A Hat in Time foi financiado através do Kickstarter. A desenvolvedora Gears for Breakfast arrecadou aí mais de 290 mil dólares, e o título foi finalmente lançado tendo como publisher a Humble Bundle. Trata-se de um trabalho realmente adorável, uma carta de amor a grandes clássicos do passado, como por exemplo Super Mario 64, Banjo-Kazooie e Psychonauts.

O jogo também conta com um humor refinado: os diálogos entre a Hat Kid, a protagonista, e diversos personagens, são imperdíveis, sem falar no áudio primoroso. Mas fica aqui um alerta: não existe suporte ao português do Brasil (existem, entretanto, legendas em inglês).

A Hat in Time

Tudo começa quando a protagonista, uma viajante do tempo, é perturbada. Um brutamontes chega em sua nave de repente e faz com que um desastre aconteça: ela cai em um estranho e belo planeta logo abaixo, dominado por uma organização que se autodenomina Mafia of Cooks. Juntamente com Hat Kid, caem também as time pieces, ampulhetas que funcionam também como combustível para sua nave. Esta é a premissa para o início de uma aventura pra lá de divertida, cheia de momentos engraçados e belos gráficos.

Ficha técnica

Título: A Hat in Time

Gênero: plataforma 3D

Desenvolvedora: Gears for Breakfast

Publisher: Humble Bundle

Data de lançamento: 05 de Outubro de 2017

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

A Hat in Time é uma espécie de homenagem a grandes platformers 3D do passado, como os acima mencionados. Temos aqui um jogo de plataforma em 3D com cinco mundos enormes prontos para serem explorados. Tudo é muito bonito, vibrante e cheio de atrativos.

A Hat in Time

Cada mapa apresenta ao jogador personagens passíveis de interação, mas muito cuidado: nem todos são amigáveis, e você poderá perder algumas vidas em uma ou outra “brincadeira”. Também há uma grande vilã, além dos brutamontes da Mafia, chamada Mustache Girl (sim, e a menininha não lá muito simpática tem bigodes).

Todos os diálogos são espirituosos, entretanto. Há humor em tudo, desde o vendedor de itens, poderes, equipamentos e chapéus, até o mais simples brutamontes que perambula pelos cenários gigantescos. Todos os diálogos são divertidos, o trabalho de dublagem é excelente, e percebe-se o extremo cuidado que a desenvolvedora teve com o quesito humor em cada um deles.

A Hat in Time

A missão da Hat Kid é recuperar as time pieces, as quais caíram da nave, quando do acidente, e foram espalhadas por lugares diferentes. A Hat Kid é vista por alguns personagens como um alienígena, além disso, e estes ficam bastante assustados, de vez em quando. O game também força o jogador (e isto não é ruim, que fique bem claro) a explorar cada canto do cenário em busca de colecionáveis. Estes vão de simples gemas verdes que funcionam como moeda nas negociações com o vendedor (Badge Seller) até vidas e chapéus.

Em relação aos chapéus, vale ressaltar aqui sua utilidade: eles adicionam habilidades novas, como por exemplo o localizador de objetivos e a corrida. Existem também badges coletáveis (ou adquiríveis), os quais adicionam vários outros poderes úteis à Hat Kit (coleta automática de itens próximos, abertura automática do guarda-chuva quando caindo de lugares altos, etc).

A Hat in Time

Além disso, Yarns podem ser encontrados e utilizados na criação de outros chapéus. Tudo isto, obviamente, adiciona uma camada extra de complexidade à simplicidade do platformer, o que torna tudo ainda mais interessante e divertido. E existem inúmeras habilidades que podem ser desbloqueadas e aprendidas, incluindo escalada de muros e pulos duplos.

A Hat in Time

Os cinco mundos de A Hat in Time são gigantescos. Alguns deles, como Mafia Town, por exemplo, contam com vários níveis, vários “andares”, o que acaba forçando o jogador a subir e descer, em várias “camadas”. As fases de Mafia Town são todas cheias de pontos altos e baixos. É como se estivéssemos em um prédio em construção e tivéssemos de perambular por vários andares. Tudo isto é bem interessante, além de adicionar mais diversidade ao jogo, com saltos mirabolantes, com corridas em paredes, com dispositivos para saltos, etc. Sem falar que tudo fica também mais bonito, obviamente.

Cada mundo em A Hat in Time conta com um visual diferente, valendo também a pena lembrar que todos os locais desbloqueados podem ser revisitados a qualquer momento. Assim, você pode ir em busca de mais colecionáveis ou então de algum que ficou faltando. Ou você pode simplesmente jogar pela diversão, pura e simplesmente.

A Hat in Time

Mas cada mundo é único e belo. Apesar de alguns permitirem mais exploração, como Mafia Town e Alpine Skyline, por exemplo, outros são mais lineares, forçando o jogador em um sentido único. É o caso de Battle of the Birds, por exemplo, com seu divertido cenário de “Oscar dos pássaros” e os engraçados diálogos das corujas com os pinguins, cada um defendendo seus respectivos filmes.

É bastante estranho, porém, o fato de que cada mundo no jogo parece um jogo independente, incluindo mecânicas. Tudo é bastante desconectado, o que nos passa a sensação de estarmos jogando títulos diferentes ou então, quem sabe, minigames de algum outro título. No entanto, isto é algo que não tira o brilho de A Hat in Time, principalmente se você jogou algum dos platformers famosos da era do Nintendo 64.

A câmera é outro problema no jogo: ela não ajuda em nenhum momento, muito pelo contrário. Tentando, pelo que parece, focar no melhor ângulo de cada cena, ela acaba estragando a brincadeira ao deixar tudo um quanto quanto travado. Não adianta: você não conseguirá olhar para cima, mesmo em fases como Mafia Town, repletas de níveis superiores, onde uma olhadinha para cima seria muitíssimo bem vinda, até mesmo para tentar planejar melhor os próximos movimentos. Também existem momentos em que a câmera simplesmente se posiciona atrás da Hat Kid, obscurecendo toda a nossa visão. Em momentos de perigo isto é, bem, perigoso.

A Hat in Time

A jogabilidade é bastante simples e fluida. Os controles respondem bem, e há suporte tanto para teclado e mouse quanto para controle do Xbox (recomendável). Controlar a Hat Kid é bastante simples, e você se surpreenderá com o quão rapidamente estará dominando todos os comandos. O game, infelizmente, conta com suporte apenas ao inglês (sim, nada de suporte a português do Brasil).

A Hat in Time

Os gráficos do jogo são extremamente charmosos. Tudo é vibrante, colorido, fofinho e agradável. Se você jogou algum dos títulos acima citados, certamente irá se apaixonar pelo estilo gráfico de A Hat in Time e pelas lembranças que ele evoca. A Hat in Time é uma belíssima carta de amor a grandes platformers 3D do passado. Fluido, bonito, cativante e com bastante humor, o jogo da Gears for Breakfast pode agradar jogadores de várias faixas etárias.

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