Estou jogando Alpha Protocol há alguns dias (no PC) e confesso que o game tem me proporcionado bons momentos. Aliás, “andava” atrás do título há tempos. Desenvolvido pela Obsidian Entertainment (Neverwinter Nights 2, Fallout: New Vegas, Dungeon Siege III, etc), o jogo começou a ser “discutido”, digamos, lá pelos idos de 2006. Lançado em meados de 2010, o título da Obisian é um RPG com fortes “doses” de espionagem e jogabilidade stealth. Seu próprio enredo é repleto de elementos pertencentes ao mundo da espionagem. Trata-se de um jogo que tem lá suas falhas, mas que também não é de todo ruim.

No papel de Michael Torton, o jogador terá de viver o papel de um espião que terá momentos bem difíceis pela frente, e nem todos estão relacionados a lutas, tiroteios, etc. Alpha Protocol conta com alguns puzzles, digamos, muito interessantes que porém podem fazer com que o jogador perca bons minutos, pelo menos no início do gameplay. Existem computadores para serem “hackeados”, fechaduras para serem abertas, alarmes para serem desativados, e mais uma série de situações que são apresentadas ao jogador através de mini games bem desafiadores. Por exemplo, para hackear um computador é preciso identificar dois grupos de números e letras em um enorme emaranhado que não pára de se movimentar. Os grupos que devem ser encontrados se encontram parados, mas a movimentação justamente do que não interessa ao jogador acaba causando a dificuldade e a confusão.

Além disso, o protocolo de segurança muda automaticamente depois de alguns segundos, e os grupos de caracteres que devem ser encontrados são então posicionados em outros locais. Já para desativar alarmes e outros dispositivos, por exemplo, são apresentados puzzles no estilo “encontre o caminho”, digamos.  Um emaranhado de possíveis caminhos é apresentado ao gamer e ele deve, então, destrinchar tudo e idenficar qual o correto “ponto de saída” do “fluxo azul”. Alpha Protocol também apresenta dificuldades durante o gameplay que podem ser melhoradas através de aprimoramentos nas habilidades do personagem.

No início você será, realmente, um inapto total com qualquer arma. Será muito difícil, realmente, matar alguém, e é necessário ir utilizando os pontos ganhos nas habilidades certas para que a vida do jogador se torne mais fácil. Cada arma também pode ser personalizada. Você pode incluir silenciadores, miras especiais, etc. No título da Obsidian, você ganha XP, por exemplo, ao eliminar inimigos, completar objetivos e até mesmo se evadir com sucesso.

O relacionamento de Torton com os diversos personagens do game também é algo muito interessante. Os diálogos são gerenciados de uma forma semelhante à de Mass Effect. Porém, existe uma grande diferença. Você tem pouco tempo para responder e você não escolhe as respostas. Você escolhe apenas atitudes. “Agressivo”, “Profissional”, “Casual”, etc. Você pode encerrar a conversa, pedir mais detalhes, solicitar conselhos, etc. Mas não é algo objetivo. É algo totalmente diferente.

À partir destas escolhas seu relacionamento com o personagem em questão pode ser melhorado ou deteriorado, e o resultado disto tudo, é óbvio, será visto mais adiante. O protagonista conta com alguns dispositivos de alta tecnologia bem interessantes, também. Através de um deles, você lança uma espécie de rajada sônica que pode confundir os inimigos ou atraí-los para você, e você tem assim, então, a chance de matá-los sorrateiramente.

Um dos grandes problemas do jogo é que o sistema de cobertura simplesmente falha, algumas vezes. Algumas vezes ele simplesmente não funciona, mesmo você pressionando o botão correto, e em outras você simplesmente sai da cobertura sem ter realizado qualquer movimento/ação para isto. Gostei, entretanto, da parte stealth do game, e com a ajuda de um pequeno radar localizado no canto inferior direito você pode, de repente, realizar algumas coisas bem “bacanas”.

Os combates corpo a corpo também são muito empolgantes, e a movimentação do Torton é muito rápida. Outro problema, entretanto, que notei, é em relação aos gráficos. Muitas vezes você se depara com texturas “lavadas”, e de péssima qualidade. Não que o game em si não seja bonito, mas existem alguns detalhes e momentos que tiram um pouco de seu brilho, no quesito “gráficos”.

Já a questão das habilidades especiais do personagem é muito bacana. Você pode ativar uma habilidade temporária que permite ao protagonista correr rapidamente sem provocar barulho algum, por exemplo. Você ganha dinheiro a cada missão, e também coleta dinheiro espalhado pelos mais diversos locais. Tudo isto pode ser utilizado para realizar upgrades em suas armas e também para comprar armamento novo.

Você pode visualizar na própria tela de compra as melhorias ou reduções de desempenho em diversos quesitos que cada item, upgrade ou nova arma representará em relação àquilo que você já tem em mãos, e detalhes a respeito de cada item também podem ser obtidos. Mas a grande “sacada”, digamos, da Obsidian, foi o sistema de diálogo. Fico imaginando o que cada escolha, errada ou certa (pois você visualiza o impacto de cada resposta tão logo a fornece), ocasionará.. Trata-se de um sistema sutil porém poderoso, que permite que realizemos escolhas de forma subjetiva.

Ao escolher a opção “Agressivo” durante um diálogo, por exemplo, pode ser que o jogador esteja querendo se impor, por exemplo, frente a um personagem que, de certa forma, o está oprimindo ou sendo chato. Entretanto, isto pode ser visto pelo NPC de forma totalmente diferente, e aí, então, podem entrar em cena as “picuínhas”, os “mal-entendidos” e, finalmente, “um ponto a menos com o tal fulano”. Quais as consequências? Ainda vou contar a vocês. Sem spoilers, é claro.

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