[PREVIEW] Algumas vezes somos surpreendidos com jogos extremamente inovadores, diferentes, divertidos e viciantes. Jogos que, apesar disto tudo, não contam com gráficos de ponta, milhões de polígonos e histórias extremamente elaboradas. Bem, Race the Sun não possui nem mesmo uma história. Ele é um endless-runner, um jogo com ação infinita. Um jogo de “corrida” com ação infinita.

Ainda em fase beta, Race the Sun, entretanto, é perfeitamente jogável. E digo mais: totalmente capaz de nos viciar. Seus poucos problemas podem ser totalmente desconsiderados se você focar na diversão e na beleza do jogo, o qual é extremamente minimalista e consegue nos entreter por horas e horas a fio.

Em desenvolvimento pelo estúdio independente Flippfly, o qual é composto por apenas 2 irmãos, o endless-runner tem muito a nos oferecer. Muito mais que inúmeros títulos “AAA” por aí. O que temos é um jogo de corrida ambientado em mundos gerados de forma procedural. Além disso, temos um novo mundo todos os dias, e isto se reflete inclusive nas leaderboards. Ou seja: seu fator replay é altíssimo, e além disso, temos um editor que permite aos jogadores criarem e compartilharem seus próprios mundos (mais detalhes abaixo).

Race the Sun

Temos um novo mundo todos os dias, e temos também, é claro, novas leaderboards e campeões a cada 24 horas. A ideia em Race the Sun é competir pelas maiores pontuações. Testar nossos limites. Nele, pilotamos um veículo movido a energia solar, e o pôr do sol está sempre à espreita. Deu para entender a proposta do jogo, não? O sol tem influência direta sobre nosso veículo e sobre o próprio gameplay em si, vale também ressaltar.

E, claro: a ausência do astro rei, seja por quais motivos for, pode acabar com nossa festa. O jogo da Flippfly conta com gráficos simples porém elegantes. Muito bonitos, eu diria. Bonitos em sua simplicidade, na ausência de firulas que muitas vezes acabam estragando alguns títulos por aí.

Viajamos por mundos, como já disse, gerados de maneira procedural. Mundos divididos em setores. Mundos nos quais a corrida jamais acaba. Perseguimos o infinito e, claro, jamais chegaremos a um resultado, aqui. E, bem, a corrida pode acabar, claro: um choque contra alguns dos obstáculos pode representar o fim de nossa jornada.

Race the Sun

Justamente aí reside uma das maiores belezas do jogo. Sempre somos impelidos a uma nova tentativa. A uma melhora. Temos novidades diárias. O jogo nos força a tentar avançar. E uma vez que temos mundos novos todos os dias, tudo isto se torna mais interessante ainda. O que aprendemos hoje, os caminhos que decoramos hoje, amanhã não farão muito sentido, e os desafios serão novamente bem grandes.

Obstáculos existem aos montes, e de diversos tipos. Também aqui a desenvolvedora fez as coisas simples porém elegantes, funcionais e atrativas. Temos como obstáculos formas geométricas básicas. Básicas mesmo. Triângulos (que lembram pirâmides, principalmente devido ao seu tamanho – algumas vezes descomunal), retângulos, quadrados, etc.

As novas “pistas” que nos são entregues todos os dias ajudam a manter o frescor do jogo. E apesar da simplicidade dos gráficos, o mundo de Race the Sun consegue ser belo e cativante. Há beleza nos contrastes entre os enormes espaços abertos pelos quais passamos e os intrincados labirintos formados por “pirâmides”, muros, portais que se abrem, veículos estranhos que trafegam na horizontal, quase rente ao chão, etc. Há enorme beleza nesta simplicidade concebida de maneira magistral.

Tudo isto acaba criado um cenário bastante interessante e até meio surreal. E neste cenário, uma série de elementos pode trazer a morte. Um choque contra um retângulo que cai rapidamente enquanto passamos através de corredores formados por retângulos dispostos na horizontal é mortal. E temos diversos outros elementos do cenário que se movimentam, em diversos sentidos, representando sempre um desafio a mais.

Tudo fica pior (ou melhor) conforme o nível de velocidade de nossa “máquina”: quando em altas velocidades, espere por muita adrenalina. E muitas batidas, claro, pois desviar e calcular os melhores trajetos obviamente fica mais complicado. Mas não tema: aqui não existe permadeath, e uma nova partida aguarda por você na tela inicial.

