Este review de Battlefield 3, da DICE, será longo, devo dizer logo de início, pois o jogo me impressionou bastante, como já era de se esperar, e até mesmo sua campanha me proporcionou grandes surpresas, apesar de sua curta duração e de seus altos e baixos. Pode-se dizer que a Electronic Arts agora tem um concorrente de peso à franquia Call of Duty, da Activision, mesmo as duas séries sendo bem diferentes uma da outra. Mas a existência de “games de guerra” de alta qualidade e bem sucedidos, criados por gigantes da indústria dos jogos eletrônicos, poderá com certeza fazer com que todos se beneficiem, jogadores, principalmente.

A escolha será do jogador, e nesta “guerra”, há espaço para todos e estilos para gostos diferentes. Battlefield 3 com a engine Frostbite 2 oferece gráficos maravilhosos desde seu início a princípio caótico, na missão Semper Fidelis. Apesar do título não contar com o nível de destrutibilidade de cenários que eu gostaria, apesar de não ser possível destruir paredes, casas, prédios, etc, como em Battlefield: Bad Company 2, mesmo com a presença do “Destruction 3.0”, digamos que esta possibilidade foi inserida no jogo em doses menores que, no entanto, não interferem de forma negativa na experiência. Aliás, doses menores não: a destruição agora está à cargo do jogo, e não do jogador, em muitos momentos.

Você pode até mesmo ser morto quando uma placa metálica localizada em uma ponte na qual estava buscando proteção for destruída pelos tiros inimigos, por exemplo, e dependendo do calibre da arma que você está utilizando no momento, e também do veículo em questão, você pode fazer com que ele exploda, simplesmente crivando-o de balas. Mas não espere muito além disso, pelo menos sob o seu controle e além da utilização de, por exemplo, um lança-foguetes. O fato, entretanto, é que destruições causadas por eventos fora do controle do jogador são muito surpreendentes, isto ninguém pode negar. Fachadas inteiras desabando representam um espetáculo belíssimo e poeirento.

Battlefield 3 também é um espetáculo áudio-visual que causará grande deleite naqueles que possuírem um PC capaz de rodá-lo no modo Ultra. Personagens se movimentam e caem em situações que parecem simular um filme, e o fogo chega a causar medo. Jamais em minha vida vi labaredas tão realistas em um jogo eletrônico, as quais além de “brincarem com a realidade”, se movimentam ao sabor do vento de maneira absurdamente fantástica.

O simples ato de subir uma escada inclinada faz com que você perceba que o personagem não se move como um boneco, deslizando, como em diversos outros jogos. É possível perceber o esforço do mesmo,  nível a nível, com braços e mãos se alternando perfeitamente visando atingir o próximo local de apoio. O ato de saltar algum obstáculo também é fantástico. Você nota as pernas do personagem se movimentando, sendo lançadas adiante, e é bem provável que este simples fato faça com que você salte muitos obstáculos sem necessidade, apenas para observar o movimento. A selva e a vegetação foram também recriadas de maneira belíssima, com muito espero. Estranhamente, entretanto, não percebi a mesma viçosidade, aqui, que percebi em Bad Company 2, e não consigo entender o porquê, se BF3 é extremamente superior, graficamente falando.

Explosões, fumaça, fases que se alternam entre o dia e a noite, chuva, poeira, o brilho do sol ofuscando nossa visão, o disparo de cada arma e os efeitos de iluminação e sombras também são surpreendentes. Em determinada fase, a sombra dos soldados inimigos projetada na parede de um prédio provoca aquela mesma sensação de estarmos assistindo a um filme, tamanha a veracidade, a proporção e a beleza do acontecimento.

Vale dizer que a DICE também teve enorme cuidado com a parte sonora de Battlefield 3. Sons de diferentes armas são facilmente distinguidos, e cada disparo teima em tentar nos fazer imaginar que estamos com uma arma de fogo real em mãos. O “barulho da guerra”, em meio a um tiroteio, também provoca intensa sensação de realidade, pois além dos diversos armamentos em uso, da gritaria dos inimigos e das explosões, você percebe uma miríade de outros “itens sonoros” presentes: diversos objetos sendo destruídos, vento, vozes de companheiros de equipe, etc. Tudo isto, aliado ao fato de que você ouve as vozes sempre perfeita e realisticamente em níveis diferentes dependendo da distância e da posição em que você se encontra em relação ao(s) outro(s) personagen(s), ajuda a aumentar ainda mais o impacto áudio-visual do título.

