A Treyarch sempre consegue colocar muito mais drama e grandes pitadas de “elemento humano” nos Call of Duty que desenvolve, e isto não foi diferente com Call of Duty: Black Ops. O game é espantosamente dramático, envolvente e frenético, do início ao fim. O jogo consegue deixar o gamer empolgado em todos os momentos, sem nenhum minuto sequer de alívio, e isto não resulta em um game cuja ação e/ou violência estejam fora de contexto: muito pelo contrário.

Call of Duty: Black Ops contém ação, violência e realidade na dosagem certa. Trata-se de um game que supera Modern Warfare 2 no quesito imersão, e conta com mais elementos chocantes. Se em MW2 tínhamos a fase “No Russian”, em Black Ops somos brindados com elementos chocantes que são inseridos em meio à história de forma tal que não existem sobressaltos quando eles aparecem. Pelo menos, não além daqueles originados da violência e do extremo realismo necessários que ocorrem em tais momentos. Call of Duty: Black Ops é um dos melhores FPS’s que já joguei até hoje.

A experiência que ele proporciona consegue fazer com que você o finalize e a partir daí sinta a vontade de iniciar tudo de novo, quem sabe em um nível de dificuldade maior, pois é impossível não sentir vontade de “viver” tudo aquilo novamente. De sentir aquele frenesi da batalha. De viver o clima tenso da guerra fria. De agir muitas vezes “na surdina”. O título impressiona, desde seus menus onde vez ou outra as vozes dos interrogadores se fazem ouvir. Se você ainda não jogou, faça este favor a você mesmo: inclua o game em sua wishlist, pelo menos.

História

Você, na maior parte do game, encarnará Alex Mason, agente da CIA que logo no início do game está em uma missão em Cuba, missão esta que tem por objetivo matar Fidel Castro. O game na verdade se alterna entre as “memórias jogáveis” de Mason e os momentos em que ele passa em uma espécie de sala de tortura, com dois interrogadores sempre ocultos e utilizando um dispositivo para disfarçar a voz lhe fazendo perguntas sobre algo que você teima não saber.

Na verdade, estas idas e vindas, estes momentos na sala de tortura, digamos, e a ação, própriamente dita, formam um enredo muito bem elaborado. Tudo tem um porquê, e é preciso chegar até o final do game, é claro, para saber realmente o que aconteceu com você, o porquê de você estar ali naquela sala escura amarrado, etc. É preciso paciência e muita atenção na história, para entender todos os pequenos detalhes que a Treyarch inseriu na história de Call of Duty: Black Ops.

Existem alguns companheiros que lhe acompanham no decorrer do gameplay, se alternando entre uma missão e outra: Joseph Bowman, Frank Woods, Jason Hudson e Grigori Weaver são alguns deles. Todos agentes da CIA e/ou de outros grupos ligados à inteligência do governo norte americano. A história é densa e tensa. Tudo se inicia em 1961, em Cuba, na missão que eu mencionei acima, a qual tem por objetivo matar o ditador cubano. Já a partir desta missão você tem uma idéia do que está por vir, pois ela já mostra toda a violência e a crueza com as quais a Treyarch tratou a guerra e aquela época da história em especial.

Existe uma opção no menu que permite que você “desligue as cenas chocantes”, mas em minha opinião isto tira o realismo do game. Deixando-a ligada, entretanto, espere por cenas de torturas bem pesadas, soldados matando sem remorso, facas sendo utilizadas com grande destaque e sangue, muito sangue. Call of Duty: Black Ops é chocante, belo, e cru. Não espere por batalhas não sangrentas. Mas espere por muito realismo.

É interessante o fato de quase sempre você agir junto com outro companheiro, tendo de o seguir ou então tomando a dianteira, e ao mesmo tempo, é notável o nível de imersão que a história proporciona. Apesar de fictícia, possui elementos que poderiam muito bem compor um hipotético livro de história atual. Vale ressaltar que apesar do elemento “vamos salvar o mundo” estar ali, ele não foi introduzido de uma forma piegas. A arma de destruição em massa criada pelo alemão Steiner em comunhão com os russos Dragovitch e Kravchenko não é surreal. A maneira através da qual eles estavam tentando derrubar os Estados Unidos não era nada impossível, e todos os meios e métodos utilizados possuem grandes conexões com a realidade.

