Quando iniciamos uma empreitada, estabelecemos ali o seu começo e logo imaginamos o seu fim. Atribuir um início e um final a todas as coisas já faz parte da cultura do ser humano. Diversas obras artísticas, incluindo a literatura, o cinema e, é claro, os videogames, refletem muito bem essa característica. Um dos temas que mais nos atiça a imaginação é como nossa existência aqui na Terra, nossa civilização, vai alcançar o seu fim – o tão temido Apocalipse. E, sem dúvidas, teorias de como isso vai ocorrer é o que não falta, estejam elas publicadas em textos religiosos, livros científicos, obras de ficção ou até mesmo nas malditas correntes de e-mail ou murais do Facebook.

Muitas dessas “teorias” são fonte para uma série de boatarias. Uma delas, inclusive, você provavelmente já conhece: reza a lenda, ou melhor, um calendário maia, que o mundo vai acabar no dia 21 de dezembro de 2012 – daqui menos de uma semana! A ideia é furada e está mal interpretada desde o começo dessa lenda urbana, mas há quem acredite até a última ponta do fio de cabelo. Aliás, até mesmo o conceito de “apocalipse” como “fim do mundo” está equivocado.

Mesmo que isso seja puramente uma questão de tempo, não fazemos a menor ideia de quando o mundo vai acabar e nem como isso vai acontecer. Nem mesmo se vamos ser capazes de sobreviver pra contar a história. Entretanto, se nossas artes são capazes de refletir nossa fértil imaginação, vale a pena tentar ao menos adivinhar ou, quem sabe, se preparar para o fim dos tempos. Entram em cena aí diversos jogos que exploram muito bem esse tema.

Enfim, estando os maias certos ou não, montamos abaixo uma lista com 10 dos melhores jogos de temática pós-apocalíptica, cada um com sua própria imagem do dia do juízo final e de como a humanidade vai (tentar) sobreviver a tudo isso. Nada mais divertido (e irônico) do que passar a véspera do dia 21/12 jogando um deles, não é mesmo? Boa leitura!

Obs.: esse texto não contém spoilers.

10. I Am Alive (Ubisoft Shanghai, 2012)

Tipo de Apocalipse: Desastre geológico
Gênero: Survival horror
Plataformas: Xbox 360, PlayStation 3 e PC

Em uma bela manhã, ao chegar cedo ao trabalho, você é surpreendido com um terremoto de proporções bíblicas que devasta o planeta, abre fendas gigantescas e engole arranha-céus. O caos se instaura, o governo perde o controle da população e os poucos sobreviventes precisam lutar em busca de recursos. A água torna-se um bem tão raro que, para consegui-la, muitos estão dispostos a cometer atos extremos e repugnantes, arriscando a sua própria vida e a de inocentes. Essa é o cenário de I Am Alive, título pós-apocalíptico que ficou quase 9 anos no forno, passando por duas desenvolvedoras e incontáveis atrasos.

A ideia do jogo é sensacional. Encaixa perfeitamente na temática, além de que um catástrofe dessa magnitude não é tão improvável assim (lembra do devastador terremoto no Japão, em 2011?). O problema mesmo é que a execução ficou um desastre (com o perdão do trocadilho). As mecânicas são simplórias e defeituosas, e os gráficos são bem ultrapassados. Talvez seja uma triste consequência do desenvolvimento lento e tumultuado, que causou a perda de grande potencial que esse jogo outrora aparentou ter. Mesmo assim, se você aprecia o tema e não liga muito para a parte técnica, I Am Alive pode muito bem valer o seu tempo.

9. Anno 2070 (Related Designs / Ubisoft Blue Byte, 2011)

Tipo de Apocalipse: Aquecimento global
Gênero: Estratégia em tempo real
Plataformas: PC

Por anos fomos avisados, mas não adiantou. As emissões de gás carbônico chegaram a níveis críticos, intensificando o efeito estufa e aumentando a temperatura do planeta. A formação de supertempestades e o derretimento das calotas polares elevou o nível dos oceanos ao ponto em que toda a civilização ficou confinada a pequenos pedaços de terra restantes, disputados agora por duas facções: a The Eden Initiative (“Ecos”) e a Global Trust (“Tycoons”), ambas apoiadas pela S.A.A.T. (Scientific Academy for Advanced Technologies, os “Techs”), uma terceira facção, neutra.

