(Review) Beatbuddy: Tale of the Guardians – a música é tudo

Beatbuddy: Tale of the Guardians

Existem alguns games que são capazes de satisfazer os amantes de música unindo duas de suas paixões muitas vezes de maneira muito bacana. Títulos como Audiosurf, Beat Hazard e os famosos Rock Band e Guitar Hero, por exemplo, permitem que “joguemos a música”.

Em outras palavras, nestes jogos nós escolhemos a música e temos, então, de “jogá-la”, através das mecânicas propostas e seguindo as regras. Botões devem ser apertados nos momentos certos, conforme a música e o ritmo, padrões pré-estabelecidos devem ser obedecidos, cores são ligadas à batida, e o sucesso na realização destas tarefas nos oferece a perfeita audição da música, como recompensa.

Beatbuddy: Tale of the Guardians

Mas existem outros tipos de jogos musicais. Jogos onde a música faz parte do jogo e não é por nós escolhida. Games que nos oferecem o pacote completo, deixando em nossas mãos, então, “apenas” a tarefa de garantir que o espetáculo seja realizado. Este é o caso de Beatbuddy: Tale of the Guardians, do estúdio alemão THREAKS.

O que temos aqui é uma mistura de ação, plataforma, aventura e, claro, música. Ritmo. Espere por doses altíssimas destes dois elementos, por falar nisso, pois eles representam a fundação deste belo jogo. Quando ouvi falar de Beatbuddy: Tale of the Guardians pela primeira vez, imaginei que se tratava de apenas mais um jogo musical. Ledo engano.

Aqui a música é tudo. As mecânicas do jogo foram construídas em torno da música. Música esta composta pelos artistas Austin Wintory, Parov Stelar e Sabrepulse. Tudo em Beatbuddy gira em torno da música, do ritmo. De maneira mais forte e íntima do que aquilo que vimos nos títulos de Dylan Fitterer e da Cold Beam Games.

O protagonista, Beatbuddy, vive em um mundo aquático chamado Symphonia: deu para ter mais ou menos uma ideia de como é este mundo e do que rola aí, não? E tem mais: Beatbuddy, ou Beat (nome muito sugestivo, não?) possui duas irmãs, Melody e Harmony (é isso mesmo: batida, ou ritmo, melodia e harmonia 😉 ).

Beatbuddy: Tale of the Guardians

As duas devem ser encontradas pois o personagem principal precisa de ajuda para acabar com os planos do malvado príncipe Maestro, o qual deseja tomar o controle de toda a música no mundo aquático. Maestro é bastante megalomaníaco, aliás. E Beat, bem, Beat é um ser especial, um guardião que sonha com a música que deve preencher Symphonia.

Ficha técnica

Título: Beatbuddy: Tale of the Guardians

Gênero: Ação / Plataforma

Desenvolvedora: THREAKS

Publisher: Reverb Publishing

Data de lançamento: 06 de Agosto de 2013

Plataformas: PC / Mac / Linux

Versão analisada: PC

Tudo no jogo remete à música. Encontros com outros personagens são hilários, tanto pelos sons que se ouve (eles não falam, mas emitem sons que apesar de serem desprovidos de melodia são rítmicos e gostosos de se ouvir) quanto pelos diálogos que são apresentados em placas (o jogo conta com “legendas” em português de Portugal).

No universo em que somos imersos em Beatbuddy: Tale of the Guardians, a música é o elemento principal. É o oxigênio necessário à vida. É o meio no qual navegamos. Deixe Beat parado por alguns segundos e você verá que ele começa a dançar.

Beatbuddy: Tale of the Guardians

Enquanto jogamos, tamanha é a força da música que nós mesmos começamos a mexer o corpo, muitas vezes sem perceber. E a música do jogo? Que dizer dela e de sua importância? Em alguns momentos parece que estamos ouvindo jazz. E digo mais uma vez: neste jogo a música é tudo. Ela está em tudo, movimenta tudo.

Inimigos disparam conforme o ritmo da música. Tiros têm suas cores alternadas entre vermelho (danoso) ou verde (não danoso) conforme o ritmo, e nós devemos entrar no ritmo e encontrar o momento certo para atravessarmos sem sofrermos mal algum. Disparos possuem sons distintos. Quase tudo produz música, em Symphonia.

Determinadas criaturas (perigosas) se movimentam também conforme a música, e nós temos de encontrar uma brecha em meio à caravana e nos movermos conforme a pulsação, como se fôssemos um deles e de maneira tal a não sermos tocados. Sensacional não?

A maneira como a música faz parte do jogo é estupenda. A música é o jogo, na verdade, e todo o mais são acessórios. As mecânicas de Beatbuddy: Tale of the Guardians foram construídas em torno da música e do ritmo, e sem estes, o jogo perderia sua graça.

