Deus Ex: Human Revolution é um jogo que conta com diversos elementos interessantes em seu enredo. Interessantes e até mesmo, dependendo do momento e do jogador, impactantes e controversos. Até mesmo questões ligadas a preconceito racial podem ser presenciadas e vivenciadas durante o gameplay, dependendo do ponto de vista do jogador. Perceber a aversão de diversos grupos a pessoas que receberam “augmentations” é um tanto quanto interessante, apesar de perturbador. O futuro exibido em Human Revolution não é “cor-de-rosa”. Ele é caótico, belo, perturbador, interessantíssimo, amedrontador, e mostra também como o ser humano pode ser ganancioso, muitas vezes não se preocupando nem um pouco com o sofrimento alheio.

O próprio Adam Jensen não se mostra lá muito confortável com sua situação de “augmented”, e chego até a supor que ele teria preferido morrer a se transformar em uma espécie de ciborgue. Isto é, dando-se aqui uma hipotética vida real ao personagem e levando-se em consideração seu comportamento dentro do universo virtual desenvolvido pela Eidos Montreal/Square Enix. É interessante jogarmos Deus Ex: Human Revolution e tentarmos imaginar como será o futuro da humanidade. É interessante também pensarmos se este tal futuro demonstrado no jogo estaria assim tão distante ou não. O documentário Deus Ex: The Eyeborg Documentary é muito interessante, e fala a respeito disto tudo.

Existe um cineasta chamado Rob Spence, o qual perdeu um olho há 6 anos atrás e o substituiu por uma câmera wireless. Rob chama a si mesmo de Eyeborg, e é, talvez, uma das pessoas mais qualificadas para falar a respeito de próteses, cibernética e melhorias físicas como as que vemos em Deus Ex: Human Revolution (não contando aqui com os profissionais e/ou cientistas ligado a este tipo de assunto, é claro). Rob Spence também entrevista outros ciborgues da vida real, bem como profissionais de biotecnologia.

Ele chega até a conhecer um ex-sargento do exército norte americano cujas  novas pernas lhe permitiram participar de competições como um esquiador profissional. Rob também menciona o fato de Adam Jensen contar com “olhos especiais”, além de outras “melhorias”, e não parece nem um pouco insatisfeito com sua situação, apesar de seu olho artificial ser, na verdade, apenas uma câmera que transmite as imagens para um dispositivo receptor. Ou seja, não se trata de um “olho biônico”, nem nada parecido. Não há conexão entre a câmera e seu nervo ótico, por exemplo.

Pessoas “equipadas” com braços mecânicos, como um cara chamado Jason Henderson, por exemplo, também são exibidas no documentário, e é realmente fascinante a naturalidade com a qual elas utilizam seus membros artificiais. Este vídeo é muito interessante, até mesmo por meio que ir de encontro à grande aversão que a Sarif Industries e o próprio Jensen causam a grande parte das pessoas, no game. Em Deus Ex: The Eyeborg Documentary, as próteses e as melhorias não são encaradas de modo negativo, principalmente por quem as utiliza. Muito pelo contrário.

O documentário também serve para mostrar que, talvez, existam muitas Sarif Industries por aí, e que o futuro mostrado em Deus Ex: Human Revolution, se já não saiu totalmente do campo da ficção, talvez não demore muito para o fazer. Será que neste ainda hipotético futuro existirá todo o ódio e preconceito em relação aos ciborgues que observamos no jogo?

Até mesmo atualmente podemos perceber este tipo de preconceito em relação a portadores de próteses e afins, mesmo com o fato de atualmente tais próteses não representarem vantagem alguma em relação às capacidades de uma pessoa normal, por exemplo. Afinal, teria este tal futuro de “abrigar” também o mesmo preconceito que, infelizmente, observamos hoje em dia em determinados lugares, oriundo das mais diversas pessoas e em relação às mais variadas diferenças?

Assista ao documentário. É muito bacana:

Link para o vídeo em 720p:

http://www.youtube.com/watch?v=TW78wbN-WuU&hd=1

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