Ontem foi ao ar um novo Humble Bundle. Diferentemente do que acontece por lá na grande maioria das vezes, entretanto, desta vez não temos a presença de desenvolvedores e/ou empresas pequenos. Não temos indie games, também. Temos, sim, o Humble THQ Bundle e jogos “AAA”. Ou seja, você paga a quantia que bem entender e leva ótimos jogos da THQ.

Pagando no mínimo um dólar você leva os ótimos Darksiders, Metro 2033, Red Faction: Armageddon e Company of Heroes (incluindo as expansões Opposing Fronts e Tales of Valor). E, se você desembolsar uma quantia acima da média, que neste momento está em US$ 5,69, você ainda ganha o espetacular Saints Row: The Third. Nada mal, não é?

Com certeza. Ótimos jogos, um preço maravilhoso, trilhas sonoras inclusas, chaves de ativação Steam, etc. O grande problema aqui, a grande tristeza, é que este Humble THQ Bundle pode representar o último suspiro da publisher em questão. Não deixei de incluir a palavra “talvez”, claro, até mesmo no título, pois nunca se sabe. Mas a THQ já está mal das pernas há algum tempo, e tudo só piora para a empresa.

É bem triste, e não consigo deixar de pensar (sendo até, digamos, um pouco egoísta, saudosista ou até mesmo ingênuo) que eu preferiria ver uma outra empresa nesta situação. Aquela tal empresa que todos adoram odiar, a qual, aliás, também não está lá tão bem assim. Outra empresa, aliás, que tem franquias excelentes em suas mãos, franquias que para muita gente tornam qualquer boicote impossível.

A THQ é uma empresa até que bem antiga. Fundada no final da década de 80, possui algumas franquias excelentes e famosas, além de alguns estúdios, como por exemplo Relic, Vigil Games e Volition. Pode ser mesmo que o grande culpado de sua queda seja o uDraw, mas aí eu me pergunto: como será este tal “processo” que leva uma empresa deste porte, certamente muito bem assessorada, a cometer erros que podem acabar por levá-la ao buraco?

Eu nem chego a me perguntar coisas como, por exemplo, “como pode”, etc. Todos sabemos que tudo é possível no mundo dos negócios, mesmo fora de períodos de crise, e que qualquer empresa pode ver a tal luz no fim do túnel muito rapidamente. Eu fico curioso e tentando imaginar quais decisões foram tomadas, quais foram erradas e/ou fatais, o que se passa e o que se passou pela cabeça dos principais executivos envolvidos, etc.

Não estou bem certo se o Humble THQ Bundle será capaz de provocar alguma mudança neste cenário. Tenho quase certeza de que não, e nem vou aqui comentar a respeito do lançamento deste Humble Bundle no minimo estranho. Um Humble Bundle nada humilde, se levarmos em consideração os jogos oferecidos.

O que me preocupa, o que me deixa muito triste, é saber que mais uma grande empresa de jogos está muito mal, quase fechando as portas. Aliás, o motivo principal desta tristeza nem é o fato de estarmos falando de uma grande empresa. Talvez eu esteja sendo parcial e até mesmo saudosista, aqui, mas saber que Vigil Games, Volition, Saints Row, Red Faction, Company of Heroes e Homefront, por exemplo, perderão suas casas e terão, quem sabe, de mudar, é triste.

Falando nisso, a Ubisoft já manifestou interesse em franquias da THQ, e caso ocorra uma compra, aqui, até posso dizer que me sinto mais aliviado. Já se a compradora for a EA, por exemplo, creio que seria melhor se Darksiders, Metro e outras séries da empresa fossem literalmente jogadas fora.

Não estou, é claro, dizendo que a THQ é ou foi uma santa. Todos sabemos que ela já participou até mesmo da grande festa de DLCs que tantas outras empresas da indústria de games participam e promovem. Acontece que na pior das hipóteses estamos falando a respeito de uma publisher que, afinal de contas, não é tão “má”.

Talvez uma das “menos piores”, quem sabe, dependendo do ponto de vista. Tudo bem. Eles erraram. Mas ver uma empresa se debatendo desta forma chega a ser assustador. Esta patética campanha em parceria com o Humble Bundle também pode se mostrar, no final de tudo, inútil.

E fica aí, quem sabe, um alerta, ou um aviso. Para jogadores, indústria, etc. Talvez cheguemos a um tempo onde grandes e vorazes companhias deixem de existir ou, no mínimo, deixem de ter tanto poder. Empresas que comem, literalmente, umas às outras, talvez tenham de rever seus conceitos em algum momento, em um futuro talvez não muito distante.

Quem sabe aí voltemos a nos surpreender com mais frequência com jogos criativos, inovadores, diferentes. Se “o futuro é dos indie games”, dos “não AAA”, dos pequenos estúdios, etc, ninguém sabe. Até mesmo porque “indie game” e “AAA” são termos que podem também ter seus significados distorcidos (o próprio Humble Bundle deixou de ser pequeno há muito tempo).

Mas o que sobra, depois do fechamento de uma empresa como a THQ? Quem ficará com os estúdios, com as franquias? Metro: Last Light chegará a ver a luz do dia? Serão os restos mortais divididos? Serão respeitados? Só o futuro nos dirá. E, não: diferentemente de outros sites e pessoas por aí, não vejo aqui motivos para piadas. Esta é a minha opinião, porém. 🙂

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