Race the Sun

Eu já “perdi” muito tempo tentando fazer melhor. Tentando repetir determinado trecho sem dar de cara com algum obstáculo. Tentando uma pontuação melhor. E isto vicia, digo mais uma vez! Race the Sun é um game no qual você vai evoluindo na base da tentativa e erro, muitas vezes. Isto antes que o mundo atual seja destruído, pois a cada 24 horas um novo mundo é disponibilizado aos jogadores, com novos setores, perigos, obstáculos e layouts diferentes.

Nosso veículo movido a energia solar consegue atingir velocidades estonteantes, e isto, ao mesmo tempo em que nos deixa empolgados ao extremo, também representa um risco, pois faz com que as manobras se tornem bem mais difíceis, pois aí temos de prestar muito mais atenção na “estrada” e reagir muito mais rapidamente conforme a região em que nos encontramos.

Race the Sun

Itens coletáveis espalhados pelo caminho, chamados Tris, podem fornecer powerups diversos, como por exemplo um que nos dá a habilidade de realizar saltos e voar durante um certo tempo (muito útil para evitar setores que contêm objetos que caem e que acabam nos forçando a realizar manobras de última hora enquanto correndo a altíssima velocidade).

Nossa nave futurista também pode receber diversos upgrades, e tudo isto vai sendo liberado aos poucos, conforme avançamos e lidamos com o sistema de evolução do game. Vamos subindo de nível, e cada novo nível alcançado fornece acesso a uma série de novos itens, os quais podem ser ativados ou desativados conforme bem desejarmos.

Race the Sun

Portais podem ser desbloqueados. Tais portais, durante uma sessão de jogo, fornecem acesso a outros mundos. Determinados tipos de Tris estendem a duração do dia e adiam um pouco mais o pôr do sol. Nossa nave também pode receber diversas melhorias. Você pode instalar upgrades que, por exemplo, fazem com que powerups sejam atraídos a ela, mesmo que um pouco distantes (uma espécie de imã é utilizado). Existem outros que aumentam o score multiplier, os quais são muito úteis, por sinal, uma vez que temos de correr pensando nas leaderboards.

E é claro que muitas coisas no jogo só podem ser realizadas com as tecnologias necessárias desbloqueadas, instaladas e prontas para utilização. Nossa vida vai assim ficando mais fácil, mas para isto temos de ralar bastante. Isto faz com que a necessidade de correr sempre, de treinar sempre, de testar nossos limites e melhorar sempre seja enorme. E eu garanto a vocês: isto é muito divertido e viciante.

Como tudo acaba ao pôr do sol, é imprescindível fazermos de tudo para prolongar a presença do astro rei (representado de forma também simples porém que cumpre muito bem com o seu papel). Sombras e túneis, por exemplo, fazem com que a energia de nosso veículo solar acabe muito mais rápido (consequentemente, sua velocidade vai caindo). Nestes momentos, é bom procurar caminhos alternativos, sempre prestando atenção nos obstáculos, e tentar nosso lugar ao sol.

Race the Sun

Quando o nível de energia do veículo que controlamos começa a cair, sua velocidade vai sendo reduzida drasticamente. Chega a ser desesperador. Mas locais iluminados e/ou a luz direta do sol conseguem “curar” este mal muito rapidamente.

Como se não bastasse, Race the Sun ainda conta com um sistema de partidas online extremamente interessante e divertido. São partidas assíncronas cooperativas que funcionam através do compartilhamento de nosso desempenho, além de outros detalhes.

Suponhamos que você viajou por 4 setores de um mundo e de repente deu de cara com um muro. O jogo para você acabou, claro. Mas você pode transmitir toda esta informação através do próprio jogo. Um link personalizado será gerado, e qualquer pessoa que o acessar poderá continuar a jogar (desde que possua o game, claro), do ponto em que você parou, do mesmo setor.

Race the Sun

Este novo jogador continuará o seu jogo, até morrer. Em seguida, ele também poderá retransmitir estes dados, da mesma forma que você, para que outra pessoa continue. Este processo pode ser realizado até 4 vezes, e a pontuação dos quatro jogadores é somada e passa a fazer parte de uma leaderboard especial, diferenciada.

Pode-se também verificar o desempenho de cada um dos 4 jogadores do grupo, tão logo eles finalizem suas respectivas partes. Isto é algo realmente incrível, e permite que jogadores do mundo inteiro criem um grupo sem se conhecerem e tenham seus scores “vitaminados” publicados. A competição em Race the Sun é enorme, e seu modo cooperativo contribui bastante para torná-la mais interessante e chamativa.

