Se tivesse que resumir este review em pouquíssimas palavras, eu diria: Crysis 2 é maravilhoso. A Crytek conseguiu criar um jogo que, além de belíssimo, é desafiador, interessante e permite que o jogador jogue de diversas maneiras, ou melhor, aborde diversas situações de maneiras também diversas. Tudo já começa a empolgar durante os menus, com a belíssima faixa composta pelo genial Hans Zimmer. E por falar em trilha sonora, a trilha sonora de Crysis 2 é simplesmente fantástica. Lindíssima. Vale realmente a pena aproveitar esta promoção e adquirí-la por US$ 3,99.

A desenvolvedora alemã conseguiu realizar a “migração” do cenário florestal do primeiro Crysis, de 2007, para um cenário urbano de forma magistral. A selva repleta de árvores belíssimas foi trocada por uma “selva de pedra” surpreendente. Crysis 2 é ambientado em uma Nova Iorque caótica, na qual uma praga faz cada vez mais vítimas. O game começa com o protagonista, um Marine simplesmente chamado de Alcatraz, em um submarino que se dirige para Nova Iorque. O submarino sofre um ataque, e você tem de, literalmente, sair nadando. Neste momento começa o encanto: a água possui um aspecto fantástico, e a CryEngine 3, então, já começa a mostrar todo o seu poder.

Você consegue chegar até a superfície, e os momentos de “natação”, diga-se de passagem, representam momentos maravilhosos em Crysis 2. Pena que eles sejam poucos. A “fluidez” do elemento, os reflexos, a turbulência, a sonoridade característica e abafada, o som do seu equipamento de respiração, tudo isto é imperdível. Chego a dizer que o título da Crytek conseguiu uma proeza e tanto ao trabalhar com o elemento água: este é realista demais. Ao caminhar em locais alagados, com água pela cintura, você observa e sente a perfeição da ondulação formada, a redução de velocidade causada pela situação, e a movimentação da sujeira que pode estar boiando, em algumas situações.

Saindo agora da breve digressão acima, você é salvo por um velho conhecido de quem já jogou o primeiro Crysis. Ninguém menos do que o próprio Prophet se encontra com você, e lhe presta uma ajuda fenomenal. Momentos dramáticos se seguem, então, e é devido ao Prophet que você consegue envergar o poderoso Nanosuit 2. Isto é até mesmo muito interessante, e  nos leva a pensar em como a generosidade, o altruísmo, a destruição, o desapego e o desespero podem se imiscuir em meio à trama de um game de maneira extremamente realista. Como complemento, aqui, digamos que seu estado de saúde não era nada bom, e o traje lhe presta então uma ajuda fantástica.

A dramaticidade destes primeiros momentos de Crysis 2 é muito grande, pois de certa forma tem a ver com o primeiro título da série, e durante estes momentos iniciais, um certo detalhe jamais passará despercebido por quem jogar o game. Você tem um breve momento de descanso e acorda já observando uma cidade em meio ao caos. Passando por um processo de destruição que, paulatinamente, vai proporcionando ao jogador, ao mesmo tempo, momentos de horror e beleza.

Sim, pois os gráficos de Crysis 2 estão ali, para nos deixar de queixo caído. Para onde quer que você olhe existe algo de belo a ser observado. Quer sejam os belíssimos prédios, intactos ou não, quer seja a vegetação extremamente verdejante, quer seja o aspecto do asfalto: tudo, graficamente, em Crysis, é estupendo. Folhas caem das árvores e são levadas pelo vento. Grama e vegetação rasteira oscilam conforme o vento.

Texturas de altíssima qualidade, preocupação com mínimos detalhes, uma trilha sonora  que é uma companheira extremamente bem vinda, e uma série de outros fatores, chegam a nos fazer pensar se tudo aquilo é realmente um jogo eletrônico ou se estamos assistindo a um filme. Um filme interativo. E algo digno de nota, aqui, é que Crysis 2 é um game, nos PC’s, bem mais leve do que seu antecessor.

E o melhor de tudo: ainda assim, temos um jogo que nos oferece gráficos belíssimos. Isto talvez seja devido à CryEngine 3. Ou melhor, com certeza a engine possui grande parcela de “culpa” aqui. É claro que a Crytek já devia estar cansada de tanto falarem que para jogar Crysis era preciso possuir um super computador, e deve ter otimizado muitas coisas nesta sequência. Ainda em relação aos gráficos, explosões são algo fantástico em Crysis 2. O fogo é lindíssimo. Cada labareda passa uma impressão tão grande de veracidade, e as ondas de choque de cada explosão são tão nitidamente sentidas, que você fica realmente perplexo ao se deparar com tais “detalhes”. Em alguns locais subterrâneos, por exemplo, é possível observar com incrível nível de detalhes baratas andando pelo chão.

