Bastion foi o primeiro game lançado durante o Xbox Live Summer of Arcade 2011. Desenvolvido pela Supergiant Games, uma pequena empresa de desenvolvimento de games que atraiu a atenção da Warner, com certeza devido ao seu fantástico trabalho, e que também conta em sua equipe com profissionais que já trabalharam na Electronic Arts e na Infinity Ward, Bastion é um fenomenal RPG de ação que conta com um narrador. Um narrador que acompanha e narra os acontecimentos, chegando até mesmo a mencionar coisas ínfimas, como por exemplo determinadas ocasiões em que o garoto se depara com corpos pelo caminho. O narrador menciona os nomes das pessoas, como por exemplo o “Mr. Benkley e sua amável esposa”.

Bastion foi lançado para Xbox 360, através da Xbox Live, e em 16 de Agosto de 2011 foi lançado para PC, através do Steam. Trata-se do primeiro game desenvolvido pela Supergiant Games, e pode-se dizer que a empresa criou uma verdadeira obra prima. Bastion é um RPG de ação belo, envolvente e imersivo. Sinceramente, há tempos eu não me deparava com um game distribuído via download tão belo, divertido, complexo e cativante. A trilha sonora de Bastion, aliás, composta por Darren Korb, é sensacional. Ela também está à venda.

O enredo de Bastion é algo realmente impressionante. O protagonista é um garoto. “Kid”, como o narrador costuma chamá-lo. Ele acorda para se deparar com um mundo bem diferente daquele que conhecia. Uma terrível calamidade deixou as terras de Caelondia literalmente em pedaços, e é justamente sobre tais pedaços que o garoto caminhará, lutará e tentará sobreviver. Existe, no título, um lugar chamado “Bastion”, também. É uma espécie de porto seguro, para o qual o garoto retorna após cada aventura. É fantástico observar, fora do Bastion, como o cenário vai sendo construído conforme o protagonista caminha. Pedras, objetos e os mais diversos detalhes vão caindo do céu, apresentando ao jogador um espetáculo fantástico, como se já não fossem belíssimos os gráficos do próprio jogo, incluindo detalhes como folhas verdejantes que caem do céu e a chuva que, em Bastion, pode fazer muitos jogadores permanecerem por muito minutos somente a observando.

É claro que o Bastion, ou bastião, deve contar com a ajuda do garoto para que seja reconstruído. Cada novo local visitado pode conter um “core”, e estes “cores”, quando levados até uma espécie de obelisco localizado na fortaleza, fornecem acesso à diversas construções, as quais também ajudam bastante ao garoto. A “Distillery” fornece acesso a bônus passivos, os quais entram em ação de acordo com determinados parâmetros, tais como, por exemplo “ativo somente quando sua energia vital estiver totalmente cheia”, etc.

Também é possível construir arsenais e forjas. Através das forjas você pode realizar upgrades em seu armamento, e até mesmo uma seção de “achados e perdidos” pode ser construída, a qual acaba sendo bastante útil, por conter elementos do velho mundo, como antigos materiais, upgrades, mementos, spirits, etc. É fantástico o modo como o narrador está sempre presente na história, mencionando detalhes como, por exemplo, a utilização de determinada arma por muito tempo, pelo garoto, ou, então, quando você lida com torres de defesas que lançam rajadas de fogo e o ouve dizer: “– kid ain’t afraid to getting burned“. São detalhes que fazem muita diferença, e representam uma espécie de oposição, ou compensação, talvez, devido ao fato do game muitas vezes passar ao jogador um grande sentimento de solidão.

O “kid” não fala. Ele acordou desorientado. Ele sempre inicia cada fase deitado. Ele luta sempre sozinho, muitas vezes contra uma enorme quantidade de inimigos, e o narrador seria, digamos, a voz do garoto. A voz de alguém que não consegue se expressar frente a um horror que não consegue mensurar. O narrador, o qual você acaba descobrindo que é um velho que se encontra no bastião, narra até mesmo o despertar inicial do garoto.

Diversas armas podem ser encontradas pelo jogador, em Bastion, e todas elas podem sofrer upgrades e podem receber habilidades especiais. Estas habilidades, entretanto, requerem a utilização dos “black tonics”, os quais você encontra durante suas andanças. É bom sempre prestar atenção na quantidade de “black tonics” que você possui e também na quantidade de garrafas d’água, as quais restauram sua energia vital. Você também pode encher as garrafas, em determinadas fontes cristalinas que encontra pelo caminho.

Diversos elementos do cenário são destrutíveis, e alguns deles, quando destruídos, podem revelar segredos ou até mesmo pontos de experiência. Vale notar que você pode alternar dentre as diversas armas que vai coletando, mas isto somente pode ser feito em um arsenal, seja aquele presente no Bastion ou algum outro encontrado pelo caminho. O garoto pode, aliás, carregar somente duas armas ao mesmo tempo, e é sempre bom carregar uma arma para combates a curta distância e outra para combates a longa distância, como por exemplo a “war machete”, uma lâmina curta e extremamente rápida e afiada, e o “scrap musket” ou o “fang repeater”, armas que disparam projéteis e flechas, respectivamente.

