Alpha Protocol é um jogo interessantíssimo. A Obsidian Entertainment conseguiu desenvolver um jogo que mistura ação, espionagem, RPG, muitos momentos stealth e diversos outros “micro elementos”, digamos, de forma muito bacana e coesa. Logo durante os primeiros dias de gameplay passei por uma situação tragicômica, digamos. Em uma missão em uma estação de trem em Moscow pude atestar a maneira fantástica como o sistema de diálogos funciona no jogo, realmente guiando o gameplay conforme as escolhas do jogador, sem dó alguma.

Após um tiroteio frenético com um grupo de mercenários, sua líder, uma alemã conhecida como SIE, aparece para tomar satisfações. Havíamos combinado previamente uma espécie de acordo de paz, onde seus homens me deixariam em paz e eu faria o mesmo (sim, havia outra facção no conflito). Ocorre que, durante o tiroteio, sem querer, acabei matando alguns dos homens do grupo da SIE. Ao conversar com ela, pela primeira vez, fui por uma linha mais “dura”, digamos, e o resultado foi um embate ferrenho que resultou em minha morte.

Ocorre também que, após morrer, recebi uma segunda chance e o jogo foi retomado exatamente do ponto onde meu diálogo com SIE começava. A partir daí, então, resolvi partir para o lado amigável e dar abertura para negociação. Resultado: ganhei uma aliada e não tive de gastar uma bala. É fantástico o modo como pode-se “conversar”, em Alpha Protocol. Ao invés de frases temos em tela opções que representam opções, idéias, conceitos, sentimentos, etc. “Persuadir”, “Ameaçar”, “Eliminar”, “Brincar”, “Aceitar”, etc. Isto tudo e muito mais é usado em um complexo sistema que fornece ao protagonista, Michael Thorton, enormes possibilidades no momento de lidar com inimigos ou amigos.

Relacionamentos podem ser rapidamente degradados após uma simples escolha incorreta. Da mesma forma, uma escolha certa também pode provocar mudanças drásticas e benéficas em possíveis aliados. Isto é válido até mesmo para aqueles agentes com os quais Thorton se comunica frequentemente, como Mina Tang, por exemplo. Os diálogos em Alpha Protocol são tão importantes durante o gameplay, é tão importante que você entenda tudo o que está ocorrendo, que até mesmo e-mails você receberá, lerá e responderá.

E-mails passíveis de resposta também contam com a “roda de diálogos”, e sua resposta a tais e-mails pode também influenciar o gameplay de diversas maneiras. Ontem recebi um dinheiro extra simplesmente por responder a um e-mail interceptado. Me passei pela tal pessoa e solicitei o envio do montante. Pude, então, receber o dinheiro e utilizá-lo na Clearinghouse (espécie de mercado negro), para upgrades em armamentos, etc.

Algo também muito interessante neste fantástico trabalho da Obsidian é o próprio conceito da organização Alpha Protocol. Trata-se de uma organização na qual, caso as ações de um agente sejam descobertas, ele estará automaticamente sozinho. O agente não contará com nenhum respaldo do governo dos Estados Unidos. O governo negará qualquer envolvimento. Membros do Alpha Protocol, aliás, são quase sempre considerados como traidores ou desconhecidos que agem sozinhos, com motivos também desconhecidos.

Existem diversos grupos criminosos com os quais Thorton tem de lidar (inclusive terroristas do Oriente Médio), e é possível até mesmo poupar a vida de seus líderes, em muitos casos, o que acaba os transformando em seus aliados. Mas é sempre bom tomar cuidado porque tudo pode mudar de repente, e eu mesmo já tive de rever meus conceitos em relação a um criminoso cuja vida poupei. O título algumas vezes coloca o jogador frente a frente com escolhas difíceis. Ele conta com um sistema moral bem interessante.

Escolhas que têm como consequência a vida ou a morte de seres humanos. Ontem mesmo tive de fazer uma destas escolhas. Em minhas mãos estava a vida de, talvez, centenas de pessoas, ou a vida de uma única pessoa, uma pessoa a quem eu muito estimava. A carga psicológica que o jogo possui é enorme, e apesar do pouco tempo disponível para cada decisão, parece que ele se transforma em uma eternidade. Uma eternidade, entretanto, que receberá (sabe-se lá de que maneira) os objetos de suas escolhas, certas ou erradas.

É preciso também prestar muita atenção a cada situação, durante uma conversa. A origem do outro, o contexto, a situação em que você se encontra em relação ao mesmo, etc, demandam diferentes escolhas. Cada diálogo é uma oportunidade única para cair ou subir. E digo isto em diversos sentidos. Você pode, através de uma rápida escolha não pensada, dar início a eventos dos quais será difícil sair com vida.

Tudo está meio que interligado, em Alpha Protocol, e a impressão que se tem é a de que existe alguém dentro da organização fornecendo informações às organizações criminosas. Você pode chegar a receber um e-mail de um alvo que desistiu de matar, no último momento, devido à pouca quantidade de provas. Este e-mail, é claro, terá desdobramentos os mais diversos, e você fica se perguntando como o sujeito obteve acesso ao seu endereço.

Alpha Protocol também oferece inúmeras possibilidades no tocante a armamento, upgrades de personagem, armas e trajes de combate, e permite que você equipe cada uma de suas armas com diversos acessórios que poderão afetar o desempenho das mesmas de forma negativa ou positiva. Diversos gadgets também podem ser adquiridos ou encontrados, e eles são muito úteis durante as missões.

Você pode utilizar equipamentos que fornecem melhorias físicas, sensores, dispositivos EMP, etc. Navegar pelo seu armário de armas, dependendo do ponto onde você se encontra no jogo, e pela Clearinghouse, é algo extremamente interessante. Observar as vantagens e desvantagens de uma arma em relação à outra também é algo bem bacana.

Vale lembrar, infelizmente, dos bugs de Alpha Protocol. Em Moscow, por exemplo, venci o “chefão da área” de forma um tanto quanto bizarra. Ele permaneceu o tempo inteiro correndo de encontro à parede, enquanto eu descarregava minha pistola em sua cabeça. É claro que vencer um chefão, neste game, não significa matá-lo, muitas vezes. E acabei descobrindo que o tal chefão, Brayko, aparentemente não tinha a importância que aparentava ter.

O protagonista também sofre de um efeito bem irritante quando se movimenta de forma rápida. O modelo sofre uma espécie de “desfoque” enquanto se movimenta. Algo bem feio, mas que, no entanto, não atrapalha a diversão. Este trabalho da Obsidian, infelizmente, foi um tanto quanto massacrado pela mídia. Sinceramente não entendo bem o porquê. Ele possui falhas? Claro! Que game não as possui? Ele possui muitas? Sim. Claro. Mas estou adorando a experiência.

Fico aqui tentando imaginar quanta gente deixou escapar este game tão interessante e complexo. E você, já jogou Alpha Protocol? O que acha do mesmo?

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