Existem alguns personagens que atuarão diretamente com você. Ou melhor, com o Alcatraz. Na maioria das vezes, via rádio. São eles: Tara Strickland, o Dr. Nathan Gould, o Coronel Sherman Barclay, o Tenente Dominic Lockhart e o misterioso Jacob Hargreave. Vale ressaltar que, em relação a alguns dos personagens acima mencionados você terá algumas surpresas no decorrer do gameplay. Aliás, em contrapartida, um deles acaba se surpreendendo com você. Reviravoltas muito bacanas. É preciso mencionar aqui também o Prophet, aliás, no sentido das “surpresas”. Você também terá de agir contra um dos personagens que mencionei acima, e outro deles, no final do game, se mostra como algo totalmente único e diferente do que você imaginava.

É impossível deixar de mencionar a relação de Crysis com o misterioso evento ocorrido em Tunguska, em 1908, na Sibéria. E quando digo “Crysis”, aqui, estou me referindo aos dois títulos da série. Você saberá qual a relação se jogar o game ou se realizar algumas pesquisas. Nem todos os reviews possuem a preocupação de não deixar escapar spoilers. 🙂

O Dr. Nathan, logo no início do jogo, se mantém em constante contato com você, via rádio. Posteriormente outros personagens também passam a se comunicar com você, como por exemplo a Tara, o Barclay e o próprio Hargreave. O único problema é que o Alcatraz (você) é um personagem mudo. Jamais se ouve sua voz. Alcatraz não diz nada, apenas segue as ordens e conselhos. Acredito que a Crytek poderia ter explorado muito mais a personalidade de alguém que passou por momentos tão dramáticos e foi inserido em uma trama tão interessante.

Lutar em Crysis 2 é sempre algo fantástico, e que permite que o gamer adote diversas maneiras de abordagem. Os soldados da C.E.L.L. (Crynet Enforcement & Local Logistics) serão um osso duro de roer, no início do game. Mas, ainda assim, prefiro lutar contra eles do que contra os alienígenas, muito mais rápidos e perigosos. O armamento à sua disposição é bem interessante, e você pode utilizar desde simples pistolas, passando por metralhadoras e rifles, até o JAW (Joint Anti-Tank Weapon), uma espécie de lança-foguetes, e C4. Existe também uma outra arma bem interessante, chamada X-43 MIKE, a qual dispara rajadas de microondas.

Aliás, a experiência de destruir uma nave alienígena através do JAW é fantástica. Um momento e tanto dentro de um game que oferece inúmeros outros momentos fantásticos. Ainda falando em armas, também existem granadas à sua disposição e a K-Volt, uma arma que lança cargas eletrificadas. Cada arma, aliás, pode ser customizada da maneira que você bem entender. Isto já era possível no primeiro Crysis, é claro, mas nunca é demais lembrar. A customização depende da arma, e dependendo do caso, você pode fazer com que uma SCAR lance granadas. Em relação ao tipo de mira, você pode variar, também dependendo da arma, entre “iron sight”, “reflex sight” e “assault scope”. Mira laser também está disponível, para algumas armas.

A customização do Nanosuit 2 também é fantástica. Para ser capaz de personalizá-lo, você deve coletar uma substância chamada Nanocatalyst, a qual se encontra nos corpos dos Cephs mortos. O Nanosuit 2 pode sofrer diversos upgrades, cada um deles possuindo seu respectivo “preço”, ou seja, uma determinada  quantidade de Nanocatalyst. Existe um sistema que destaca as balas que vêm em sua direção, um outro que reduz o gasto de energia do “armor mode”, um que reduz o som provocado por seus passos, e diversos outros.

Tudo isto tem a ver com a energia do Nanosuit 2, aliás. E vale ressaltar um ponto muito importante: todas as funcionalidades do traje gastam energia, e você acompanha este gasto através de um mostrador localizado no canto inferior direito. A funcionalidade mais importante, é claro, é o “cloak mode”. Quem jogou o primeiro Crysis sabe do que se trata. Através do “cloak mode”, você é recoberto por uma espécie de camuflagem que o torna invisível. Você também conta com o “armor mode”, que aumenta a resistência do Nanosuit 2, e o “power mode”, o qual aumenta a força do personagem e inclusive permite que este passe através de fogo, desde que seja rápido.

Algo muito interessante e também digno de nota é o fato de todos estes extras gastarem energia dependendo do grau de utilização. O gasto de energia do “cloak mode” é proporcional à sua velocidade. Caminhe devagar, e gaste menos energia. Corra, e veja o marcador de energia se esvair rapidamente. A situação piora se você utilizar, por exemplo, o “cloak mode” e a NanoVision ao mesmo tempo. Aí a energia se esvai realmente de forma extremamente rápida. É muito importante prestar o máximo de atenção no gasto de energia, pois se isto não for feito, a energia pode acabar quando você se encontrar em um local infestado de aliens, o “cloak mode” é desabilitado e você, então, se verá em “maus lençóis”.

