(Review) Castlevania: Lords of Shadow 2

Na pele de Drácula, o Príncipe das Trevas, temos, em Castlevania: Lords of Shadow 2, uma sensacional aventura, a qual merece ser experimentada. Temos aqui um jogo extremamente divertido e que consegue nos manter presos até seu final, apesar deste último não ser bem aquilo que eu esperava. Poderia ser um jogo melhor, claro. Muito melhor. Mas não posso dizer que a experiência de jogar o último título da MercurySteam foi ruim. Muito pelo contrário.

Castlevania: Lords of Shadow 2

O último Castlevania tem lá seus problemas, como qualquer outro título, mas também tem suas (muitas) qualidades. Drácula acorda após um longo sono. Séculos e séculos se passaram, e seu “velho amigo” (veja no primeiro Castlevania: Lords of Shadow), Zobek, precisa de sua ajuda.

Satã, derrotado por Gabriel Belmont, agora Drácula, no jogo anterior da franquia, está retornando, e diversos acólitos estão em meio aos preparativos para sua chegada. Satã também deseja vingança, e Zobek alerta Drácula a respeito do sofrimento eterno e terrível reservado a eles dois, caso tudo dê certo para o demônio. Zobek, sim, aquele mesmo do primeiro LoS, também faz uma oferta irrecusável ao vampiro: a morte, o descanso eterno que ele tanto deseja, através do uso da Vampire Killer, a Cruz de Combate uma vez utilizada por Gabriel.

Castlevania: Lords of Shadow 2

Ficha técnica

Título: Castlevania: Lords of Shadow 2

Gênero: Ação e Aventura

Desenvolvedora: MercurySteam

Publisher: Konami

Data de lançamento: 25 de Fevereiro de 2014

Plataformas: PC, Xbox 360, Playstation 3

Versão analisada: PC

Drácula acorda em um mundo sombrio, no qual acólitos de satã operam grandes empresas e instituições, incluindo várias indústrias e organizações financeiras, além de estarem infiltrados na política e na religião. Tudo faz parte da tal preparação. O mundo, em Castlevania: Lords of Shadow 2, é mais aberto.

Podemos perambular pelos ambientes mais livremente, sendo inclusive possível retornar a áreas anteriormente visitadas e, vez ou outra, combater algum inimigo menos importante já derrotado (o que pode ser bom ou ruim, dependendo do jogador). Contamos também com uma “loja” para a compra de itens, relíquias, etc. Trata-se da loja do Chupacabras (você deve se lembrar desta criaturazinha irritante, do primeiro LoS): mas não se preocupe, você só gastará recursos ganhos dentro do jogo.

Logo aqui neste início temos um dos elementos mais interessantes do jogo. Um elemento que pode passar despercebido pela grande maioria dos jogadores, e que nos últimos capítulos se mostra uma grande sacada. Uma revelação e tanto. Ou melhor, uma dica, ou uma espécie de antecipação.

Castlevania: Lords of Shadow 2

Drácula sai em busca, digamos, de alimento. Seu corpo envelhecido e fraco não serve para nada frente aos desafios que ele espera encontrar pela  frente. Em um beco, ele se depara com uma criatura monstruosa que o derruba facilmente. Neste momento, um guerreiro envergando uma armadura negra entra em ação rapidamente e dá cabo do demônio.

Castlevania: Lords of Shadow 2

Trata-se do guarda-costas de Zobek, um dos personagens importantes do jogo, também chamado de Tenente. Em algumas missões ele acompanha Drácula, vale lembrar, e sua atuação é sempre intrigante. É também bastante interessante a atuação de soldados humanos e membros da Brotherhood of Light, ordem à qual Gabriel pertencia antes de se transformar no Príncipe das Trevas. Os soldados humanos contam inclusive com mechs poderosos que geralmente dão bastante trabalho.

Drácula vai então, pouco a pouco, recuperando seus poderes e armas. É seu filho Trevor (também conhecido, aqui, como Alucard), quem aparece em uma forma mais jovem e diz ao pai que ele precisa recuperar suas armas e seus poderes.

Ele fornece o caminho para que Drácula retorne a seu antigo castelo e, então, possa recuperar seu armamento. É ali, no castelo, aparentemente no passado, que Drácula precisa lutar para recuperar a Espada do Vazio (Void Sword) e as Garras do Caos (Chaos Claws). A arma principal do vampiro, porém, é o Chicote das Sombras. Trata-se de algo criado por Drácula com a utilização de seu próprio sangue.

