Apesar de pertencer a uma série que conta com lançamentos anuais que muitas vezes repetem fórmulas já velhas conhecidas, Call of Duty: Modern Warfare 3 é um jogo interessante e divertido, apesar de tudo. Ele começa exatamente do ponto onde Modern Warfare 2 terminou, e mostra logo de início o Soap, ferido, sendo carregado às pressas pelo Capitão Price e por Nikolai. O soldado não está nada bem, vale ressaltar, e enquanto buscam por um médico, o mundo parece desabar em torno dos 3 soldados.

Modern Warfare 3 não é muito diferente de Modern Warfare 2, quase que em todos os aspectos. Seu valor principal pode, entretanto, estar no fato do título nos apresentar o final da “saga de terror” promovida pelo russo Vladimir Makarov. Isto por si só já deve agradar bastante aos fãs da franquia, principalmente porque a campanha do jogo é repleta de momentos impactantes. Alguns deles verdadeiramente tristes, na verdade.

Não percebi grandes melhorias gráficas no jogo, entretanto, e continuo dizendo, aliás, que prefiro Call of Duty: Black Ops, lançado em 2010, a Modern Warfare 3. Joguei ambos (MW3 e Black Ops) no PC, e chego a dizer até que os gráficos de Black Ops são muito mais bonitos. Isto não quer dizer, entretanto, que o novo título da Infinity Ward e da Sledgehammer Games faça feio. Muito pelo contrário. Em relação à história, podemos dizer que MW3 nos apresenta algo também já conhecido: “vamos todos pegar em armas e salvar o mundo”, basicamente, com alguns detalhes extras bem interessantes, também.

Trata-se de um jogo bonito, o qual não requer uma máquina “parruda” para rodar, e que conta com cenários bem diversificados. Achei muito bonito, aliás, o design das armas do jogo. Todas parecem extremamente realistas, incluindo o som dos disparos. Além disso, quando a ação ocorre na água ou na chuva é impossível não observarmos o espetáculo com atenção. Eu, que presto bastante atenção nestes dois elementos em qualquer game, fiquei vários minutos observando a chuva, em Praga. O céu nada amistoso e os frequentes relâmpagos ajudaram bastante a reforçar o clima de tensão.

Passei por alguns problemas bem chatos com Modern Warfare 3, entretanto. Primeiro foram os travamentos relativos ao executável do game, o iw5sp.exe. Cheguei até a abrir um chamado na Activision, porém, como bem disse o leitor João, a resposta da Activision (solicitando o arquivo .TXT com as informações da Ferramenta de Diagnóstico do DirectX) chegou depois da resolução do problema. E para resolvê-lo, apesar de minha máquina possuir configurações acima das recomendadas para o jogo, tive de alterar as opções gráficas do jogo, de “Extra” para “High“. Não sei o porquê disto acontecer, nem tampouco corri atrás de explicações. Segundo dizem, até, a diferença entre o “Extra” e o “High” em MW3 é mínima e, assim sendo, deixei como estava.

Depois passei por um outro problema que achei um tanto quanto ridículo e que, apesar de tudo, aparenta ser mais um bug sem solução (pelo menos até o momento em que escrevo esta frase). Na fase em Hamburgo o jogo travava sempre no mesmo local. Eu tinha ao meu lado um tanque aliado e um ônibus destruído à frente, o qual também servia de refúgio para soldados russos. Ao tentar avançar pela rua, o erro  “reliable command buffer overflow” ocorria, e o game era fechado. Após algumas pesquisas, descobri que a solução era não avançar pela rua, e sim através de um prédio na lateral direita da rua, quebrando algumas vidraças. Estranho, não?

Problemas “técnicos” à parte, Call of Duty: Modern Warfare 3 é um bom jogo. Há uma certa variedade de personagens jogáveis, como já de praxe na série. Você encarnará o Sargento Derek Frost, o ex-Spetsnaz Yuri, o agente russo Andrei Harkov, o Sargento Marcus Burns, da SAS, e até mesmo o Capitão Price. É interessante o fato de encarnarmos diversos personagens, inclusive alguns personagens “do outro lado”, principalmente porque o game nos faz perceber que a Terceira Guerra Mundial ali representada na verdade aconteceu devido à loucura de poucos homens.

O próprio Price logo no início menciona que nem todos os russos são malucos como o Makarov, e isto será percebido pelo jogador de forma bem forte no decorrer do jogo. Modern Warfare 3 é um jogo cuja campanha é tão frenética quanto seu modo multiplayer. A ação jamais pára. Inimigos chegam de todos os lugares, utilizando armamento e equipamento de diferentes calibres e tipos. Isto até mesmo ajuda a reforçar a sensação de conflito mundial, e o jogador se sentirá realmente no meio de uma grande catástrofe em andamento.