Os controles do jogo são simples. Extremamente simples. A Flippfly conseguiu também aqui realizar um ótimo trabalho, e se o jogo conta com uma interface e com gráficos minimalistas, simples ao extremo são também os controles de Race the Sun. Você usa apenas as teclas W-A-S-D para controlar o veículo e a barra de espaço para utilizar powerups.

Isto nos ajuda a manter o foco na pista, nos obstáculos e nos powerups. Palmas para esse pessoal. Vale lembrar novamente que cada mundo do jogo (e eles mudam todos os dias) conta com regiões diferentes. A cada nova região, a velocidade de nosso veículo solar aumenta, bastante. Imagine o quão difícil vai se tornando a jornada. 😉

Race the Sun

Race the Sun também conta com um editor de mundos. Trata-se do Simplex World Creator, e segundo a desenvolvedora, qualquer pessoa pode criar seus mundos, sem conhecimento algum de programação. Como sou literalmente fascinado por este tipo de coisa, já andei dando uma olhada no editor, e posso dizer que ele é realmente poderoso, repleto de opções e, no entanto, extremamente amigável. Ótimo!

Race the Sun

World Creation Contest

Há inclusive um concurso em andamento, promovido pela própria Flippfly. O World Creation Contest conta com duas categorias, “Best World” e “Best Individual Objects” (sim, o Simplex World Creator também permite a criação e a animação de novos objetos). Novos mundos podem ser criados, bem como novos modos de jogo. Isto é algo muito bacana, e ao acessar o editor pela primeira vez, gostei muito do que vi. Ele é intuitivo demais, muito user-friendly: espero criar meu primeiro mundo em breve.

Quanto ao concurso, os ganhadores receberão um poster, uma cópia extra do jogo e mais algumas coisas (não especificadas). Se você pretende participar, corra, pois a submissão dos trabalhos se encerra no dia 9 de Agosto próximo.

É fantástico quando nos deparamos com um jogo como Race the Sun. Um jogo com gráficos simples. Gráficos simples que, no entanto, conseguem transformar o jogo em algo ainda mais charmoso. Sombras, luzes e formas geométricas conseguem, aqui, provocar o mesmo efeito de grandes e elaboradas construções, justamente devido ao fato de que o game inteiro é construído de maneira tal a fornecer ao jogador não uma experiência gráfica estonteante, mas algo diferente.

Race the Sun

Temos aqui motivos para correr sempre mais uma vez. Gráficos aqui não significam muita coisa, e mesmo no que a eles diz respeito, posso dizer que eles cumprem perfeitamente com seu papel, ou muito mais do que bem. A velocidade do veículo que controlamos pode chegar a níveis alarmantes, e mesmo assim, sempre somos tentados a “dar mais uma corridinha”, a buscar uma pontuação mais alta, a “jogar mais um pouco antes de dormir”.

Race the Sun mostra que gráficos não são tudo em um jogo. Que a criatividade e o esmero no trabalho com as mecânicas de jogo podem ser fatores primordiais para determinar o quanto este jogo será cativante. Race the Sun é um jogo onde a corrida infinita em mundos gerados proceduralmente nunca cansa.

Race the Sun

Nunca enjoamos daquelas “estradas” repletas de triângulos, retângulos e quadrados, nas quais as sombras e o sol brigam constantemente pela nossa atenção. Race the Sun é um dos melhores endless-runners com os quais tive contato.

Um dos jogos mais divertidos e viciantes que já joguei. O jogo consegue até mesmo nos relaxar, pois não temos de lidar com personagens elaborados, histórias intrincadas e mecânicas complicadas. “Correr com 4 dedos” é uma experiência, aqui, extremamente gratificante, e eu garanto que cada corrida será uma experiência única e divertida (algumas vezes traumática, claro).

Cada corrida nos faz ansiar pela próxima. O jogo também está tentando um lugar no Steam Greenlight, e eu torço bastante para que ele seja lançado no serviço de distribuição digital da Valve. Não deixe de votar, se você sentiu simpatia pelo game e/ou pelo que leu neste texto.

Quem dera tivéssemos mais jogos assim. Descompromissados, leves, competitivos, simples e acessíveis a um número enorme de jogadores. Jogos que não nos surpreendem apenas através dos gráficos, mas sim através da criatividade neles imbuída, da inovação, por serem algo único. Não deixe de conferir.

Enquanto isso, fique com dois trailers do jogo. Um de gameplay e um exibindo o Simplex World Creator:

Simplex World Creator:

Gameplay:

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