Castlevania: Lords of Shadow 2

Vale ressaltar que o “presente” (o vampiro alterna entre fases no castelo e fases neste tal “presente”) é bastante escuro e sombrio, também, apesar de claramente estarmos em uma época moderna. Temos ali, também, monstros mais modernos, criados a partir de material humano e máquinas, como os Guardas Golgoth.

Dentre as melhorias introduzidas em LoS 2, não posso deixar de mencionar a câmera. Ela foi consertada, digamos assim. Ao contrário do primeiro jogo da franquia, agora sim podemos movimentá-la livremente (com o analógico direito, por exemplo), ao invés de termos de contar com perspectivas fixas.

Castlevania: Lords of Shadow 2

Dentre as coisas que pioraram, ou melhor, que não deveriam existir, podemos contar o modo stealth. Este modo, ativado automaticamente (e impossível de ser desativado até que ele “não seja mais necessário”), é totalmente desnecessário e, pior ainda, contribui para deixar estes momentos, que poderiam ser extremamente prazerosos, em algo chato, maçante ao extremo.

Tudo bem, no início até que faz sentido. Drácula se encontra enfraquecido, não conta com seus poderes e armas, e se esconder é a melhor alternativa, mesmo. O primeiro encontro com os Guardas Golgoth, por exemplo, representaria morte certa para o vampiro, se não fosse a ação furtiva (em relação a estes guardas, entretanto, nada muda, até o final, neste sentido – e isto é bem irritante). Mas conforme o vampiro vai evoluindo, recuperando sua velha forma, percebemos o quão enfadonho e desnecessário é o modo stealth. Que pelo menos ele pudesse ser desativado pelo jogador, caramba!

Castlevania: Lords of Shadow 2

Obviamente, no decorrer do jogo, encontramos monstros muito maiores e mais poderosos que os Golgoth (inclusive com estes nos deparamos diversas vezes), e nem por isso somos obrigados a nos mover furtivamente, impossibilitados de utilizar nossa espada e nossas garras, além de nossos poderes.

É realmente triste sermos obrigados a entrar neste “funil stealth” para progredir, em vários momentos. Observar Gabriel, ops, Drácula, sendo massacrado pelos Guardas Golgoth, sem a mínima chance de defesa, é um contra senso.

Outro momento em que esta grande falha representada pelo modo stealth fica à mostra é na fase com Agreus, irmão de Pan. Para que, pergunto eu, fazer com que sejamos obrigados a nos movermos às escondidas através de um labirinto e sejamos mortos sem chance de defesa pelo monstro (não há como escapar, se Agreus te vir ou ouvir, dispara em sua direção e te mata com um único golpe), se mais à frente somos obrigados a enfrentá-lo, equipados com todos os nossos poderes e, claro, o derrotamos?

Castlevania: Lords of Shadow 2

E, além disso, por que Drácula, o poderosíssimo Príncipe das Trevas, temido até por satã, tem que se mover entre as sombras, se transformando, vez ou outra, em rato? Tudo bem que a ideia aqui até que foi bacana, até mesmo porque além do recurso ser utilizado para que possamos passar por locais bem pequenos, também podemos utilizá-lo para acessar locais de outra maneira inacessíveis, os quais contêm relíquias e outros objetos de valor.

Mas tudo fica um pouco melhor quando notamos outra boa novidade: Drácula pode agora possuir os corpos dos inimigos. Por tempo limitado, é claro, e esta, por incrível que pareça, é a única maneira de eliminar um dos Golgoths. Ao nos posicionarmos atrás de um inimigo sem que ele perceba, podemos possuir seu corpo, assumir sua forma.

Claro, como bem lembrado pelo próprio protagonista, seu sangue é muito forte, e temos de fazer o que é preciso antes que o corpo possuído literalmente exploda e gotas de sangue espirrem no monitor. Ah, um lembrete: podemos distrair por pouco tempo os enormes e (quase) indestrutíveis guardas lançando contra eles grupos de morcegos.

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Uma novidade bacana, diga-se de passagem, pena que não seja muito útil, uma vez que é restrita a estes poucos momentos de “quietude forçada”. Houvessem mais momentos propícios para ação furtiva, e tivéssemos nós o controle sobre quando ativar e desativar o modo stealth, e talvez a possessão fosse algo extremamente útil e mais utilizado.

E eu quase ia me esquecendo da nova habilidade de Drácula: transformar-se em névoa. Esta, sim, é uma habilidade bacana e bem implementada. Podemos, com ela, atravessar portões e até mesmo “pegar carona” no vento produzido em grandes ventiladores. Ah, e tem mais: o vampiro agora pode beber o sangue de inimigos moribundos, sendo que este ato ajuda a restabelecer sua saúde.

