(Preview) Dark Matter, Metroid-like da criadora do FPS Nuclear Dawn

Quando conheci Nuclear Dawn, FPS híbrido da holandesa Interwave Studios, de imediato pensei que o jogo era produto de um estúdio repleto de mentes talentosas. Pessoas que estão na indústria de games para, digamos, fazer a diferença. O título, além de bonito, mistura estratégia em tempo real e tiro em primeira pessoa. A Interwave também presta um suporte pós lançamento sensacional ao game, através de várias atualizações, incluindo algumas bem significativas (e gratuitas), que incluíram novos recursos muito legais no shooter.

A Interwave, aliás, mostra que não está para brincadeira, e atualmente trabalha em um novo jogo, chamado Dark Matter. Trata-se de um game Metroid-like totalmente singleplayer, repleto de elementos sci-fi e de horror. Dark Matter é um side-scroller, com gráficos em 2.5D. Ou seja, temos aqui algo bastante diferente de Nuclear Dawn, jogo, aliás, focado no multiplayer.

Dark Matter Interwave Studios

A Interwave me forneceu um build de Dark Matter, para testes. Trata-se de uma versão beta e, como a própria empresa me afirmou antecipadamente, ela possui problemas. Natural, claro. Bem, e o jogo? Devo dizer que ele me deixou bastante empolgado. Temos aqui um Metroid-like muito promissor e gostoso de se jogar.

Apesar de alguns problemas, dentre os quais alguns que afetam sua parte gráfica no que diz respeito aos modelos e às texturas, por exemplo, podemos perceber claramente que há um grande potencial ali. Não se trata apenas de mais um jogo estilo plataforma, por exemplo, e o jogador, durante o gameplay, deve tomar bastante cuidado, devido a uma série de fatores, conforme vocês perceberão no decorrer deste preview.

Toda a ação ocorre em uma nave chamada Endeavour. Até aí tudo bem. O problema é que a nave acaba se perdendo no espaço, durante uma missão de exploração. Uma última e estranha mensagem chega a ser enviada, e então ninguém mais ouve falar dela.

O jogador entra, então, na pele de uma mulher membro da tripulação. Uma mulher que desperta de sua câmara criogênica cerca de 70 anos após a última comunicação da nave com sua base. A mulher encontra, então, uma nave bastante danificada, assustadora, cheia de equipamentos que não mais funcionam (muitos deles deverão ser reparados no decorrer do jogo) e tomada por alienígenas. Uma nave espacial cuja maior parte da tripulação foi morta.

Dark Matter Interwave Studios

Alienígenas estranhos, gosmentos, feios, mortais, estão fazendo a festa. Alienígenas que não exitam nem um pouco antes de saltar sobre a protagonista com extrema ferocidade. Dark Matter proporciona uma experiência bastante interessante ao jogador. Algo nele, aliás, me lembra de jogos como os da série Alien Breed, por exemplo.

Ainda no que diz respeito a títulos modernos e pertencentes ao mesmo gênero (ou similares), podemos citar, também, Shadow Complex, principalmente se levarmos em conta a movimentação dos personagens, a perspectiva da câmera e os cenários; me agradou bastante, também, o tamanho (grande) da protagonista.

A tensão que sentimos ao perambular pela Endeavour é bem grande, e vale ressaltar que temos um “companheiro”. Trata-se de “alguém” que vive nos sistemas da nave (ou no que restou deles). Alguém que fala com você através dos auto-falantes. Uma entidade cibernética. Algo como uma EDI incorpórea.

O problema é que esta tal inteligência artificial é um tanto quanto estranha. Claro, ela é extremamente útil, fornecendo as devidas instruções nos momentos certos, incluindo detalhes sobre como lidar com diferentes tipos de aliens, comandos, tutoriais, etc. Porém, em determinados momentos, sua voz metálica causa bastante estranheza.

Tal IA fala a respeito dos acontecimentos que levaram ao desastre, a respeito das mortes, e não deixa de citar o fato de que vai orientar você o máximo que puder, para que “ambos” possam sair dali. Ela, ou ele, também fala em anjos e carniceiros. Em determinado momento, ele chega a dizer que determinados membros da tripulação se esconderam e foram ignorados pelos tais anjos, mas não pelos carniceiros.

Temos aqui um mistério bastante interessante, não é? Isto sem contar com frases que carregam consigo uma grande dose de horror: a menção a corpos da antiga tripulação que agora fazem parte da biomassa alienígena sobre a qual você está caminhando. Estranho e, claro, horrorizante, não?

O game tem também muito daquilo que já vimos em títulos semelhantes. Aquele esquema de buscar por determinada ferramenta ou ativar algum aparelho em um local afastado da nave, para então abrir a porta de acesso a um elevador, por exemplo. Aquele “busca isso para abrir aquilo e obter acesso àquilo outro”, por exemplo. Sem falar que quando chegamos no objetivo final, algumas vezes, podemos descobrir que ainda falta alguma outra coisa para fechar o quebra-cabeças.

Dark Matter Interwave Studios

Obviamente, estas andanças nos colocam no meio de diversos perigos e de muitos alienígenas. Conte com a possibilidade de morrer, também. O título também nos brinda com um “jogo” bastante interessante entre luz e trevas, reforçado até mesmo por seus gráficos. Ambientes extremamente escuros e opressores são iluminados rápida e algumas vezes fracamente por nossa lanterna. Isto pode fazer com que deixemos de notar ameaças prestes a se lançar sobre nós, sem contar com a maior dificuldade imposta pela mecânica do jogo.

