, experiência é algo a ser levado em conta quando estamos lidando com jogos eletrônicos. Ela deve ser prazerosa e acrescentar algo à vida da pessoa, nem que seja somente à sua vida de gamer.

Esta experiência deve, pelo menos, fornecer subsídios para que o jogador busque por novos objetivos em novos games, semelhantes ou não àquele que acabou de finalizar/jogar. A progressão pode ocorrer não somente no jogo em questão, mas também pode ser extendida a outros títulos e gêneros. O aprendizado e o prazer que se extrai de um game que se aprecia pode ser a força motriz para que novos horizontes sejam almejados e alcançados. Conheço gente que só jogava FPS’s (nada contra o estilo, que fique bem claro – aliás adoro FPS’s) e hoje joga RPG’s e puzzles, por exemplo, com muita frequência. Games também representam aprendizado, estejamos ou não falando da “vida real”.

A imersão deve ser total em games que possuam um enredo bem desenvolvido. Games que nos convidem a conhecer sua história devem receber nossa atenção, desde que gostemos do que estamos observando. Imersão não significa alienação. Não significa que somente teremos olhos para o jogo. Significa que, enquanto jogando, estamos “dentro do game”, sentindo o que seus personagens sentem, o que deve ser ou não feito, as consequências, etc. RPG’s, por exemplo, que falham em proporcionar tal grau de “abertura” são, em minha opinião, totalmente desnecessários. Aliás, não só RPG’s. Diversos outros games possuem enredos intrincados, os quais podem ou não ser bem desenvolvidos.

Se um jogo possui uma história, esta deve ser bem explorada, bem explicada. Todos os detalhes devem ser desvendados, e todas as “pontas soltas” que geralmente existem no início do gameplay devem ser esclarecidas até o final da jogatina. Caso contrário, o título terá falhado, e o jogador terá obtido uma “experiência pela metade” (ou talvez nem isso). “A história em games que possuem história” deve ser muito bem desenvolvida, e não fator secundário.

É claro que existem excessões a esta regra. Dead Rising 2, por exemplo, possui uma história. Mas o lance ali é fazer com que o Chuck cumpra as missões dentro dos prazos, forneça o Zombrex à sua filha nos horários certos e mate muitos, muitos zumbis. O mesmo se pode dizer de games como Zombie Driver, Left 4 Dead, Bob Came in Pieces, etc. É preciso, também, diferenciarmos games onde a história é primordial daqueles onde a história é apenas um elemento coadjuvante.

É impossível, por exemplo, jogarmos Mass Effect sem nos lembrarmos de Star Wars. Mass Effect 2, então, que é um game bem mais obscuro que seu antecessor, coloca o jogador em situações que, muitas vezes, chegam a causar grande impacto. Quem não se surpreende em Omega? Negativamente, aliás? Não que a experiência proporcionada pelo título seja negativa, mas sim o que Omega representa.

Quem não sente vontade de conversar com a durona Miranda e tentar quebrar a barreira que ela ergueu em volta de si mesma (ok, a gente consegue 🙂 ). Mass Effect vai além de um simples game. Ele conta com um enredo que pode e deve ser investigado, e o Codex fornece muitas informações interessantes. Digo até que Mass Effect 2, da BioWare, empresa que sempre mandou muito bem em seus RPG’s, seja o “supra sumo” do gênero RPG de ação, na atualidade.

É impossível jogar este maravilhoso título sem tentar saber mais a respeito do universo que te envolve. Os personagens possuem características tão fortes, tão marcantes, e as deixam tão à mostra, que o Shepard muitas vezes pode se ver em “maus lençóis”, dependendo das escolhas que toma. Aliás, muitas vezes tomar uma decisão pode ser um processo penoso. Quem jogou Mass Effect 1 e teve de decidir qual membro de sua equipe morreria e qual viveria sabe do que estou falando. Em ME2, a Asari Samara, uma Justicar, bem como o assassino Thane, são dois personagens que representam muito bem algo que os games da atualidade muitas vezes não mostram de forma clara: senso de justiça.

Existe um propósito em tudo o que os dois fazem e fizeram, e o próprio Shepard é colocado em risco ao aceitar os serviços da Samara, riscos estes, aliás, que são decorrentes das decisões do jogador. Samara e Thane matam, sentem dor pelas mortes que provocaram mas fazem tudo isto com um propósito em mente, com um fim, com um objetivo, e são implacáveis em seus objetivos. Aliás, que dizer do fatídico “encontro” de Samara e alguém de sua família?

Todos os dois Mass Effect colocam o jogador no papel de um personagem que possui sempre múltiplas escolhas, para o bem ou para o mal. Jogue Mass Effect, qualquer um deles, “no escuro”, sem prestar atenção, sem entender a história, e você acabará por achar que o game é ruim, o que representará, no final, infelizmente, um desperdício de tempo e uma má impressão a respeito de uma verdadeira obra prima.

A possibilidade de ter em suas mãos o destino das vidas de toda a tripulação da Normandy é algo incrível. Você escolhe os personagens que saem com você para as missões, você os evolui, você manda. O peso sobre os ombros do Shepard é incrível, mas as recompensas também existem. Não é fácil encontrarmos um game que nos dê tanta liberdade, onde tantas decisões devem ser tomadas, e onde cada uma delas repercutirá positiva ou negativamente, em algum momento. Aliás, durante as telas de loading de Mass Effect 2 podemos observar, algumas vezes, mensagens a respeito do fato de que nossas decisões em ME2 afetarão de certa forma o gameplay de Mass Effect 3.

Em Mass Effect a tecnologia é apenas um dos elementos que fazem da série o sucesso que é. E não estou falando somente a respeito da tecnologia envolvida em seu desenvolvimento: o futurismo “in game” também é fantástico. Mas a tecnologia, em todos os âmbitos, não é tudo. Existe muita humanidade em Mass Effect. Demonstrações de carinho, fraqueza, pesar, amor, ódio, desconfiança e malícia não são incomuns entre os diversos personagens, sejam eles da equipe do Shepard ou não.

Em ME somos cercados e agraciados por um enorme conjunto que nos cobre como um magnífico manto: gráficos, enredo, personagens, jogabilidade, tomadas de decisão e música. Todos estes 6 elementos mantêm o gamer preso a algo que representa uma experiência única. A imersão será total, se você por ela se deixar levar.

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