(Preview) Lifeless Planet: um planeta distante e… Guerra Fria

É, e este já é o segundo texto com temática espacial (o primeiro você pode ler aqui) que publico durante esta semana. Bem, se você está em busca de uma experiência diferente, única, repleta de mistérios e, por incrível que pareça, que une a Guerra Fria (de uma maneira ainda não explicada), os Soviéticos, claro, e o espaço (representado aqui por um conjunto de fatores, incluindo a presença humana em um planeta distante), dê uma olhada em Lifeless Planet, jogo que se encontra atualmente no programa “Early Access” do Steam, custando atualmente R$ 25,99.

Desenvolvido por um exército de um homem só (diga-se de passagem, um cara bastante talentoso e criativo), David Board (cuja “razão social” é Stage 2 Studios), Lifeless Planet foi desenvolvido em Unity. Ou melhor, ele se encontra em desenvolvimento.

Felizmente, também tive a oportunidade de obter acesso antecipado a esta mesma versão que se encontra no Steam, e fiquei muito impressionado. Muito bem impressionado. O jogo: esqueça tutoriais, até mesmo porque você, pelo menos por enquanto, não precisará deles: tudo é muito, muito intuitivo.

Lifeless Planet

O jogo também não conta com diálogos, salvo um ou outro impropério do solitário protagonista sem nome. Ah, mas existe áudio originário de audio logs, em russo, os quais você vai encontrando pelo caminho (além de frases proferidas por uma curiosa mulher que deixa pegadas verdes), mas nada temas: tudo está devidamente traduzido, em inglês, em nosso PDA.

Começamos o jogo meio que perdidos. No papel de um astronauta cuja nave sofreu sérias avarias após uma aterrissagem ruim, tudo o que temos a fazer, a princípio, é explorar. Andar, andar, e andar. Aquele é um outro mundo, vale lembrar. Um mundo fora do nosso sistema solar, distante da Terra 20 anos luz, e no qual o tal astronauta e sua missão deveriam encontrar vida em abundância. Ledo engano. Ou será que não?

À princípio, e até onde a versão beta nos deixa investigar, tudo o que vemos e sentimos é um ambiente árido e hostil. Algo que com certeza não está de acordo com o que a missão da qual o protagonista faz parte esperava encontrar.

Lifeless Planet

Para piorar (ou melhorar) ainda mais as coisas, o astronauta se vê às voltas com um outro problema: o oxigênio, ou melhor, a falta dele. De tempos em tempos tempos que procurar por equipamentos, módulos abandonados e cilindros encostados em outros objetos, para realizar o reabastecimento. Sim, apesar do que parece a princípio, humanos já estiveram naquele desolado planeta.

O jogo é extremamente imersivo. A algumas vezes leve música de fundo pode de repente se sobressair de todos os outros sons ao nosso redor e até mesmo nos assustar. Geralmente isto ocorre em momentos em que acontecimentos estranhos nos brindam com sua presença: rochas enormes que rolam em nossa direção sem nenhum motivo aparente, por exemplo.

Lifeless Planet

Mas há algo mais, ali naquele estranho e inóspito planeta. Pouco a pouco, após alguns minutos de exploração, encontramos uma pequena vila. Sim, uma vila, construída por seres humanos, com casas abandonadas e até mesmo postes. Uma vila, aliás, criada sabe-se lá quando, como e por que, pelos Soviéticos!

Não faltam referências, daí em diante, aos Estados Unidos e à Guerra Fria, a armas nucleares e à busca pela supremacia, e a estranhas descobertas feitas pelos próprios russos, muito antes da missão norte americana da qual supostamente fazemos parte. É a partir daí, também, que começamos a encontrar os diários em áudio (todos em russo – mas conte com a tradução para o inglês em seu PDA). É a partir daí, também, que tudo começa a ficar mais estranho.

Lifeless Planet

A já estranha atmosfera do jogo se torna ainda mais esquisita, e o jogo, vale lembrar, também possui lá o seu lado plataforma: temos de aprender a utilizar nosso jetpack com antecedência (e eficiência) antes de encarar momentos angustiantes em que temos de saltar de uma rocha a outra tendo precipícios enormes como únicos expectadores.

Lifeless Planet

Lifeless Planet começa a nos envolver de tal forma, poucos minutos após iniciado o gameplay, que chegamos a nos sentir parte daquele universo estranho, e quando o protagonista começa a ofegar devido à falta de oxigênio, confesso que eu mesmo senti uma certa angústia.