Muitos falaram que a campanha de Battlefield 3 seria pouco chamativa, rasa, etc. Devo dizer que ela pode mesmo servir como um treinamento para o multiplayer (como em muitos outros jogos), mas ela não é uma campanha insossa. É claro que a franquia é focada no multiplayer, e com BF3, um dos games mais esperados do ano, cujo hype ainda deve estar batendo nas portas de São Pedro, isto não seria diferente. Isto não significa, entretanto, que sua campanha não seja interessante. Vale a pena jogá-la, com certeza, principalmente se você tem a intenção de, depois, “cair com tudo” no multiplayer do jogo.

A campanha dura mais ou menos 6-9 horas, e proporciona momentos intensos e também momentos um pouco chatos. Esta sequência de Battlefield 2 mostrou-se capaz de fazer jus a todo o hype que acompanhamos, e jogá-la é algo verdadeiramente indescritível, mesmo que você o faça apenas para conferir os gráficos espetaculares. Algo um tanto quanto estranho, para não dizer desnecessário, é o fato das missões ocorrerem em espécies de “flashbacks jogáveis”.  Você é um Marine. Sargento Henry Blackburn, o qual está sendo interrogado devido a alguns eventos ocasionados por um terrorista chamado Solomon, o qual trabalha em conjunto com um grupo paramilitar chamado PLR (People’s Liberation and Resistance), grupo este que tem como líder um terrorista chamado Farukh Al-Bashir. A campanha de Battlefield 3 conta inclusive com a ameaça de um grande ataque nuclear.

O Blackburn, durante os interrogatórios e até mesmo quando em ação, consegue surpreender o jogador com suas ações e palavras, algumas vezes até mesmo de forma negativa. Esta questão dos interrogatórios, aliás, foi obviamente copiada de Call of Duty: Black Ops. Acredito, porém, que Black Ops utilizou a estratégia de modo mais impactante, ao utilizar torturas, choques e personagens ocultos, o que não ocorre no game da DICE. Aliás, chego a dizer que a campanha poderia ter se tornado muito melhor se os interrogatórios fossem eliminados e todas as informações recebidas e transmitidas através deles passassem por “outros canais”. Esse esquema de “agora vamos voltar à data X” não é muito interessante quando se transforma em algo extremamente burocrático e que conta com dois personagens adicionais nada carismáticos.

É muito interessante como Battlefield 3 consegue unir forças rivais apresentando membros das mesmas que possuem intenções idênticas. Durante o jogo, outro personagem que o jogador controlará será o agente russo Dima, o qual também tem por objetivo impedir que o pior aconteça. Outro personagem jogável no jogo é a tenente Jennifer Hawkins, pertencente à Marinha dos Estados Unidos. Você joga uma única missão controlando a tenente Hawkins, a qual ao mesmo tempo é belíssima e frustrante.

Nesta missão você cuidará do sistema de armas de um caça. O vôo, as manobras realizadas pelo caça, os combates, o aspecto do céu e das nuvens são fantásticos. O próprio momento da decolagem é maravilhoso, e o espetáculo é mais bonito ainda pois a missão acontece durante o que parece ser o prenúncio de uma grande tempestade, e o mar bravio abaixo é um lembrete constante e ao mesmo tempo sensacional da possibilidade de morte iminente.

O momento em que você coloca a máscara de oxigênio e a cabine é fechada é algo ímpar. A parte superior, conforme o avião ganha altitude, começa a sofrer também os efeitos da grande altura. Olhar para cima pode ao mesmo tempo impressionar e causar náuseas, conforme as manobras realizadas. Você pode ficar desorientado também mesmo se não olhar para cima, para os lados ou para baixo. Tudo é extremamente rápido, e caças aliados são vistos ao seu lado, sendo possível ouvir inclusive o potente ruído de suas turbinas.

Isto tudo, entretanto, é muito frustrante pois, como disse acima, você apenas cuidará do armamento. Atirará em inimigos, disparará mísseis, marcará alvos, disparará “flares” para tentar fugir de mísseis hostis, etc. Nada mais. Você não pilotará o caça, durante a campanha, e isto é extremamente negativo, pois trata-se de algo que se repete no game, em relação a outros veículos. Bem diferente de outros títulos da franquia.

O máximo que o jogador conseguirá é pilotar um tanque de guerra e lidar com sua manobrabilidade complicada, além de seu armamento (metralhadora, armamento mais pesado, etc). Essa missão onde o jogador poderá “experimentar” o tanque de guerra é a “Thunder Run”, a qual acontece em grande parte em um deserto, no Irã; nela, o protagonista será o Sargento Jonathan Miller. Mais adiante, na mesma missão, fugindo de uma emboscada, você deve atravessar um prédio de ponta a ponta, arrebentando com tudo, passando por escritórios, etc. A Frostbite 2 se mostra muito, muito interessante, também neste momento. E existem algumas situações onde, apesar da beleza do cenário, você será um mero expectador no banco traseiro de um carro e/ou outro tipo de veículo.

