Bons momentos vem e vão, o tempo todo. E tudo o que podemos guardar deles são memórias. Isso não é diferente com grandes experiências — grandes jogos podem nos marcar de tal maneira que muito provavelmente ficarão eternamente estampados em nossas memórias. Depois de um tempo, bate aquela vontade imensa de revisitá-los: a maldita nostalgia. E lá estamos nós comprando um jogo (muitas vezes pela segunda vez) só pela felicidade de revê-lo.

Pensando nisso, resolvi apresentar aqui a lista dos 10 jogos mais marcantes que já joguei, começando láááá trás, nos meus primeiros contatos com um video game. Foram jogos que ajudaram a moldar meus gostos e, de certa forma, quem eu sou hoje. Jogos são obras de arte — sempre fui um grande defensor dessa causa — e, como toda peça de arte, elas são capazes de nos evocar impressões e opiniões bem diferentes. É por isso também que aviso-lhes que essa lista não inclui, necessariamente, os melhores jogos que já joguei. Espero que gostem.

A ordem da lista obedece apenas a critérios cronológicos.

1. Doom II: Hell on Earth (id Software, 1994)

Doom 2

Muitos anos antes de eu ter um computador, eu já lutava contra uma invasão demoníaca na Terra. Tudo bem que tudo acontecia num PC da sala de informática da minha escola (pois é), mas a verdade é que Doom II foi o primeiro jogo que joguei na vida. De longe, esse é o fator que mais contribuiu para que ele ficasse para sempre na minha memória. Isso e mais alguns iddqd, idkfa e idclips por aí — possivelmente os cheat codes mais famosos da história.

Como demorei pra ter contato com o jogo (foi lá por meados de 2000), não vivi a época de lançamento dele. Pra falar a verdade, o jogo tem quase a mesma idade do que eu. Demorei um bom tempo pra reconhecer que Doom II foi um dos maiores feitos da indústria de jogos, quando repetiu a tradição do seu antecessor Doom I e consolidou o pioneirismo do Wolfenstein 3D. Juntos, eles compõem o berço dos shooters modernos. E mesmo hoje, com gráficos fotorrealistas e grandes avanços tecnológicos, Doom II jamais falhou em divertir.

2. Tomb Raider II (Core Design, 1997)

Tomb Raider 2

Lara Croft foi e ainda é um dos maiores ícones dos video games. E meu primeiro contato com as aventuras da arqueóloga britânica foi em Tomb Raider II. À época, jogar esse jogo era um misto de fascinação e apreensão pelos seus cenários intrincados, ambientação variada, e um pesado clima de suspense cada vez que você visitava um lugar novo e ficava na expectativa de saber qual inimigo estaria a espreita no próximo corredor. No começo, eram apenas capangas. Depois, a coisa ficava séria: de monstros marinhos e guerreiros de pedra voadores a dragões e dinossauros!

Por causa da quantidade de armas, Tomb Raider II era um dos poucos jogos onde usar cheat compensava: nada era mais divertido do que sair por aí explodindo inimigos em dezenas de blocos pixelados usando um lançador de granadas com munição infinita. Ainda assim, Lara passava por belos apuros visitando esconderijos em Veneza, matando yetis em mosteiros no Tibete, explorando navios naufragados e derrubando guerreiros de pedra em templos chineses assombrados. Caramba, por que ninguém fez um remake desse jogo ainda!? 🙁

3. RollerCoaster Tycoon (MicroProse, 1999)

RCT

Esse título define minha infância. Para se ter uma ideia de quanto tempo passei jogando esse jogo, numa época em que era comum usar discos para rodá-los, o CD do simulador de parques de diversão RollerCoaster Tycoon foi destruído devido a quantidade de vezes que o pobre coitado foi utilizado. Isso me levou a comprar e recomprar o jogo no mínimo outras duas vezes (obrigado FullGames e obrigado GOG.com).

RollerCoaster Tycoon é um jogo incrivelmente divertido. Quanta redundância dizer isso de um título que simula parque de diversões, mas não posso evitar: esse jogo é insalubremente divertido. Passar tardes construindo montanhas-russas, erguendo áreas temáticas, resolvendo problemas, criando campanhas de marketing, contratando funcionários para limpar vômitos pelo parque, assistindo suas atrações em pleno funcionamento e ver seus visitantes reclamando que as atrações do seu parque são intensas demais (seus fracotes!). Sério, não há outra maneira de descrever esse jogo.

