Há tempos esta questão está presa em minha cabeça, e meio que brigo com a mesma de tempos em tempos. Franquias de filmes ou games famosas transformadas em MMO’s, MMORPG’s, MMORTS’s, etc, perdem sua profundidade (claro, desde que a “origem” também seja algo profundo)? Aliás, pode algum MMO possuir o mesmo nível de profundidade que outros gêneros de jogos eletrônicos? Um série profunda e dotada de um universo extremamente coeso e imenso como Mass Effect, por exemplo, seria capaz de manter sua profundidade e seu enorme apelo aos fãs que amam ME1, ME2 e jogarão Mass Effect 3, caso transformada em um MMO?

Será que eventos PvP, PvE, partidas online repletas de jogadores do mundo todo, etc, não destoam daquilo que esperamos para o futuro de determinadas franquias e séries? Um jogo online repleto de jogadores falando ao mesmo tempo, xingando uns aos outros, brincando, jogando por jogar, etc, poderia sequer chegar perto da experiência proporcionada pelo jogo em seu modo solo? Obviamente esta é uma situação hipotética, e todos sabemos que, como em qualquer lugar, existem jogadores educados e os mal educados.

Mas será que, no caso de Mass Effect, o melhor não seria o encerramento da franquia, ao invés de seu hipotético prolongamento através de um MMO que conterá, certamente, milhares de jogadores que nada saberão a respeito do “pano de fundo” do universo no qual foram inseridos virtualmente? Será, aliás, que além da profundidade, a transformação de um ótimo jogo em um MMO não o faria perder sua identidade? O que diferenciaria um Mass Effect MMO de um jogo qualquer? Mesmo a presença de personagens chave da franquia não o tornaria um Mass Effect 4, por exemplo, nem tampouco faria com que ele fosse algo mais profundo que um World of Warcraft.

Devo diver que não tenho nada contra MMO’s. Muito pelo contrário, gosto de alguns deles, aprecio o “movimento free-to-play”, desde que tenhamos condições de jogar títulos onde não sejamos obrigados a “pagar para vencer”, e títulos como WoW e Rift são por mim muito apreciados. Entretanto, temos de convir que a “narrativa” neste tipo de jogo é diferente da de outros gêneros.

Em um MMO o jogador é apresentado a eventos muitas vezes banais, em maior ou menor nível, dependendo do jogo e da situação. Algo muito diferente de um RPG offline, por exemplo, como Skyrim, onde temos de lidar com escolhas, satisfações e perdas que quase sempre são resultado de nossas atitudes. As atualizações realizadas em diversos MMO’s introduzem novos elementos e ampliam o enredo dos jogos, mas deixam o jogador de fora do processo construtivo. Isto, é claro, também acontece com diversos outros games e gêneros, mas um MMO é um gênero onde somos lançados em cenários “pré-prontos”. Onde nossas ações, muitas vezes, não possuem grande impacto em relação ao universo do jogo, salvo raros casos.

O jogador é inserido como um expectador, à princípio, e pode então, a partir daí, “construir uma história paralela”, mas jamais poderá interferir no grande todo que compõe o enredo do MMO. Quando falamos em eventos “Player versus Player”, então, tudo fica, digamos, pior ainda, dentro do escopo deste texto. Em grande parte das vezes não há história, não há “background”, não há nada que ligue os tais eventos PvP, pelo menos de forma forte, ao anterior jogo não MMO.

A EA e a BioWare hoje começam a abrir as portas de Star Wars: The Old Republic, mais um jogo baseado na fantástica série de filmes Star Wars. O MMORPG será lançado oficialmente em  20 de Dezembro de 2011, mas quem adquiriu o título durante a pré-venda já poderá começar a jogar a partir de hoje. Ondas de jogadores começarão a invadir os servidores do jogo, segundo a EA. Tudo será (pelo menos é o que diz a EA) controlado, e para tanto, o comprador deverá participar do “Early Game Access program” e solicitar sua key através deste link.

The Old Republic combina as melhores características de um MMO espacial e adiciona inovações significativas, resultando em uma experiência online emocionalmente envolvente, onde você tem um propósito claro e significativo. Nossos ‘beta testers’ nos disseram que nós verdadeiramente capturamos a magia do universo de Star Wars e modificamos aquilo que eles esperavam de um MMO.  A equipe de The Old Republic está incrivelmente animada, honrada e ansiosa para fornecer acesso antecipado para os clientes que compraram o jogo durante a pré-venda. Este é apenas o início de uma grande aventura, juntos“, disse o Dr. Ray Muzyka, gerente geral e co-fundador da BioWare.

Confio muito na BioWare, e é muito provável que Star Wars: The Old Republic seja mesmo um grande jogo, e que ele tenha mesmo capturado “a magia do universo de Star Wars”. Entretanto, em que nível isto ocorre, ou ocorrerá? Esta magia poderá ser apenas vista ou experimentada? Que nível de interação teremos com tal magia? Teremos um jogo realmente envolvente ou um MMORPG com elementos interessantes que, entretanto, “não engrenará”?

Aliás, que elementos um MMO deve possuir para se transformar em um sucesso? Acredito que ainda tenho muitas questões, em relação a este assunto. Mas acredito que franquias de jogos famosas, por exemplo, ao se transformarem também em MMO’s, perdem profundidade e se tornam algo totalmente diferente do “modelo”.

 

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