Em 2009, a desenvolvedora britânica Rocksteady e a Warner conseguiram provar que nem todos os jogos eletrônicos que possuem personagens de quadrinhos e/ou filmes em sua trama são ruins. Batman: Arkham Asylum foi um jogo fora de série, que conseguiu atingir um fantástico e muito mais do que merecido Metascore 91, entregando ao jogador uma narrativa surpreendente, um sistema de combate fantástico e uma ambientação espetacular.

Em 2011, eis que temos em mãos o sucessor deste fantástico título, um dos mais aguardados do ano: Batman: Arkham City. Acredito que o mundo todo esperava que o novo título da Rocksteady fosse melhor que Arkham Asylum, e felizmente ele conseguiu esta façanha, em diversos aspectos, apesar de algumas falhas. Batman: Arkham City nos entrega uma experiência muito mais repleta de opções. O ambiente de jogo é maior. O Homem-Morcego utiliza mais “bat-gadgets”, o sistema de combate foi melhorado, o enredo é repleto de reviravoltas, sendo que muitas delas conseguem realmente deixar o jogador estupefato, e um verdadeiro exército de vilões está “na fila” para tentar detonar o Batman.

Batman: Arkham City é uma espécie de cidade-prisão. Temos também o ex-diretor do Asilo Arkham, Quincy Sharp, no papel de prefeito de Gotham City. Aliás, pode-se dizer que sua chegada à prefeitura está ligada a alguns personagens dentro de Arkham City. Dentre os vilões que o Batman terá de encarar, podemos citar também Hugo Strange, Pinguim, Mr. Freeze, Ra’s al Ghul, Cara-de-Barro, Duas-Caras e, é claro, o Coringa e sua namorada maluca, Harley Quinn.

O game nos apresenta a um verdadeiro exército de vilões, todos tentando acabar com o Batman (salvo raras exceções e/ou momentos), sendo que muitos deles travam uma verdadeira batalha entre si, dentro de Arkham City, visando obter o controle da “cidade”. O Pinguim, o Duas-Caras e o Coringa, por exemplo, possuem seus respectivos exércitos, e durante nossas perambulações pela cidade, conseguimos até mesmo ouvir as conversas dos personagens, muitos deles dizendo que querem deixar o chefe “x” e se juntar ao grupo do chefe “y”, por exemplo.

Batman: Arkham City é tão cheio de surpresas que até mesmo o Bane firma uma espécie parceria com o Batman. Na verdade, tal parceria envolve o resgate de alguns tambores da fórmula Titan, a qual, em Arkham Asylum, foi criada sob as ordens do Coringa e causou diversos estragos, digamos. Grande estrago, diga-se de passagem, foi causado ao próprio Coringa devido à sua experiência com a fórmula, e nas ruas de Arkham City ouve-se constantemente falar que o vilão está mal.

Batman: Arkham City é um título que consegue surpreender ainda mais o jogador. Pegue tudo aquilo que você viu em Arkham Asylum, junte tudo isto a um cenário maior, a mais vilões, a mais lutas, a mais habilidades em combate (naturais ou oriundas da utilização de equipamentos), e você chegará perto do que é Arkham City. Pense, agora, no fato de que o próprio Batman também corre risco de vida durante grande parte do game, e você estará mais perto. Imagine a possibilidade de jogar fantásticas missões no controle da Mulher Gato e você estará ainda mais perto de perceber o quão fantástica é esta sequência. Entretanto, somente jogando o game você realmente entenderá o quão bom ele é.

O Batman agora pode planar de forma muito mais do que bem vinda utilizando sua capa, e algo fantástico é que ele pode realizar mergulhos em altíssima velocidade e então ascender novamente, a fim de ganhar mais impulso. Correr de encontro a um pequeno vão e então, ao chegar próximo ao mesmo, se jogar ao chão, deslizando, é também uma das novidades extremamente valiosas, a qual permite a passagem do protagonista através de portas de aço semi-abertas, por exemplo. O Batman, aliás, também pode colocar diversos equipamentos em funcionamento, através de rajadas elétricas desferidas com sua nova arma energética. O Próprio Mr. Freeze fornece a ele um brinquedinho muito especial: uma arma congelante, que inclusive serve para criarmos plataformas de gelo em superfícies líquidas, facilitando assim nossa passagem.

“Passear” pela cidade dos criminosos que é Arkham City permite até que o jogador interrompa assaltos em andamento. Os combates são momentos de puro prazer. Encarar grupos de 6, 8, 10 ou mais inimigos, muitos deles armados, é algo realmente espetacular. Nestes momentos o jogo eletrônico se transforma em um filme, para quem está assistindo as peripécias do jogador. Defesa, golpes avassaladores e combos podem ser encadeados de maneira fantástica, sendo que agora o Batman pode até mesmo utilizar sua capa para desnortear os inimigos. Também é possível utilizar um dos novos equipamentos que o Batman ganhou para disparar cargas elétricas contra os bandidos, e existem bandidos “blindados”, digamos, que requerem um golpe especial para serem derrubados, golpe este que nada mais é que uma sequência rapidíssima de socos por parte do Homem-Morcego.