4. SWAT 3: Close Quarters Battle (Sierra Northwest, 1999)

SWAT 3

Me entristece o fato de que SWAT 3, um jogo que já tem mais de uma década de idade, é um dos pouquíssimos representantes de seu gênero: os tactical shooters. A franquia Tom Clancy’s Rainbow Six era basicamente sua única concorrente e, agora, também a única herdeira do gênero. Conheci o jogo mais ou menos na mesma época que o filme SWAT: Comando Especial foi lançado. Achei o filme tão bacana que a vontade de entrar na pele daqueles policiais de elite me fez grudar em SWAT 3 por longas tardes.

Quando os tiroteios desacerebrados de Counter-Strike e Quake imperavam, SWAT 3 colocava o jogador na pele de um comandante de esquadrão da divisão de elite da polícia de Los Angeles, a Special Weapons and Tacticts, e forçava-o a limitar os disparos ao mínimo necessário, poupando a vida de inocentes, de seus colegas e, de preferência, dos bandidos, resolvendo situações delicadas de maneira cirúrgica. Um misto de estratégia e tiro em primeira pessoa, valorizando mais o planejamento tático do que os reflexos rápidos. Foi por causa do título da finada Sierra que passei a ter grande admiração pelos shooters militares.

5. The Sims (Maxis, 2000)

The Sims

Mais um jogo de simulação para a lista. The Sims talvez seja uma das franquias mais clássicas da história. Não há como negar que a ideia de criar alguém a sua imagem (ou de qualquer outra pessoa) e colocá-la em mundo completamente virtual não seja divertida. Me tornei fã imediato ao ponto de comprar todas as expansões do primeiro The Sims, porém, abandonei a série após The Sims 2, de 2004.

Os jogadores de The Sims se dividem em dois grupos: os que gostam mais de construir e mobiliar as casas e os que gostam mais do momento da criação do seu personagem. Eu era do segundo time. A simulação, por mais que tentasse reproduzir a realidade, se tornou mais uma grande caricatura de nossas vidas corridas do que qualquer outra coisa. A linguagem bizarra dos Sims, as temíveis visitas da “Morte” e a adrenalina de ver um ladrão entrando em sua residência compõem a galeria de momentos cômicos e memoráveis dessa incrível série que, com certeza, fez parte da infância de muita gente.

Que atire a primeira pedra quem nunca levou seu Sim para piscina e deletou a escada!

6. Grand Theft Auto: San Andreas (Rockstar North, 2004)

GTA SA

O primeiro texto que escrevi na internet foi um detonado desse jogo (um dos primeiros no Brasil). Acho que isso já diz bastante sobre o porque de ele estar nessa lista. Quando GTA San Andreas foi lançado, meu PC não tinha um leitor de DVD (era bem caro) e por isso, fui obrigado a… erm, “comprá-lo” em “formato” de 6 CDs. A instalação levava quase uma hora, pois era necessário juntar o conteúdo de todos os discos no PC, criar a imagem resultante, emulá-la e só então fazer a instalação. Mas valeu a pena. E como.

Ainda não joguei GTA V, mas eu duvido que ele consiga oferecer uma experiência tão gratificante quanto o saudoso San Andreas. Perdi a conta de quantas vezes terminei sua campanha. E olha que eu joguei ele no PC e no PlayStation 2. Viajar entre as três cidades do mapa e fazer alguns “expedições” nas imensas áreas rural e deserta estava entre os meus passatempos preferidos. Assim como andar de helicóptero, voar de jetpack por cima da “área 51” (e pegar automaticamente seis níveis de procurado) e saltar de paraquedas de cima dos arranha-céus de Los Santos! Woohoo!

7. Call of Duty 2 (Infinity Ward, 2005)

Call of Duty 2

Não se faz mais Call of Duty como antigamente. Quando vejo que tudo o que os novos Call of Duty fazem é arrastar a franquia ao buraco, me entristece a lembrança de que a série já foi sinônimo de qualidade e inovação uma vez. Os primeiros jogos recriavam os campos de batalha da Segunda Guerra Mundial. E foi neles que tive o primeiro contato com a incrível e dramática história desse conflito sangrento. Tal fascinação fez com que eu passasse a colecionar obras (livros e revistas) que abordam o evento — pois é, quase um hobby.

Call of Duty 2 foi especial. Ele foi provavelmente o primeiro título que aguardei com extrema euforia, graças ao sucesso do antecessor e sua expansão. Quando finalmente coloquei as mãos nele, tive a imensa infelicidade de não ter um computador capaz de rodá-lo. E assim, Call of Duty 2 foi o primeiro jogo que me forçou a comprar um computador totalmente novo apenas pela vontade de jogá-lo. E de viver alguns dos momentos mais épicos já criados em um video game: o desembarque das tropas aliadas na Normandia, durante o Dia D.

