Recebi acesso a um build do jogo Hard Reset, e durante dois dias tive o prazer de experimentá-lo. Ao final do gameplay, o que passava pela minha cabeça era, simplesmente: “quero mais”! Não vejo a hora deste espetacular título ser lançado, para poder, então, jogá-lo até o final. Desenvolvido pela polonesa Flying Wild Hog, Hard Reset é um FPS futurista que, de certa forma, nos remete a bons e velhos tempos. O jogo é ambientado em um futuro bem obscuro, e no qual as máquinas começam a concorrer com os humanos no “campo da inteligência”, digamos. Acredito que grande parte dos jogadores se lembrará do clássico Blade Runner ao se deparar com a atmosfera cyberpunk do jogo (pelo menos aqueles que assistiram ao filme).

Na atualidade somos constantemente bombardeados com shooters fáceis demais, muito similares uns aos outros e/ou cheios de invenções que, de uma maneira ou de outra, fazem com que o jogador tenha sua vida muito facilitada. Isto não ocorre em Hard Reset. O jogo possui um nível de dificuldade alto, você conta apenas com duas armas, não existe sistema de cobertura nem equipamentos adicionais, e os inimigos partem para cima do protagonista com uma enorme agressividade. Tais inimigos, é claro, são robôs, e vale lembrar que existem diversos tipos de robôs. Pude conhecer alguns deles, e até acredito que a variedade seja maior, mas finalizei apenas um pequeno build do jogo, portanto, não posso afirmar nada a este respeito. Alguns são grandes, resistentes e lançam contra você uma verdadeira saraivada de cargas energéticas que dificilmente erram o alvo. Grande destruição, entretanto, pode ser provocada pelo jogador.

Hard Reset permite que o gamer utilize elementos presentes no ambiente para ajudar na luta contra os robôs. Por exemplo, existem recipientes contendo explosivos que podem ser explodidos para causar danos aos inimigos. Existem também dispositivos elétricos que, caso atingidos pelos seus tiros, entrarão em colapso e lançarão choques elétricos para todos os lados, ajudando, assim, a dar cabo dos inimigos. E de você também, caso você esteja dentro do raio de ação dos raios elétricos.

No título, o jogador conta com apenas duas armas. Sim, apenas duas. A CLN, uma arma de fogo convencional, e a N.R.G., uma arma que dispara cargas energéticas. Confesso que joguei, digamos, 99% do tempo utilizando a N.R.G., a qual, além de muito versátil e poderosa, é extremamente bonita e provoca um belo espetáculo quando utilizada. Duas armas pode parecer até pouco, mas existem algumas máquinas em Hard Reset onde você pode gastar seus N.A.N.O. points (a moeda do game) e realizar upgrades nas mesmas e em seu traje de combate. Aliás, existem upgrades que requerem pré-requisitos, ou seja, a instalação de upgrades/peças prévios.

Aí é que você começa a perceber a enorme quantidade de opções disponibilizada pela Flying Wild Hog em seu game, no tocante ao armamento. Cada uma das duas armas é capaz de contar com diversas configurações alternativas, as quais vão desde rajadas teleguiadas, passando por lança-granadas, até cargas elétricas que, quando atingem qualquer obstáculo ou alvo (ou até mesmo o chão, não importa), permanecem durante um certo tempo em ação, causando danos a tudo o que estiver em seu raio de ação, lançando raios elétricos em diversas direções. Diversos upgrades podem ser realizados nas duas armas, e durante o gameplay o jogador pode (e deve) utilizar todas as vantagens por eles fornecida conforme a necessidade.

Além disso, cada arma conta com um modo de tiro secundário. A N.R.G., por exemplo, pode disparar uma poderosa carga energética após um certo tempo de carregamento. É claro que tanto a utilização das configurações alternativas quando dos modos de tiro secundários demanda mais munição, e isto depende da utilização e também do poder da opção em questão. Portanto, é muito bom sermos cautelosos no momento de promover nossos shows de destruição. Mas que é bacana, isto é. Ver tudo brilhando em azul, à sua frente, enquanto os robôs vão sendo paulatinamente destruídos, é fantástico.

