Capsized é um interessantíssimo game desenvolvido pela Alientrap Games. Trata-se de um shooter em 2D repleto de belos ambientes, desafios e inimigos estranhos. Confesso que o jogo me envolveu bastante, durante suas 12 missões. Fico abismado e não sei como um jogo desses pode custar apenas US$ 9,99, tamanha a diversidade de elementos cativantes que podemos nele encontrar. Seus gráficos, juntamente com sua trilha sonora, tornam a imersão muito fácil, e o game em si é muito charmoso.

Em Capsized, sua nave caiu em um misterioso planeta. Tudo isto é relatado através de bonitos trechos em estilo cartoon, sem diálogo algum. E você entende tudo perfeitamente, tamanha a beleza e, ao mesmo tempo, a simplicidade da “muda narrativa”. Caindo no tal planeta, você deve viajar pelo mesmo em busca de diversas coisas. São objetivos que podem ir desde resgatar seus amigos até, por exemplo, matar estranhas criaturas chamadas, no game, de “Priests”. Estes contam com “poderes gravitacionais” que podem atrair diversos objetos do cenário em sua direção, e se você estiver no caminho, é dano na certa.

Existem diversos itens que tornam Capsized um verdadeiro “must have” para quem aprecia games estilo plataforma. Para quem gosta de um ótimo game em 2D. Capsized permite muita exploração. Sempre existem caminhos diferentes para um mesmo objetivo, e ao percorrer estes diversos caminhos você pode se deparar com diversos itens: armas, munição, segredos, vidas extras, etc. Sim, em Capsized você conta com vidas extras que fazem com que, ao morrer, você volte ao último checkpoint. Mas, se todas estas vidas extras se acabarem, você terá de reiniciar a fase. Achei este detalhe muito bacana, e em minha opinião isto representa meio que um retorno aos bons tempos em que os games eram mais desafiadores.

A ação, é claro, se inicia no local onde a nave caiu. A navegação entre os níveis se dá através de pontos que vão sendo exibidos sobre o planeta desconhecido, à partir de uma “visão espacial”. Todos os ambientes em Capsized são repletos de, como eu poderia dizer… vida! Muitos elementos do cenário estão em constante movimento. Existem plantas. Árvores esquisitas. Objetos aparentemente largados às pressas. Criaturas exóticas. Entulho. Coisas estranhas. Monstros. Criaturas que utilizam armaduras, etc.

Todo este “universo borbulhante”, aliás, me faz lembrar de Trine. É um mundo, de certa forma, “vivo na tela de seu computador”. Vale ressaltar que, apesar da página do game no Steam dizer que ele possui suporte a controles, não consegui fazer com que meu joystiq (Xbox 360) funcionasse de forma alguma. Quem sabe em um futuro update. Mas confesso que também não senti falta alguma do joystiq. E o jogo possui suporte a Steam Achievements, Steam Cloud, etc. Trata-se de um belíssimo e único indie game, o qual certamente, com sua arte peculiar e bonita, desenhada à mão, pode proporcionar muitos bons momentos de diversão a muitos gamers.

O pequeno protagonista sem nome conta com diversos itens para ajudá-lo em sua missão. Existe o “Hook”, uma espécie de gancho energético através do qual ele pode tanto se pendurar nas paredes e, assim, sucessivamente, alcançar locais mais altos, quanto arrastar e erguer os mais diversos objetos. Existe também o Gravity Ram. Através dele, o qual é ativado com o botão de scroll do mouse, você pode utilizar um formidável impulso.

Este impulso pode tanto ser utilizado para lançar o personagem ao ar quanto para lançar rochas e outros objetos nas mais diversas direções. Você pode matar inimigos através do Gravity Ram, também: lance uma rocha contra algum deles e observe o resultado. Durante o gameplay, você vai coletando diversas armas e munição para as mesmas, além de blocos de energia vital e combustível para seu jetpack. Sim, você possui um jetpack e pode voar pelos ares, desde que o mesmo esteja abastecido com combustível suficiente.

Este título da Alientrap Games esconde, sob sua “capa” de shooter em 2D, muitos puzzles e elementos de um physics-based game. Digamos que os puzzles estão inseridos no jogo de forma natural. Não há nada que sirva de antecipação aos mesmos. Simplesmente eles estão ali e você pode resolvê-los, das mais diversas maneiras possíveis, ou então procurar outro caminho, quando disponível. A física também é bem apurada, e muitas vezes pode ajudar a causar sua morte.