8. Amnesia: The Dark Descent (Frictional Games, 2010)

Amnesia

Admiro muito jogos de terror. Só admiro mesmo, porque jogar é outra história. Doom 3 foi meu batismo de fogo. Depois vieram F.E.A.R., Dead Space, Silent Hill, Resident Evil. Mas nem mesmo a soma de tudo isso foi capaz de me preparar para o que Amnesia: The Dark Descent traria. Como um jogo de baixo orçamento, feito por meia dúzia de pessoas, foi capaz de se tornar um dos maiores exemplos de obras de horror? Boa pergunta.

Colocar o jogador totalmente desarmado no interior de um castelo com sérios problemas de iluminação, habitado por criaturas cuja aparência é suficiente para acabar com suas noites de sono, talvez responda essa pergunta. Cheguei a criar um tópico no fórum do Steam perguntando se o jogo era realmente tão assustador como parecia ser, pois temia comprá-lo e não ser capaz de finalizá-lo. Sim, cheguei a esse ponto. Mesmo com uma campanha durando 6 a 7 horas, levei quase um mês pra concluí-lo: doses de 20 min por dia ou até meus nervos explodirem — o que vier primeiro (geralmente eram os nervos). Bicho feio.

9. Trilogia Mass Effect (BioWare, 2007-2012)

Mass Effect 3

Chegar ao final dessa odisseia especial é como perder um grande amigo. Somando todos os três títulos, são 80-100 horas dedicadas a viagens interestelares, conspirações cabeludas, intrigas políticas, combates de laser, naves espaciais, cidades futuristas e alienígenas nada amigáveis. Se Star Wars não tivesse aparecido antes, Mass Effect poderia muito bem ocupar o seu lugar como um dos maiores universos de ficção científica já criado. Porém, tamanho é o número de inspirações que ainda arrisco dizer que Mass Effect não teria existido se não fosse por Star Wars.

Por conduzir a história de acordo com suas decisões, a trilogia Mass Effect cria um grande senso de responsabilidade e compromisso à medida que você vê o mundo ao seu redor mudando de acordo com escolhas que antes pareciam mínimas e limitadas. Isso é ainda mais válido quando você nota que o herói Shepard tem em suas mãos a tarefa de salvar o universo da total aniquilação por uma raça de criaturas onipotentes. É preciso fazer amizades e cultivá-las, e isso é algo tão importante aqui que acabamos por ficar extremamente conectados aos personagens e, por isso, o final dessa obra é um dos momentos mais emocionantes que eu já assisti.

10. BioShock Infinite (Irrational Games, 2013)

BioShock Infinite

Até pouco tempo atrás, se me perguntassem qual é o melhor jogo que eu já joguei, eu não conseguiria responder com apenas um título. Eu provavelmente citaria uma tríade formada por Half-Life 2, BioShock e Dishonored. E até incluiria mais um punhado de jogos, todos empatado numa “primeira posição”. Como toda pergunta desse tipo, dar uma resposta certeira é absurdamente complicado. Até que em fevereiro desse ano eu sentei durante duas tardes para jogar BioShock Infinite.

Eu acompanhei muito pouco do desenvolvimento de quase 6 anos desse jogo e tudo que tinha visto antes do seu lançamento foram um ou dos vídeos de jogabilidade, um deles gravado em 2010. Isso permitiu que eu o encarasse com um expectativa relativamente neutra. De fato, eu sabia que os caras que fizeram o jogo eram os mesmos responsáveis pelo seu antecessor — que não por acaso é shooter mais bem avaliado de todos os tempos. Ainda assim, a violenta troca de cenários e personagens fez de BioShock Infinite um jogo completamente inédito.

Mesmo sendo ser fan-made, o trailer abaixo consegue transmitir muito bem a essência de BioShock Infinite. Apesar do título sugerir o contrário, o vídeo abaixo não contém spoilers.

O maior — e provavelmente o único — defeito (?) do jogo é ter uma história tão complexa, despejando tantas revelações de uma vez só, que você provavelmente não vai entender nada na primeira vez que jogá-lo. Desconheço narrativas que sejam tão bem boladas como esta, especialmente considerando que BioShock Infinite trabalha com um tema que na maioria das vezes resulta em inconsistências literárias graves que minam a compreensão lógica da trama. Felizmente, isso não acontece aqui. E isso, meus caros, é para mim o maior trunfo dessa obra de arte.

Ah é, e Infinite por acaso também conta com alguns dos cenários mais belos já criados. A ideia de ambientar o jogo em uma cidade flutuante por si só já é algo notável. Mas mesmo agora, no meu quarto playthrough, eu ainda paro por alguns minutos para admirar seus ambientes magníficos e uma absurda atenção aos detalhes. Um deleite para os olhos e para a alma.

E você, caro leitor, quais são os jogos mais marcantes que você já jogou? Sinta-se a vontade para compartilhar nos comentários! 😀

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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