Essa é a visão apocalíptica, extremamente plausível, de Anno 2070, o representante de jogos de estratégia da nossa lista. O Aquecimento Global é uma realidade atual e tudo indica que a coisa deve piorar nos próximos anos. Exatamente por tratar de um tipo de catástrofe que já é bem palpável por nós (ou pelo menos será, em curto prazo), Anno 2070 merece um lugar dentro dessa temática. As duas facções do jogo são claramente inspiradas nas ideologias dos países desenvolvidos e emergentes que vivem entrando em conflito nas conferências climáticas atuais. Enquanto alguns propõem soluções sustentáveis e ecologicamente corretas (The Eden Initiative), outros só querem intensificar seu desenvolvimento e ganhar dinheiro (Global Trust).

Essas ideologias, aliadas ao cenário pós-apocalíptico onde os oceanos tomaram conta do planeta, abrem margem para um intenso conflito entre as duas grandes potências do jogo. Uma visão apocalíptica interessante, que pode muito bem se tornar realidade muito mais cedo do que imaginamos.

8. Resistance: Fall of Man (Insomniac Games, 2006)

Tipo de Apocalipse: Invasão alienígena e supervírus
Gênero: Tiro em primeira pessoa
Plataformas: PlayStation 3

A franquia Resistance, exclusiva da Sony e seus produtos, cria um apocalipse alicerçado sobre uma realidade alternativa, onde alguns eventos-chave do século XX não ocorreram da maneira como os livros de história nos contam. A Grande Depressão, a Segunda Guerra Mundial e o aparecimento dos nazistas na Alemanha não aconteceram, e isso criou uma configuração mundial bem diferente. Configuração essa que é colocada em xeque quando, em 1908, um asteroide cai em Tunguska, na Rússia, carregando um misterioso vírus alienígena, chamado de Chimera, que infecta humanos e os transforma em supersoldados que passam a lutar em nome da “civilização” alienígena. Em 1951, a Europa já está praticamente devastada pelo ataque alien e o mundo a beira da dominação.

No primeiro jogo (Resistance: Fall of Man), a história inicia com o protagonista Sgt. Nathan Drake sendo enviado junto com uma força tarefa americana à Inglaterra para tentar recuperar uma arma secreta capaz de por fim ao tal vírus. A história ainda se estende por mais quatro jogos (duas sequências e dois spin-offs para portáteis), mostrando a luta desesperada da humanidade para tentar expulsar a ameaça alienígena do planeta. A franquia é referência nesse gênero, além de ser sucesso de crítica, must-own para os donos de PlayStation 3, PSP e PlayStation Vita.

Em um universo com milhões de galáxias, cada uma com suas bilhões de estrelas e sistemas de planetas orbitando-as, é burrice achar que a Terra seja o único lugar onde exista vida inteligente. A forma como a invasão alienígena em Resistance iniciou é baseada em uma das teorias que tenta explicar a própria origem da vida aqui na Terra (Panspermia). É exatamente por todo esse embasamento que um apocalipse por invasão alienígena pode tornar-se bem real, ainda que muito improvável, já que não detectamos nenhum sinal de vida até o momento… mas vai saber né? É assombroso só de imaginar.

7. Mass Effect 3 (BioWare, 2012)

Tipo de Apocalipse: Invasão alienígena
Gênero: RPG / Tiro em terceira pessoa
Plataformas: Xbox 360, PlayStation 3 e PC

Com um universo tão gigantesco assim, é bem possível que a humanidade entre em contato, em algum momento, com alguma forma de vida inteligente. No caso da franquia Mass Effect, descobertas científicas dentro do nosso próprio sistema solar possibilitaram a realização de viagens espaciais numa velocidade mais rápida do que a da luz, por exemplo. Daí até encontrar outra civilização perdida por aí foi um pulo. E não foi apenas uma civilização, mas várias. Algumas amigáveis, outras hostis, e uma minoria nem tão inteligente assim. Mas o que fazer quando todas essas civilizações, incluindo a própria raça humana, são ameaçadas por seres ainda mais superiores e aparentemente indestrutíveis?

Ninguém sabe de onde saíram, o que eles são e nem como pará-los. Conhecidos apenas como Reapers, uma “raça” misteriosa dotada de um poder descomunal, eles representam a única entidade capaz de varrer toda a vida da galáxia. É necessário uma tonelada de explicações (leia-se spoilers) para entender o que acontece por aqui, mas vamos apenas dizer que não vai ser nada legal quando esses seres resolverem aparecer aqui na Terra, né? Esse é basicamente o cenário de Mass Effect 3, que retrata um apocalipse semelhante ao jogo anterior dessa lista (Resistance: Fall of Man), mas numa escala muito, muito maior. E bem mais desesperadora.

