Comecei, há alguns dias atrás, minha peregrinação pela Los Angeles da década de 40 apresentada pelo jogo L.A. Noire, da Rockstar Games. Sam Houser, fundador da empresa, estava certo quando disse que trata-se de “um novo tipo de game”, quando comentando a respeito do lançamento de L.A. Noire para PC. O jogo foi lançado inicialmente para Xbox 360 e Playstation 3, em 17 de Maio de 2011. Trata-se de um jogo impressionante. O próprio fato da Rockstar lançar um game onde o protagonista é um mocinho e não um bandido já é algo estranho e diferente.

O protatonista de L.A. Noire se chama Cole Phelps. Trata-se de um policial “comum”. Phelps é um herói de guerra que logo é promovido a detetive, e tem, então, de desvendar os mais diversos crimes. Diferentemente de outros títulos da produtora, como GTA e Red Dead Redemption, em L.A. Noire temos não um mundo aberto, mas sim uma “liberdade controlada”, digamos. Você é livre para ir onde desejar, mas tudo tem de seguir determinadas regras. Você não pode fazer o que bem entender na Los Angeles retratada no jogo, e até mesmo sua arma só é desbloqueada para uso em situações de risco e/ou onde ela seja realmente necessária.

O primeiro game que me veio à cabeça ao começar a jogar o mais novo título da Rockstar foi Mafia II. Mas as semelhanças com este último são bem tênues e saem de nossa cabeça logo nos primeiros minutos de gameplay. Trata-se de uma leve impressão, apenas. L.A. Noire é mais um game de investigação do que qualquer outra coisa. Seus gráficos são muito bonitos, é claro. A própria cidade em si é belamente retratada. Você dirige ao lado de veículos particulares e de transporte público característicos da época, por exemplo. Mas o que realmente impressiona no jogo é a animação facial dos personagens, a qual realmente foi elevada a um novo e extraordinário patamar.

As expressões faciais são tão realistas que chegam a nos assustar. Vale ressaltar também que a expressão facial de cada suspeito, por exemplo, pode ajudar o gamer a identificar se o mesmo está dizendo ou não a verdade. Em L.A. Noire foi utilizada a engine Havok e também uma engine proprietária, além da tecnologia MotionScan, desenvolvida pela empresa australiana Depth Analysis. Tal tecnologia é que permite a mágica de sermos capazes de detectar alterações mínimas no rosto de cada suspeito.

Linhas de expressão, minúsculos tremores labiais, o nervosismo dos personagens ou expressões de escárnio, movimentos das sobrancelhas e dos olhos, as testas se enrugando, etc: estes são alguns dos movimentos e detalhes que o jogador pode detectar no rosto dos suspeitos durante os interrogatórios, tudo graças à tecnologia da Depth Analysis. A MotionScan faz uso de 32 câmeras para capturar todos os detalhes apresentados pelos rostos dos atores. Sim, existe um Cole Phelps de carne e osso, também.

No estúdio, dezenas de câmeras capturam todos os detalhes dos rostos dos atores, em 3D. Elas capturam inúmeros ângulos de seus rostos simultâneamente. Em cada tomada, uma imagem em 3D é obtida, e vale ressaltar que as câmeras são posicionadas em diversos pontos do estúdio, abaixo e acima do ator. O trabalho, e o resultado, são “monstruosos” (no bom sentido). Tudo é feito de maneira tal a “capturar todas as nuances da cabeça humana e movimentos faciais a até 30 frames por segundo. Isto gera quase 1 GB de dados por segundo“. Imaginem só! E 9 computadores extremamente poderosos realizam o processamento dos dados, e criam então as texturas e as formas animadas que correspondem à movimentação dos atores. Fantástico.

Sobre o game em si, todo este trabalho e esta fantástica tecnologia produziram uma verdadeira maravilha. O jogo gira em torno de investigações. Você é capaz de dirigir por Los Angeles, e durante seus “passeios” pode escutar algum chamado pelo rádio e então decidir se deseja ou não atendê-lo. São diversos casos “paralelos”, como por exemplo assaltos, tiroteios, etc. Além disso, existem as investigações onde você terá de buscar por pistas e interrogar diversas pessoas.

Durante cada interrogatório você pode utilizar pontos de intuição para, por exemplo, remover uma questão da lista ou então solicitar ajuda à comunidade. Esta ajuda da comunidade nada mais é do que um sistema que lhe apresenta em tela o percentual de jogadores que escolheram cada uma das opções (Truth, Doubt, Lie). Você conta com um bloco de notas onde vai anotando todas as pistas encontradas, os locais, os suspeitos, as pessoas com quem conversou, etc. É importantíssimo rever sempre este caderno, principalmente durante cada interrogatório.

Durante os interrogatórios o próprio jogo sugere que você observe o suspeito de tempos em tempos. Sua expressão facial, o movimento de seu corpo, o balançar de sua cabeça, por exemplo, podem ajudar você a determinar diversas coisas. Mentira, verdade ou dúvida? Você terá de decidir, utilizando sua própria intuição e conhecimento a respeito dos acontecimentos pretéritos e também os pontos de intuição. Com os pontos de intuição você também pode, por exemplo, em alguns casos, fazer com que o game exiba no radar todas as pistas existentes em uma determinada cena de crime. Tais pontos são ganhos conforme você resolve casos, e vale ressaltar que conforme seu progresso o protagonista vai subindo de rank.