O game se utiliza de elementos históricos, de momentos da história da humanidade, para criar toda uma história fictícia que poderia muito bem ter sido verdade. Existe extrema coesão no enredo de Call of Duty: Black Ops, de maneira tal que você se sente preso ao gameplay e suas 7 – 8 horas de jogo não se tornam de forma alguma cansativas. O próprio Mason, o protagonista, é um verdadeiro mistério, e somente nos momentos finais você irá descobrir realmente os verdadeiros “porquês”.

Mason passou maus bocados em uma prisão russa chamada Vorkuta, após a missão em Cuba. O relacionamento dos cubanos com os soviéticos é demonstrado de forma bem clara no jogo, e Vorkuta seria, digamos assim, o local onde todos os problemas do Mason começaram. Problemas que o acompanham até a penúltima missão, e que continuam atrelados a seus interesses até aí, bem como “missões” que se levadas a cabo trariam consequências desastrosas para o mundo inteiro. Não é fácil escrever a respeito de um game como este, falando de sua história, sem deixar escapar algum spoiler, portanto, não vou entrar em muitos detalhes.

Em Vorkuta você conhece um russo chamado Viktor Reznov, o qual se torna meio que uma “sombra em seu caminho”. A verdade a respeito de Reznov somente será revelada, também, após a penúltima missão, mas vale ressaltar que, como todo o enredo do game, ela é também surpreendente. Fico imaginando o cuidado que tiveram com a história deste título, e em como ela é mais intrincada e pesada do que a do Call of Duty lançado no ano passado, Modern Warfare 2. Me parece que a Treyarch possui muito mais capacidade de entregar ao jogador um enredo denso do que a Infinity Ward, aliás.

Rebeliões, aparição de figuras ilustres como por exemplo o presidente JF Kennedy e o próprio Fidel Castro, o Mason e os estragos que a lavagem cerebral em Vorkuta causaram em sua mente, as idas e vindas ao passado e os retornos aos diálogos com o interrogador na sala de tortura são todos elementos que formam um conjunto muito impactante. Não é cansativo, entretanto, o modo como a ação se desenrola, sem parar. Isto porque existem os momentos para as explicações. Para os diálogos entre o interrogador e o Mason amarrado à cadeira com um vidro de soro suspenso.

Trata-se da tensão da guerra fria retratada em sua forma mais fria e sinistra. Trata-se de um game que provoca diversas surpresas no decorrer de seu gameplay. Call of Duty: Black Ops não possui nada gratuito, nada está ali simplesmente por estar, desde a sala de interrogação até o navio Rusalka, o qual continha todos os “ingredientes” para deflagrar um enorme caos pelo mundo.

Jogabilidade

A jogabilidade é agradável, lembrando que a versão que analisei foi a para PC. Os controles são simples e o único detalhe que achei que poderia ter sido melhorado é em relação ao manuseio das armas. Você não sentirá grande diferença nem tampouco experimentará muitos problema no tiro subsequente, independentemente do calibre ou da arma que esteja utilizando. O “tranco” é quase que inexistente, na prática, e é muito fácil continuar mirando e acertando os tiros nos alvos.

No restante, é o “feijão com arroz” de todo e qualquer FPS que se preze, sendo que no PC temos a grande vantagem do conjunto teclado + mouse oferecer muito mais precisão. Sem muito a dizer aqui, além disto.

Jogando Call of Duty: Black Ops

Call of Duty: Black Ops não é um game que enjoa fácil, mesmo no modo campanha. O jogador passará por diversos lugares: Cuba, Hong-Kong, Vietnã, Russia e Laos, sendo que muitas vezes “visitará” diferentes locais de cada um destes países. A variedade de missões e cenários é vasta, e o gamer experimentará diversas sensações. Pilotar uma moto, um tanque de guerra, um caça stealth, um barco, um helicóptero e um jipe também faz parte do pacote.