Existem até mesmo alguns momentos no game que me lembraram de Battlefield: Bad Company 2. Em uma determinada fase de MW3, o Price planta uma carga de explosivos em uma parede, para abrir passagem, e dá o detonador na mão do Yuri. Ele pede para que o Yuri utilize o próximo trovão (está chovendo muito), quando este ocorrer, para encobrir o barulho. Isto me lembrou da fase em  Bad Company 2, no meio da chuva, quando tínhamos de proteger a equipe no terreno mais abaixo com o rifle sniper, atirando nos inimigos somente durante a ocorrência de cada trovão.

Existe também “algo de stealth”, mesmo que pouco, em Modern Warfare 3. Em Praga, na República Checa, você pode ser detectado mais rapidamente caso não tome as devidas precauções, ou então nadar escondido, por baixo das docas, enquanto observa a ação dos guardas, inclusive a execução de civis inocentes.

Óculos de visão noturna também proporcionam momentos bem interessantes, ainda em Praga. Na escuridão de uma prisão somente o jogador e seu grupo possuem esta vantagem, portanto, é possível matar muitos inimigos sem que eles cheguem a perceber de que direção você está vindo. Modern Warfare 3 proporciona um momento muito especial ao jogador, ligado à fase “No Russian“, de Call of Duty: Modern Warfare 2. Foi uma ótima sacada das desenvolvedoras inserir no título uma espécie de flashback que, inclusive, de certa forma, é jogável e permite que um certo personagem seja resgatado sem que seus salvadores saibam de suas ligações.

Trata-se de uma “volta ao passado” muito interessante, até mesmo porque este mesmo personagem em MW3, apesar de odiar Makarov no presente, trabalhou junto com o mesmo no passado. Esta ligação propicia até mesmo um momento bem tenso logo após um acontecimento extremamente triste no jogo. Não se pode dizer que a campanha de Modern Warfare 3 é insossa.  Ela possui, sim, personalidade, momentos de grande tensão, e também permite que o jogador experimente grande tristeza, em alguns momentos.

Seja devido ao que ocorre ao seu redor como um todo, seja devido à destruição que cresce cada vez mais, seja devido a acontecimentos envolvendo o próprio grupo de soldados que auxiliam os protagonistas em diversas missões ao redor do mundo. Um momento bem chocante, aliás, cujo protagonista é desconhecido, também acontece, e talvez tenha sido devido a ele, em especial, que logo no início do jogo você deve escolher entre visualizar ou não conteúdo perturbador ou ofensivo.

De qualquer forma, o tal acontecimento ao qual me referi logo acima é apenas um lembrete das inúmeras tragédias que podemos esperar de ações terroristas. A ação em Modern Warfare 3 ocorre em diversos locais do mundo. Índia, Nova Iorque, Serra Leoa (onde um grupo paramilitar comete atrocidades enormes contra civis), Londres (onde a estação de Westminster acaba virando um caos), Alemanha, Somália, Paris (onde até mesmo uma visita às catacumbas se faz necessária), Praga, Sibéria, Península Arábica, etc. Até mesmo em um avião em pleno vôo o jogador terá de sacar sua pistola.

Existem alguns momentos verdadeiramente fantásticos, no jogo, onde o mesmo aperta o botão de “rewind” sem fornecer muitos detalhes da situação e coloca o jogador no comando do protagonista alguns momentos antes. Tudo isto acaba culminando na situação que foi visualizada de relance, anteriormente, e ajuda bastante a manter o ritmo do game sempre frenético e dotado de uma certa aura de grandiosidade.

Algo sensacional, em Modern Warfare 3, é a ideia de “relatividade” imbuída no jogo. Bem ou Mal, inimigo ou amigo: tudo isto no final das contas pode ser relativo, e cada lado possui suas próprias motivações. Isto é ainda mais reforçado pelo “elemento Makarov” e seu trabalho sujo e 100% maléfico. A Infinity Ward e a Sledgehammer conseguiram criar uma trama que, creio eu, é a melhor da série Modern Warfare. Aqui existem muito mais surpresas, reviravoltas, momentos doloridos e tristeza. Tudo isto é acompanhado por uma trilha sonora que se ajusta perfeitamente a cada situação, e é sempre belíssima.

Não espere, entretanto, algumas das maravilhas vistas em Battlefield 3. Subir escadas na franquia da Activision continua sendo um “simples ato deslizante”. Pular obstáculos continua sendo algo simples ao extremo. Existem problemas também em relação ao ato de agachar e se arrastar (prone). Utilizei um bom conjunto “teclado + mouse” ao jogar Modern Warfare 3, mas mesmo assim em determinados momentos o jogo me jogava com tudo ao chão quando eu simplesmente queria me agachar um pouco.