As relíquias também são bastante interessantes e úteis, em Castlevania: Lords of Shadow 2. O Relógio Stolas, por exemplo, deixa tudo mais lento (menos o protagonista), e paralisa inimigos no ar. As Lágrimas do Santo dão um gaz extra à saúde do personagem principal, e o Ovo de Dodô liberta uma espécie de pássaro que indica o caminho até segredos que se encontram nas proximidades, o que, é claro, nos leva a explorar mais os ambientes. Isto sem falar que também podemos despertar a Forma de Dragão de Drácula. Todos estes instrumentos ajudam bastante, principalmente nos combates contra chefes.

Castlevania: Lords of Shadow 2

Aliás, falando em bosses, vale destacar aqui os primeiros momentos do jogo, quando Drácula, no passado, claro, se encontra sentado em seu trono e soldados da Irmandade da Luz chegam arrebentando com tudo. Drácula derrota os soldados no interior de seu castelo e sai para fora, encontrando ali um titã imenso. Uma espécie de robô gigantesco, o qual deve ser destruído de um modo muito comum, até, mas bem bacana: temos de nele subir e, aos poucos, escalando, destruir pontos importantes até que ele caia.

A batalha contra o Paladino da Brotherhood of Light também é sensacional, e confesso que me espantei bastante no momento em que o vampiro menciona sua revolta e sua rebeldia contra Deus. Me espantei ao perceber os resultados. Neste momento, o Paladino, já de joelhos, começa a recitar um encantamento, tentando, é claro, derrubar o representante do Mal que se encontra à sua frente. Mas tudo dá errado quando o próprio Drácula,  veja só, em uma enorme demonstração de confiança e poder, acompanha o guerreiro da Irmandade, recitando o encantamento junto com ele.

Os combates continuam fluidos e repletos de aberturas para a realização de muitos combos. A Espada do Vazio, quando atinge inimigos com sucesso, causando danos, recupera a saúde do personagem, enquanto as Garras do Caos carregadas com a Energia do Caos tornam nossos ataques mais poderosos.

Castlevania: Lords of Shadow 2

A concentração, cujo nível vai aumentando conforme atacamos e não somos atingidos, continua sendo tão importante quanto no primeiro jogo, justamente para que os inimigos liberem globos de energia neutra, os quais então podem ser convertidos em Energia do Vazio ou Energia do Caos, conforme nossas necessidades (ou em ambas).

Assim que você alcança pontos suficientes para desbloquear uma nova skill, você é avisado pelo próprio jogo. Tudo isto é bem interessante se você é daqueles que adora encadear combo em cima de combo. Particularmente, acabei não desbloqueando muitos movimentos novos, principalmente os mais complicados de serem executados.

Algumas habilidades podem ser melhoradas mais de uma vez. Os golpes vão se tornando mais poderosos, e cada skill conta com seu próprio mostrador, na árvore. Ali, você pode perceber um percentual representando o quanto você já a dominou. Para dominar é simples: use.

A novidade bacana, aqui, é que ao atingir 100% de domínio de uma skill, você pode transferir suas propriedades para as armas. Cada arma também conta com um mostrador, obviamente, e a transferência vai se dando aos poucos. Suas armas vão evoluindo, o que, é claro, se traduz em combos mais fáceis de serem realizados, inimigos derrotados mais facilmente, golpes mais poderosos, etc. Isto não é algo obrigatório, mas não pude deixar de notar e comentar.

Castlevania: Lords of Shadow 2

Castlevania: Lords of Shadow 2 também conta com  puzzles mais inteligentes, sendo que alguns deles requerem a utilização das Energias do Vazio ou do Caos (é possível lançar jatos carregados com as duas). Existem também momentos em que precisamos utilizar uma destas magias para congelar a água que cai em abundância, criando, assim, pontos de apoio para que possamos subir. O puzzle do Toy Maker é um dos mais bacanas. Temos de ouvir a narração de um marionete e ir posicionando bonecos e cenários aos poucos, no palco, na ordem correta e conforme a história.

Pode até parecer um pouco piegas, a princípio, mas o enredo de Castlevania: Lords of Shadow 2 é bem interessante e rico. A relação entre Drácula e seu filho, Trevor, as conversas, as lembranças de um passado que todos querem aparentemente esquecer, as aparições do espírito de Marie, a sensação implícita de que o Mal pode e deverá ser derrotado, também, pelo Mal, e a impressão deixada em nossa mente de que o Bem ou o Mal, muitas vezes, dependem do ponto de vista, da perspectiva.