Em relação à NanoVision, trata-se de um recurso que permite que você enxergue no escuro. Em determinados momentos do gameplay, somente será possível “sair” se você ativar o recurso. Crysis 2 também conta com um recurso presente no HUD do protagonista que é extremamente útil. Trata-se do “Scan Mode”. Através dele, o traje sugere qual a melhor tática para abordar determinada situação. Ele exibe a posição dos inimigos, distância, localização de munição, etc. “Passeando com a mira pela tela”, você pode visualizar as informações que este sistema fornece de forma bem prática. De repente pode ser sugerido que você mate determinado inimigo silenciosamente, ou então que você o mate à distância. O “Scan Mode” também permite que você marque qualquer elemento por ele exibido, facilitando o rastreamento do mesmo, pois todos os elementos marcados passam a ser exibidos em seu radar.

Você pode ouvir, por diversas vezes, as comunicações dos soldados inimigos, e o medo que eles têm de você. O Lockhart, aliás, quer você morto e o seu Nanosuit a qualquer preço. Seus soldados chegam a reclamar da matança que você promove entre eles. Durante o jogo, é possível também interceptar a comunicação dos personagens que mencionei acima, e ouvir alguns deles se digladiando pelo rádio, trocando farpas, etc. Isto ajuda bastante, e também provoca uma certa raiva no gamer, principalmente em uma determinada fase onde é necessário invadir a base do Lockhart. Aliás, enquanto este último quer você morto, Tara Strickland quer justamente o oposto.

Os cenários de Crysis 2 e diversos de seus elementos podem ser destruídos. Passei por determinadas situações onde fui obrigado a me esconder atrás de barreiras de concreto, e sofri danos devido ao fato dos tiros inimigos terem atravessado tais barreiras. É claro que não experimentei a mesma destrutibilidade que a engine Frostbite proporcionou em Battlefield: Bad Company 2, por exemplo, mas trata-se de algo digno de nota.

Durante o gameplay o protagonista, Alcatraz, também pode utilizar alguns veículos. Mas tais momentos são parcos, entretanto, e a utilização de tais veículos não é muito ampla. A inteligência artificial dos inimigos possui altos e baixos. Em determinados momentos você pode se surpreender com ela. Os inimigos podem sentir sua aproximação, mesmo estando você sob a capa fornecida pelo “cloak mode”, e se você não agir rápido, eles atraem a atenção de aliados. Muitas vezes, é difícil pegar um inimigo, humano ou não, desprevenido. Em determinados momentos, chega a ser quase impossível sair de determinadas situações, devido à ferocidade e à esperteza dos soldados inimigos.

Entretanto, existem momentos em que a inteligência artificial do game decepciona. Alienígenas parados e observando o Alcatraz sem nada fazer, ou até mesmo correndo em círculos, são algumas das cenas que você poderá observar. Mas nada é perfeito, não é? Existem diversos “tipos” de alienígenas, incluindo alguns que não possuem qualquer tipo de melhoria tecnológica. Aliás, falando agora a respeito da tecnologia do Nanosuit 2, vale destacar o fato de que ele é muito mais do que um simples e poderoso traje de combate. O sistema do traje realiza cálculos e determina quais as  rotas mais apropriadas para você, dentre outros tipos de ajuda bem relevantes. Aliás, vou dar uma pequena amostra: é muito engraçado ouvir a frase “Wake up Marine“, frase esta, aparentemente, proferida pelo traje.

Ele representa papel crucial em diversos momentos do game, sozinho, incluindo a fase final. O Nanosuit é uma verdadeira “central de sobrevivência”. Em alguns momentos o Alcatraz sofre tantos danos, que é preciso reanimá-lo. O traje contém um desfibrilador integrado, e sugere que você o use. Após duas ou três descargas, tudo volta a estar ok. Existem momentos em que você chega a pensar que morreu e terá de recomeçar a fase. Mas tudo não passa de um “engano proposital”, e a ação continua, algumas vezes com alguma cutscene bem interessante.

