Brink é um FPS que, de forma um tanto quanto similar a Homefront, foge do esquema tradicional dos games de tiro em primeira pessoa lançados ultimamente. Como em Homefront, não estamos na segunda guerra mundial, nem em nenhuma guerra moderna. Não existe nenhuma operação secreta da CIA e não existem alienígenas. As primeiras informações de Brink, e os primeiros trailers divulgados, mostravam algo fantástico. Eu mesmo estava extremamente ansioso por Brink. A promessa de um jogo inovador, de um FPS que iria meio que renovar o “nicho”, foi sempre reforçada pela desenvolvedora, a Splash Damage, e também pela publisher, a Bethesda Softworks.

Brink foi lançado para PC, Xbox 360 e Playstation 3. Entretanto, devo dizer que, de todos os games que joguei e analisei este ano, o título da Splash Damage foi o único que me causou total decepção. O jogo é complexo, isto ninguém pode negar. Existem 4 classes: “medic”, “soldier”, “operative” e “engineer”. Cada uma destas classes possui seu respectivo papel dentro de cada missão, e vale ressaltar que você pode iniciar qualquer missão como um “soldier”, por exemplo, e no meio da mesma mudar para “engineer”. Não existem limitações em relação ao número de vezes que você pode trocar de classe: o que você precisa é encontrar um “Command Post” para realizar a mudança.

O enredo de Brink é muito interessante. O título é ambientado no futuro, em uma cidade flutuante e auto-sustentável chamada “The Ark”. Dificuldades similares às que ocorrem em nosso mundo real, e também no mundo de Brink, tanto fora da “The Ark” quanto dentro dela, deram início a alguns problemas. A superpopulação da cidade flutuante causou uma grande divisão dentro da mesma, e agora temos duas facções rivais lutando em Brink: a “Resistance” e a “Security”.

Enquanto a “Resistance” quer fazer de tudo para escapar da Arca, a “Security” faz de tudo para salvar a cidade flutuante. Um enredo muito promissor, que poderia realmente fazer parte de um grande game. Entretanto, vale ressaltar que Brink é um game focado em partidas cooperativas online, apesar de permitir que o jogador jogue partidas solo, com a “ajuda” de bots. A inteligência artificial dos bots e dos inimigos, aliás, não ajuda em nada.

Durante o próprio jogo singleplayer este “foco no online” pode ser percebido bem claramente. Indicações de “fulano matou beltrano com tal arma” aparecem constantemente em tela, e se você morre, por exemplo, o jogo continua. Você pode, aliás, em determinados momentos, não morrer, mas permanecer incapacitado no chão, aguardando pela chegada de um médico. Você pode acompanhar a distância em que os médicos se encontram em relação a você e inclusive o número de médicos que estão vindo em seu socorro.

Se eles conseguirem chegar vivos até você, lançam em suas mãos uma seringa com a qual você pode ser revivido. Você pode optar também por não aguardar a chegada de um médico e iniciar novamente a partida (a qual continua correndo) no mesmo spawn point. Ao jogar Brink, o primeiro jogo que me veio à cabeça foi Team Fortress 2, da Valve: só que em  Brink não há uma Valve por trás.

As possibilidades de customização do personagem, em Brink, são muito legais. Isto não se pode negar. Você pode personalizar diversos elementos do corpo do personagem, incluindo tatuagens, características étnicas, roupas, acessórios, atributos físicos, etc. Dependendo do tipo físico do personagem, você sentirá a diferença durante o gameplay, aliás. Seu personagem poderá ser mais resistente, mais rápido, e por aí vai. Tudo isto no início é limitado, mas conforme você vai progredindo no jogo, mais opções vão sendo disponibilizadas. Qualquer ação executada em Brink rende pontos de experiência. Escoltar alguém importante, hackear um terminal, ajudar um companheiro, fornecer munição a alguém do seu time, etc.

Vale lembrar também que, mesmo jogando no modo offline, seus companheiros de equipe constantemente lhe fornecem munição e lhe prestam alguma ajuda. Isto é bem interessante, e meio que destoa um pouco das deficiências da IA de Brink. Mas não se engane: não é nada muito rebuscado, e os bots nem sequer detectam os momentos em que você realmente precisa de munição.

Todo o ganho de XP durante as missões é visualizado em tempo real, e até mesmo o tempo que você passa guardando algum elemento importante lhe rende alguns pontos. O armamento também pode ser personalizado, e as opções aqui também aumentam conforme você vai progredindo no jogo. No tocante ao gameplay, você pode assumir para si qualquer um dos objetivos durante uma partida. Você pode também abandonar qualquer um deles e assumir outro. Existem, também, objetivos primários e secundários.

