Espero estar enganado. Espero que tudo em que pensei quando escrevi o título deste post não aconteça. Espero que tudo seja diferente. Mas, desde que a Electronic Arts colocou suas mãos nefastas na PopCap, sinto que a franquia pode, senão ir para o ralo, se transformar em mais um caça-niqueis.

Hoje foram divulgados mais detalhes a respeito do tão aguardado (ou será que não, depois da presença da EA em meio aos mortos-vivos?) Plants vs. Zombies 2. O game será lançado em 18 de Julho de 2013 e será gratuito. Mas, não. Ele não será lançado para PC nem para consoles. Apenas para iOS (iPhone, iPad e iPod touch). Triste será perceber que, talvez, apenas o download seja grátis, por falar nisso.

Creio que não é preciso dizer o quanto gosto de jogar no iPad. O quanto gosto de jogar em um tablet, em um smartphone, etc. Tenho o primeiro PvZ no iPad e no Xbox 360 (além de no PC), falando nisso, e acho muito bacana. Muitos jogos para estas plataformas conseguem cativar muitos dos jogadores “hardcore”, aliás, e existem games muito bonitos e criativos disponíveis para iOS e Android.  Foi-se o tempo em que tínhamos apenas joguinhos casuais e/ou puzzles simples para iPhone, iPad, etc.

Entretanto, o que a Electronic Arts (sim, ela, pois a PopCap agora deve andar segundo as regras desta gigante que tanta gente adora odiar) vai fazer é justamente privar uma grande parcela dos fãs mais antigos da franquia de terem contato com PvZ 2. E por que isto?

Para se aproveitar das IAPs (compras dentro do aplicativo) e ganhar rios de dinheiro através de jogadores apressados que preferem gastar “alguns trocados” ao invés de jogar e “perder” mais tempo para evoluir e progredir? Para atingir novos públicos? Para afundar de vez a série e, também, o estúdio por ela responsável? Todas estas perguntas, e muitas mais, me passaram pela cabeça. Não duvido nada que em Plants vs. Zombies 2 sejamos obrigados a defender não somente nossos jardins e residências, mas também nossos bolsos (ou, pelo menos, que muitos jogadores tenham de enfrentar mais este desafio).

Obviamente, compra quem quer. Gasta dinheiro nas lojinhas dentro dos games apenas quem deseja. E o desenvolvedor de um jogo tem de ganhar seu dinheiro, não é? Para tudo existem limites, porém, e tais limites foram esquecidos pela empresa que afundou cidades e mais cidades em SimCity. O mal que tudo isto pode causar à série (vale lembrar que por enquanto, por exemplo, estou gostando de Plants vs. Zombies Adventures, no Facebook) pode atingir níveis alarmantes. Talvez deixando o PC e os consoles de fora a EA deseje atingir não o fã de Plants vs. Zombies, mas sim aquele jogador mais casual que está em busca de novidades.

Aquele jogador que procura algo rápido, para uma fila de banco, para momentos de descanso entre uma tarefa e outra. Certamente, no meio dos milhões que baixarão e jogarão o Plants vs. Zombies 2 “free-to-play”, existirão muitos que colocarão a mão no bolso e, claro, gastarão dinheiro no jogo gratuito. Gastarão muito mais do que gastariam caso o jogo fosse pago. E, neste caso, a EA “ganhou o dia”.

A empresa menciona que grande parte do jogo será grátis. Todos poderemos enfrentar os comedores de cérebro. Todos teremos acesso a todos os mundos e a todos níveis do jogo. E, claro, ela também menciona que todos poderemos comprar upgrades e outros itens in-game.

Está na hora! Estamos confiantes de que os jogadores verão o amor e a atenção que colocamos no jogo. Criamos novos jeitos para experimentarem as plantas e os zumbis que vocês conhecem e amam, e também empacotamos o jogo com grande quantidade de novo conteúdo, e ainda estamos trabalhando duro para trazer coisas ainda mais legais que irão manter Plants vs. Zombies 2 estimulante e em evolução nos meses e anos após o lançamento“, disse Allen Murray, produtor de Plants vs. Zombies 2.

Plants vs. Zombies 2

São prometidos novos mundos e níveis, além de novos tipos de zumbis e plantas para o título. Isto sem falar em “novas maneiras de jogar”. O grande problema é que tudo isto é citado de forma tal que fica bem clara a ideia de lançamento de DLCs, conteúdo extra e pago, transações in-game, etc. Tudo isto será lançado de forma contínua, segundo a EA, e, não duvido, teremos muito conteúdo pago. Ao invés de entregarem uma experiência completa, muito provavelmente nos entregarão um “jogo em pedaços”.

Tudo bem que um jogo como este fica muito bacana em dispositivos com telas touch. Mas de agora em diante (a não ser que algo mude – e espero que sim), apenas usuários de dispositivos iOS poderão continuar destruindo zumbis com plantas. E, afinal de contas, por que não deixar também que jogadores no PC, por exemplo, experimentem? Por que não lançar também um PvZ 2 free-to-play para PC, ao invés deste PvZ 2 freemium apenas para iOS? Bem, cada um de nós pode ter várias respostas para estas perguntas, o difícil é aceitá-las.

De qualquer forma, ainda tenho esperanças de me divertir com Plants vs. Zombies 2. Não espero, infelizmente, por algo do mesmo nível do primeiro jogo da franquia. Posso, claro, estar enganado: e torço para isto. Mas tenho muitas dúvidas. A EA pode ter estragado a série. Ela pode até destruir a PopCap. Temos de nos lembrar da síndrome de EA. A EA pode começar agora a extrair tudo o que pode da série, muito mais, de qualquer jeito, visando apenas lucros, até chegar em um ponto em que nada mais reste a não ser carcaças de zumbis (mais) podres.

Mas, ninguém sabe até quando vai durar o império da EA. Nem tudo são flores, como já sabemos, e ficamos na dúvida a respeito de quais “upgrades” a empresa utilizará se e quando os zumbis baterem em suas portas. Ela pode (e vai) deixar muitos fãs de PvZ de fora da brincadeira, seja devido ao fato de muitos não possuírem um iPhone ou um iPad, seja devido à má qualidade do jogo (estou aqui fazendo uma suposição, apenas).

Podemos até mesmo chegar a ver, no novo jogo, upgrades para recarregamento mais rápido das plantas. Por que não? Isto não me surpreenderia. Mais uma vez, porém, digo: espero estar enganado. Espero que não chegue a tanto, e que tenhamos um Plants vs. Zombies 2 pelo menos jogável.

Há uma diferença, mesmo que apenas no papel, entre um jogo freemium (como parece ser o caso, aqui) da EA e outro não da EA. Por mais que alguns jogos freemium sejam terríveis no sentido de tentarem extorquir o jogador, fazendo-o, por exemplo, “adquirir tempo de jogo”, ainda existem aqueles que permitem um certo grau de diversão gratuita. Além disso, o mal não está no modelo de negócios “Free Premium” propriamente dito. O mal pode estar na maneira como desenvolvedores e publishers com ele lidam.

No caso da EA (e posso estar aqui sendo pessimista demais e até mesmo preconceituoso), porém, penso que o barato pode sair muito caro. O “de graça” pode ser apenas para inglês ver. Hordas de zumbis podem começar a ficar de olho em nossos bolsos. Ah, tem um trailer também. Veja abaixo:

Pin It on Pinterest