Ainda é muito cedo para formar uma opinião concreta e definitiva a respeito de Fallout 76, mais recente título da Bethesda Game Studios. Anunciado no último mês de Maio, o novo RPG foi lançado no último dia 14, e está sendo alvo de uma enxurrada de críticas, grande parte delas muito mais do que válidas.

Fallout 76

O jogo também conta com classificações baixíssimas no agregador Metacritic, e embora este fato por si só não possa ser levado em consideração no momento de julgarmos a qualidade de um jogo, o problema é que quem está jogando (imprensa especializada inclusa) está percebendo todas as falhas muito claramente (e isto porque muitos sites, inclusive aqueles pertencentes ao seleto rol dos “gigantes da mídia”, ainda não publicaram suas análises).

De qualquer forma, eis aqui minhas primeiras impressões a respeito do jogo, o qual é, na verdade, quase que um MMORPG (ou deveria ser, não sei ainda bem ao certo). Ou, melhor dizendo, estamos falando a respeito de um RPG online, ambientado em um mundo aberto compartilhado por outros jogadores e que carece totalmente de NPCs.

Fallout 76

Fallout 76 soa “vazio”, grande parte do tempo, em parte devido ao fato de que o único contato in-game que temos é com robôs, mutantes e monstros, além de outros jogadores que aparecem esporadicamente no mapa e que quase nunca estão dispostos a dialogar, a cooperar, a trabalhar em equipe. Faltam, também, ferramentas para interação social no jogo, o que pode acabar frustrando muitos e prejudicando um elemento no qual a Bethesda apostou bastante: a interação entre os jogadores.

Fallout 76

A aventura pode ser encarada numa boa no modo solo, é verdade, mas a grande aposta da Bethesda era que o modo online cooperativo funcionasse realmente. Mas isso não ocorre, e durante a maior parte do tempo somos enviados de um local ao outro em busca de NPCs que acabam se revelando meros cadáveres, ou então meras entradas em terminais espalhados pelo mapa (quatro vezes maior que o de Fallout 4).

Fallout 76

Fallout 76 é uma prequel, o que significa que sua história acontece antes da história de todos os títulos da famosa franquia. Tudo acontece em 2102, e os habitantes do Vault 76 (o primeiro de todos a ser aberto) estiveram se preparando para sua abertura durante 25 anos. É até triste caminharmos pelo abrigo vazio, após iniciarmos o jogo pela primeira vez. Estamos sozinhos, envolvidos por uma melancolia tremenda (afinal, todos os outros membros são jogadores reais – online), até chegarmos à grande porta que franqueará nosso acesso aos belos visuais dos Apalaches.

À partir daí, entramos em um mapa basicamente vazio no que diz respeito à presença humana (salvo os esporádicos jogadores online), repleto de solidão, carente de NPCs, que eram tão comuns nos títulos anteriores da série. Somos enviados em missões indicadas por gravações, por Holotapes, por informações encontradas em bilhetes presentes nos bolsos de cadáveres, etc.

Fallout 76

Tais missões, muitas vezes, até mesmo nos dizem que devemos falar com fulano ou com sicrano no local X, mas ao chegarmos a tal local somos surpreendidos pelo fato de que a pessoa em questão está morta: tudo o que temos é o seu cadáver, contendo mais informações, mais gravações, mais loot, mais tristeza.

A Bethesda falhou em fornecer ao jogador um mundo vivo, algo que funcionasse como impulsionador para belas e fortes aventuras na companhia de outros jogadores. Até existem determinados eventos, vez ou outra, que convidam ao trabalho em equipe: mas também deles todos parecem querer se afastar, movidos, quem sabe, por uma certa saudade de Fallout 3 ou Fallout 4. Aliás, já foi dito que Fallout 76 era para ter sido um modo multiplayer de Fallout 4, e que a ideia acabou crescendo e tomando a forma de um jogo completo.

Fallout 76

No entanto, o que temos em mãos mais parece um jogo em Early Access, cheio de bugs irritantes, de missões problemáticas, de quedas de framerate, de quests que nos irritam devido ao fato do mapa apontar locais incorretos para a concretização/inicialização das mesmas. Fallout 76 passou por uma fase beta e já recebeu um patch gigantesco: no entanto, parece que nada foi feito visando minimizar a quantidade de bugs ou então aprimorar a experiência online.

Confesso uma coisa a você: jogar Fallout 76 tem sido uma experiência estranha. A bússola falha miseravelmente ao indicar os objetivos, e sou obrigado grande parte do tempo a abrir o mapa várias e várias vezes e conferir se estou indo mesmo na direção correta.

Fallout 76

É verdade que o mapa, enorme, é cheio de belos cenários, de cidades decadentes repletas de visuais bonitos e tristes, de casas, edifícios e instalações gigantescos que convidam à exploração, de vegetação abundante e de mutantes violentos.

O sistema VATS (Vault-Tec Assisted Targeting System), aliás, passou por mudanças radicais, e uma vez que estamos em um jogo online, sem pausa, esqueça todo aquele “glamour” e desaceleração do tempo enquanto mira. Esqueça as pausas, também, é claro (é sempre importante lembrar).

Fallout 76

Mas tudo parece meio que sem sentido quando nos deparamos com quests insossas, com jogadores que apenas passam por nós e nem sequer acenam, em busca de seus próprios objetivos (ressalto mais uma vez que a intenção da Bethesda era criar algo que fosse jogado de forma cooperativa), com NPCs mortos cujos corpos servem como “fornecedores de missões”, com gravações interessantes que, no entanto, não contam sequer com legendas (fato que prejudicará a experiência de muitos jogadores), com missões nas quais agimos como meros garotos de recados, etc.

Fallout 76

Continuo minha jornada em Fallout 76 um tanto quanto triste, na esperança de que algo mude, de que um pouco de vida seja injetado neste belo mundo pós-apocalíptico. A ideia de substituir NPCs por jogadores humanos, reais, vivos, parece não ter dado muito certo.

Parece que grande parte dos jogadores não comprou a ideia de um Fallout online, e segue seu próprio caminho de maneira solitária, na esperança de que algo mude. Na esperança de que a desenvolvedora repense algumas das ideias principais do jogo, e a seguir desmonte e reconstrua alguns de seus pilares.

Fallout 76

Não há uma narrativa, propriamente dita, interligando tudo no jogo. O próprio jogo em si parece perdido em meio a uma série de ideias e mecânicas que não deram lá muito certo, e a experiência acaba sendo bastante prejudicada quando o jogador percebe que está imerso (se é que isto é possível) em um mundo carente de vida. Em um mundo no qual quest givers são personagens que morreram há muito tempo. Em um mundo cheio de potencial desperdiçado.

Aguarde por mais artigos a respeito de Fallout 76.

Ficha técnica

Título: Fallout 76

Gênero: RPG, mundo aberto, multiplayer

Desenvolvedora: Bethesda Game Studios

Publisher: Bethesda Softworks

Data de lançamento: 14 de Novembro de 2018

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One

Versão analisada: PC

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