É engraçado (ou trágico, depende do ponto de vista) como belíssimas idéias podem resultar em verdadeiros fiascos. Como boas premissas podem se transformar em games cansativos e insossos. Dark Void, jogo desenvolvido pela Airtight Games e lançado em 2010 para Xbox 360, Playstation 3 e PC é algo que pode nestes casos ser enquadrado. O game teria tudo para dar certo. Uma história interessante (pelo menos, as “sugestões” estão lá presentes), uma alternação muito boa entre combates aéreos e terrestres, combates que ocorrem na vertical, enquanto o protagonista sobe ou desce as mais diversas estruturas, e gráficos até que bacanas.

O jogo conta até mesmo com a presença de Nikola Tesla, cientista nascido em 1856 que se tornou muito conhecido por seus trabalhos no campo do eletromagnetismo e da eletricidade, dentre inúmeros outros. Aliás, Dark Void tem início com a queda do avião do protagonista, Will Grey, no Triângulo das Bermudas. Ali, ele e sua amiga Ava acabam indo parar em uma espécie de universo paralelo e se deparam com uma raça alienígena chamada “The Watchers”.  Aliás, esta raça alienígena enverga armaduras e até mesmo esteve presente no passado da humanidade. No presente também, aliás. Existe até mesmo um grupo de resistência que luta contra os mesmos, grupo este que acaba recebendo Will de braços abertos.

Ou seja, temos aqui uma história que poderia ter rendido um jogo fantástico. Temos uma boa premissa. Teríamos aqui um belíssimo “start” para a criação de um grande jogo. Um jogo repleto de mistério, de personagens interessantes, etc. Mas não foi isso que aconteceu. Dark Void é, infelizmente, superficial ao extremo. A impressão que tive ao finalizá-lo foi de que o título foi terminado às pressas, ou até mesmo desenvolvido de forma apressada. Nem mesmo a presença de Nikola Tesla foi bem explorada. Sabe-se que ele é muito importante entre a resistência, durante o gameplay, mas não o vemos atuar de forma visível e impactante, digamos. Muito pelo contrário.

Dark Void estava na minha “fila de games para serem jogados” há algum tempo, e finalmente resolvi dar uma chance ao jogo. Foram mais ou menos 8 horas de uma experiência divertida “pero no mucho”. Não vou dizer que o jogo é de todo ruim. Ele tem lá alguns (poucos) pontos positivos. O jetpack funciona muito bem, e voar e combater ao mesmo tempo é muito bacana. O game conta com perspectiva em terceira pessoa, e o sistema de cobertura funciona muito bem. Existem muitos momentos de confronto, e os inimigos chegam a representar um certo desafio, em determinadas partes do gameplay.

Entretanto, falta personalidade a Dark Void. Tudo o que eu disse nos dois primeiros parágrafos foi extremamente sub-utilizado pela Airtight, e o jogo nos entrega um enredo fraquíssimo, personagens que não se mostram nem um pouco cativantes ou dotados de personalidade, sequer, e um final extremamente desinteressante. Dark Void parece um bolo feito com ingredientes de altíssima qualidade por alguém sem experiência culinária alguma.

Não sei dizer ao certo quem é o culpado disto tudo, mas o fato é que o jogo faz parte daquele grupo de títulos que você instala, começa a jogar empolgado, logo percebe que não é legal e então não vê a hora de finalizar. Diversos itens poderiam ter sido mais e melhor utilizados. Por que não focar mais na influência dos Watchers sobre a humanidade, no próprio Triângulo das Bermudas em si e nos combates verticais? Por que não criar relacionamentos mais realistas e profundos entre os personagens? E existem diversos outros elementos que poderiam ter sido melhor explorados.

Dark Void é um título que (posso estar enganado, é claro, pois nunca se sabe), apesar das intrigantes cenas finais, não parece deixar margem para uma continuação. Determinadas idéias precisam das mãos certas para serem transformadas em bons jogos. Dark Void poderia ter sido um grande game. Mas não foi. Ah, joguei a versão para PC de Dark  Void.

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