O protagonista de Hard Reset é o Major Fletcher, e o jogo se passa em uma cidade chamada Bezoar. O título conta com belíssimas animações estilo desenho animado, entre uma missão e outra, e em uma delas até mesmo a chuva promove um belíssimo espetáculo. Tais animações contam um pouco do background do jogo. Vale destacar também o belo menu inicial do game, onde braços robóticos cuidam de carregar e mover os menus e submenus.

O mundo de Hard Reset é caótico, e não é difícil observarmos veículos futuristas abandonados ou destruídos nas ruas. No céu pode-se observar um verdadeiro trânsito de naves, e outras naves, gigantescas, passam sobre nossas cabeças constantemente com propagandas, holofotes e neon. Diversos objetos nos cenários são destrutíveis, e existem até mesmo barreiras ou muros com falhas que podem ser explodidos e, então, revelarem segredos.

Em diversos momentos durante o gameplay o jogador terá de lidar com terminais para a desativação de barreiras, abertura de portas, etc. Nestes momentos, o protagonista deixa de empunhar a arma e um cursor aparece em tela, automaticamente, para a devida interação. Mudando de assunto, é impossível passear pelas ruas de Bezoar sem notar a beleza caótica de tudo. Sons os mais diversos se mesclam algumas vezes, formando uma cacofonia que chega muitas vezes a ser perturbadora. Ainda em relação ao som, Hard Reset é um game eclético, nesta parte. Sua trilha sonora conta com diversos estilos e instrumentos musicais. Industrial, eletrônico, orquestras e guitarras ajudam na condução do clima sci-fi de forma magistral.

A parte gráfica deste primeiro título da Flying Wild Hog (imaginem o próximo, então!) também é belíssima. Os próprios combates representam momentos muito bonitos, apesar da dificuldade e do risco. A eletricidade “passeando” de um inimigo a outro enquanto você corre de um lado para o outro é um belo espetáculo. As explosões também são muito convincentes, e em cenas nas quais se pode observar o sol, é impossível não ficarmos estupefatos.

Parece que estamos observando um mundo onde o brilho do astro rei possui enormes dificuldades para atravessar a atmosfera, e seu brilho é doentio porém belíssimo. Os reflexos provocados são fantásticos, e é possível, aliás, não só sentirmos o vento, nestes momentos, mas também observarmos suas rajadas de forma extremamente nítida, além de seu zumbido. Existem momentos onde nos encontramos no topo de enormes prédios, em frágeis sacadas, e aí somos expostos a uma imensidão opressora porém muito atrativa. Nestes momentos, diversos nomes que parecem pertencer a empresas podem ser também lidos no topo de outros prédios: Roboticon, Biomass, Vang, OCC,  World Strategy, etc.

Sou um jogador que presta bastante atenção na água e na chuva, em qualquer jogo que caia em minhas mãos. A chuva em Hard Reset, quando desaba dos céus, ajuda a aumentar ainda mais a impressão de desolação que a cidade e a ambientação do jogo nos passam. Olhar para o céu nada amistoso e observar o aguaceiro caindo provoca uma sensação de desassossego enorme. Porém, o espetáculo é muito bonito. As gotas caem no chão e formam poças. Quando caem em determinados elementos, você observa os respingos nitidamente, e letras impressas nos mesmos, caso existam, sofrem o efeito da água, ficando borradas, molhadas, enquanto você observa a água escorrendo. A chuva molha, é claro, até mesmo suas armas, o que é fantástico. Passo bons minutos observando tudo isto.

O protagonista, vale lembrar, pode correr. Isto é muito bom, porque ele normalmente não se movimenta muito rapidamente. Ocorre, entretanto, que ele corre por pouco tempo e logo se cansa. Você chega a ouví-lo ofegar. É bom também prestar bastante atenção na utilização deste recurso, pois ele dura pouco. Vale lembrar que quando Fletcher corre, um belíssimo efeito “motion blur” é aplicado aos gráficos, tornando a ação muito interessante.

