A cópia de Darksiders III utilizada neste review foi gentilmente cedida pelo GOG.COM, uma das maiores lojas de jogos digitais para PC do mundo, que vende também títulos livres de qualquer tipo de DRM.

Adquirindo seus jogos no GOG.COM, você também pode eventualmente contar com uma série de extras muito interessantes, como por exemplo trilhas sonoras, artbooks e wallpapers. A loja também oferece um cliente bastante prático e bacana (mas seu uso não é obrigatório), o GOG Galaxy, o qual conta com recursos extremamente valiosos, como por exemplo captura de screenshots, medição da taxa de quadros por segundo, saves na nuvem e atualizações automáticas dos jogos.

Darksiders, de 2010 (análise aqui), é um ótimo jogo. Um Hack ‘n slash bastante apropriado para jogadores que adoram pancadaria extrema, cheio de puzzles e com um enredo interessantíssimo. Darksiders II, lançado em 2012, trouxe um protagonista ainda mais impressionante e misterioso, e também um enredo carismático e muita ação.

Muita gente ficou com medo de que a franquia se perdesse, quando do fechamento das portas da THQ. Felizmente, porém, a Nordic Games (hoje THQ Nordic) adquiriu diversas franquias da falida publisher, incluindo a franquia que tem os Cavaleiros do Apocalipse como protagonistas, e hoje temos a felicidade de poder colocar as mãos em Darksiders III. O jogo, entretanto, não foi desenvolvido pela Vigil Games (a empresa foi à falência), como os dois primeiros, mas sim pela Gunfire Games. Com tudo isto em mente, vamos ao jogo em si.

Darksiders III

Darksiders III é uma espécie de história paralela. Os eventos do game acontecem, pelos indícios que nos são fornecidos, no meio tempo entre o julgamento de War, protagonista do primeiro jogo da franquia e que teria supostamente traído o Conselho das Chamas e trazido o Apocalipse antes de seu devido tempo (o personagem é até mesmo visualizado logo no início, acorrentado), e os eventos de Darksiders II, sendo que Death, protagonista deste último, encontra-se desaparecido, ainda disposto a provar a inocência de seu irmão.

Fury, protagonista de Darksiders III (Cólera, na tradução em pt-BR do game), é também um Cavaleiro do Apocalipse. A heroína começa o jogo, aliás, dando mostras de ser uma verdadeira badass, extremamente confiante em seus poderes (até demais) e tendo como objetivo chegar à liderança dos Cavaleiros. Ela chega até mesmo a ameaçar o Conselho, ameaça esta que faz até mesmo com que ela seja advertida verbalmente. A protagonista, além disso, nutre total desprezo pelos humanos, chegando a chamá-los de “macacos”.

Fury deve ajudar a restabelecer o equilíbrio entre a ordem e o caos. E ela tem, como parte principal de sua missão, destruir os 7 Pecados Capitais. Eis o mote para toda a ação e aventura no jogo desenvolvido pela Gunfire Games.

Darksiders III

Antes de qualquer coisa, vale dizer que Darksiders III pode não ser a continuação que os fãs da série aguardavam. Isto se deve, em parte, por não se tratar de um jogo que contenha uma história que dá continuidade aos outros títulos da série.

Além disso, existe um detalhe que certamente vai deixar muita gente nervosa: o jogo é dificílimo. As inspirações em Dark Souls são claríssimas, e muitos jogadores poderão dele desistir com poucas horas de gameplay.

Darksiders III

Uma habilidade imprescindível (e não tão fácil de ser utilizada) é a esquiva: você deve se esquivar dos golpes inimigos no momento certo, momento este em que ocorre uma certa desaceleração do tempo (coisa rápida) e Fury pode então causar dano arcano, o qual é capaz de retirar mais vida dos inimigos, e assim eliminá-los mais rapidamente. Dominar a esquiva é essencial para que você progrida no game, vale ressaltar.

O jogo é difícil ao extremo, e eu sinceramente não entendo o porquê desta mudança tão radical. Quem joga um hack ‘n slash geralmente procura pancadaria e caos, ação desenfreada e muita adrenalina, e não deseja ficar se preocupando com inimigos que devem ser estudados e abordados de diferentes maneiras. Com esquivas nos momentos certos. Com pausas entre os golpes que acabam removendo totalmente qualquer possibilidade de inicialização de combos que havia em nossa mente.