A franquia Mass Effect, que conta a odisseia do comandante Shepard, um soldado da Aliança que se vê diante de uma conspiração de proporções inimagináveis, é uma das melhores produções da indústria do entretenimento dos últimos anos. Os dois primeiros jogos servem de base para o fatídico evento apocalíptico que ocorre no terceiro e mais recente título. Como falamos, é difícil dar detalhes sem entregar informações cruciais, mas, sem dúvida, temos aqui um apocalipse que fará você pensar duas vezes antes de encorajar projetos científicos que buscam vida universo afora.

6. RAGE (id Software, 2011)

Tipo de Apocalipse: Impacto de asteroide
Gênero: Tiro em primeira pessoa
Plataformas: Xbox 360, PlayStation 3, PC e Mac

A lendária produtora de Doom e Quake gosta mesmo de uma boa catástrofe. Ao contrário dos seus dois grandes clássicos – retratando eventos mais isolados –, RAGE foi mais longe e mergulhou todo o planeta Terra em caos generalizado após o impacto do asteroide 99942 Apophis, em 2029. Numa tentativa de preservar a espécie humana, o protagonista do jogo foi trancafiado, pouco antes do impacto do asteroide, em “arcas” subterrâneas. Tais arcas serviram de abrigo para várias outras pessoas, sortudas o bastante para escaparem da devastação na superfície. Quase 100 anos depois, o protagonista retoma a consciência dentro da arca em que foi mantido em criogenia e descobre que a tal devastação não foi tão extensa quanto se previu.

Muitos sobreviveram ao impacto e se organizaram formando novas cidades. Vários desses povoados, bastante precários e erguidos com a sucata do que restou do mundo civilizado de antes, estão numa guerra constante contra bandidos, saqueadores e mutantes. E pior ainda: o protagonista, que teve o privilégio de ser escolhido para integrar as tais “arcas”, é valioso para muitos desses grupos violentos.

O jogo é uma salada de influências, que derivam desde filmes, como Mad Max 2, até outros jogos como Borderlands e a franquia Fallout. O apocalipse retratado por RAGE é o único que nosso planeta comprovadamente já passou, por diversas vezes. E, pelo menos contra os dinossauros, funcionou bem. Isso vai acontecer de novo, mas esperamos que dessa vez a humanidade consiga mudar o seu destino. Caso você tenha clicado no link do nome do asteroide que se choca com a Terra em RAGE, deve ter visto que ele é real e, por muito tempo, considerou-se seriamente que ele pudesse cair aqui. Felizmente, para nosso alívio, novos cálculos mostraram que isso é pouco provável. E tomara que fique por isso mesmo.

5. The Walking Dead (Telltale Games, 2012)

Tipo de Apocalipse: Zumbis
Gênero: Aventura, point-and-click
Plataformas: Xbox 360, PlayStation 3, PC, Mac e iOS

É difícil achar outro ícone que esteja tão saturado quanto os zumbis. O conceito de um cadáver ambulante, desalmado, de aparência pútrida e faminto por carne e cérebros humanos é usado a exaustão há mais de 40 anos, desde quando George Romero e seu filme “A Noite dos Mortos Vivos” estouraram no cinema, em 1968. Daí pra frente, diversas outras produções se aproveitaram da ideia para tentar conquistar o público de um gênero de entretenimento cada vez mais saturado. Poucas produções se sobressaíram. Uma delas é a obra de Robert Kirkman, The Walking Dead, lançada originalmente como histórias em quadrinhos, depois sendo adaptada para a TV, como uma série do canal americano AMC, e, mais recentemente, para video game, pela Telltale Games.

O universo da franquia retrata o planeta assolado por uma epidemia zumbi de origem não bem esclarecida. A maioria da população foi atingida pelo vírus zumbi que transforma suas vítimas, após a morte, em criaturas desalmadas, chamadas de “walkers”. O jogo da Telltale, que recentemente foi eleito o Jogo do Ano, pela Spike Video Game Awards, conta a história de um grupo de bravos sobreviventes, liderados por Lee Everett, um professor universitário que, no meio do caos, encontra a pequena Clementine, com quem desenvolve uma verdadeira relação de pai e filha.

Intensamente focado na história e nas escolhas do jogador, The Walking Dead nos mostra o quão longe um ser humano pode chegar em nome da própria sobrevivência. Por mais que a ideia de um apocalipse zumbi seja impossibilitada por grandes incongruências biológicas e logísticas (que muita gente nem percebe), esse evento, da forma como é retratado em The Walking Dead, mostra uma visão fria de como a sociedade é capaz de degradar a condição humana em nome do bem próprio. É uma desesperada batalha “cada um por si”, contra um inimigo que muitas vezes nem são os zumbis. É o jogo da lista que nos reafirma que o pior não é o “fim do mundo”, mas sim o que vem depois.