O game conta com gráficos muito bonitos, e esta beleza pode ser até mesmo observada à partir de um simples tiro em algo que não representa perigo, por exemplo. Você pode atirar contra objetos metálicos, por exemplo, e eles exibirão marcas que dependerão da arma utilizada. A CLN deixará marcas mais simples. Ela marcará e afundará o metal. Já a N.R.G. queimará o metal, e você é capaz de observar o calor se esvaindo, aos poucos.

Os inimigos são implacáveis e inteligentes. Alguns correm de um lado para o outro atirando contra você, enquanto outros se aproximam de você de forma extremamente ameaçadora. Cada embate é um verdadeiro show. Difícil, mas um show. Um show onde você tem de ser rápido e usar armas, configurações e modos de tiro adequados. Ao final de tudo, quando uma batalha acaba de ser vencida, restos dos robôs se encontram espalhados por todos os lados, e itens coletáveis deixados pelos mesmos podem então ser agarrados.

Trata-se de um jogo linear, não vou negar. Entretanto, vez ou outra é possível se desviar um pouco do caminho para coletar alguns itens. Hard Reset é um jogo que trás de volta o gênero FPS às suas origens, digamos, e faz isto de uma maneira fantástica. Atire. Desvie-se. Atire muito. Use suas duas armas da melhor maneira possível. A violência de cada encontro com as hordas de robôs é sempre grande, vale lembrar. E vale lembrar também: não deixe de observar o belíssimo espetáculo cyberpunk que é exibido na tela de seu PC durante o gameplay inteiro.

Algo também muito bacana é o relatório exibido ao final de cada missão, o qual mostra, por exemplo, quantas vezes você morreu (se for o caso), quanto de N.A.N.O. você encontrou, danos causados e recebidos, inimigos mortos, mortes que você causou utilizando elementos do ambiente, objetos destruídos, achievements, segredos encontrados e tempo de duração da missão.

A atmosfera futurista do jogo é muito interessante. Parece tratar-se de um futuro sem esperança. Isto pode ser visto e ouvido através dos diálogos, das propagandas, da desolação em Bezoar, da clara supremacia dos robôs, do modo como alguns momentos do gameplay mostram o trabalho cibernético no aprimoramento da inteligência artificial e, é claro, na consequência que isto terá para os humanos, etc.

Ressalto, também, que joguei um pequeno build do jogo. Não se trata do produto final. E se gostei tanto assim do que vi até agora, é claro que mal posso esperar pelo lançamento do jogo. A Flying Wild Hog possui uma equipe de 35 pessoas. Alguns deles trabalharam na People Can Fly, na CD Projekt RED e na City Interactive. Alguns, também, trabalharam no fantástico FPS Bulletstorm, além de The Witcher 2, Painkiller e Sniper: Ghost Warrior. Um time assim só poderia nos oferecer um ótimo game. Existe também o Facebook de Hard Reset. Dê uma olhada.

Conclusão

Fiquei extremamente entusiasmado com o que vi e joguei. Hard Reset faz falta no mercado de games. É um game que possivelmente agradará tanto a jogadores old-school quanto aos mais novos. Trata-se de um “must have” para quem aprecia First Person Shooters divertidos, bonitos e desafiadores.

Ficha Técnica

Título: Hard Reset
Gênero: ação / FPS
Desenvolvedora: Flying Wild Hog
Publisher: Flying Wild Hog
Data de lançamento: Setembro de 2011 (sem confirmação)
Plataformas: PC
Versão analisada: PC

Se você ainda não viu, dê uma olhada em um trailer que demonstra um pouco do gameplay de Hard Reset:

Link para o vídeo em 720p:

http://www.youtube.com/watch?v=1_h2dtDVAsQ&hd=1

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