É possível também gastarmos pontos de experiência para evoluirmos o personagem, e existe muita coisa bacana que pode ser feita em relação a este ponto. Aliás, o próprio sistema de combate está mais refinado, e mesmo dois inimigos atacando o herói ao mesmo tempo poderão ser facilmente derrotados, devido ao fato de ser possível movimentar-se muito rapidamente ou até mesmo defender-se dos golpes dos dois, ao mesmo tempo, em sequências de defesa-ataque verdadeiramente assustadoras.

A inteligência artificial dos inimigos está mais afiada, também. Se em Batman: Arkham City conseguíamos quase sempre fugir muito facilmente dos inimigos nos pendurando nos gárgulas, em Batman: Arkham City isto se torna um pouco mais difícil, uma vez que os inimigos seguirão o personagem por mais tempo, e muitas vezes diversos deles contarão com óculos especiais que retirarão o Batman das sombras, digamos.

Gárgulas também podem ser destruídos pelos inimigos, além disso, e o jogador precisará de maior velocidade e precisão nos movimentos em diversas ocasiões. Aquelas espetaculares finalizações em câmera lenta continuam acontecendo, em Arkham City, e são momentos que realmente fornecem ao jogador aquele gás extra que ele precisa para o próximo embate. É muito legal observar a atitude imponente do Batman, após derrotar uma corja de bandidos desqualificados.

O jogo também conta com uma grande carga dramática em seu enredo, e isto é algo que se estende até mesmo aos vilões. Victor Fries em sua busca incessante pela cura de sua esposa Nora não deixa de representar um dos elementos mais trágicos do game, apesar de tudo, enquanto o Pinguim é um vilão realmente execrável que chega a provocar verdadeiro asco no jogador. Talia al Ghul, filha de Ra’s al Ghul, também é introduzida neste grandioso “módulo trágico narrativo” do jogo, e protagoniza alguns momentos diferentes porém sempre dotados de enorme tristeza e dor.

Um dos grandes destaques do jogo é a presença da belíssima Mulher Gato. As missões nas quais controlamos Selina são sempre divertidíssimas, principalmente porque a personagem é, além de extremamente ágil, muito divertida. Sarcástica, cínica e sempre tendo algo a dizer, a Mulher Gato, entretanto, jamais perde a pose.

A Rocksteady criou um jogo realmente viciante. Além da missão principal, existem diversas missões secundárias que também são muito interessantes. Um exemplo que vale a pena ser destacado são as missões do Charada, as quais sempre colocam a vida de algum inocente em risco. Além disso, Batman conta com ajuda e conselhos da Oráculo e também do Alfred, ao rádio.

Alfred, aliás, chega a demover o super-herói de uma ideia que iria contra todos os seus princípios básicos. Neste momento, a vida de Talia corria perigo, mas como muitas outras vidas também poderiam ser perdidas, eu não duvidei da escolha que Batman faria. Batman mais uma vez se mostra alguém dotado de fortes princípios morais, e em vários momentos a narrativa do jogo nos mostra alguém que daria sua própria vida mesmo pelo mais vil dos criminosos.

Achei ótimo também o fato de que nesta sequência não somos obrigados a utilizar o “modo detetive” tantas vezes. E por falar neste modo, ele proporciona ao jogador momentos verdadeiramente instigantes. Rastrear a origem de determinado tiro dado contra o Batman, por exemplo, sendo-se obrigado a definir a trajetória da bala, é fenomenal. Esta situação em especial levará a determinadas coordenadas onde o Batman tentará rastrear um sinal de rádio. Batman: Arkham City também está legendado em português do Brasil, vale ressaltar, o que certamente demonstra grande esforço da Warner e da Rocksteady em cativar os jogadores brasileiros, além do fato de, mais uma vez, percebermos o interesse de grandes empresas da indústria de jogos eletrônicos no mercado brasileiro.

O Homem-Morcego em Arkham City também está muito mais falante. Ele fala consigo próprio, até, planejando ações, o que serve também como grande ajuda ao gamer. Durante uma das missões, acabei encontrando uma saída devido justamente aos “pensamentos em voz alta” do herói. Quando mencionei acima o risco de vida que o Batman corre, em Arkham City, não estava me referindo somente a um certo “risco imediato”, digamos assim.