4. Left 4 Dead 2 (Valve Corporation, 2009)

Tipo de Apocalipse: Zumbis
Gênero: Tiro em primeira pessoa
Plataformas: Xbox 360, PC, Mac e Linux

Assim como a maioria dos jogos da Valve, a franquia Left 4 Dead deixou uma marca profunda na indústria de jogos. A série não só mudou a forma como se faz jogos cooperativos, como também foi a grande responsável por popularizar de vez o conceito de apocalipse zumbi. Ao contrário da abordagem mais séria e dramática de The Walking Dead (descrito anteriormente), por exemplo, Left 4 Dead tem uma forma muito mais simples e direta (e sangrenta!) de colocar o jogador no meio do caos. Tanto no primeiro título, de 2008, quanto no segundo, lançado um ano depois, a história é totalmente dispensada, dando lugar apenas as aventuras de quatro sobreviventes muito bem armados e imunes ao vírus zumbi – que é, nesse caso, uma versão mutante do vírus da Raiva, sendo os zumbis do jogo chamados “infectados”.

Os cenários incluem áreas urbanas e rurais do nordeste dos Estados Unidos e as fazendas e guetos do sul, especialmente as cidades de Savannah, Georgia e Nova Orleans, Louisiana. São tantos clichês incluídos nos ambientes, personagens e outros elementos audiovisuais que o jogo funciona mais como uma grande homenagem ao gênero de zumbi e catástrofes. As campanhas conseguem passar muito bem a impressão de um mundo abandonado, sombrio, agora povoado por hordas gigantes de infectados de várias “espécies”. O pouco que se sabe sobre o resto do mundo está em mensagens escritas nas paredes nos diversos abrigos espalhados pelo jogo.

Mesmo sem um grande enredo por trás ou qualquer outra preocupação em envolver o jogador, Left 4 Dead consegue fazer bonito com mais uma ótima representação do “fim do mundo” causado por pandemia, onde a sobrevivência depende de um bom trabalho em equipe. Principalmente se existirem armas pesadas e muita munição em cada esquina, transformando o apocalipse zumbi em algo bem mais divertido!

3. Half-Life 2 (Valve Corporation, 2004)

Tipo de Apocalipse: Invasão alienígena
Gênero: Tiro em primeira pessoa
Plataformas: Xbox 360, Xbox, PlayStation 3, PC e Mac

Half-Life 2, o “shooter da década”, também é um dos grandes contribuidores do gênero pós-apocalíptico. No primeiro título, de 1998, cientistas trabalhando com uma tecnologia de portais ainda não bem compreendida acabam, por acidente, abrindo uma passagem para outra dimensão. Várias raças alienígenas hostis, usando a tal passagem, chegam ao nosso mundo. Gordon Freeman, o grande herói e um dos ícones da indústria de jogos, consegue então viajar pelo portal criado e atacar o próprio planeta dos alienígenas, fechando a passagem, ou ao menos assim se pensou.

Em Half-Life 2, Gordon Freeman acorda em uma estação de trem da City 17, uma cidade europeia já dominada por um exército da raça alienígena “Combine”, que invadiu o planeta e derrotou todas as forças militares da Terra em apenas sete horas. Indefesa, grande parte da população foi exterminada, com o restante sobrevivente isolado em “guetos”, vivendo sob constante opressão e medo, diante do novo regime “Combine”. Alguns fugiram para o campo (também tomado por outras raças alienígenas, que pegaram uma “carona” pelo portal), de onde organizam movimentos de resistência contra os invasores e promovem constantemente atos de sabotagem, pilhando depósitos inimigos e resgatando prisioneiros.

Por abordar a temática a partir da visão de um cientista (o próprio Gordon Freeman), Half-Life 2 nos mostra o quão perigoso é experimentar com coisas que nós não compreendemos totalmente, deixando a razão de lado em nome da pura curiosidade. É uma crítica, mesmo que não intencional, aos diversos projetos científicos que são colocados em prática sem antes haver uma melhor compreensão dos seus riscos e consequências. Incluem aí o Grande Colisor de Hádrons, a Clonagem, a Fissão Nuclear e os experimentos de Teletransporte quântico. Todos criados com boas intenções e até agora mostrando bons resultados, mas até que ponto eles são benéficos para a humanidade?