É claro que, trocar de objetivo durante a partida terá um impacto negativo sobre a missão como um todo pois, vale ressaltar, todas as missões devem ser concluídas dentro de um certo tempo, e caso a sua equipe falhe em cumprir este requisito, a missão será reiniciada. Um dos grandes problemas em Brink é justamente isto: ele não passa de uma série de missões, jogue você em que facção jogar. Brink é uma série de missões com objetivos primários e secundários que pode cansar bem rápido. Aliás, o foco do jogo no modo online é tão grande que você pode iniciar qualquer missão, seja ela da “Resistance” ou da “Security”, a qualquer momento e em qualquer ordem. Todas estão liberadas.

Cada missão começa com uma pequena introdução e aqui vale também ressaltar mais uma das falhas de Brink: o jogo não possui legendas. Nem em inglês. Outra grande falha da Splash Damage e, quem sabe, mais uma mostra do, em minha opinião, “falho foco no multiplayer”. Creio que atualmente, e devido a uma série de fatores, legendas em um game são essenciais. Mesmo quem possui um certo domínio do idioma inglês pode delas necessitar, e seria possível citar inúmeros motivos para tal. E que dizer, então, dos deficientes auditivos?

Games como Singularity, da Raven Software, por exemplo, foram muito prejudicados devido a isto. E olhe que Singularity é um ótimo game, com diversos elementos interessantes e, feitas as devidas ressalvas em relação ao estilo, ambientação, etc, é um game muito melhor que Brink, mesmo sem possuir as tais legendas.

Portanto, infelizmente, Brink é uma das maiores decepções de 2011, pelo menos para mim. Mesmo o sistema SMART (Smooth Movement Across Random Terrain), o qual permite pulos e movimentação aprimorados através da utilização de um único botão, não empolga. Jogar uma partida cooperativa online de Brink pode até ser mais divertido, mas aí me lembro de um certo detalhe muito importante para mim: sempre espero primeiro obter tudo o que posso da experiência singleplayer de qualquer jogo, e em Brink isto é quase que inexistente, ou melhor, totalmente desmotivante, e o que vemos neste sentido no game é uma mera cópia daquilo para o qual ele foi realmente projetado: experiências cooperativas online.

Brink também conta com uma modalidade de jogo chamada “Challenges”. Aqui, você pode participar de alguns desafios, tendo em vista ganhar algumas recompensas “in-game”. Até um tower defense está incluso, no qual você deve combater ondas e mais ondas de inimigos. Em relação aos gráficos, os de Brink estão muito inferiores àquilo que todos esperávamos. Serrilhados, texturas que não surpreendem e ambientes com pouca definição.

O único destaque fica para as faces dos personagens, mas isto, como sabemos, de nada adianta em um FPS. Depois de jogar Homefront, Call of Duty: Black Ops, Crysis, Crysis 2, etc, você pega Brink para jogar e sente uma queda de qualidade enorme. E em diversos aspectos: jogabilidade, gameplay, diversão, gráficos, etc. Infelizmente, desta vez, tenho de admitir que a Bethesda “nos brindou” com um título onde houve muita promessa e pouca qualidade. Nada mais.

Ao final de algumas horas jogando Brink, a primeira conclusão à qual cheguei é que se trata de mais um jogo focado no multiplayer lançado no mercado. Com diversos extras, é claro, muitos deles interessantes e inovadores, de certa forma, mas que em nada ajudam a empolgar o jogador. Você é um protagonista sem nome, realizando missões primárias e secundárias que muitas vezes são cansativas, sendo que o próprio ambiente do jogo é cansativo e repetitivo.

Outra conclusão à que cheguei é que Brink poderia ter sido muito melhor. Existe muito potencial não explorado ali, e isto é algo triste de se notar. As quatro missões “What if (E se…)”, aliás, podem também ser aqui utilizadas para tentarmos obter uma idéia do que Brink poderia ter sido.

Se houvesse realmente uma distinção bem clara entre o modo solo e o online, se a campanha fosse menos repetitiva e explorasse mais o personagem, se o esquema de cumprir missões no modo solo fosse substituído por uma campanha real, com eventos interessantes e diferentes de simples missões “arma isso”, “desarma aquilo”, “planta isso”, “fecha aquilo”, “protege aquilo outro”, “escolta fulano”, etc, Brink poderia ter sido um grande game. É realmente uma pena.

Conclusão

Brink permite realmente grande liberdade ao jogador, mas se perde em meio a um emaranhado de idéias que, juntas, não funcionam. Acredito também que a Splash Damage e a Bethesda falaram muito e fizeram pouco. Brink pode causar problemas a um gamer desavisado que, de repente, o compre sem saber do que se trata, levando em consideração apenas trailers e imagens. Brink também mostra que, mais do que nunca, todo game deveria possuir uma demo.

Ficha técnica

Título: Brink
Gênero: Ação / FPS
Desenvolvedora: Splash Damage
Distribuidora: Bethesda Softworks
Data de lançamento: 10 de Maio de 2011
Plataformas: Xbox 360, PC e Playstation 3
Versão analisada: PC

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