No Bastion existe um local (skybridge) através do qual o jogador pode lançar o garoto em busca de novas aventuras. Skybridges também são encontradas ao longo da aventura, vale lembrar. Logo em seguida, um mapa é exibido, e você pode escolher se deseja realizar algum treinamento ou então se dirigir para algum local em específico, para dar continuidade ao jogo. Ocorre que no game existem locais chamados “proving grounds”, os quais são, na verdade, campos de treinamento, onde você pode treinar a utilização de suas armas e ainda ganhar brindes.

Mas não se trata de nada fácil, entretanto. Ganhar algo nos “proving guards” requer bastante treino e agilidade, e cada um deles conta com objetivos e regras específicas. Mas é sempre bom visitá-los. Além disso, Bastion conta com diversos tipos de inimigos, e é interessante observar que o narrador menciona, algumas vezes, que alguns deles se tornaram “maus”, digamos, devido à Grande Calamidade, como uma maneira de se adaptar às novas condições. Isto é dito até mesmo em relação a determinadas plantas que você encontra pelo caminho, as quais são repletas de espinhos.

No próprio Bastion, na fortaleza, você pode encontrar um representante dessas criaturas que, fora dali, são extremamente hostis. Lá, você pode até mesmo fazer carinhos na mesma. É muito interessante este lado “reconstrutor”, em Bastion. Logo de início fica claro que uma das missões do garoto será reconstruir o mundo, e para isto ele terá de partir em busca de “sobras” do passado, velhas memórias, etc. O próprio Bastion onde o velho/narrador vive era para ser um local de refúgio, para o caso de “problemas”, como a calamidade que destruiu Caelondia, e ele também precisa ser reconstruído pelo pobre garoto.

Ao caminhar pelos mais diversos locais de Caelondia você pode se deparar com diversos materiais que podem ajudar a reforçar suas armas, incluindo ossos. Os gráficos de Bastion são fantásticos, principalmente se você jogar no PC, como eu. Seus ambientes pintados à mão são um verdadeiro colírio para os olhos, e cada novo local visitado representa um novo espetáculo. A trilha sonora ajuda bastante, e a “narração reativa” é fantástica. Muitas vezes temos a impressão de estarmos ouvindo a voz de um velho espírito que não pertence mais àquele mundo. Um espírito de eras passadas que, no entanto, em contrapartida, é nosso único companheiro durante a jornada no título da Supergiant Games.

O único ponto negativo que encontrei em Bastion foi o fato de não sermos capazes de trocar as armas que escolhemos a qualquer momento. Determinado armamento escolhido pode, de repente, não ser adequado às dificuldades que somente descobriremos quando com elas nos depararmos, e se houvesse a possibilidade de trocarmos de arma à vontade, isto ajudaria bastante. No entanto, isto não tira o grande brilho de Bastion, game que, sem sombra de dúvidas, merece que todo gamer pelo menos teste sua demo.

Após finalizá-lo, um novo modo de jogo é desbloqueado, e através dele você pode continuar visitando velhos locais de Caelondia. A  Supergiant Games não poupou esforços no sentido de criar um game que é também belo em sua melancolia. Você chega a se perguntar, em determinados momentos, dada a beleza de tudo, o quão mais belo poderia ter sido o mundo de Bastion antes da calamidade, se agora, mesmo após a mesma, é impossível andar por muito tempo sem prestar atenção nos mínimos e riquíssimos detalhes que compõem esta obra prima. Sem nos impressionarmos com a beleza de tudo. É muito interessante quando um game nos faz tentar imaginar o que ocorreria caso determinada situação não apresentada pelo mesmo acontecesse.

É possível também utilizar as mais diversas estratégias para enfrentar as mais diversas situações. Até mesmo torres de defesa amigáveis você encontra pelo caminho, e elas prestam grande ajuda, vale ressaltar. Você pode simplesmente, por exemplo, destruir uma série de inimigos ao mesmo tempo, girando o “Cael Hammer” loucamente através da utilização da habilidade especial “Whirl Wind”, ou pode destruí-los à distância, simplesmente atirando contra eles com o “Breaker’s Bow”. Você decide. E é justamente este um dos motivos que me fizeram desejar que o game permitisse a troca de armas sem limitações. Sem depender dos arsenais. Encontramos muitas situações diferentes pela frente, e uma maior liberdade no tocante à escolha do armamento seria fantástica. De qualquer forma, Bastion é uma verdadeira obra prima.

Conclusão

Belo, irresistível e cativante: Bastion é um jogo que deve ser apreciado por todos aqueles que gostam de novidades criadas com bom gosto, profundidade e esmero. A Supergiant Games realmente desenvolveu um título que tem tudo a ver com seu nome.

Nota

9.5/10

Ficha Técnica

Título: Bastion
Gênero: RPG / Ação
Desenvolvedora: Supergiant Games
Distribuidora: Warner Bros. Interactive Entertainment
Data de lançamento: 20 de Julho de 2011 (Xbox 360) / 16 de Agosto de 2011 (PC)
Plataformas: Xbox 360 (XBLA) / PC (Steam)
Versão analisada: PC

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