Muitas das cutscenes, aliás, são meio que interativas, e requerem que você realize algum procedimento. Isto aumenta ainda mais a imersão proporcionada pelo jogo, ajudando a eliminar um pouco da “quebra de atenção” que cutscenes podem representar, para algumas pessoas. Falando em imersão, não se esqueça de “imergir” sempre que possível no “cloak mode”. Ele é seu melhor amigo, em Crysis 2. Muitas vezes, a melhor opção é ativar o “cloak mode” e passar despercebido por cenários infestados de alienígenas, desde que, é claro, você não esbarre em nenhum deles (ação que fará com que você seja descoberto), nem tampouco chegue muito perto deles, pois alguns deles conseguem detectar sua presença. Aliás, muitos deles possuem um equipamento que lança um raio que desliga automaticamente o “cloack mode”, caso você esteja dentro de seu raio de ação.

Crysis 2 coloca Nova Iorque, literalmente, de “pernas para o ar”. O Central Park, inclusive, é “protagonista” de uma situação verdadeiramente surreal, a qual, no entanto, aumenta o encanto visual proporcionado por este fantástico trabalho da Crytek. Crysis 2 também oferece situações que decepcionam o gamer. Quer dizer, situações que decepcionam, em minha opinião, o protagonista e aqueles que estão atuando juntamente com ele.

Os alienígenas conseguem frustrar algumas das esperanças e ações dos humanos, e existem algumas reviravoltas no jogo que chegam a causar desespero. Traições também fazem parte da trama, e uma delas, aliás, acaba por revelar que determinada pessoa não é quem você esperava que fosse. Crysis 2 é ação, emoção, gráficos espetaculares e muita ação stealth.

Aliás, gostaria de ressaltar este lado “stealth” de Crysis 2, o qual, em minha opinião, se tornou muito mais necessário do que em Crysis 1. Aqui estamos em uma cidade, e não existe muita vegetação em meio à qual possamos nos esconder com segurança. Por isto, lembre-se: “o cloak mode é seu melhor amigo”. O fato de andar em meio a tiroteios sem ser visto, situação que pode se repetir por diversas vezes durante o jogo, é fantástico; você pode economizar munição e tempo. Matar inimigos silenciosamente também é algo extremamente necessário, muitas vezes, além de oferecer momentos muito interessantes.

Faltou, entretanto, como já mencionei acima, uma maior profundidade em relação ao personagem Alcatraz. Ele, de certa forma, apesar de seu poder enquanto dentro do Nanosuit 2, é um mero marionete seguindo ordens. Se a Crytek tivesse dado uma personalidade ao Alcatraz, e permitido que ele interagisse com todos os outros personagens do game, teríamos um Crysis 2 muito mais interessante. Não que ele não o seja, mas eu adoro me deixar levar pela história dos jogos e pela interação entre os seus personagens, e acredito que nesta parte a Crytek pisou na bola.

Mas acredito que as coisas melhoraram, quando comparamos Crysis 2 com seu antecessor. O enredo desta sequência oferece muitos bons momentos, e conta com diversos elementos intrigantes que podem provocar imersão. A beleza da “selva de pedra” em meio à qual jogamos também é outro fator a ser levado em consideração. É possível “se perder em meio aos gráficos do jogo”. São muito belos. Fantásticos, eu diria. Desde o simples disparar de uma arma, com a consequente fumaça saindo do cano da mesma e a rajada de fogo que acompanha cada disparo, Crysis 2 é um game espetacular.

Multiplayer

No multiplayer de Crysis 2 também é possível utilizar os recursos do Nanosuit 2. Existem armas, upgrades e classes que devem ser desbloqueadas (perks?). Isto acaba funcionando como um incentivo ao jogador. Existem também “facilidades” que são desbloqueadas conforme você realiza determinadas ações. O multiplayer de Crysis 2 conta com partidas bem movimentadas, e os mapas permitem que você utilize diversos pontos para se esconder em meio ao tiroteio.

É claro que entrando agora em alguma partida, pela primeira vez, você será morto muitas vezes. Muitas vezes mesmo, e em muitas delas, sem sequer entender o que aconteceu. Isto é normal, entretanto, ainda mais quando estamos lidando com um game deste porte. Mas você pega o jeito, é claro.

Conclusão

Crysis 2 é, sem dúvida, um dos melhores FPS’s de 2011. O título da Crytek conta com gráficos maravilhosos, diversas opções no tocante à abordagem dos inimigos, comandos precisos e um enredo melhor do que o de seu antecessor. Crysis 2 é um verdadeiro espetáculo para os olhos, e uma enorme fonte de prazer para os gamers que apreciam um bom First Person Shooter futurista.

OBS: não sei, mas após assistir ao final de Crysis 2, tenho a impressão de que haverá um Crysis 3.

Ficha técnica

Título: Crysis 2
Gênero: Ação / FPS
Desenvolvedora: Crytek
Distribuidora: Electronic Arts
Data de lançamento: 22 de Março de 2011
Plataformas: Xbox 360, PC e Playstation 3
Versão analisada: PC

Wake up marine

Poderá gostar também

Pin It on Pinterest