Darksiders é um game desenvolvido pela Vigil Games e lançado no início de 2010 para Playstation 3 e Xbox 360. O título levou mais ou menos 8 meses até que fosse lançado para PC, finalmente, o que é uma pena, pois privou muita gente de jogar um game muito interessante e bonito, por muito tempo. Trata-se de um jogo que mistura vários elementos, e proporciona ao jogador uma experiência muito divertida e única.

Em Darksiders, temos um pouco de RPG e de ação, sem contar com a presença fortíssima do “elemento” hack ‘n slash. Se você aprecia pancadaria, pode comprar Darksiders sem medo, pois lutas não faltam neste jogo. A Vigil games teve grande cuidado com o quesito “combate” em seu jogo, e no decorrer do gameplay descobrimos que o protagonista pode ir, aos poucos, adquirindo diversas habilidades que se mostram bastante úteis frente aos diversos inimigos que encontramos.

Mudanças no esquema dos reviews do XboxPlus

Neste review vou sair um pouco do esquema tradicional com o qual estou acostumado, onde divido o review por seções mencionando “gráficos”, “jogabilidade”, etc, e farei as coisas um pouco diferente. Dividirei este review em tópicos mencionando os “pontos de interesse”, pois meu maior intuito quando escrevo reviews é falar não só a respeito de gráficos, jogabilidade, etc, mas sim apresentar a vocês o game como um todo, e tentar passar a experiência que ele me proporcionou. Espero que gostem, e sintam-se totalmente à vontade para comentar.

O enredo

O responsável pelo enredo de Darksiders chama-se Joe Madureira. Joe Madureira é um escritor que já trabalhou até na Marvel, e é o homem por trás do enredo e do design de muitas coisas em Darksiders, incluindo os personagens. Aliás, vale mencionar que os personagens de Darksiders são todos enormes, grandalhões, fortões mesmo (salvo raras excessões). O próprio protagonista, War, lembra os personagens de Gears of War. Basta uma primeira olhada para perceber.

A história do game é marcante. O título possui uma personalidade forte, apesar de ter bebido em outras fontes, o que é, no entanto, natural. Apesar de algumas fases difíceis, o enredo é consistente o suficiente para manter o jogador preso até o final, o que é um mérito e tanto.

O apocalipse chegando

Em Darksiders, encarnamos War, um dos quatro cavaleiros do apocalipse. O jogo tem fortes inspirações no livro do Apocalipse, como já era de se esperar, mas diversos elementos extras foram introduzidos. Tudo tendo por objetivo criar um enredo extremamente coeso e cativante.

Se você já jogou Dante’s Inferno, God of War e outros jogos similares, é bem possível que encontre algumas similaridades entre estes títulos e Darksiders, pelo menos no tocante à jogabilidade e à pancadaria. War (ou guerra), sendo um dos quatro cavaleiros do apocalipse, tem como missão assegurar que o Armageddon transcorra sem problemas. No game, sua missão é “cuidar do balanceamento”, enquanto as forças dos céus enfrentam as do inferno na batalha final. É a batalha do Reino dos Céus contra o Reino do Inferno, sendo que quem mais sofre em tal batalha, desconsiderando-se aqui quaisquer correlações com o Apocalipse bíblico, é o Reino dos Homens.

Logo no início do game é contada uma história muito interessante, cujos gráficos lembram o belíssimo comic que acompanha Darksiders. Ficamos sabendo que esta guerra já estava sendo travada há muito tempo, sendo que um conselho chamado Charred propôs então uma trégua, se utilizando para isto dos quatro cavaleiros do Apocalipse. Isto tudo já estava acontecendo antes da existência do Reino dos Homens, vale ressaltar.

Ocorre que inexplicavelmente, até mesmo perante os olhos do próprio War, o Apocalipse é iniciado, e a guerra entre o Céu e o Inferno se inicia, tendo a terra como palco. A destruição é imensa. Asteróides contendo “coisas bem estranhas” em seu interior não param de atingir a terra, e a humanidade, atônita, assiste a tudo sem poder fazer nada. Anjos e demônios começam a se enfrentar no meio das ruas, e War aparece em cena, então.

A volta à terra devastada

Alguns eventos acontecem neste meio tempo, dando ao jogador a chance de experimentar os poderes do War, como a Chaos Form, por exemplo (ele fica coberto por fogo e muito mais poderoso), antes que ele seja acusado de ter iniciado a guerra, pelo próprio Conselho Charred. Ele perde seus poderes, mas recebe uma segunda chance. Ele deve descobrir o que aconteceu, e para isto, retorna à terra. Ele conta com uma enorme espada, a Chaoseater, e também com a ajuda de um demônio chamado Vulgrim, o qual na verdade é uma espécie de mercador nada bem intencionado.

Ocorre que o Vulgrim vende itens. Armas, upgrades, melhorias, etc, e é faminto por almas. Seu primeiro pedido ao Vulgrim recebe como resposta um outro pedido: ele quer 500 almas. Você deve, então, sair pelas ruas e promover uma verdadeira carnificina para coletar as tais almas. O Vulgrim vai aparecendo constantemente, em todas as fases do game, em diversos locais, sempre oferecendo itens e sempre com aquela falsa pose de humildade.

