Finalmente minha famigerada (ou não) lista de games para jogar me deixou finalizar Assassin’s Creed: Brotherhood, título pertencente a esta franquia que tanto adoro. Posso dizer que o final de Assassin’s Creed: Brotherhood é verdadeiramente surpreendente, mesmo que desde Assassin’s Creed II muitos elementos relacionados tenham sugerido “aquela realidade”. Ocorre que a maneira como a trama foi conduzida, como os personagens interagiram entre si, e como Desmond mostrou ser muito mais importante do que aquilo que pensávamos representou um verdadeiro choque, digamos, pois somente ali, nos momentos finais, a prova cabal foi fornecida. Pelo menos para mim.

Momentos finais bem angustiantes e tristes, aliás. Fica claro, ali, que a Ubisoft já pensava em uma sequência. Não considero Assassin’s Creed: Brotherhood superior a Assassin’s Creed II, mas considero o jogo fantástico. Achei-o, também, mais curto que o título anterior da série, mas ele conta com novidades muito interessantes que aumentaram bastante as atividades do já bem ocupado Ezio. As torres dos Borgia representam um desafio instigante e, dependendo da torre em questão, desafiador. São momentos em que podemos tentar agir sem chamar a atenção dos guardas, matando vários deles em total “ação stealth”.

A introdução dos pombais e o fato de podermos recrutar assassinos, treiná-los e enviá-los em missões em diversos locais do mundo também foi uma ótima ideia. Aliás, o fato de contarmos com a ajuda de nosso time de assassinos em momentos cruciais é algo sensacional, e aqui entra até mesmo uma “dificuldade” que, em minha opinião, foi muito bem implementada e pensada: mande todos os seus assassinos em missões e você poderá se ver em situações onde precisará deles mas eles estarão ocupados.

Evoluir cada um de seus assassinos é um processo muito bacana e simples. Funciona mais ou menos como a distribuição de pontos em um RPG, e esta foi uma das grandes sacadas, em Brotherhood: introduzir em um fenomenal jogo de ação cuja história se inicia em 1499 elementos que o tornam ainda mais profundo. Também existem momentos dotados de grande dramaticidade, no jogo, e seu início é um deles. A vila de Monteriggioni é palco de um acontecimento que, de certa forma, transforma Ezio em um assassino ainda mais duro e frio, e isto é bom para o personagem e para o próprio desenrolar da trama, por pior que tenha sido a perda.

Os belíssimos gráficos do jogo são complementados por referências, locais e personagens históricos fantásticos, e sente-se até mesmo uma certa tristeza quando comparamos, por exemplo, o Leonardo Da Vinci de AC II com o de Brotherhood. É claro que isto é consequência direta das ações de Cesare Borgia e Rodrigo Borgia, agora transformado em Papa. Indícios da presença de traidores entre os assassinos também fazem parte de Assassin’s Creed: Brotherhood, e confesso que a princípio cheguei a imaginar diversas coisas que, no entanto e felizmente, não se mostraram verdadeiras.

A direção de arte do jogo é impecável, como também o foi a do título anterior da série. Somos expostos a um verdadeiro “show histórico”, e o Coliseu foi um dos pontos que visitei com bastante frequência durante o jogo. O fato de Ezio, em Brotherhood, também ter a missão de reconstruir Roma, renovando e abrindo novamente diversos tipos de lojas comerciais, ferreiros, etc, também foi uma fantástica adição à série, principalmente pelo fato de que o protagonista começa a receber mais dinheiro conforme mais investe na cidade.

É extremamente interessante o quão imersivo Assassin’s Creed: Brotherhood também consegue ser, e como nos desligamos do “mundo real” ao jogá-lo. Costumo tentar pensar como o protagonista de qualquer game que venha a jogar, desde que, é claro, o título me proporcione condições para tal. E em Brotherhood isto ocorreu de forma fantástica. Cheguei a me emocionar em diversos momentos, e diversos personagens me provocaram grande raiva.

O final do game, aliás, tem a ver com algo que vimos em Assassin’s Creed II e que, com certeza, continuará em Assassin’s Creed: Revelations. Aliás, tem a ver com algo que para muitos é história e para outros é mito. Tem a ver com algo que, independentemente da ótica através da qual o observarmos, ocorreu há bastante tempo atrás, e Desmond está em ligação direta com tais acontecimentos/época/personagens.

A Ubisoft conseguiu criar um enredo fantástico que, ao mesmo tempo em que apresenta ao jogador elementos pertencentes à história real do mundo, também o envolve em uma rede de conspirações, personagens e acontecimentos que pertencem a algo ancestral. É a mistura do velho com o novo envolta em um manto extremamente crível, dentro do contexto do jogo. São os ecos de um passado distante.

Assassin’s Creed: Brotherhood pode não possuir tanta profundidade quanto Assassin’s Creed II, mas ele também consegue fazer com que o jogador sinta enorme prazer ao jogá-lo. Trata-se de um grande título. Jogos assim deveriam ser lançados com mais frequência, aliás. O título também permite que Desmond veja nos dias atuais alguns dos locais visitados por Ezio Auditore da Firenze, e quando isto ocorre, conseguimos sentir até mesmo uma grande nostalgia.

Eu, pelo menos, encarnei o personagem de tal maneira que senti esta nostalgia e uma grande vontade de voltar ao passado. E pelo que tudo indica, Assassin’s Creed: Revelations continuará com a mesma overdose de maravilhas e encantos. O “palco”, entretanto, será diferente. Bem, nem tanto.

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