Em primeiro lugar, resolvi modificar o nome desta seção para algo mais sucinto (Playing now). Tanto parar facilitar as buscas quanto para dar uma reduzida no título dos artigos. O conteúdo continuará o mesmo: impressões “frescas” a respeito de games que estou jogando atualmente. Já escrevi a respeito de L.A. Noire, em um artigo contendo minhas primeiras impressões a respeito do jogo da desenvolvedora australiana Team Bondi. É notável como um título que, a princípio, parece ser básica e fundamentalmente um game de investigação, pode oferecer um gameplay tão rico quanto L.A. Noire.

L.A. Noire conta com gráficos muito bonitos, é claro. Mas isto não é o que o define como um grande game, em minha opinião. Pelo menos, não se trata do motivo principal. Algo que torna o jogo algo realmente fenomenal é a enorme tensão psicológica inserida em sua trama. A começar pela história do protagonista, Cole Phelps, um cara que lutou na Segunda Guerra Mundial e que tenta realizar seu trabalho como policial na LAPD com muita boa vontade, honestidade e brilhantismo. Algo que vai, muitas vezes, de encontro à corrupção que grassa no sistema policial de Los Angeles e na própria cidade em si, corrupção esta que pode acabar agarrando Phelps como uma de suas vítimas.

A tecnologia MotionScan também representa papel importantíssimo neste grande jogo, pois cada interrogatório, por exemplo, dela depende em um nível altíssimo, dadas as características investigativas do próprio game em si e dos casos e suspeitos que são apresentados ao jogador. Cada interrogatório em L.A. Noire é uma “sessão investigativa áudio-visual”, pois o suspeito pode demonstrar nervosismo até mesmo através de movimentos corporais, além da fantástica animação facial.

As enormes possibilidades deste game vão sendo exibidas paulatinamente ao jogador de uma maneira que, muitas vezes, chega a assustar. Evidências podem muitas vezes levar a acusasões infundadas, caso o jogador não preste atenção em cada mínimo detalhe, e vale lembrar que o jogo conta com um sistema muito interessante de ajuda. O personagem vai subindo de nível e ganhando pontos de intuição. Tais pontos podem ser utilizados durante os interrogatórios, e uma das utilizações para tais pontos mais interessantes que pude observar e testar foi obter o feedback da comunidade de jogadores. A comunidade de pessoas que jogam L.A. Noire. Pessoas reais. Como eu e você.

Através do “Ask the community”, o gamer acessa a enorme rede da Rockstar e tem acesso às estatísticas relacionadas às escolhas feitas pelo usuário. As opções “True”, “Doubt” e “Lie” são acompanhadas, então, pelo percentual de jogadores que escolheu cada uma delas. O sistema geralmente dá certo, mas já consegui a “façanha” de seguir o que os “universitários” escolheram e me dar mal. Portanto, use com cautela.

Não pense você que o “trabalho” de Cole Phelps é fácil. Existem também puzzles onde o jogador terá de deduzir diversas coisas. Em determinado momento será necessário “varrer” Los Angeles em busca de papéis que contêm trechos de poemas do escritor britânico Percy Shelley. Cada pequeno trecho contém pistas a respeito de qual será o próximo passo. O problema é que o criminoso não escreveu os poemas, é claro. Ele criou um estratagema para, através dos textos, confundir a mente dos policiais.

Tais textos são reais, e o relacionamento deles com localidades de Los Angeles foi realizado pelo criminoso. O jogador é quem deverá, então, realizar as devidas correlações, analisar detalhadamente tudo o que é dito nos textos e analisar o mapa de Los Angeles para tentar identificar, com base no que está escrito, o próximo local a ser visitado, o qual conterá, portanto, um novo trecho. Isto se repete por algumas vezes, e requer muita atenção.

Trata-se de um trabalho que toma como base muita subjetividade, e o trabalho do detetive será, portanto, transformar algo intangível em algo concreto. A presença, em L.A. Noire, de casos relacionados ao serial killer conhecido como Black Dahlia (fatos verídicos) acrescenta ainda mais realismo ao título. Além disso, Phelps aos poucos começa a vivenciar a corrupção que tanto destoa de seus princípios, e é inegável que ele logo começa a sentir a influência deste mal.

Momentos de ação também não faltam no jogo. Os “street crimes” representam, aliás, ótimos momentos de fuga. De repente, enquanto você está se dirigindo a algum lugar, para investigar uma nova cena de crime, por exemplo, você ouve um chamado pelo rádio. Um crime está em andamento, por exemplo, e a central requisita o auxílio de diversas unidades. Você pode responder ou não ao chamado, e se for respondendo durante o jogo, o que, é claro, é recomendável, será apresentado às mais diversas situações. Roubos a bancos, cidadãos enlouquecidos causando tumultos, assaltos, tiroteios, atropelamentos, etc.

Perseguições cinematográficas pelas ruas e avenidas de Los Angeles também ocorrem, e nestes momentos é muito bom prestar bastante atenção e colocar toda a sua perícia ao volante em prática, pois você pode perder o suspeito de vista. Existem também algumas perseguições que devem ser realizadas a pé, e nestes casos, dependendo da situação, você pode entrar em luta corporal com o suspeito, matá-lo ou apenas apontar a arma para o mesmo, ameaçando-o, a fim de que ele pare de correr.

Este jogo fornece tantas surpresas e é tão viciante, que muitas vezes você chega a se surpreender com o tempo que “perdeu” no mesmo. Algo muito bacana, também, é o fato do “mundo de L.A. Noire” estar em constante movimento, digamos. Demore para responder a algum chamado e sofra consequências que não sofreria se tivesse sido mais rápido, sem deixar de lembrar, é claro, que outras pessoas estão sempre envolvidas neste processo. Deixe de interrogar alguém, ou esqueça de algum detalhe ou pista, e talvez sua investigação não seja bem sucedida.

Tudo permanece em movimento, não somente o protagonista. Diversas coisas estão acontecendo ao seu redor, esteja você sentado em seu carro, parado, ou correndo atrás de algum suspeito. Isto é algo fantástico, e permite que o trabalho policial dentro do game seja elevado a um patamar que eu, sinceramente, jamais observei em um jogo eletrônico. É como se estivéssemos inseridos em um outro mundo. Um mundo à parte, que não quer saber se você destruiu seu carro em diversas batidas e demorou para atender a algum chamado. Pode-se dizer até mesmo que a narrativa do jogo é dinâmica. Ela não perdoa. Ela cobra.

Cada parceiro de Phelps representa uma experiência diferente. São seres humanos diferentes. Policiais com diferentes motivações e intenções, e esta interação também pode atrapalhar ou facilitar a vida do jogador. Roy Earle, aliás… Bom, deixa pra lá. Ir e vir está presente em L.A. Noire em diversos sentidos. Você deve, em alguns momentos, visitar novamente locais que já visitou, pois pode ocorrer de ter deixado escapar alguma pista. Você pode, também, de um momento para outro, se transformar em herói ou em alguém não muito bem visto, mesmo entre o círculo policial. Tudo depende de suas ações enquanto Cole Phelps. Aliás, a guerra vivida por Phelps meio que o persegue em Los Angeles, através de antigos companheiros e suas ações.

Trata-se de um jogo que proporciona tanto prazer, que é impossível não comemorar o anúncio de seu lançamento para PC. L.A. Noire certamente é um dos melhores games do ano. Um jogo que possui personalidade fortíssima e consegue cativar o jogador já em seus primeiros minutos.

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