Aliás, fica qui o detalhe para o helicóptero: é uma experiência fantástica pilotar um deles e atirar contra alvos terrestres ou aéreos. Vale ressaltar que “combates entre helicópteros” também ocorrem, e em determinados momentos você pode ser apenas o cara que manuseia as armas em um veículo, e não o seu motorista. Isto fornece uma enorme variedade de sensações que o jogador pode experimentar, o que contribui para tornar a experiência muito mais rica. Estamos falando de um game que fornece ao jogador diversos “pontos de vista” e diversas “opções” para que este “deguste” o gameplay da maneira mais imersiva e completa possível.

Uma das fases que mais impressionam é a do Vietnã. Você chega a se assustar ao olhar por sobre as trincheiras e ver a enorme quantidade de inimigos que está vindo em sua direção. Aviões bombardeando os campos de batalha também causam dificuldades enormes aos jogadores, pois a poeira e a sensação de que tudo está tremendo atrapalham bastante o caminhar, o mirar e o atirar.

Você também “praticará” rapel, tendo o controle de toda a movimentação, e poderá morrer se fizer algo errado. O impacto de receber uma ordem direta do presidente Kennedy para matar o russo Dragovich, em Baikonur, na Rússia, também fornece um peso imenso ao enredo. Esta conversa com o JFK é de certa forma memorável, pois você, um “simples” agente da CIA está ali no pentágono, frente a frente com o presidente, ouvindo o mesmo dizer que você é o melhor que eles têm, etc. Isto se mostra meio que uma faca de dois gumes, na verdade, depois que se sabe a respeito do “elemento Vorkuta”.

É interessante o modo como a história é contada, com diversas idas e vindas ao/do passado. O jogador, entretanto, não consegue perder o fio da meada durante o período em que transcorre a história: de 1961 a 1968. Isto é reforçado através da maneira brutal como a história é contada. Não há meio termo: se algum inimigo precisa morrer, ele morrerá, não importa se ele é homem ou mulher, nem tampouco onde ele está e/ou qual arma será utilizada. A guerra é retratada aqui de maneira não cruel, mas real, afinal, ninguém acha que entre um combate e outro os inimigos trocam mensagens de felicitações, não é? A crueldade vem do elemento sendo retratado, e não foi introduzido gratuitamente no jogo.

O foguete Soyuz em Baikonur impressiona, não apenas graficamente, mas sim pelo que ele representa naquele momento. É como se ele fosse um ícone do mal que estava prestes a ser deflagrado. Call of Duty: Black Ops conta também com diversas missões onde um grande elemento stealth está presente. Existem momentos em que você deve andar nas sombras, e em uma das missões, você veste as roupas de um soldado russo que matou, para poder se infiltrar. A ação no Vietnã é dramática e a água é elemento sempre presente. Combater nos túneis, no Vietnã, é, além de uma experiência extremamente claustrofóbica, algo indescritível, pois os inimigos surgem em cada curva e saltam sobre você com enorme fúria.

Tomar um monte de assalto no Vietnã é algo assombroso. Corpos rolam, aliados são abatidos ao seu lado, e inimigos e mais inimigos vão aparecendo e descendo, enquanto você procura por abrigo para poder disparar alguns tiros. Não existe a mínima possibilidade de enjoar do gameplay, durante o modo campanha, pois a enorme variedade de situações em que o game te coloca é algo surpreendente.

Você pode ser deixado para trás, também, e ver os feridos serem resgatados primeiro enquanto você enfrenta uma horda após outra de soldados russos, por exemplo, cada vez mais sedentos pelo seu sangue. A arma química Nova 6, desenvolvida pelo nazista Steiner, é o elemento que coloca os norte americanos em polvorosa, pois eles sabiam de seu enorme poder de destruição em massa e também a respeito do quão empenhados estavam os russos em lançarem um ataque maciço sobre os Estados Unidos. É claro que sua missão final é impedir este ataque, quebrando a qualquer custo a “coleira” que lhe foi colocada em Vorkuta.

