Brasil

Ontem, dia 17, a Sony do Brasil anunciou o que já suspeitávamos: vamos ter em nossas prateleiras o PlayStation 4 mais caro do planeta. Será seu por apenas R$ 4 mil. Quatro. Mil. Quatro mil. QUATRO. Mil reais. O preço astronômico foi visto com grande desprezo pelos brasileiros, obviamente, mas foi visto com ainda maior desdém pelos gringos. Destacado pela mídia nos últimos anos como a sede da Copa do Mundo e das Olimpíadas, o Brasil agora também passou a ser conhecido como a sede do PlayStation 4 de ouro.

Não apenas seremos o país onde o console da Sony custará absurdos 10% do salário médio anual do brasileiro, mas também o país onde o Xbox One é mais barato que o concorrente. Lembre-se que nos EUA, Europa e demais mercados ocidentais, o console da Microsoft é cem dólares mais caro que o concorrente da gigante japonesa. No Brasil, é o inverso — com os valores multiplicados por dez, claro. Aqui, o Xbox One custará R$ 2,2 mil (US$ 1.015): quase a metade do preço do PS4 (US$ 1.852), mas ainda assim caro demais.

A justificativa para o preço ridículo, segundo a Sony, é a alta carga tributária do país. Realmente, temos uma das maiores taxas de impostos do mundo. Porém, uma simulação realizada pelo portal G1 mostrou que só os impostos não são capazes de quintuplicar o valor do console. O preço final pode ser alcançado pela conversão direta do valor para o real (considerando o dólar custando R$ 2,16) e depois, despejando cerca de seis tributos que incidem em forma de cascata.

São 20% do imposto de importação, 25% do ICMS do Estado de São Paulo, 50% do IPI, 35,9% da taxa de substituição tributária, 7,60% de Confins e 1,65% de Pis. Fazendo os devidos cálculos, chegamos ao valor de R$ 2.075. Ué, mas como assim 2 mil reais se o preço final é de R$ 4 mil? Aha! É bom ir sorrindo aí, pois você está sendo explorado, meu caro conterrâneo. A outra metade do preço é pura margem de lucro da nossa querida Sony. Há uma facada camuflada no meio do preço estratosférico, notou?

O segundo PlayStation 4 mais caro do planeta ficará na Argentina. Nossos hermanos vão pagar R$ 2.406 pelo console (quase 50% a menos do que nós). O terceiro, quarto e quinto lugares ficam com a Suécia, Colômbia e Peru, com preços rondando os R$ 1.500.

Maradona curtiu isso.

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Enquanto as redes sociais explodiam com mimimis e até mesmo protestos contra a Sony durante a Brasil Game Show eram organizados (hahaha, essa eu quero ver!), os sites gringos noticiavam o fato em tom de piada. Afinal, temos que rir pra não chorar, né?

A famosa revista de negócios Forbes falou que os americanos podem ficar mais tranquilos com o preço dos consoles por lá, pois existem lugares (Brasil) onde a situação está feia. “A Sony está realmente se superando com o PlayStation 4, que será o PlayStation mais barato que já feito. No Brasil? Nem tanto”, diz a reportagem. Eles ainda destacaram o fato do Brasil ser um dos maiores mercados emergentes de jogos (o que de nada vale, aparentemente).

Na GameInformer, o título da notícia já denuncia o problema: “Dano massivo! PlayStation 4 custará US$ 1850 no Brasil!”. O autor do texto admite não conseguir imaginar como um console pode custar quase US$ 2 mil, ou até US$ 1 mil. “Eu tenho certeza que eles tem PCs no Brasil; me parece ser uma ideia melhor”, finaliza a notícia.

O Destructoid lembrou que mesmo com o preço estratosférico, o Brasil ainda receberá o PlayStation 4 na mesma data do lançamento na Europa, mas ainda assim, o valor é capaz de “encher os olhos de lágrimas”. O site destacou também o valor do Xbox One por aqui, que será um raro caso onde o console da Microsoft será mais barato que o da maior concorrente, e o anúncio da Sony, em agosto, confirmando a produção do PlayStation 3 no Brasil, numa (totalmente inútil) tentativa de baixar o preço.

Ainda nos comentários, é possível ler um usuário escrevendo “pelo menos eles [os brasileiros] têm aquelas incríveis bundas”. No Twitter, a coisa não era muito diferente: “me enviem 3 mulheres daí que eu envio um PlayStation 4 daqui”. Realmente, no país onde a cultura do inútil impera, não é segredo que os gringos olhem pra cá buscando futebol, carnaval… e bundas. Um PlayStation 4 que não vai ser.

PlayStation 4

Viramos piada.

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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