Hoje pela manhã me deparei com uma notícia que me deixou duplamente triste. Ao acessar o site do GOG (ou Good Old Games), dei de cara com uma triste página de despedida, onde a equipe do GOG diz que o site de venda de games antigos, pelo que tudo indica, está encerrando as atividades. Na curta nota exibida no site, é dito que o GOG.com “simplesmente não pode continuar em sua forma atual“. Também é dito que a equipe do GOG está muito grata pelo apoio que receberam e que trabalhar no GOG foi uma “grande aventura” (isto me lembra do caso APB).

A mesma mensagem que aparentemente serve como “certidão de óbito” do site também dá mostras de que, talvez, nem tudo esteja perdido. Ela menciona que “a idéia por trás do GOG.com” não está perdida, que o serviço está sendo encerrado mas que a equipe ainda aguarda por novos desafios. Bom, tudo isto é muito triste, porque além do serviço fenomenal que o GOG.com prestava, o XboxPlus tinha conseguido há pouco tempo uma parceria com o site. Nosso primeiro sorteio relacionado, mediante o qual o ganhador pôde escolher qualquer jogo antigo do catálogo do Good Old Games, foi iniciado no dia 01 de Setembro passado, e mais estavam por vir. Aliás, outro seria iniciado esta semana. 🙁

Tentei entrar em contato com a mesma pessoa do GOG com a qual mantive contato durante este tempo todo, mas no entanto não consegui obter nenhuma resposta (na semana passada, aliás, em nossos contatos, esta mesma pessoa, muito gentil, diga-se de passagem, disse que eu poderia lançar o próximo concurso sem problema algum – este encerramento de atividades não foi mencionado de forma alguma). Espero que o ganhador do primeiro (e último, pelo que parece) sorteio já tenha baixado seu Psychonauts (game por ele escolhido), aliás. Bom, é claro que o sentimento que tudo isto provoca é tristeza. Ou melhor, são dois os sentimentos que o encerramento do GOG provocam, pelo menos a mim: tristeza e estranheza.

Como assim, o GOG.com não existe mais?

Acho muito estranho um serviço como este ter fechado as portas de forma tão repentina. O encerramento do serviço foi divulgado no Twitter da empresa no dia seguinte ao anúncio de uma promoção. Pouco tempo depois, o GOG divulgou no Twitter uma mensagem mencionando problemas em relação ao fato de todos os games vendidos serem livres de DRM. Pelo que se pode depreender deste tweet, as distribuidoras não estavam muito contentes. Segundo o próprio GOG, também, uma solução que permitirá o download dos jogos comprados será lançada na próxima semana. Nada mais do que justo.

Entretanto, este hipotético encerramento de atividades, ou mudança na forma de trabalho, ou transição, ou seja lá o que quer que aconteça com o GOG, faz com que sintamos que tanto gamers quanto lojas, distribuidoras e desenvolvedoras ainda não estão preparados 100% para a distribuição digital.

A distribuição digital de games é segura?

Isto faz com que sintamos até mesmo medo. Pois, afinal, o que impediria um serviço como o GOG de fechar e simplesmente não disponibilizar maneira alguma para que os jogadores baixassem todos os jogos que porventura tivessem comprado? Nós, brasileiros, por exemplo, teríamos como “brigar na justiça” por nossos direitos? Aliás, que segurança temos em relação aos nossos games comprados porém não baixados, em outros sites de distribuição digital de games?

Afinal, uma das vantagens deste modelo de venda de games é o fato de contarmos com “armazéns virtuais” onde nossos games ficam “estocados”, para serem baixados e instalados quando quisermos. Se grandes empresas totalmente baseadas no “mundo físico” quebram e deixam clientes na mão, o que pode acontecer com empresas, mesmo grandes, que possuem grande parcela de suas atividades baseada no “mundo virtual”?

Será que até mesmo o gigante Steam está livre deste tipo de problema (espero que sim)? Confesso que adoro a comodidade e a agilidade que a distribuição digital de games oferece, mas este tipo de acontecimento, tendo como protagonista um serviço aparentemente sólido como o GOG.com, deixa dúvidas quanto à segurança do modelo. Será que temos de baixar e armazenar em DVD’s e mais DVD’s todos os games que compramos em sites como Impulse, Direct2Drive, GamersGate, etc? E no caso do Steam, como faríamos isto, uma vez que todos os games que possuímos ali somente rodam mediante a instalação do cliente e a devida autenticação nos servidores do serviço?

Perda total, em um hipotético fechamento? Vale ressaltar, também, que nenhum dos outros sites de distribuição digital de games da atualidade oferece as vantagems que o GOG oferecia: extras. Maravilhosos extras. Wallpapers, trilhas sonoras, ringtones, manuais, etc. Nenhum outro site na atualidade é especializado em games antigos, como o era o GOG. O serviço firmou parceria com grandes publishers, como a Activision, por exemplo, e vendia muitos games que não eram encontrados em nenhum outro local.

DRM e distribuidoras

Talvez a extrema liberalidade do site tenha provocado os tais problemas e a “infelicidade” das distribuidoras, culminando com o fechamento do serviço. Todos sabemos que games livres de DRM podem ser distribuídos livremente, e aí, talvez, esteja um dos motivos da suposta insatisfação que o GOG menciona, em relação às distribuidoras. Que fique bem claro: insatisfação por parte destas últimas, pois tenho plena convicção de que a equipe do GOG e os gamers possuíam muito apreço pela questão “DRM-Free”.

É triste sabermos que o cantinho virtual dos retrogamers está morto, digamos. Mais triste ainda é saber que um dos grandes males da atualidade, quando lidamos com softwares, games e similares, a pirataria, tenha uma parcela de culpa nisto tudo. Pois ausência de DRM significa caminho aberto para que qualquer game seja disponibilizado a qualquer um sem qualquer tipo de pagamento. Não estou aqui defendendo o DRM (e muito menos a pirataria), mas o resultado a que o GOG chegou é triste.

O que você pensa disto tudo, e como se sente em relação ao fim do GOG (afinal, tudo leva a crer que, pelo menos o GOG como o conhecemos hoje, está morto)?

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