Outros modos de jogo

No multiplayer de Call of Duty: Black Ops, além dos perks, também é possível ganhar dinheiro, o qual posteriormente pode ser utilizado para a compra de armamento, etc. Existem 8 modos de jogo: Team Deathmatch, Free-for-all, Search & Destroy, Domination, Headquarters, Demolition, Capture the Flag e Sabotage.

Existe também o Zombie Mode, modo para o qual torci o nariz no início mas que se mostrou muito divertido. Basicamente é aquela velha história de sobreviver a uma horda após a outra de zumbis. Na verdade, soldados mortos, pelo que parece, que se transformaram em zumbis, infelizmente. É muito divertido. Você pode reconstruir barreiras e precisa também ficar atento à sua munição e ao dinheiro que possui, para a compra de “bebidas” que lhe permitem reviver.

Gráficos e trilha sonora

Gráficos surpreendentes. Belíssimos. O suor no rosto dos personagens é perfeitamente perceptível, e cenários como o Vietnã e Hong-Kong, por exemplo, fornecem o que de melhor se pode extrair em termos de beleza, do game. A chuva é maravilhosa, e a água dos rios do Vietnã permite que se observe em detalhes o cuidado que a Treyarch teve para com este elemento. Ondulações são perfeitamente perceptíveis conforme se anda ou se nada, ou até mesmo de acordo com o navegar do barco.

A chuva em meio à selva, ou os pingos d’água nos rios representam visões belíssimas, e é bem possível perdermos bons minutos apenas observando. As armas possuem um aspecto tão realista que chega a nos assustar. Refletem a luz de uma maneira tão perfeita que chega a parecer algo cinematográfico. No círculo ártico você se depara com o gelo, é claro, e a névoa gelada consegue, de certa forma, nos fazer sentir frio, tão real e belo é seu aspecto.

A vegetação possui um aspecto muito bonito, também. A folhagem atinge quase o mesmo nível de realismo que Battlefield: Bad Company 2, e a qualidade das texturas é enorme. A desenvolvedora não poupou esforços, e nos entregou um jogo que é um verdadeiro primor.

A trilha sonora é belíssima e variadíssima. Vai desde Sympathy For The Devil, dos Rolling Stones, até orquestra, coros, guitarras, baixo e música eletrônica, como em Hong-Kong, por exemplo, onde uma batida eletrônica se “casa” de forma perfeita com guitarras, para fornecer o pano de fundo musical perfeito para ação rápida e frenética que ali acontece.

Diversos elementos do cenário são destrutíveis, e é possível sentir o efeito dos bombardeios se você estiver dentro de uma casa. Em Cuba, por exemplo, a mansão de Fidel Castro estremece totalmente. Os lustres balançam e quase vêm ao chão, quadros caem das paredes, móveis se deslocam, e o gameplay fica, além de mais intenso, mais difícil.

O sol, o entardecer, a poeira, as núvens e o próprio solo ajudam a formar um belíssimo conjunto que pode fazer com que o jogador passe bons minutos o observando. É mais do que digno de nota o esforço da Treyarch em criar um game o mais realista possível, tanto nos aspectos gráfico e sonoro quanto em relação ao seu enredo.

Conclusão

Call of Duty: Black Ops é uma experiência de guerra completa. Um game que consegue passar toda a frieza e a tensão da guerra fria como nenhum outro. Um título que apesar de oferecer doses cavalares de ação ao jogador, não se torna cansativo devido à enorme e empolgante variedade de experiências que oferece, durante o gameplay.

Ficha Técnica

Título: Call of Duty: Black Ops
Gênero: Ação
Desenvolvedora: Treyarch
Distribuidora: Activision
Data de lançamento: 09 de Novembro de 2010
Plataformas: PC / Xbox 360 / Playstation 3
Versão analisada: PC

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