Grandes problemas também podem ser causados ao protagonista caso saia da cidade, devido a algumas informações obtidas por Hugo Strange, e a maneira que a Rocksteady encontrou para resolver este problema foi simples e rápida, mas não indolor, é claro. Batman, logo no início, cai em um enorme engodo, e justamente a partir desta sua “desatenção”, digamos, é que começa sua “corrida pela vida”. Mas quem pode culpá-lo, não é mesmo? E por falar em Hugo Strange, seu tal Protocolo 10 (seguido do 11) foi algo inesperado, pelo menos para mim.

Foi magistral a maneira como a desenvolvedora colocou peças/conhecimento chave nas mãos de criminosos, e em como um destes criminosos trai e depois solicita a ajuda do guardião de Gotham City. Se tentarmos realizar um exercício de imaginação com o enredo do game, e inserirmos ali um outro super herói qualquer, talvez o perdão fosse algo que jamais passaria pela cabeça de tal hipotético herói.

O fato é que Batman: Arkham City surpreende do começo ao fim, e por falar em seu final, creio que muita gente já deve saber sobre o mesmo. Mas a atitude do Batman, naqueles momentos, foi extremamente digna e humana (não que eu, por exemplo, fosse capaz de seguir seu exemplo). Temos, naqueles poucos minutos, um dos mais belos exemplos de quão poderosa e marcante pode ser a experiência proporcionada por um jogo eletrônico. Só aquele final, incluindo a saída de Batman de Arkham City, é motivo para jogarmos o título novamente.

Vale lembrar que, além das diversas missões paralelas que aparecem no decorrer do gameplay, ainda é possível continuarmos jogando após finalizarmos o jogo. Diversas missões do Charada, por exemplo, ainda podem ser encontradas, e são adicionados ao mapa pontos onde você pode trocar de personagem, ou seja, deixar o Batman um pouco de lado e entrar na pele da Mulher Gato (e vice-versa).

O lado “stealth” em Batman: Arkham City continua bem interessante. Até mesmo se mover em meio a holofotes de helicópteros será necessário, e vale sempre lembrar que a IA dos inimigos está bem mais refinada. Mas não se preocupe: não faça barulho algum e você ainda conseguirá nocautear um bandido, sorrateiramente, pelas costas. É uma pena, entretanto, que o jogo tenha chegado ao PC somente 1 mês após seu lançamento para o  Xbox 360 e o Playstation 3.

Além disso, quem optou por sua versão para PC teve de passar raiva com problemas relativos ao DirectX 11, e o único patch lançado até agora corrige tal problema somente em sistemas de 64 bits. Tudo isto é algo que me deixa realmente irritado, pois está mais do que claro que tudo isto poderia ter sido evitado, nem que o lançamento do game fosse adiado. De qualquer forma, isto não tira o brilho do jogo.

Batman: Arkham City oferece altas doses de combates fantásticos, ação stealth, drama, heroísmo, altruísmo, belos gráficos, um ambiente realmente sombrio porém maravilhoso, e uma trilha sonora sensacional, como já era de se esperar. Momentos patéticos envolvendo um personagem que jamais imaginaríamos ser capaz de protagonizá-los também fazem parte do jogo, e tudo isto faz com que o título seja imperdível. Isto sem falar nas texturas, que estão muito mais bonitas que em Arkham City: a roupa do Batman, por exemplo, passa uma impressão de realismo tremenda. E, também, todos os personagens se movem de maneira muito mais bonita. As animações estão muito mais fluidas, cada golpe parece ser desferido por alguém de carne e osso, e a movimentação como um todo está realmente linda: perceba quando o Batman “finaliza” alguém, por exemplo.

E depois que você acabar a campanha principal do jogo, ainda existe muita coisa a ser feita. Missões secundárias, os desafios, que incluem, por exemplo, desafios por ranking, do Charada, etc. O jogo é bem grande, se pensarmos bem e unirmos todos os seus diversos elementos.

Conclusão

Batman: Arkham City consegue fazer com que fãs do Batman dos quadrinhos e do Batman dos videogames se sintam extremamente felizes. O jogo nos apresenta o melhor do Homem-Morcego e possui muita ação, elementos de investigação, drama e um cenário para exploração bem maior que o de Arkham Asylum. A Rocksteady conseguiu criar uma sequência realmente à altura do fantástico título de 2009. Ou melhor, ela conseguiu criar um título melhor.

Nota

9.5/10

Ficha Técnica

Título: Batman: Arkham City
Gênero: Ação / Aventura
Desenvolvedora:  Rocksteady Studios
Publisher:  Warner Bros. Interactive Entertainment
MSRP: US$ 49,99 (PC) / US$ 59,99 (Playstation 3 / Xbox 360)
Data de lançamento: 18 de Outubro de 2011 (PS3 / Xbox 360) / 18 de Novembro de 2011 (PC)
Plataformas: Xbox 360 / Playstation 3 / PC
Versão analisada: PC

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