A destrutibilidade de cenários continua no mesmo nível que já conhecemos nesta franquia, ou melhor, no mesmo nível dos títulos anteriores da mesma; nada daqueles momentos fantásticos de BF3, neste sentido. Utilizar o “Predator Drone”, entretanto, é sempre muito divertido, além de útil. Também é possível assumir o controle de uma metralhadora em um helicóptero, atirar em inimigos posicionados no topo de prédios e até mesmo derrubar helicópteros hostis.

Os militares, logo no início do jogo, se comunicando pelo rádio, mencionam que não podem perder Nova Iorque de forma alguma, e justamente nesta fase pude experimentar um dos momentos mais gratificantes do jogo. Tal situação envolve a infiltração em um submarino russo, o qual se encontra próximo à costa. Nem preciso dizer que o jogador agirá debaixo d’água por um certo tempo (inclusive com o apoio de uma equipe dos SEALS), terá de se infiltrar no tal submarino e chegar à ponte de comando.

O que acontece daí em diante é sensacional. Algo que a armada russa não esperava, é claro, e logo ao sair do submarino o jogador assume o comando de um pequeno barco e tem de participar de uma verdadeira e mortal corrida aquática, em meio a navios enormes, explosões, etc, com direito até a uma parada para atirar em russos posicionados em um navio que passa e começa a atirar. A ação como um todo, aqui, é muito dinâmica e divertida.

A variedade de missões e situações até que é bem interessante. Escoltar, matar alvos à distância, tiroteios pura e simplesmente, controle de “mini-guns” em alguns tanques, resgate, captura e interrogatório, etc. Há até mesmo a necessidade de lidar com as consequências de um ataque químico, o que torna tudo bem diferente, principalmente pela utilização da máscara necessária.

O terrorista Makarov é um personagem realmente detestável. Até mesmo sua voz soa de forma verdadeiramente nojenta, e o final do jogo seria memorável não fosse a presença dos (algumas vezes) malditos Quick Time Events (QTE). Me parece que em alguns jogos os desenvolvedores chegam a duvidar da capacidade do jogador ou até, quem sabe, chegam a tentar aliviar as coisas para fazer com que todos consigam finalizar o título.

Isto é algo muito ruim, dependendo da situação, do gênero do game, etc. Principalmente em um FPS, creio que teríamos de arcar com nossas falhas e habilidades o tempo todo, ou pelo menos em grande parte dele. Mas não são assim que as coisas ocorrem, infelizmente. Existem momentos que funcionam como uma espécie de compensação, é claro. Correr atrás de um cara chamado Volk, um dos “empregados” de Makarov, utilizando um furgão, é bem interessante, principalmente porque durante o “trajeto” diversos terroristas estão em sua cola, e você terá de gastar muitas balas.

Apesar da campanha de Call of Duty: Modern Warfare 3 ser mais longa e interessante que a de Battlefield 3, o título da DICE ganha com enorme folga quando falamos a respeito de multiplayer. O lado estratégico e de trabalho em equipe deste último me agrada bastante, e isto é sentido inclusive em sua curta campanha, a qual, como disse em meu review, é repleta de bons momentos.

Outros modos de jogo

Modern Warfare 3 trás o divertido modo de jogo “Special Ops”, o qual permite partidas solo ou cooperativas, e o multiplayer que talvez seja o elemento que mais atrai jogadores para a franquia. O novo modo de jogo “Kill Confirmed“, no qual os jogadores devem recolher “dog tags” dos inimigos mortos, para pontuação, é muito interessante e divertido

O próprio multiplayer como um todo parece estar mais balanceado, e 16 mapas já estão à disposição. Isto sem contar com os mais de 15 modos de jogo diferentes. Tudo isto certamente fornecerá muitas e muitas horas de diversão a quem adora se envolver bastante em partidas multiplayer com jogadores do mundo todo, ou até mesmo do Brasil, como ocorreu comigo, ontem à noite, em uma “quick match”.

Conclusão

Call of Duty: Modern Warfare 3 é um bom jogo, apesar de suas falhas, apesar de não trazer nada de novo ao gênero FPS, e de ser mais um produto pertencente a uma franquia que, a cada ano, nos “brinda” com “notícias de novas copiadoras que utilizam toners vencidos”. Entretanto, a experiência é divertida. O jogo empolga em diversos momentos, seus gráficos são muito bonitos e o terror de uma Terceira Guerra Mundial é muito bem demonstrado. Se você gosta de FPS’s e/ou gosta da série, talvez este seja o melhor Modern Warfare que você irá jogar.

Nota

7/10

Ficha Técnica

Título: Call of Duty: Modern Warfare 3
Gênero: FPS / Ação
Desenvolvedora:  Infinity Ward e Sledgehammer Games
Publisher:  Activision
MSRP: US$ 59,99
Data de lançamento: 08 de Novembro de 2011
Plataformas: Xbox 360 / Playstation 3 / PC
Versão analisada: PC

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