No calor dos jogos pós-apocalípticos e na proximidade do fatídico 21 de dezembro (lembre-se de que essa data não faz sentido nenhum), tivemos a oportunidade de testar mais um shooter multiplayer que recria o fim dos tempos: Ravaged, bancado e desenvolvido pela sua própria comunidade, exclusivamente para PC. A 2Dawn Studios, responsável por colocar a mão na massa e tornar o jogo possível, financiou todo o projeto por meio de crowdfunding através da plataforma Kickstarter, juntando quase 40 mil dólares (o objetivo era apenas 15 mil!), usados para dar o toque final na produção.

Assim que alcançou a verba necessária, no primeiro semestre do ano, o jogo logo entrou em versão beta e foi muito bem recebido. Finalmente, em 17 de outubro, Ravaged foi lançado no Steam. A proposta do jogo é bem interessante: um Battlefield pós-apocalíptico, fortemente inspirado em Mad Max 2, e construído sobre a poderosa Unreal Engine 3. Os mapas são enormes, as partidas suportam até 64 jogadores, 10 classes de personagens disponíveis e mais de 30 tipos diferentes de armas e veículos, incluindo tanques, blindados, motocicletas e helicópteros.

As batalhas são amplamente focadas no combate motorizado, com os veículos desempenhando grande função tanto no transporte dos jogadores ao longo dos (enormes) campos de batalha, quanto servindo de apoio com artilharia pesada. Duas facções disputam o controle do mapa: os Scavengers, grupo de mercenários fora da lei que sobreviveram ao evento apocalíptico na superfície, e os Resistance, melhor equipados e organizados que tiveram o privilégio de se proteger da catástrofe escondidos em abrigos subterrâneos. Com o planeta habitável novamente, as duas facções retornam à superfície para reerguer a civilização.

Ravaged não esconde a sua identidade de shooter indie. Aliás, tem muito orgulho disso. Sua desenvolvedora, a 2Dawn Studios, é formada por veteranos da indústria. Muitos trabalharam em títulos de grande peso como Desert Combat (famoso mod de Battlefield 1942), Homefront e o próprio Battlefield, com o qual a empresa adora comparar seu jogo. Dá pra notar que temos aqui uma galera que sabe o que está fazendo. Grande parte do desenvolvimento foi focado na missão de criar não apenas um shooter, mas um jogo que seja realmente divertido, “feito por gamers, para gamers”. Combates dinâmicos, classes legais, visual e áudio caprichados, ritmo frenético e muito mais do que apenas apontar e atirar, contribuíram e muito para que Ravaged rendesse boas horas de diversão.

A ideia do título é mesmo sensacional e tem uma proposta que vem em boa hora no meio de um gênero dominado há anos por jogos de grande orçamento. Porém, durante a minha jogatina, dei de cara com um triste problema, que comprometeu boa parte da experiência: os malditos lags. Depois que Ravaged foi finalizado e saiu do open beta, milhares de jogadores debandaram, deixando pra trás apenas cerca de 15 servidores (a maioria é bancada pela própria desenvolvedora). O servidor mais próximo que encontrei tinha 280 ms de ping, tornando impraticável jogar qualquer partida. Pior: apenas um dos servidores estava ocupado. Todo o restante jogado às moscas.

Como pode um jogo, que foi financiado pela sua própria comunidade, estar abandonado assim? É difícil responder. A decepção foi grande: abrir o jogo esperando algumas boas horas de diversão e dar de cara com apenas uma dúzia de pessoas. É triste. Talvez essa escassez de jogadores seja temporária, afinal estamos falando de um título indie que não tem todo o cacife pra ficar colocando anúncios em todos os cantos. A 2Dawn Studios ainda trabalha constantemente no jogo, soltando atualizações, promovendo partidas entre jogadores e desenvolvedores, e prometendo conteúdos adicionais gratuitos em breve. Além do mais, o jogo custa apenas R$ 17 no Steam (o pacote com 4 cópias sai por R$ 50). Não é nenhum roubo, e, considerando o elevado nível da produção, ele podia seguramente custar o dobro disso.

Se você ficou interessado, é melhor esperar alguns meses. Dar um tempo até que o jogo aos poucos conquiste o seu espaço. Na situação em que está, pelo menos para nós, brasileiros, Ravaged está “injogável”. Quem sabe alguém logo se proponha a abrir um servidor sul-americano e as latências sejam mais amigáveis. É realmente frustrante ter nas mãos um título com enorme potencial e ser impedido de jogar por limitações técnicas de conexão com os servidores. Resolvendo-se isso, não tenho dúvidas que Ravaged conquistará um excelente público.

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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