Missões que ocorrem à noite também são um espetáculo à parte, e permitem que o jogador perceba com mais detalhes o quão realista é o sistema de iluminação do jogo. Existe até uma situação engraçada envolvendo o PLR, após a ocorrência de uma grande destruição, sem falar no rato bem chato que começa a morder seu dedo enquanto você se arrasta em meio a alguns escombros. Sua faca é sua melhor amiga, neste momento.

A trama de Battlefield 3 é cheia de reviravoltas. Dima e Blackburn são dois elementos chave no jogo, e não faltam momentos onde o jogador chega a tentar acreditar no que os interrogadores dizem. Infelizmente, a campanha do jogo conta com diversos “Quick Time Events – QTE“, e alguns deles não deveriam existir. Uma das razões óbvias para isto é que nem sempre este tipo de “método” é adequado para situações delicadas e/ou cruciais. É claro que eles estão presentes em diversos momentos surpresa, durante o jogo, durante os quais inimigos tentarão esfaquear o jogador, após surgirem “do nada”. De trás de uma porta, de maneira inesperada, por exemplo. Mas nem sempre QTE’s representam uma boa escolha, mesmo (ou principalmente) em um First Person Shooter.

Diversos personagens não jogáveis também fazem parte da trama do jogo. Steve Campo, David Montes, Christian Matkovic, Capitão Cole, etc. É uma pena que não exista uma profundidade de relacionamento entre eles e o protagonista. Isto certamente tornaria o jogo mais emocionante pois, de certa forma, eles marcam presença em Battlefield 3 de forma um tanto quanto irrelevante. Digamos que para “encher linguiça”, sem que representem nada mais que meros membros de uma mesma equipe que não possuem nenhuma ligação mais forte com o protagonista.

Surpresas em relação a personagens “do outro lado” também ocorrem, e ocorrem de uma tal maneira que o jogador pode até mesmo ser enganado, de forma sensacional e, quem sabe, proposital. Momentos dramáticos e que provocam surpresa imediata e raiva posterior (in-game) também acontecem, e os próprios interrogadores do Blackburn estão cientes deste “processo” todo. O gameplay é um tanto quanto variado. Você também terá a oportunidade de utilizar um rifle de precisão à noite, o qual é equipado com infra-vermelho.

Missões de cobertura, com ou sem tal rifle, também acontecem. Os “mistérios” das organizações militares mais poderosas do mundo também são exibidos em Battlefield 3, com suas devidas maldades em prol de um “bem maior”. A batalha durante a missão “Rock and a Hard Place” é uma das melhores do jogo. O jogador tem de avançar aos poucos, ponto a ponto, destruindo tanques, atingindo objetivos, buscando pontos de cobertura, sempre com muita calma, etc. Ela se inicia em uma belíssima selva e vai terminar em uma também belíssima planície, repleta de vegetação e também de sinais da guerra.

Apesar dos mapas bem grandes do multiplayer de Battlefield 3, em sua campanha infelizmente somos obrigados a seguir, de certa forma, verdadeiros “corredores de guerra”. Não existe espaço para dar uma fugidinha, nem que temporária, dos objetivos. É correr, buscar abrigo, atirar, liberar a área, buscar o próximo objetivo, participar de algumas QTE’s, etc. Isto não é um ponto de todo negativo, pois existe emoção, apesar de tudo, na campanha. Ela também é divertida, oferece uma excelente experiência FPS, mesmo com as falhas que mencionei acima, e infelizmente passa bem rápido. Lembrando que é possível também se deitar no chão (prone), tanto em momentos em que aquele tal sistema de cobertura faz grande falta, quanto em momentos de necessidade, mesmo, como por exemplo em missões noturnas onde você utiliza um rifle sniper.

Há uma grande falha em determinadas fases e eventos do jogo, aliás. Por exemplo, pode ocorrer de uma porta precisar ser aberta, e você não ser o encarregado da tal ação. Se você, de repente, decidir “dar uma passeada”, e os seus companheiros entrarem pela porta sem que você perceba, ela pode se fechar. Neste caso, você não conseguirá prosseguir e terá de carregar o último checkpoint.

É engraçado, e até mesmo interessante, também, o fato de que podemos perceber na campanha de BF3 diversos momentos em que ocorreram diversos “quase”. Talvez tudo isto esteja sendo reservado para o futuro, e quem sabe não tenhamos aqui realmente um concorrente de peso (atual ou futuro) à franquia Call of Duty. Battlefield 3 tem tudo para isto ou, pelo menos, para dar início à esta concorrência. A este “movimento”.

Extremamente negativo foi o fato de uma determinada missão se repetir, em ocasiões diferentes e com menos e mais informações nas mãos do protagonista, em cada uma das vezes. Bem que o pessoal da DICE e da EA poderiam ter tratado estas duas missões de outra forma, ou até mesmo eliminado uma delas.

