Cities in Motion é um game um tanto quanto singular. Um simulador que tem tudo para ocupar o lugar deixado por Transport Tycoon. Desenvolvido pela desenvolvedora finlandesa Colossal Order e com distribuição a cargo da Paradox Interactive, Cities in Motion será lançado ainda no início de 2011 e será vendido no GamersGate, pelo menos a princípio. Seu preço ainda não foi revelado, entretanto.

Basicamente, Cities in Motion é um simulador de transportes. Um game onde você deve assumir o controle de uma empresa de transportes em uma cidade, e gerenciar todas as formas de transporte existentes na mesma (ônibus, trem, metrô, barcos e helicópteros). A Paradox Interactive me forneceu acesso ao beta de Cities in Motion, e pude testar o game a fim de escrever este preview.

Como se trata de um simulador, não espere simplicidade. Pelo menos, não no tocante ao game em si. Não no tocante às tarefas que devem ser executadas visando manter o sistema de transporte na cidade funcionando de forma satisfatória e lucrativa. Os controles e comandos, estes sim, são muito bem implementados, e todas as opções são facilmente acessíveis.

O título conta com um extenso e detalhado tutorial, o qual é altamente recomendável. Durante este tutorial, o jogador poderá aprender os rudimentos básicos do game, para que depois possa com toda a segurança encarar o “jogo de verdade”. Durante o próprio tutorial o jogador irá se deparar com algumas dificuldades (o que gostei bastante) que farão com que o aprendizado seja melhor fixado.

Um dos segredos no game é saber o que os cidadãos desejam. Para onde querem ir. Quais os locais mais e menos movimentados. Tudo isto pode ser descoberto através de um botão que ativa uma prática função, a qual mostra, através de cores, todas estas informações, indo do verde mais escuro ao vermelho mais “quente”, indicando assim os locais cujas “linhas de transporte” serão mais ou menos bem sucedidas, respectivamente.

Obter constantemente estas informações é de suma importância, pois você tem de lidar com um orçamento que pode também “ficar no vermelho”, caso algumas linhas se saiam mal. Toda e qualquer linha, seja de que tipo de transporte for, pode (e deve) conter paradas. Tais paradas podem ser atribuídas aos veículos que você desejar, aumentando assim a possível complexidade do sistema criado.

Toda e qualquer linha é criada através de um desenho, digamos. Você precisa escolher o tipo da linha que vai criar e então “desenhar”, informando seu ponto de origem e seu ponto de destino. Tudo deve ser “fechado”, pois linhas com trechos em aberto não permitem que veículos sejam a ela adicionados.

Algo muito interessante em Cities in Motion é o pequeno mostrador exibido constantemente no canto inferior direito, o qual mostra em detalhes o que está ocorrendo no trecho onde você clicou. A movimentação pelo mapa é muito simples: basta arrastar o cursor do mouse para o local desejado. O cenário pode ser girado, através das setas do teclado, e o gamer ainda conta com zoom, o qual em seu nível mais próximo possibilita a visualização de detalhes muito bonitos da cidade, de seus habitantes e das construções.

A versão beta que joguei inclui apenas a cidade de Viena, a qual é belíssima. Ela também inclui o tutorial, 4 cenários e o modo sandbox, o qual é fantástico e repleto de possibilidades. Após seu lançamento, Cities in Motion incluirá 4 cidades completas, 12 cenários e um editor de mapas. Trata-se de um título que, para os amantes de simulação, é um verdadeiro “must have”. Bonito, repleto de opções e dificuldades, cheio de problemas que ocorrem a todos os momentos e que requerem sempre rápida atenção e precisa solução, e muitos acontecimentos variáveis. Vale ressaltar que jogar o tutorial é imprescindível, pois sem esta experiência o gameplay pode se tornar um tanto quanto difícil, devido à complexidade do jogo e da enorme quantidade de ações possíveis.

Um dos recursos mais interessantes no jogo é a “visão subterrânea” da cidade. Através dela, por exemplo, você pode de repente verificar problemas no metrô de forma muito mais fácil. Aliás, é impossível não nos lembrarmos de Sim City ao jogarmos Cities in Motion. Desde que comecei a jogá-lo, fico imaginando que a experiência proporcionada é meio que similar à proporcionada por um Sim City, retirados deste todos os elementos menos o gerenciamento dos transportes, tendo a complexidade destes últimos sido elevada algumas centenas de vezes.

Adicionar linhas e paradas, e adicionar veículos às mesmas, é uma tarefa deliciosa. O jogo, após a ativação de uma linha, exibe o seu traçado, com setas indicando qual a direção seguida pelos veículos. É possível gerenciar-se tudo isto através do prático painel de gerenciamento de linhas, o qual permite inclusive a adição de novos veículos à mesma.

Cada veículo possui um custo, é claro, e também possui um indicador, em percentual, do quão atrativo ele será para os cidadãos. É preciso bastante cuidado aqui, e a obtenção de informações relativas às áreas mais procuradas pode ajudar o gamer a escolher o veículo certo na hora da compra. Todos os veículos podem ser adicionados ao depósito, ou garagem, da empresa, para uso futuro, é claro.

Existe uma seção repletas de gráficos informativos, os quais mostram a satisfação do povo da cidade, o quão bem vista é a empresa de transportes que o jogador gerencia, o valor da mesma e sua renda mensal, dentre outras informações. Também é possível visualizar-se o crescimento econômico da empresa e o total de habitantes da cidade. Todas estas informações devem ser “casadas” para que o sistema de transportes da cidade seja o mais viável, robusto e funcional possível.

Se as coisas vão mal, você pode se desfazer de alguns veículos, por exemplo. Você pode também simplesmente acabar com algumas linhas. Mas lembre-se: haverá uma certa depreciação na hora da venda, portanto, tudo deve ser muito bem calculado. Cada um dos “usuários” do sistema de transporte possui, digamos, suas próprias preferências. Cada usuário prefere determinado tipo de transporte. Uns utilizarão mais o metrô, enquanto outros ficarão com as linhas de ônibus. Trabalhadores, turistas, estudantes, etc: todos representam ao mesmo tempo desafios e possibilidades de maiores ganhos para a empresa.

A empresa de transportes também deve se preocupar com a aprovação da população, e o game “oferece” inclusive acidentes ao jogador. Vez ou outra você se depara com avisos no painel informativo avisando a respeito de acidentes de trânsito, por exemplo. Cidadãos podem se machucar, aliás.

Como se trata de uma versão beta, consegui “pegar” alguns bugs. Não consegui de forma alguma criar linhas elevadas de metrô, e em determinados momentos, dependendo do tipo de linha que eu estava construindo, era simplesmente impossível fechá-la, apesar de não haver nenhum impedimento. O game também está apresentando alguns “encerramentos inesperados” assim que aberto, mas, como eu disse, trata-se de uma versão beta. A versão que será disponibilizada ao público com certeza estará livre destes bugs.

Em minha opinião, o Cities in Motion tem tudo para se transformar em um ótimo simulador de transportes, oferecendo desafios e beleza na medida certa para quem aprecia este tipo de game. Novos jogadores também poderão ser capturados pelos seus interessantes desafios.

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