Darksiders III abraçou tanto a fórmula de Dark Souls que ao morrer você perde totalmente as almas que havia coletado, as quais são imprescindíveis na compra de pontos de habilidade com o demônio Vulgrim (sim, ele está de volta). Checkpoints, além disso, são bastante distantes um do outro, e não são raras as vezes em que você tem de passar novamente por áreas e inimigos que já havia enfrentado há 30, 40 minutos atrás.

Darksiders III

Até podemos recuperar os “pacotes” com nossas almas perdidas, mas as dificuldades são bem grandes, ao termos de atravessar novamente áreas repletas de demônios e monstros diversos que já haviam sido derrotados. Isto sem falar que somos obrigados a enfrentar um dos chefes do jogo (Inveja) logo no início do gameplay, após enfrentarmos apenas um punhado de inimigos, após pouquíssimo tempo de contato com as mecânicas e os controles, o que fatalmente pode causar grande estrago à nossa experiência, inexperientes que estamos neste curto e conturbado início.

Além disso, não existe um mapa que possa ser consultado e nem tampouco um mini mapa no canto inferior direito ou esquerdo, como nos anteriores, para que possamos melhor nos localizar e saber para onde devemos ir. O resultado é muito tempo perdido caminhando à esmo pelos enormes cenários, repletos de inimigos capazes de nos matar com um único golpe (ou até mesmo com uma sequência de combo), muito rapidamente.

Entendo perfeitamente, ainda falando em relação à enorme dificuldade do jogo, quando observamos e jogamos um dificílimo Dark Souls, com seu ritmo mais lento. Mas a franquia Darksiders é (ou era) uma série de jogos estilo hack ‘n slash, basicamente, um estilo onde geralmente não há espaço para muita análise. Um estilo onde a ação geralmente não para, onde o ritmo é sempre acelerado, onde tudo o que o jogador geralmente deseja é matar hordas enormes de inimigos, desencadear combos enormes e por aí vai. Por que foram mexer em uma fórmula que dava tão certo? Acredite: aqui, o mero “massacrar botões” te levará bem rapidamente à morte. Por várias e várias vezes se você insistir.

Darksiders III

A câmera de Darksiders III também não ajuda muito. Ela é bastante problemática, muitas vezes tirando Fury totalmente da vista do jogador e colocando apenas o inimigo em primeiro plano, nos atacando. Ela é um tanto quanto errática, e atrapalha bastante nossa movimentação e nossos ataques, principalmente quando estamos envoltos por um grande número de inimigos.

O respawn (excessivo) de inimigos derrotados também é uma constante. O jogo também exige bastante backtracking, uma decisão de design questionável se levarmos em consideração o fato de que é também bastante fácil nos perdermos, desprovidos que estamos de ferramentas de localização (exceto uma bússola no topo que não exibe nada além do próximo Pecado Capital – e também de forma bastante errática).

Darksiders III

Sem falar que é bastante chato voltar a áreas já visitadas e nos depararmos com os mesmos inimigos, muitos deles fortes ao extremo e capazes de nos matar bem rapidamente, se não tivermos todo o cuidado do mundo. Os objetivos, além disso, também não são destacados com clareza quando utilizamos a viagem rápida através do Vulgrim, o que acaba fazendo com que visitemos áreas desnecessariamente (e eu posso dizer a vocês que isto acontece com bastante frequência).

Mas Darksiders III não é feito só de problemas. O jogo conta com gráficos bonitos que, se não estão à altura de muitos lançamentos de 2018 (e em alguns momentos até parecem um tanto quanto datados), têm lá seu charme e um nível de detalhes bastante interessante. Temos belos efeitos de partículas, por exemplo, e uma iluminação competente que apenas deixa a desejar em fases mais escuras e/ou dentro de cavernas, por exemplo, mal iluminadas por plantas fluorescentes e similares.

Temos também ambientes gigantescos, áreas do mapa totalmente interligadas, e cenários melancólicos cheios de criaturas das profundezas. A grandiosidade de alguns cenários chega a nos assustar, tão impactante é a sensação de que somos ínfimos demais frente à tudo aquilo.

Darksiders III

Os chefes de fase também representam desafios bem grandes, o que certamente agradará a muita gente, e há uma grande variedade de inimigos. Fury, além disso, conta com uma série de armas interessantes, sendo que cada uma delas pode ser devidamente aprimorada junto ao Construtor Ulthane, outro interessante personagem do jogo.