Castlevania: Lords of Shadow 2

É um tanto quanto estranho, claro, os momentos em que Drácula sai de seu castelo. Seu sangue está ali, impregnado em tudo, e é poderoso. “Ele” e os “antigos” habitantes, seus antigos servos, tentam fazer com que o antigo senhor não deixe o ambiente, sem falar que muitas vezes estes mesmos “servos” nos atacam impiedosamente.

Parece até uma espécie de teste, principalmente se prestarmos atenção no que está em jogo (a salvação da humanidade, novamente, pelo mesmo ser, embora ele esteja agora transformado e “do outro lado”). Principalmente se, quase no final da aventura, prestarmos atenção em um certo diálogo entre dois personagens muitíssimo próximos, um diálogo revelador e carregado de emoção.

Diálogo e momento repletos de muitas descobertas por parte do personagem principal. Há ali uma certa dose de desprendimento, até (sem contar com confiança), uma vez que o acordo que ali é firmado pode colocar em risco a “vida” de Drácula (não que ele se importe com isto, claro). Mas o fato é que percebemos ali que o Mal não proveniente do Príncipe das Trevas terá tudo para vicejar caso nada seja feito.

Castlevania: Lords of Shadow 2

Caso nenhuma barreira seja imposta, mesmo que tal barreira venha, como diz o próprio Drácula, de algo caído na escuridão, de algo tido como mau. É aquela questão da perspectiva que mencionei mais acima. É o amor que atravessa os séculos e diferenças de diversos tipos.

Drácula jamais se esqueceu de seu filho e de sua esposa, vale lembrar, e os dois aparecem com bastante frequência, durante o gameplay, como uma maneira de fazer com que o vampiro se lembre de que algo dentro dele ainda brilha, de que nem tudo para ele está perdido, de que a escuridão que o permeia ainda não conseguiu envolver um pequeno ponto de luz em seu coração (aliás, dê uma olhada, se puder, no combate entre Drácula e o Toy Maker).

É fogo contra fogo, escuridão contra escuridão, guerreiros que um dia lutaram ferrenhamente agora dando as mãos, também, desde que no final algo maior (e quem sabe melhor) aconteça. A trama conta com um grande engodo, revelado ao jogador durante os últimos momentos de gameplay (ou um pouco antes), e isto me deixou com um certo sentimento de “quero mais”. Uau! Isto sem falar na maneira como Drácula enfrenta satã, com este último apelando aos sentimentos do vampiro, ao que lhe resta de humanidade. Aliás, pelo que vi, fico me perguntando: haverá um  Castlevania: Lords of Shadow 3?

Castlevania: Lords of Shadow 2

É um tanto quanto triste, entretanto, lutarmos contra bosses colossais e percebermos que os momentos finais são retirados de nosso controle. Alguns chefes são “mortos pelo jogo”, através de animações, após contra eles lutarmos e esgotarmos suas energias vitais quase que totalmente. O golpe final, neste caso, é dado pelo game, e o que vemos então são animações. Isto acontece também na batalha final, infelizmente.

Conclusão

Eu já comentei neste review a respeito de ponto de vista, de perspectivas. Castlevania: Lords of Shadow 2 tem seus problemas, mas é um ótimo jogo. Se você adora combos e mais combos, além de muita pancadaria, provavelmente vai adorá-lo. Sua majestosa trilha sonora é, também, algo digno de nota, assim como seus belos gráficos e cenários deslumbrantes.

O jogo é divertidíssimo e conta com personagens bem interessantes, incluindo acólitos e o próprio Drácula. A história, como eu já disse, é bem interessante e rica em detalhes. Este é o meu review de Castlevania: Lords of Shadow 2, e digo: adorei o game. 🙂

E, recomendo firmemente: baixe a demo do título no Steam e dê uma olhada. Creio que existem demos também na Xbox Live e na PSN.

Trailer de lançamento:

Mastery System:

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2 Comments

  1. Com certeza vou baixar o demo e dar uma olhada, assim que terminar o primeiro Lords of Shadow. Vi uma galera metendo o pau nesse jogo, mas acho que seja exagero. Parece divertido 🙂

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    • Baixa sim, Erick. Pra mim, exageraram sim. Com certeza. O jogo é ótimo. 🙂

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  1. O que você está jogando (Março/2014)? - […] Desde o último OQVEJ, pouca coisa mudou aqui comigo. Devo dizer que finalizei e até publiquei um review de Castlevania:…

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