Outros modos de jogo

É claro que a maioria das pessoas que compraram Battlefield 3 estava de olho em seu multiplayer. O sistema Battlelog, da EA, é realmente sensacional, e o melhor de tudo: gratuito. É uma espécie de rede social voltada especificamente ao jogo, através da qual o jogador poderá acompanhar estatísticas, progresso, gerenciar listas de amigos, criar esquadrões, visualizar relatórios de batalhas, etc.

O sistema funciona muito bem, e é totalmente baseado na web. Aliás, se você tentar iniciar Battlefield 3 com o cliente Origin em modo online, você será redirecionado ao Battlelog, e até mesmo a campanha deverá ser iniciada através de sua interface. Isto não ocorrerá, entretanto, se o Origin estiver em modo offline.

Vale lembrar que você deve prestar bastante atenção aqui, pois Battlefield 3 possui suporte a “cloud saving”, e a sincronização ocorre quando o cliente está online. Caso você jogue uma missão, digamos, com o Origin offline, o cliente perguntará a respeito da sincronização quando você partir para o modo online, fornecendo duas opções. Se você escolher a opção errada, poderá perder progresso no game e ter de voltar atrás.

O Battlelog também conta com chat, fóruns e novidades a respeito do game. Jogar o modo cooperativo de Battlefield 3 é muito bacana. São 5 missões, cada uma delas com seus respectivos objetivos e recompensas. Todas as estatísticas, pontuações e recompensas relativas ao co-op de BF3 também podem ser acompanhadas através do Battlelog.

Já o modo multiplayer propriamente dito é extremamente interessante, e mesmo para mim, que prefiro muito mais jogar partidas solo, se mostrou tentador. Cada partida é um verdadeiro caos. Aviões sobrevoam a área de jogo, tanques e outros veículos promovem um verdadeiro festival de chumbo, e a jogabilidade é muito boa. Existem 6 modos de jogo diferentes e 9 mapas, para quem não possui a expansão “Back to Karkand”. O recurso “quick match” pode ser personalizado, e você pode configurá-lo para buscar automaticamente por partidas que se ajustem aos pré-requisitos que você definiu, como por exemplo modo de jogo, região, mapa(s), partidas “rankeadas” ou não, etc. Uma vez configurado seu “quick match pessoal”, basta utilizá-lo sempre, lembrando que também podem ser realizadas modificações nas configurações, sempre que você desejar.

É possível também, é claro, visualizar a lista de servidores, escolher um deles e então entrar com tudo no multiplayer. Existem quatro classes, já bem conhecidas pelos fãs da franquia: “Assault”, “Engineer”, “Support”, e “Recon”, e é possível, é claro, evoluir o seu soldado. Entretanto, o sistema consegue se superar, permitindo que a evolução de personagens, armas e veículos ocorra apenas depois de muitas horas de gameplay, de muito suor, devido à complexidade do sistema como um todo.

Diversos acessórios também vão sendo liberados aos poucos, e devo confessar que o multiplayer de BF3 me surpreendeu. O trabalho em equipe também é muito valorizado, e rede pontuação. Reviver membros de sua equipe, por exemplo, é uma ótima maneira de ganhar alguns pontos a mais. A divisão em esquadrões permite a atuação de pequenos grupos trabalhando em prol da equipe como um todo, o que acaba facilitando as coisas para todos os jogadores. Em suma, trata-se de um grande jogo. Com falhas e outras coisas que eu gostaria que fossem melhoradas e/ou que estivessem nele presentes, mas é um grande jogo.

Um grande jogo que termina com uma “batida na porta”.

Conclusão

Battlefield 3 faz jus a um enorme hype e entrega ao jogador uma campanha relativamente curta mas repleta de bons momentos. O Battlelog é um sistema fantástico que atua como um surpreendente assistente da parcela multiplayer do game. O modo co-op é divertidíssimo e desafiador, e o multiplayer em si é muito mais do que os fãs esperavam. Tudo isto é extremamente fortalecido pela engine Frostbite 2, e o jogo conta com gráficos e áudio surpreendentes. Battlefield 3 vale a pena mesmo que o jogador tenha em mente jogar apenas seus modos campanha e co-op, isto se conseguir a eles se restringir.

Nota

9/10

Ficha Técnica

Título: Battlefield 3
Gênero: FPS
Desenvolvedora: DICE
Publisher:  Electronic Arts
MSRP: US$ 59,99
Data de lançamento: 25 de Outubro de 2011
Plataformas: Xbox 360 / Playstation 3 / PC
Versão analisada: PC

Poderá gostar também

Pin It on Pinterest