A idéia para este artigo surgiu ontem, após perceber que F1 2010, game que comprei no Steam ainda durante sua pré-venda, e que estava liberado há até pouco tempo atrás, sofreu um “bloqueio por região”, enquanto Risen, game outrora bloqueado, está agora livre para toda e qualquer pessoa que quiser comprá-lo. É interessante, apesar de triste, percebermos quantos “muros virtuais” ainda existem na distribuição digital de games, modalidade de venda de jogos que “utiliza a web como transportadora” e que, a princípio, não deveria conviver com tais limitações.

Quando olhamos para o modelo tradicional de venda de games e para o fato de que podemos, por exemplo, comprar F1 2010 ou GTA IV (outro título bloqueado no Steam) em varejistas locais, no Brasil mesmo, este absurdo fica ainda mais difícil de entender. Existe todo um esquema que envolve o distribuidor, o desenvolvedor e a loja. É óbvio que a loja, como o Steam, o Direct2Drive, etc, quer vender, assim como o desenvolvedor. Minha opinião é a de que a pressão para tais bloqueios tem como responsáveis as distribuidoras, e um dos motivos para tal pressão seria, talvez, a pirataria.

Mas somente este fato não explica tudo, pois estes “muros virtuais” ficam ainda mais difíceis de aceitarmos quando percebemos diferenças no tocante ao que uma loja online de games oferece e outra não. Existem casos onde o Steam vende um game para o mundo inteiro, enquanto outros sites o vendem somente para determinadas regiões. Existem casos, também, onde o inverso ocorre. Sendo assim, e se tomarmos como premissa o fato de que os serviços de distribuição digital estão ali para vender, que interesses haveriam por trás de tais “acordos” realizados entre distribuidoras e lojas?

Por que F1 2010 agora não pode ser comprado por Brasileiros, no Steam, mas o pode no Direct2Drive? Por que Mass Effect (1 e 2) pode ser comprado por gamers do mundo inteiro no Steam, por exemplo, enquanto no Impulse ele está disponível apenas para algumas regiões (Brasil não incluso)? Não se trata do mesmo conteúdo, do mesmo game, do mesmo “software”? Quais acordos, se é que eles existem formalmente, teriam as distribuidoras com os diferentes sites de distribuição digital que existem hoje em dia?

Vejo muitas vezes sites de distribuição digital que possuem versões US e UK, e muitas vezes, um game está bloqueado na versão US do site mas não na versão UK. Foi o que aconteceu comigo na compra de meu FIFA 11. Quando alguém compra um game, o dinheiro passa pelas mãos da loja, da distribuidora e do desenvolvedor (sem contar com outros “elementos” que não vêm ao caso aqui). Todos recebem a sua parte. Sendo assim, por que ainda convivemos com tais barreiras, se todos ganham e, no final das contas, os jogos são os mesmos e o dinheiro é o mesmo?

Não seria a hora de lojas, desenvolvedores e distribuidores sentarem para conversar e reverem esta situação que, apesar de poder ser facilmente burlada, é muito chata, pois de certa forma representa uma exclusão? Não seria a hora, também, de nós, gamers, entrarmos em contato com nossas lojas preferidas e reclamarmos de tudo isto? É claro que somos muito pequenos frente a tais gigantes, mas se muitas pessoas reclamarem, talvez as palavras corretas cheguem aos ouvidos certos.

É inadmissível que ainda convivamos com barreiras na internet, principalmente no tocante à venda de games. Censura? Não, não é este o caso. O que haveria em F1 2010 para ser censurado, por exemplo? O “buraco é mais embaixo”. Trata-se “acordos misteriosos” que apenas prejudicam a imagem das lojas e distribuidoras, pois todos nós sabemos que o desenvolvedor gostaria muito de vender seu game para o mundo inteiro.

Blacklight: Tango Down é outro exemplo recente de um game que foi bloqueado no Steam, enquanto não o foi em outros serviços. Caramba, qual a razão disto? Por que a Ignition Entertainment fez uma coisa dessas, enquanto o mesmo título está lá, disponível para o mundo inteiro, no Impulse, na Games for Windows Live e na Xbox Live, para o Xbox 360? Conversando com o leitor JC em um outro post, estávamos falando a respeito da imposição de varejistas locais para que tais games fossem bloqueados. Mas será que tais lojas “físicas” teriam tal poder? E isto não cairia por terra quando observamos as discrepâncias em relação ao que um serviço de distribuição digital oferece e o outro não?

Acredito que a mentalidade de muitas publishers ainda é meio tacanha. Muitas delas talvez não estejam ainda preparadas para o “modelo online” ou, pelo menos, não o estão da forma que deveriam. A pirataria pode muito bem estar presente nas mentes destes executivos quando pensam nestas “regrinhas” absurdas, mas todos nós sabemos que bloqueios, DRM e coisas do tipo de nada adiantam, infelizmente. E o pior: prejudicam o gamer sério, que quer obter seus games de forma legal, em todos os sentidos.

Se “a distribuição digital é o futuro”, como apregoam muitas pessoas (e eu mesmo acredito nisto), quando serão derrubados os muros virtuais que ainda limitam quem dela quer se beneficiar?

Poderá gostar também

Pin It on Pinterest