Não queremos jogadores dizendo que Dead Space 3 é melhor em seu sistema, diz produtor

Exatamente uma semana atrás publicamos aqui a confirmação de que a versão de PC de Dead Space 3, continuação do popular survivor horror da Visceral Games, seria uma adaptação direta das versões de consoles. Trocando em miúdos: nada de DirectX 10/11, texturas de alta definição ou efeitos de qualidade superiores aos vistos nas edições para console.

Muitos leitores, inclusive aqui mesmo no XboxPlus, se revoltaram com a notícia. Afinal, estamos falando de uma praga de longa data do mercado de jogos para PC: o termo “port” deixou de significar apenas “adaptação” e tornou-se sinônimo de jogo mal otimizado, tomado por problemas de performance e bugs, e sem qualquer atenção da desenvolvedora às caraterísticas básicas da plataforma, como hardware diversificado e imensamente superior aos consoles, controles por teclado e mouse, e altas resoluções.

É muito estranho que a Visceral Games tenha construído um port direto para o PC, uma vez que diversos outros títulos da própria Electronic Arts estão seguindo na contramão. Battlefield 3 e Crysis 3 são alguns bons exemplos disso, ainda que não sejam completamente ideais.

Para tentar esclarecer maiores detalhes sobre a versão de PC do seu novo título, o produtor executivo Steve Papoutsis saiu em defesa da adaptação — ou pelo menos tentou — em uma conversa com o site Shack News. Avisado sobre a resposta negativa que a notícia sobre o port direto recebeu, o produtor mostrou-se confuso e perplexo. “Fico confuso em saber que essa dúvida ainda foi aparecer”, diz ele.

“[A versão de PC] não é, de maneira alguma, menos importante para nós. Ela recebe muita atenção. O PC é uma plataforma bem diferente. Como desenvolvedor, você quer entregar uma experiência que é o mais similar possível em diferentes plataformas”, disse o produtor.

Já sabemos que a Visceral Games nunca se preocupou em criar versões apropriadas de seus jogos para PC. O primeiro e o segundo Dead Space não tinham mais do que opções triviais como filtros anti-aliasing e renderização levemente superior. Ainda assim, o produtor insiste que diversos avanços foram feitos nesses ports.

“Em Dead Space 2, nós sentimos que evoluímos em termos de controles, responsividade e até visualmente. Nós continuamos a melhorar nossos jogos enquanto os desenvolvemos, mas certamente não consideramos o PC como algo que será significativamente melhor. Nós não estamos tentando criar disparidade na experiência que nossos jogadores gostam; nós queremos ter a certeza de que todos estão tendo a mesma experiência.”

Deixa eu ver se eu entendi direito: para que ninguém se sinta prejudicado ou “diferente” ao jogar uma versão tecnicamente pior, o estúdio preferiu igualar todas as versões, ignorando completamente as peculiaridades do PC e sua capacidade indiscutivelmente superior. Logo, os PC gamers não podem usufruir de uma edição melhor e forçar seus hardware ao limite porque o produtor acha injusto um console gamer só ter acesso a uma versão visualmente inferior. Pode isso, Arnaldo?

O mesmo argumento é repetido e destacado diversas vezes ao longo da conversa. “Em nosso estúdio, nós sempre fizemos jogos de console. A grande coisa é que nós queremos ter certeza de que a qualidade da experiência é consistente em todas as plataformas, para que não haja uma base de jogadores dizendo que é melhor em seu sistema”. É, parece que minha interpretação no parágrafo anterior está correta — se os consoles não alcançam o nível visual visto em um PC, então não é justo que o PC receba uma versão superior.

O velho e batido (e furado) argumento de que o PC é diferente só porque utiliza teclado e mouse também é utilizado como justificativa pelo nosso amigo produtor. “O fato de que nós estamos permitindo que você controle o jogo com um teclado e mouse imediatamente faz o jogo ser diferente”, diz ele, como se isso fosse algum tipo de privilégio.

“É uma questão confusa e eu espero que minhas respostas tragam um pouco de luz. Nós parecemos um pouco desacreditados pelo tamanho do esforço que vai nisso [versão de PC], falando honestamente. […] Nós queremos que [a experiência] seja ótima em todos os sistemas, essa é nossa abordagem”, terminou.

Vamos revisar a definição da expressão “o tiro saiu pela culatra” e colocar as declarações desse cara como exemplo, por favor.

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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6 Comments

  1. isso se chama preguiça e falta de competência pra fazer algo de qualidade superior, se fosse como ele diz não seria necessário fazer port mas sim uma versão pc igual a dos consoles mas otimizada pro pc assim como a do ps3 é pra ele e 360 otimizado pro 360……

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    • @matheus,

      Assino embaixo. Dá muita raiva, esse tipo de coisa. E ganham tanto dinheiro. Puxa, faltou respeito aí.

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    • @Marcio Neves Machado – RJ/RJ,

      Opa, claro. Se todas as empresas começarem a trabalhar dessa forma, aí sim os PC gamers estão mesmo lascados…hehehe

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  2. Não sei por quê não deixo de pensar que isso não é decisão somente da Visceral. Certeza que os executivos babacas da EA estão o tempo todo no ouvido dos caras sussurrando “faz logo de qualquer jeito e lança de uma vez”.

    ¬¬

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    • @Giancarlo Zer0

      Penso a mesma coisa. Pior que estava doido pra jogar Dead Space 3. Dureza. A EA e sua mania de meter o bedelho onde não deve e/ou influenciar tudo e todos de forma a ganhar rios de dinheiro.

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