Capsized também possui muitos elementos destrutíveis no cenário, e muitos deles impedem o acesso a determinadas áreas, a não ser que você os elimine. Cada nível no jogo conta com uma espécie de avaliação ao final, através da qual é exibido um relatório contendo a quantidade de inimigos que você matou, quanto tempo demorou para terminar a fase, quantas vezes você morreu, quantos segredos encontrou, etc. Informações muito interessantes, aliás.

Quando a luz se apaga, você pode ativar uma prática lanterna e iluminar o seu caminho. Isto torna o ambiente ainda mais misterioso e belo, vale ressaltar. A quantidade de itens que se movem em tela é meio que surpreendente, e o próprio chão é composto de uma miríade de pequeniníssimos itens. Foi realmente tomado um cuidado muito grande na direção artística deste título.

Seu armamento também é muito interessante. Sua arma “sempre presente”, a qual possui munição ilimitada, é a “Blast Carabine”. Mas existem outras, inclusive uma que lança uma espécie de morteiro. E todas as armas possuem um modo de tiro secundário, o qual é ativado com o botão direito do mouse. Este modo de tiro alternativo, aliás, é sempre mais poderoso, mas gasta mais munição. Portanto, use com cautela.

Algo muito engraçado aconteceu comigo. Engraçado porque sofri um pouco. Isto, no entanto, mostra um pouco das “possibilidades” e dificuldades de Capsized. Existem, em uma determinada fase, ídolos alienígenas que devem ser destruídos. Eles possuem, entretanto, um campo de força ao seu redor que repele seus tiros. Confesso que demorei um certo tempo até descobrir como destruí-los. E isto se deu (pode ser que haja algum outro jeito) através do lançamento de rochas contra os tais ídolos, utilizando o Gravity Ram e o Hook. Um processo bem penoso, aliás.

É possível também usar o Gravity Ram para retirar uma rocha muito pesada do caminho. Uma rocha que seja muito pesada para o “Hook”, digamos. Feito isto, basta utilizar o “laço energético” e seguir o seu caminho. Existem alguns itens que o protagonista encontra pelo caminho que podem fornecer “poderes temporários”, como por exemplo, invencibilidade, campo anti-gravitacional, etc. O lado “physics-based game” de Capsized também é muito bacana, e a física é muito bem apurada. Determinadas rochas não possuem peso adequado para o “Hook”, outras são leves demais e são erguidas facilmente.

Em alguns momentos você pode sentir a diferença entre voar livremente através da utilização do jetpack, ou voar meio que “amarrado” enquanto carrega um companheiro recém resgatado. O estranho planeta parece conter restos de alguma antiga civilização, e existem rochas com estranhas marcas pelo caminho.  Algumas delas podem ser bem grandes e pesadas, e podem estar obstruindo alguma passagem pela qual você precisa passar. É muito interessante sentir a tensão exercida pela interação entre a rocha e o laço, e vale ressaltar que o tempo entre o início da movimentação do objeto em questão sempre varia conforme o peso da rocha.

É muito interessante também a impressão que se tem de estar-se dentro de um traje espacial. Conforme você vai sofrendo danos, a tela de seu computador vai refletindo o seu estado, em uma espécie de “visor virtual”. Você pode observar manchas de sangue no vidro, e até mesmo rachaduras no mesmo.

Capsized conta com, além do modo campanha, uma série de outros modos de jogo. Existe o “Both Match”, no qual você deverá enfrentar bots, é claro. Existe também um modo “Time Trial”, onde você deverá sempre buscar por oxigênio para prosseguir. No modo “Survival” é onde você deverá enfrentar uma horda após outra de inimigos. “Armless”: fique avisado – nada de armas. Já imaginou? Através do modo “Duel”, você poderá jogar contra um amigo, em tela dividida.

Conclusão

Capsized é um dos melhores indie games dos últimos tempos. Viciante, belíssimo, barato e repleto de detalhes que enchem os olhos. Sua trilha sonora “ambiental” aumenta ainda mais a imersão, e é bem provável que o jogador se esqueça do tempo, e jogue por horas e horas a fio. Recomendadíssimo. Só não se engane: é um game bem desafiador.

Ficha Técnica

Título: Capsized
Gênero: Ação / Plataforma
Desenvolvedora: Alientrap Games
Distribuidora: Alientrap Games
Data de lançamento: 29 de Abril de 2011
Plataformas: PC
Versão analisada: PC

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