Os gráficos do game são muito bonitos, apesar do foco na animação facial. L.A. Noire, também, não é um jogo como Mafia II, por exemplo. Pelo que vi até agora, trata-se de um jogo extremamente profundo e que requer muita atenção por parte do jogador. Atenção a mínimos detalhes e a diálogos. O jogo não possui grande foco em tiroteios ou coisas semelhantes. É claro que você pode de repente atender a algum chamado “extra” e ter de disparar alguns tiros ou até mesmo entrar em luta corporal com algum bandido. Mortes durante estes tiroteios também podem ocorrer, óbviamente. Determinados suspeitos, aliás, saem correndo, e você deve perseguí-los e não matá-los, apesar da arma estar liberada em suas mãos. Mas o cerne de L.A. Noire são as investigações, o que faz do título algo verdadeiramente único, da forma como ele foi concebido.

Cada interrogatório pode ser desastroso, demorado, rápido ou extremamente bem sucedido: tudo depende de sua experiência. O bloco de anotações deve ser seu amigo inseparável, e extrema atenção aos detalhes é necessária. Durante as buscas em cenas de crimes, o joystiq vibra, por exemplo, quando você se aproxima de algo que deve ser observado. Você pode observar o ítem em questão superficialmente ou realizar uma análise mais cuidadosa. Tal análise pode de repente lhe fornecer nomes, um endereço que deverá ser visitado, etc. A investigação é tudo, em L.A. Noire. O processo investigativo foi reproduzido em L.A. Noire de maneira estupenda, principalmente devido à tecnologia MotionScan, a qual trabalha ao mesmo tempo para produzir rostos extremamente realistas, para cativar o jogador e para fornecer indícios.

Existem algumas histórias paralelas que vão sendo mostradas no decorrer do gameplay, através de certas cutscenes. Uma delas trata a respeito de um velho amigo de Phelps, chamado Jack Kelso. Outra tem como protagonista um psiquiatra bem esquisito que, em minha opinião, ainda vai crescer bastante dentro do jogo em si. Digo isto tomando como base minha experiência no jogo até agora, é claro.

Outra coisa bem bacana que detectei logo de início no game é o sistema de danos dos carros. Nada de dirigir batendo em tudo o que vê pela frente sem sofrer consequência alguma. Você pode, dependendo do nível de danos, literalmente acabar com o carro que está dirigindo, e torná-lo inutilizável. Claro que, como um oficial da LAPD (Los Angeles Police Department), você pode requisitar qualquer carro para utilização em serviço, inclusive outros carros policiais que de repente estejam passando pelo local. Existem penalidades, também, caso você atropele civis; portanto, dirigir em L.A. Noire também requer atenção.

Os carros possuem, vale lembrar também, um aspecto extremamente bonito. O metal é fantásticamente reflexivo, e o sistema de danos vai fazendo com que eles cheguem a pegar fogo, paulatinamente. Enfim, L.A. Noire é um jogo que, apesar de não ter estado na minha lista dos “aguardados com ansiedade”, se mostrou uma grata surpresa. O game é bonito, imersivo, conta com uma jogabilidade muito boa e uma Los Angeles da década de 40 retratada de forma fantástica, e ainda permite que exercitemos nosso cérebro, investigando casos e lidando com muita psicologia. Ah, dependendo da conversa com alguns suspeitos, estes podem se enraivecer bastante. Já ía me esquecendo deste detalhe bem legal.

Fico me perguntando o que virá de agora em diante. A tecnologia de animação facial utilizada em L.A. Noire certamente será mais utilizada em jogos eletrônicos, daqui para a frente. A versão PC do título certamente, dependendo da máquina que esteja rodando o game, poderá torná-la mais fantástica ainda. Certamente chegaremos a um ponto onde as produtoras desejarão mais realismo para seus personagens. Não só em relação à movimentação dos mesmos (o que em L.A. Noire também é muito bem feito), mas também no sentido de fazê-los expressar sentimentos com maior naturalidade. Me pergunto também o que uma tecnologia dessas seria capaz de proporcionar dentro de uma franquia como Mass Effect, por exemplo.

Acredito que a próxima geração de consoles será mais voltada à experiência proporcionada para o jogador, e isto não envolve somente a parte gráfica. Isto envolve sentimentos, enredo, jogabilidade, interação, imersão, etc. E aqui a tecnologia desenvolvida pela Depth Analysis pode muito bem representar um fator crucial. Tentar adivinhar o que um inimigo ou amigo está pensando com base em seus gestos, em seu olhar, em uma análise de seu rosto como um todo é algo sem precedentes nos games. É, L.A. Noire é um jogo sensacional.

A captura de movimento tradicional nunca poderia ter trazido as nuances sutis do submundo criminal caótico de L.A. Noire da mesma maneira que o MotionScan. O MotionScan me permite mergulhar as audiências nos mínimos detalhes da experiência interativa de L.A. Noire, onde a performance emocional dos atores permitem que a história se revele de uma maneira totalmente nova. Através desta tecnologia revolucionária, somos capazes de entregar às audiências um jogo verdadeiramente unico e revolucionário”, disse Brendan  McNamara, fundador e diretor da Team Bondi”.

Concordo plenamente, e L.A. Noire que me aguarde. O trailer abaixo mostra um pouco a respeito da tecnologia empregada no game. É fantástico observar o Phelps real e o Phelps virtual, lado a lado, falando:

Link para o vídeo em 720p:

http://www.youtube.com/watch?v=q2EG5J05048&hd=1

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