(Review) BioShock Infinite: Clash in the Clouds — Afiando a pontaria

Clash in the Clouds

Lançado no mesmo dia em que foi anunciado, Clash in the Clouds é o primeiro de uma série de três conteúdos extras prometidos para o espetacular BioShock Infinite. Ao contrário do que muitos (eu, inclusive) esperavam, o primeiro DLC joga a complexa história do jogo-base para escanteio e preserva apenas alguns cenários e personagens do mundo flutuante de Columbia.

Não espere encontrar respostas para os mistérios do jogo por aqui (pelo menos não até o lançamento dos dois outros DLCs). Na verdade, Clash in the Clouds oferece doses generosas de um dos aspectos menos memoráveis de BioShock Infinite: os combates. A dupla Booker e Elizabeth está de volta e dessa vez não é para caçar profetas ou fugir do Songbird. O objetivo aqui é simplesmente sobreviver a ondas e mais ondas de inimigos.

Ficha técnica

Título: BioShock Infinite: Clash in the Clouds

Gênero: Ação em primeira pessoa

Desenvolvedora: Irrational Games, 2K Marin, Human Head Studios

Publisher: 2K Games

Data de lançamento: 30 de julho de 2013

Plataformas: PC, Mac OS X, Xbox 360, Playstation 3

Versão analisada: PC

Preço: R$ 9,99 (Steam), 400 Microsoft Point (XBLA)

Provavelmente inspirada pelo sucesso do modo 1999 (voltado para jogadores hardcore), a Irrational Games resolveu agradar (uma parte dos) fãs inserindo um descerebrado horde mode em um jogo que, paradoxalmente, tem entre suas marcas o roteiro intricado e personagens complexos. O início das aventuras ocorre nos corredores da Columbian Archeological Society que serve como um enorme hub que conecta as quatro arenas de combate disponíveis.

Ops Zeal, baseada na área industrial do magnata Jeremiah Fink, é a primeira arena, já destravada logo no início (as outras três precisam ser desbloqueadas). Antes de começar, o jogador é colocado dentro de uma safe house contendo um arsenal de armas e Vigors a seu gosto, além de máquinas automáticas que fornecem Gears aleatórios gratuitamente e outras que cobram caro por melhorias nas armas. Assim que estiver preparado, basta entrar na fenda temporal para cair na arena e iniciar os combates.

Clash in the Clouds

Cada arena tem quinze ondas de inimigos que variam em quantidade e tipo. Ao final de cada onda, somos transportados de volta à safe house para recarregar os estoques, trocar as armas e comprar melhorias. Para arrecadar os fundos para tal, basta eliminar os inimigos e revirar seus corpos em busca de itens extras. Entretanto, há outra maneira para alcançar cifras ainda maiores: os opcionais Blue Ribbons. Tratam-se de objetivos específicos de cada onda que recompensam o jogador por desempenhar combates de forma criativa.

O grande diferencial de Clash in the Clouds está exatamente em cima desses Blue Ribbons. Objetivos como terminar uma onda sem ser atingido nenhuma vez, permanecer nas Sky-Lines durante os tiroteios e matar inimigos aplicando uma combinação específica de Vigors, além de renderem mais, encorajam uma grande experimentação e desafiam o jogador a modificar frequentemente suas táticas de combate, algo que não era tão incentivado durante a campanha do jogo-base, quando acabávamos usando quase sempre o mesmo arsenal.

Os Blue Ribbos são únicos, o que quer dizer que existem um total de 60 deles (15 por arena, 1 para cada onda). Na primeira arena, eles são relativamente fáceis. A partir da segunda arena, as coisas ficam realmente desafiadoras, beirando o impossível. Nota-se em pouco tempo como esse modo de jogo é propositalmente difícil (quase de maneira descompensada), construído para testar os mais habilidosos jogadores. Se você está fora de ritmo ou procura um modo mais casual, é provável que acabe saindo frustrado.

Clash in the Clouds

Antes de pular na fenda temporal que conecta à arena, o jogo exibe na tela quais inimigos estarão presente na próxima onda. Isso é especialmente útil na hora de escolher o arsenal e decidir em quais armas você investirá seu dinheiro arrecadado previamente. A variação de oponentes é tamanha que você dificilmente conseguirá manter as mesmas armas entre uma onda e outra. E, para dificultar ainda mais, o alto preço dos upgrades requerem uma cuidadosa análise de custos e benefícios.

Assim como no jogo-base, Elizabeth ainda é uma aliada valiosa durante os tiroteios, caçando recursos para o jogador e abrindo fendas para trazer munição, armas, canhões e até oponentes “convertidos” para o seu lado. Entretanto, quase não há diálogo entre ela e o nosso herói Booker e sua presença é imperceptível durante a maior parte do tempo. Mais uma prova de que a história realmente não é o forte aqui.

Clash in the Clouds

É inevitável: cedo ou tarde você vai acabar caindo diante do exército de Zachary Comstock. Aqui, o jogo te dá quatro opções: sacrificar seu score e continuar a arena normalmente (seu progresso não será registrado na tabela de pontuação, tanto global quanto entre seus amigos), começar do zero, retornar ao hub que conecta as arenas ou desembolsar uma bela grana para retornar ao ponto de onde parou sem prejuízos. Veja pelo lado bom: pelo menos, você não perde dinheiro nem suas armas.

Por fim, são os “secretos” do museu da Columbian Archeological Society que fazem todo o desafio de Clash in the Clouds valer a pena. Trata-se do elemento que faz a ponte entre o modo arena e o universo do jogo. É possível investir dinheiro comprando modelos de personagens, gravações fonográficas das canções anacrônicas do jogo, artes conceituais de builds primitivas e até um boneco em tamanho real do Songbird (!) que ficam expostos num enorme salão no hub que conecta as arenas. Para os platinadores de plantão, eis aqui um prato cheio!

Clash in the Clouds

Conclusão

Clash in the Clouds é uma adição divertida à obra de arte da Irrational Games, porém um tanto desnecessária. Ainda não entendo o porquê da empresa “sacrificar” um dos três DLCs prometidos com um modo baseado no aspecto relativamente mais fraco do jogo. Talvez a resposta esteja exatamente aí: Clash in the Clouds tenta desesperadamente atrair os holofotes aos combates de BioShock Infinite, mostrando que a variedade de armas, cenários e poderes especiais podem sim ser empregados sem um contexto específico, criando partidas tão criativas quanto desafiadoras.

O conteúdo aqui é suficiente para mantê-lo entretido por algumas tardes. Mesmo que a curta duração das partidas favoreça jogatinas ocasionais, a repetição, característica de modos arena, logo culminará em tédio — não tem jeito, mesmo se tratando de BioShock Infinite. O preço avulso (R$ 10) dificulta uma recomendação, mesmo àqueles que gostaram do que viram no jogo-base. Porém, dentro do pacote do Season Pass (R$ 30), é uma adição bacana e que vai manter sua mira afiada até a chegada de Burial at Sea: Episode 1 e Episode 2, no fim do ano. Aí sim, teremos algumas respostas.

Nota

7/10

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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