Fury também pode assumir uma forma assustadora e poderosa, chamada Forma do Caos: aqui, ela é envolta em chamas vermelhas, aumenta de tamanho e causa apenas dano arcano nos inimigos (mais forte – o mesmo causado quando nos esquivamos e atacamos corretamente), de forma massiva.

Para tanto, porém, é necessário que um medidor seja preenchido, seja através do uso de consumíveis, seja através da matança, pura e simples. Fury também pode desencadear um ataque de fúria (também é necessário que o medidor esteja preenchido): de menor poder e eficácia, ele causa dano normal, porém aumentado (não arcano, que fique bem claro).

Darksiders III

A heroína também é capaz de assumir várias formas diferentes, e assim utilizar também armas, golpes, combos e poderes diferentes, além de seu poderoso chicote “Farpas do Desprezo”, o qual é uma verdadeira mão na roda quando não desejamos nos aproximar muito dos inimigos.

São quatro formas, incluindo fogo e tempestade, as quais trazem consigo novas armas e combos, os quais diversificam bastante o combate e são capazes de promover uma verdadeira carnificina em tela (isto quando conseguimos nos manter vivos, é claro).

Existem diversos tipos de ataques e combos em Darksiders III, e verdade seja dita, a Gunfire Games caprichou aqui. Dependendo da forma que Fury assume, mudam os ataques, os níveis de dano causado e também as animações. Esta parte ficou realmente fantástica, e é até mesmo difícil nos lembrarmos de 10% deles, que seja, quando no calor do combate.

A trilha sonora do jogo também é um show à parte, com músicas que acompanham muito bem o ritmo do jogo, incluindo aqueles momentos em que caminhamos sozinhos por uma Terra devastada e extremamente triste, desolada.

Darksiders III

Fury, enquanto personagem, também é algo a ser levado em alta consideração. Ela e sua Vigia, a qual a acompanha ao longo de toda a aventura, chegam até mesmo a protagonizar belos momentos de diálogos que também servem para mostrar um pouco mais da personalidade da heroína. Além disso, conforme evoluímos, tal evolução é também transposta para Fury, a qual deixa de ser tão “furiosa”, tão badass, digamos, e passa a agir com mais bom senso. É muito interessante.

A personagem principal, além disso, parece ser a mais fraca de todos os Cavaleiros, apesar de sua altivez e arrogância, e isto é transposto para o gameplay de forma bem clara: nossa única defesa é a esquiva, ela é menor que War e Death e seus ataques não são tão pesados quanto os destes últimos. Ela difere bastante também em aparência em relação aos protagonistas dos jogos anteriores da franquia, e isto é bem fácil de percebermos: ela é notavelmente menor, mais fraca, mais desprotegida. Isto pode até mesmo ter relação direta com o lado Souls-like do jogo, é claro.

Darksiders III

Darksiders III é um bom jogo. Seu calcanhar de Aquiles, entretanto, é justamente o fato de o terem transformado em um Souls-like, em um jogo muito mais difícil do que deveria. Este é um detalhe que acabou atrapalhando bastante uma experiência que poderia ser muito mais prazerosa. A mistura entre Souls-like e hack ‘n slash não casa muito bem, e isto fica mais do que claro já nos primeiros minutos do jogo. Dito isto, espere por um enredo interessante, por uma protagonista carismática e por um jogo que vai agradar em cheio aos fãs de Dark Souls e similares.

A cópia de Darksiders III utilizada neste review foi gentilmente cedida pelo GOG.COM, uma das maiores lojas de jogos digitais para PC do mundo, que vende também títulos livres de qualquer tipo de DRM.

Adquirindo seus jogos no GOG.COM, você também pode eventualmente contar com uma série de extras muito interessantes, como por exemplo trilhas sonoras, artbooks e wallpapers. A loja também oferece um cliente bastante prático e bacana (mas seu uso não é obrigatório), o GOG Galaxy, o qual conta com recursos extremamente valiosos, como por exemplo captura de screenshots, medição da taxa de quadros por segundo, saves na nuvem e atualizações automáticas dos jogos.

Ficha técnica

Título: Darksiders III

Gênero: ação, hack ‘n slash, Souls-like

Desenvolvedora: Gunfire Games

Publisher: THQ Nordic

Data de lançamento: 27 de Novembro de 2018

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One

Versão analisada: PC

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