Em Dark Matter os alienígenas são violentos, claro. Mas ficam ainda mais enraivecidos quando na presença da luz. Daí, o jogador acaba ficando com um grande problema e com uma grande dúvida: ligar sua lanterna e partir com tudo para o ataque, correndo o risco de ter de enfrentar inimigos mais violentos ainda, ou desligá-la e tatear no escuro que o envolve de maneira fortíssima e acabar complicando bastante a detecção de ameaças?

Muitas vezes, ligar ou não a lanterna faz uma diferença enorme, vale ressaltar, e você pode morrer muito rapidamente caso faça a escolha errada. O jogo alterna entre ambientes iluminados e escuros (sendo que, porém, todos são bem interessantes e bonitos), e isto pode ser também provocado pelo jogador, através da utilização de sua lanterna e/ou da destruição de fontes de luz.

Isto sem falar no fato de que também existem determinadas armadilhas sensíveis à luz. Na verdade, trata-se também de aliens. Aliens que permanecem fixos ao chão e que erguem espinhos mortais no meio da escuridão. Estes seres podem ser “desligados”, claro, e de uma maneira diferente: basta iluminá-los.

A mesma luz que irrita seus outros irmãos faz com que eles se fechem, e assim, podemos passar sobre eles sem perigo algum. E, não faltam momentos no jogo em que precisamos desligar a lanterna ou atirar em luminárias, por exemplo. É tudo bem instigante, além de assustador.

O novo jogo da Interwave Studios também conta com algumas peculiaridades bastante interessantes. Sucata e restos de alienígenas podem ser coletados pelo jogador, e existem diversas estações de crafting espalhadas pelos obscuros corredores da Endeavour. Nelas, utilizando tais elementos, podemos criar diversos itens extremamente úteis, como tipos diferentes de munição, mods para armas e até mesmo kits médicos.

É possível visitar diversos locais da espaçonave invadida, utilizando escadas, elevadores e dutos. No caminho, topamos com criaturas bastante estranhas, além de ameaçadoras. Os problemas que notei em Dark Matter já são conhecidos pela Interwave e, portanto, devem ser corrigidos em futuras versões do game.

Além dos que já citei acima, fica uma certa sensação de que a personagem principal poderia ter sido melhor modelada, e que o cenário, em alguns locais, apesar de sempre interessante, parece um tanto quanto vazio. Alguns alienígenas também ainda parecem um tanto quanto inacabados.

Dark Matter Interwave Studios

Vale destacar também o fato de que as armas do jogo contam com problemas no que diz respeito ao balanceamento. Muitas vezes podemos dar um tiro de escopeta à queima roupa nos mesmos tipos de aliens e perceber que o nível de danos foi o mesmo da pistola, em situações passadas. Mirar é um pouco difícil, ainda, mesmo com a presença da mira laser. Mas tudo isto deve ser corrigido, como disse acima.

A Interwave Studios iniciou uma campanha no Kickstarter para Dark Matter, e ele também foi submetido ao Steam Greenlight. Segundo Igor Raffaele, gerente geral do estúdio, a hipótese de lançar o título da forma em que ele se encontra agora, ou seja, ainda em fase beta, foi levantada. Entretanto, eles desejam polir o título de maneira tal a oferecer aos jogadores uma experiência “excepcional, divertida e intensa“.

Dark Matter Interwave Studios

A campanha no Kickstarter tem como objetivo levantar fundos para completar o game, e a intenção da empresa é que tudo isto seja concretizado dentro dos próximos 30 dias. Quem contribuir no Kickstarter com valores acima de £8 também receberá acesso ao último beta deste Metroid-like extremamente promissor, assim que a campanha for finalizada com sucesso. A Interwave promete ouvir o feedback dos fãs e jogadores, e se olharmos para trás, para seu trabalho com Nuclear Dawn, creio que podemos acreditar nesta promessa.

Com o apoio e o feedback de nossos patrocinadores, nosso objetivo é criar o tipo de game que nós queremos jogar, e não o tipo de game que grandes estúdios empurrariam aos jogadores. Grandes editoras normalmente iriam ignorar jogos menores com menores margens de lucro, como Dark Matter, mas nós somos um estúdio independente, então não temos que vender milhões para obtermos sucesso. Não temos que satisfazer acionistas. Nós só temos que fazer nossos fãs felizes. Esta é a filosofia que nos permite criar games como Dark Matter, e estamos ansiosos para compartilhá-lo com todo mundo“, disse Raffaele.

Dark Matter Interwave Studios

Belas palavras, belas intenções. E belo jogo, posso dizer. Temos aqui mais um título extremamente promissor. Vamos ficar de olho, pois Dark Matter promete. E muito. Gostei bastante. Enquanto isso, dê uma olhada em alguns de seus trailers:

Poderá gostar também

Trackbacks/Pingbacks

  1. Sobre riscos e sequências condicionais - […] um preview do Metroid-like da desenvolvedora holandesa em Junho passado, e confesso que gostei bastante do que vi. Foi me…

Submit a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Pin It on Pinterest