Em um mundo mantido pela harmonia, pelo ritmo e pela melodia, falhas em um destes três elementos obviamente causam problemas. O próprio jogador se sente impelido a buscar por áreas repletas de inimigos pois, como sabemos, eles também são músicos que emprestam seus dons à grande música de Symphonia. E o silêncio neste jogo é uma tortura.

Beatbuddy: Tale of the Guardians

Outro personagem bastante interessante neste primeiro título da THREAKS é Clef. Ele aparece de tempos em tempos, fornecendo informações e também dando a Beat a oportunidade de utilizar um veículo que, dentre outras coisas, é capaz de disparar rajadas energéticas. Ah, o tal veículo também pode se movimentar seguindo o padrão musical que permeia toda Symphonia.

Existem diversos tipos de puzzles em Beatbuddy: Tale of the Guardians. O personagem principal pode também manejar diversos mecanismos que fornecem um impulso extra capaz de impeli-lo a locais de outra maneira impossíveis. Tais mecanismos podem ter sua posição alterada para que Beat vá sendo rebatido até chegar ao local desejado.

Beatbuddy: Tale of the Guardians

Tudo é música. A música está em tudo. Determinados inimigos só podem ser destruídos se neles batermos ritmicamente, como o “The Rhythm Leecher”, por exemplo. A enorme graça de salões enormes repletos de perigos e criaturas estranhas produzindo sons os mais diversos é tamanha que quando nos encontramos em locais mais afastados e silenciosos sentimos um desejo enorme de a eles voltar (ou de encontrar novos).

Beatbuddy: Tale of the GuardiansCada pequeno som produzido por elementos diferentes do ambiente é digno de nota. Os locais que mencionei acima, nos quais temos de seguir o ritmo e a “dança” das criaturas, representam um desafio e também motivo para deleite. Caso saiamos fora do ritmo, causamos quebras, falhas que alteram a grande sinfonia que nos envolve.

Isto é também interessante, mas nossa adequação à grande orquestra provoca resultados sempre mais satisfatórios. Imagine que estamos tocando na companhia de outros músicos, e uma semicolcheia no lugar de uma semínima pode fazer uma grande diferença. Erros na execução não são muito agradáveis aos ouvidos.

O ritmo é até mesmo mais importante, em Beatbuddy: Tale of the Guardians, pois ele controla o modo como os ambientes vivos e pulsantes, bem como seus habitantes, produzirão música. Ele dita como tal música será produzida, e é justamente devido a isto que quando nos damos conta estamos balançando o corpo.

Tudo em Symphonia pulsa. Tudo vibra. Tudo produz algum som. Determinados trechos do caminho estão tomados por seres que lembram aranhas, e para passarmos temos de “desligá-los”, tocando em pequenas criaturas que agem como chefes daqueles setores.

A interação do protagonista com o universo vivo e pulsante à sua volta não produz apenas resultados meramente estéticos, apesar de que é também muito bacana observarmos como os diferentes elementos e seres do cenário reagem.

Beat acaba se imiscuindo em meio ao cenário. Ele faz parte daquilo tudo, e naquele meio aquático, sua movimentação acaba sendo extremamente natural e fluida, o que ajuda bastante até mesmo durante a resolução dos puzzles.

A THREAKS, uma desenvolvedora independente, criou um jogo divertido, bonito, cativante e viciante. Trata-se de mais um estúdio pequeno que mostra ao mundo que não é preciso trabalhar-se com orçamentos milionários para a produção de algo original e com qualidade. Alta qualidade, neste caso.

Conclusão

Beatbuddy: Tale of the Guardians não é somente um jogo musical. Nele, nós não dominamos a música, é esta quem nos domina e dita as regras do gameplay. Com lindíssimos cenários pintados à mão e personagens extremamente carismáticos, o game da THREAKS  é um must have para amantes de música.

A música domina o jogador, a música dita as regras do jogo. A música, aqui, como eu já disse, é tudo. E mesmo quem não é muito ligado em música vai acabar se mexendo bastante logo durante os primeiros minutos de jogo. Resumindo: jogue!

Trailer

Fique com um trailer deste jogo fantástico:

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6 Comments

  1. Caramba, que jogo irado! Já gostei do embalo dessas músicas só no trailer.

    Vai pra wishlist com certeza! ^^

    Reply
    • E aí Giancarlo! 🙂

      Cara, irado demais. Muito, muito bacana mesmo. Daqueles jogos que viciam rapidinho!

      Reply
  2. Caramba, realmente este chamou minha atenção, os gráficos são muito bons! E com certeza o que mais gostei do que vi no trailer foi o veículo, lembra muito aqueles shoot ’em ups como R-Type 🙂 Ótimo review!

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    • Fantástico, né? E realmente, lembra aquelas navinhas. Cara, esse jogo foi uma surpresa e tanto. A história até fica em segundo plano. A música é contagiante. 😀

      Reply

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