Começamos a descobrir coisas bastante estranhas, aos poucos. Criaturas verdes se afastam de nós enquanto caminhamos por um pequeno riacho formado por uma cascata de água cristalina. Vale também lembrar que em Lifeless Planet nossas únicas “armas” são nosso traje espacial, nossa lanterna e nosso braço robótico (no beta, temos a oportunidade de utilizá-lo duas vezes).

Lifeless Planet

Começamos também a encontrar instalações gigantescas, todas elas supostamente construídas pelos Soviéticos. As evidências de que a humanidade já esteve ali anteriormente se tornam incontestáveis, e isto assusta o pobre astronauta e lança mais dúvidas ainda sobre nós, jogadores.

Viagens no tempo? Atividade alienígena? Um “mix” disto tudo? Estranhas miragens também nos remetem a este hipotético passado, e em alguns momentos podemos observar claramente uma cama de um hospital, a qual desaparece assim que chegamos perto. E, claro, não deixa de ser assustador o momento em que, ao nos aproximarmos, ouvimos nitidamente os gritos de uma mulher (principalmente quando isto ocorre durante um momento em que a única luz no ambiente provém de nossa lanterna).

Lifeless Planet

O jogo também conta com alguns pequenos puzzles que são pequenos e simples o suficiente (nem sei se podemos chamá-los de puzzles) para não destruir a imersão. Lançar barris contra enormes ventiladores para que eles parem e possamos, então, passar. Apertar botões que trazem plataformas móveis até onde nos encontramos, com o devido e posterior manejo do controle para que sejamos levados à outra extremidade, etc.

Os audio logs são de suma importância em Lifeless Planet. Leia todos eles. Através deles ficamos sabendo que aparentemente os russos sofreram com um vírus poderoso, e encontramos até mesmo relatos de um oficial que teve de se fechar em uma sala, criando barricadas e tudo, para sua própria segurança.

O fato de que não vemos nenhum indício mais forte destes eventos ao jogarmos o build atual (lembrando, o jogo se encontra no programa “Acesso Antecipado”, e ainda em fase beta), mas apenas leves “rastros”, faz com que a ansiedade pelo restante do jogo aumente ainda mais. Sem falar que isto levanta novamente algumas questões: os russos realmente chegaram primeiro? Já havia “algo” ali, antes deles? Podemos pensar em viagens no tempo? Alienígenas?

Aliás, quem é aquela mulher que deixa pegadas verdes? Pegadas estas que grande parte do tempo nos indicam o caminho a seguir? Por que as criaturas que encontramos no lago eram verdes? Por que, aliás, a estranha energia que alimenta estruturas claramente alienígenas (desconsiderando-se aqui russos e norte-americanos, claro), também é verde?

Lifeless Planet

Ah, sim. Nos deparamos com represas, barragens, cemitérios, estruturas subterrâneas, algo que se parece com um hospital e com mais uma série de estruturas criadas pelos Soviéticos. Caminhar nas alturas sobre cabos de energia desligados aparentemente fracos também faz parte da experiência e, neste momento, siga o conselho do astronauta, ao inciar tal caminhada: “não olhe para baixo”.

Relatos dos soviéticos também mencionam a mesma “mulher verde” que nos ajuda (ou não?). Aliás, existem relatos de que há ali, naquele planeta, algum tipo de minério com as tais propriedades fosforescentes exibidas pela mulher (humana ou não, me pergunto, e até que ponto?). Russos também sofrem das mesmas alucinações que o protagonista, devo dizer, e tudo, ressaltando mais uma vez, vai se tornando mais estranho. A imersão vai crescendo. O jogo vai ficando cada vez melhor.

Lifeless Planet

Há tempos não me sentia tão imerso em um jogo eletrônico, e confesso que fiquei literalmente desesperado ao chegar ao final. Eu queria mais! Mas, quer dizer, não cheguei ao final, na verdade. Segundo David Board, o criador, o que temos até agora são os níveis 1 a 6, sendo que serão 20 no total. E ele mesmo menciona que até mesmo estes níveis liberados no Steam se encontram em beta. Portanto, devemos supor (e eu assim espero), que muita coisa nova seja inclusa no jogo até seu lançamento.

Lifeless Planet

Quando do lançamento da versão final de Lifeless Planet, podemos esperar também por Steam Achievements e legendas, além de melhorias no sistema de saves automáticos (confesso que sofri um pouco com isto, após morrer e ter voltar ao início da fase). Haverá também uma cinemática de abertura e uma série de outras melhorias.

É muito bacana ficar de olho nestes novos títulos que estão sendo lançados no “Steam Early Access”. Lifeless Planet me pegou de surpresa, e como pegou. Não esperava por tal nível de imersão, por tal qualidade e por tamanha criatividade. Nos sentimos sozinhos, ali. A solidão que o estranho planeta nos “oferta” chega a causar um certo mal estar, principalmente porque sabemos que isto não é algo totalmente verdadeiro, o que pode ser ainda mais assustador.

