Muito já se falou a respeito do futuro do PC enquanto plataforma de jogos eletrônicos. Muita gente, aliás, chegou a decretar o fim dos games para PC. É claro que hoje em dia quase não se fala mais nisso e, mais do que nunca, sabemos que o PC como plataforma de games está mais vivo do que nunca. Grandes lançamentos quase sempre saem de forma simultânea para PC e consoles, e existem diversos títulos e gêneros que existem, sobrevivem e são lançados apenas para computadores pessoais.

Para o CEO da Paradox InteractiveFredrik Wester, a próxima geração de consoles será provavelmente a última. “A próxima geração de consoles será provavelmente a última“, diz Wester. “Eu ficaria surpreso se vermos outra geração após essa [a próxima]”, continua o CEO da Paradox.

Para Fredrik Wester, o futuro está nos produtos e plataformas abertas, como por exemplo PC, dispositivos móveis e redes sociais. Ele também acredita em uma queda nas vendas de produtos em caixa. Por “produtos” e “produtos em caixa”, aqui, creio que devemos entender “jogos eletrônicos” e “jogos eletrônicos vendidos em caixa”.

É claro que temos também de levar em consideração o fato de que a empresa de Wester trabalha quase que exclusivamente com games para PC. Games de altíssima qualidade, na maioria das vezes, sendo que seu foco são games de estratégia e similares, games muitas vezes profundos e com uma curva de aprendizagem um tanto quanto grande.

De qualquer forma, a Paradox Interactive continua crescendo, representando talvez um dos maiores exemplos de que o PC é e continuará sendo uma fortíssima e importante plataforma para games. Ela continua crescendo e desenvolvendo também diversos games que são direcionados a um nicho muito específico de jogadores. Quem joga e aprecia os “Grand Strategy Games” da empresa sabe disto. De 2006 até 2011 a taxa de crescimento da empresa deixa bem claro o que estou dizendo, e ela também conta com um portfolio sensacional, sendo que sua agenda de lançamentos para 2012 é extremamente interessante.

Franquias e games como Magicka, Majesty, Mount & Blade, Europa Universalis, Sword of the Stars, Sengoku, Pride of Nations, Hearts of Iron, Cities in Motion, Ship Simulator Extremes, King Arthur, Lead and Gold: Gangs of the Wild West e tantos outros mostram a grande diversidade do portfolio da empresa, a qual, além disso, trabalha com estúdios extremamente talentosos.

Além disso, a empresa entrará também no nicho extremamente concorrido dos MMOs, com Salem. Bom, ela já possui um MMO em seu porftolio (ver mais abaixo), e já conta com uma plataforma chamada “Paradox Connect“, a qual ao longo do tempo contará com integração com redes sociais, conteúdo para download, etc. A “Paradox Connect” já abriga alguns títulos da empresa, também, como por exemplo o MMORTS Dreamlords: Resurrection e o card game Hearts of Iron The Card Game.

Obviamente, temos também de entender que o chefão da Paradox está meio que “puxando a sardinha para seu lado”, uma vez que sua empresa possui clara preferência pelo PC. Já não é a primeira vez que ele dá declarações semelhantes, aliás. De qualquer forma, não se trata de algo infundado, muito pelo contrário. E o fato de grandes empresas como NVIDIA e AMD/ATI continuarem desenvolvendo placas de vídeo cada vez mais poderosas também não pode ser ignorado, pois trata-se de um tipo de hardware voltado quase que totalmente para quem gosta de jogar no PC.

A arquitetura Sandy Bridge, também, presente na segunda geração dos processadores Intel Core, conta com GPU integrada, e segundo muita gente, máquinas com tais processadores (novos i5 e i7, por exemplo) podem rodar muitos jogos atuais sem a utilização de uma placa de vídeo off-board. É claro que temos de levar em consideração diversos fatores neste caso, e grande cautela é necessária aqui. Simplesmente descartar-se o uso e a necessidade de placas de vídeo não é recomendável, nem tampouco deve se tornar uma regra, é claro.

Fosse assim empresas como NVIDIA e AMD/ATI não teriam mais porque continuarem no mercado, lançando placas de vídeo cada vez mais poderosas. O fato é que estes poucos exemplos mostram que jogos para PC contam com toda uma indústria que os suporta e envolve: desenvolvedores, fabricantes de hardware, integradores, etc. Instale um driver de qualquer placa de vídeo moderna e verá durante o processo a propaganda de diversos títulos, o que indica que publishers e desenvolvedoras também têm grande interesse no público que joga no PC. Indie games, aliás, jamais atingiriam o público que atingem hoje se não fosse o PC e serviços como o Steam, por exemplo.

Consoles nada mais são que hardware dedicado a jogos. Hardware que permanece no mercado sem upgrades por anos e anos, enquanto o PC continua evoluindo. O mesmo acontecerá com a próxima geração, a que o CEO da Paradox mencionou. Agora, se consoles não portáteis deixarão de existir ou não, é um mistério, por enquanto. A indústria de games é extremamente volúvel, e o que hoje é revelado como verídico, por exemplo, pode muito bem amanhã se tornar um rumor, e vice-versa.

Minha opinião é a de que estamos caminhando para uma integração. Acredito que com o decorrer dos anos poderemos ainda conviver com consoles, mas creio que o PC ganhará mais e mais espaço entre os jogadores. Computadores pessoais são capazes de realizar tarefas que consoles não realizam, pelo menos por enquanto. Computadores pessoais estão se tornando cada vez mais baratos, e hoje em dia é possível pagar-se um ótimo preço por uma máquina que rodará a grande maioria dos jogos atuais, sendo que o usuário, neste caso, também economizará bastante ao comprar seus games.

Games para PC são mais baratos, e a distribuição digital facilita muito mais as coisas. Jogos são vendidos no Steam, por exemplo, a preço de banana. Muitas vezes, até mesmo lançamentos recentes são vendidos com grandes descontos, o que já não ocorre com jogos em caixa e/ou para consoles. Quando ocorre, é algo muito mais tímido.

A distribuição digital ganha cada vez mais espaço, e hoje temos uma enorme quantidade de games distribuídos única e exclusivamente via download. Fredrik Wester pode não estar totalmente certo. Pode ser que a próxima geração de consoles seja a penúltima, por exemplo. Pode ser que os consoles continuem no mercado por um bom tempo, ainda, e comecem a perder mais espaço para outras plataformas. Plataformas abertas, por exemplo, como disse o CEO da Paradox.

Desenvolvedores independentes, e até mesmo os não independentes, sabem o quão complicado é o processo de aprovação de jogos na Xbox Live, a rede do Xbox 360, uma plataforma fechada. Já no PC, por exemplo, qualquer um com criatividade, conhecimentos necessários e uma ideia na cabeça pode desenvolver um jogo e lançá-lo, sem depender de publishers e outros intermediários. Se este hipotético desenvolvedor obterá sucesso ou não ninguém pode prever, mas também ninguém pode negar que o processo como um todo é muito mais simples.

Plataformas abertas ou fechadas? PC, consoles, smartphones, tablets ou portáteis? Como e onde jogaremos no futuro? Eu só sei de uma coisa: o PC ainda será uma plataforma para jogos eletrônicos quando a próxima geração de consoles chegar. E continuará sendo caso alguma outra chegue. E por aí vai.

(Via: Gamesindustry)

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