2. Metro 2033 (4A Games, 2010)

Tipo de Apocalipse: Guerra nuclear
Gênero: Tiro em primeira pessoa
Plataformas: Xbox 360 e PC

Durante mais de 40 anos, um período estabelecido entre 1945 a 1991 conhecido como “Guerra Fria“, a humanidade viveu sem a certeza de que o sol nasceria no dia seguinte. Estados Unidos e União Soviética desenvolveram uma corrida bélica absurda. Chegou-se a produzir mais de 40.000 ogivas nucleares durante esse período, sendo que são necessárias “apenas” 100, aproximadamente, para exterminar boa parte da população mundial concentrada em grandes cidades e iniciar um inverno nuclear.

Em Metro 2033, baseado no livro homônimo do escritor russo Dmitriy Glukhovskiy, a tal “Guerra Fria” acabou esquentando demais. Em 2013, teve início a Terceira Guerra Mundial, que iniciou e terminou em pouco tempo. O mundo foi devastado pelas armas atômicas. Em Moscou, aqueles que sobreviveram estão agora abrigados no sistema de metrôs da capital russa, construído durante a Guerra Fria com a segunda intenção de abrigar a população no caso de uma guerra nuclear. E foi o que aconteceu. A ambientação espetacular do jogo é a aplicação da famosa frase de Albert Einstein: “Eu não sei com que armas a Terceira Guerra Mundial será lutada, mas a Quarta será com paus e pedras”.

Nenhum outro jogo nesse gênero preza tanto pela imersão do jogador quanto Metro 2033. O realismo faz parte integral da mecânica: na maioria dos momentos, não há um HUD detalhado. As armas são precárias, a munição é escassa, é necessário carregar uma bateria que alimenta sua lanterna, e as máscaras de gás têm durabilidade limitada e filtros que precisam ser trocados regularmente. Os sobreviventes estão sob constante ataque de mutantes e outras anomalias radioativas bizarras. Isso quando bandidos e facções paramilitares não estão se matando nos túneis, mesmo após o mundo como conhecemos ter acabado há um bom tempo. Metro 2033 consegue mostrar com uma fidelidade perturbadora os horrores de um holocausto nuclear que, mesmo depois do fim da Guerra Fria, ainda nos assombra.

1. Fallout 3 (Bethesda Game Studios, 2008)

Tipo de Apocalipse: Guerra nuclear
Gênero: RPG / Tiro em primeira pessoa
Plataformas: Xbox 360, PlayStation 3 e PC

Se existe uma obra que consegue captar toda a essência e a magnitude de um mundo pós-apocalíptico, com certeza, é a franquia Fallout. Mesmo ambientada entre os séculos XXII e XXIII, a história é uma representação retrofuturista da cultura do pós-guerra da década de 1950, quando o mundo ainda começava a sentir o medo da corrida bélica entre Estados Unidos e Rússia. As descobertas científicas aconteceram de maneira um pouco diferente, de modo que todo o desenvolvimento tecnológico foi baseado, primariamente, a partir da física nuclear e não dos combustíveis fósseis. Isso tornou ainda mais real a ameaça de extermínio por armas nucleares.

Prevendo que era apenas uma questão de tempo até o mundo derreter em chamas radioativas, o governo dos Estados Unidos começou, em 2054, a construção dos “Vaults”, estruturas subterrâneas autossuficientes capazes de abrigar com segurança centenas de pessoas por um tempo indefinido. Não deu outra: alguns anos depois, uma série de conflitos armados, as “Resource Wars” (Guerras de Recursos), explodiram em diversas regiões do planeta, numa briga por urânio e petróleo. Em 2077, a coisa saiu do controle: em apenas duas horas, o planeta foi reduzido a cinzas por um holocausto nuclear. Duzentos anos mais tarde, em 2277, alguns dos sobreviventes dos “Vaults” deixaram suas instalações para conhecer o que restou do planeta, agora chamado de “Wasteland”.

O jogador, um desses sobreviventes, entra em contato com um mundo devastado. As grandes cidades estão reduzidas a montanhas de concreto e ferro retorcido, os recursos foram pilhados e os poucos sobreviventes se organizaram em pequenas comunidades ou formaram verdadeiros exércitos de mercenários que tentam desesperadamente restaurar a paz. Praticamente toda a água e toda a comida estão irradiadas, tornando-as imprópria pra consumo. Animais e até humanos sofreram mutações bizarras, alterando sua forma e aparência.

Mais uma vez, temos um jogo nessa lista que faz uso de um cenário que por muito pouco não se tornou uma realidade (durante a Guerra Fria). É um apocalipse que nos mostra que o maior inimigo do homem é ele mesmo – afinal, o tempo pode passar, mas a guerra nunca muda.

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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