Lifeless Planet

Os ótimos efeitos e trilha sonoros, ora orquestrais, ora eletrônicos (me lembraram um pouco, em alguns momentos, de Jean Michel Jarre), conseguem dar conta do recado com maestria, e em vários momentos parecem funcionar como vozes dos abismos e das paisagens desérticas com as quais nos deparamos (ou das muitas vezes macabras instalações russas), nos chamando, quem sabe, para um salto mortal.

Em dado momento do jogo nos deparamos com algo que se parece com um prédio residencial; ou seja, tudo nos leva a crer que a atmosfera ali era (ou será) semelhante à da terra, e que os seres humanos que ali primeiro chegaram começaram  a construção de uma colônia humana.

Uma colônia bastante humana, diga-se de passagem, sem aquela coisa de “redomas de proteção”, estruturas futuristas ao extremo, etc. Aparentemente, aquele planeta agora inabitável era até algo como uma “segunda Terra”. Mas, quem chegou primeiro? Quando desta chegada, já havia a presença de “algo mais”, ali? O que ocorreu durante tal hipotética interação? Qual será o nosso destino, ou melhor, o do misterioso astronauta que controlamos?

Lifeless Planet foi financiado via Kickstarter. O jogo, ainda em fase beta, provoca uma imersão enorme. Tudo, ali, nos intriga, e nos leva a explorar. A tentar saber mais, ver mais. O que está por trás daquele mistério que envolve o planeta misterioso, os Soviéticos, a Guerra Fria, os estranhos aparatos alienígenas e a missão da qual fazemos parte? Quem é aquela mulher que deixa pegadas verdes? O que fazem (ou fizeram) os russos, ali?

David Board, o desenvolvedor, disse:

Para mim, Lifeless Planet é uma ode aos adventures old-school e às clássicas estórias de ficção científica que eu gostava quando criança. Espero ter entregue hoje algo diferente daquilo que você geralmente obtém dos grandes estúdios e publishers“.

É, estou confiante nestas palavras e neste jogo. Lifeless Planet representa um mistério que pede para ser desvendado.

Enquanto isto, fique com o trailer do jogo:

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10 Comments

  1. Parabéns, Marcos! Ótimo Preview!
    Também gosto muito desta temática e o jogo parece muito bom. Vou ficar de olho quando ele for lançado. E, agora, com filmes como Gravidade, espero que os desenvolvedores tenham mais inspiração para fazer jogos de temática de exploração espacial.

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    • Valeu Diego! Eu adoro a temática. Deu uma dor no coração quando o beta chegou ao fim…rsrsrs Fica de olho sim. Ah, e assisti o Gravidade: fantástico!

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  2. Pô curti demais a ideia e o trailer me deixou bastante interessado.

    Mas depois de Starbound vou esperar a versão FULL.

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    • Ele é bacana demais, Leonardo. Surpreendente, também, é saber que é obra de um cara só. 🙂

      O que houve com o Starbound aí com você?

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      • Olá Marcos, desculpe não ter respondido na época, mas meu problema com Starbound era que tudo que a pessoa havia conquista no jogo seria zerado quando o jogo full chegasse ao Steam, o que é muito injusto.

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        • Não se preocupe, Leonardo. 🙂

          Então, isso é que é ruim, né. Quem jogou muito, aliás. Imagina, perder tudo.

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    • Poxa, parece bacana. Mal posso esperar, cara. Valeu pela dica. 😀

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  3. Ontem terminei o Lifeless Planet, tinha pego ele em uma promo no GMG, segue o que achei.

    É um jogo indie, a premissa, como eu mostrei acima é legal, mas o ruim é que todo o resto do jogo não acompanha, tecnicamente ele é muito fraco, a física falha direto, os gráficos são fracos e o frame-rate cai do nada as vezes, girar a câmera é pedir pra ver tudo em câmera lenta na maioria das vezes.

    E o andar do jogo é um pouco estranho as vezes, em alguns momentos o jogo te teletransporta pra outra área do planeta sem nenhuma explicação aparente.

    Vale jogar só pela história?
    Olha, o jogo é um pouco longo, meu gameplay deu 5h, mas tem conquista pra zerar em menos de 4h, então dá pra fazer em menos tempo que eu.
    O jogo começa bem, o meio é um pouco chocho, mas o final dele eu curti.

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    • Então, sobre o Lifeless Planet, é um jogo com uma ótima premissa. Poderia realmente ter sido mais polido, mas… 🙁

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