Vale ressaltar que War ficou cerca de 100 anos ausente, desde o início do Armageddon, e quando ele retorna à terra, esta se encontra totalmente devastada. Cidades inteiras destruídas. Prédios abandonados. Carros destroçados espalhados pelas ruas, e uma desolação enorme tomando conta de tudo. Os humanos foram transformados em patéticos mortos vivos, que se arrastam por todos os cantos e atacam o War sem medo algum, apesar de serem frágeis e pequenos. Mas não se engane: é preciso cuidado caso o número de ex-humanos seja grande.

Evolução do personagem, armamento e jogabilidade

Darksiders permite que você evolua o personagem, comprando novos poderes e armas, os quais podem ser perfeitamente “mapeados” para os botões/teclas que você escolher. Você pode carregar também uma enorme foice, a qual possui enorme poder de destruição e pode ser lançada à distância, girando, como um bumerangue.

Em determinado momento do jogo você também coleta uma arma que se assemelha muito à Glaive de Dark Sector. Esta arma é muito útil, pois além de poder atingir alvos à distância e acionar mecanismos, possui a capacidade de absorver características de determinados elementos, como o fogo, por exemplo. Além disso, se você manter o botão de disparo pressionado por um certo tempo, até que a lâmina comece a brilhar, ela será lançada com uma força incrível, e fatiará o inimigo, girando loucamente sobre seu corpo.

A jogabilidade de Darksiders é muito fluída, e todos os comandos são fáceis de serem memorizados. Joguei no PC, e utilizei tanto o conjunto teclado + mouse quanto o Joystiq do Xbox 360, e não senti dificuldade alguma. A movimentação do personagem é pesadona, mesmo, apesar de ele poder correr, e a resposta aos comandos é rápida e precisa.

Almas e um observador sempre presente

Vale ressaltar que o War conta com um “amigo” constante. Trata-se do “The Watcher”, uma espécie de demônio que é enviado juntamente com o War à terra, tendo como missão ficar de olho no cavaleiro. Digamos que o “The Watcher” é o “olheiro” do Conselho Charred na terra.

War não é imortal, vale ressaltar. E ele deve coletar almas para que sua energia vital não se esgote. Cada inimigo morto libera diversas, ao morrer. Lápides de cemitério também liberam almas, quando você as destrói. Alguns outros ítens do cenário, sabe-se lá por que, também liberam almas quando destruídos. É o caso de algumas cercas de ferro, por exemplo.

Existem três tipos de almas: azuis, verdes e amarelas. As azuis funcionam como uma espécie de moeda para você gastar na “loja” do demônio Vulgrim. As verdes enchem sua barra de energia vital. E as amarelas servem para aumentar a “ira” do War, fornecendo energia a diversos poderes especiais que ele pode adquirir no decorrer do jogo.

Cenário destrutível e interação com ítens: sensacional

Gostaria de destacar também a destrutibilidade de diversos itens no cenário. Carros, postes, lápides, muros, paredes, etc, podem ser destruídos e/ou sériamente danificados pela magnífica espada do War. O cavaleiro também pode interagir com diversos itens do game. Ele pode empurrar e puxar determinados objetos (sempre indicados por um ponto brilhante), pode abrir portas, pode subir em paredes que tenham recebido o “revestimento” da “Demonic Surface”, e pode até mesmo se pendurar e andar por fios, cabos e/ou cordas suspensos.

Combates e mais combates

Não há como fugir das lutas, em Darksiders. Dependendo da evolução de seu personagem, a qual você controla, podendo escolher o melhor caminho, você conta com movimentos e ataques especiais, e é possível até mesmo “finalizar” os inimigos, partindo-os ao meio, em pleno ar. Um sinal aparece sobre a cabeça dos mesmos, quando eles estão “prontos para o ataque final”.

As lutas são sempre muito movimentadas, e você se vê constantemente cercado dos mais diversos tipos de inimigos, desde os pobres humanos transformados em algo que se assemelha muito a zumbis, até diversos tipos de demônios e criaturas horripilantes. Algo que ajuda bastante neste momento é a enorme espada do War, a qual você pode girar, girar, girar e atingir diversos inimigos em sequência. Muitas vezes você chega a perder o senso de direção, tamanha a quantidade de inimigos presentes em tela. Mas sua espada e sua foice dão conta do recado muito bem.

Tudo é grande em Darksiders

Darksiders é um título que prima pela majestosidade. Tudo é enorme. Os personagens, as construções, as armas, os cenários, etc. Você poderá passar muito tempo olhando para os diversos elementos do game, observando como as catedrais podem ser imensas, como os prédios abandonados e enormes parecem deslocados em meio à toda a destruição, etc.

Puzzles

O título da Vigil Games também conta com diversos puzzles. Caminhos que devem ser abertos, mecanismos que devem ser postos em funcionamento, itens que devem ser atingidos por sua lâmina giratória em sequência, etc. É muito interessante contarmos com este elemento em um game que, a princípio, poderia ser considerado apenas mais um hack ‘n slash. Não se engane: ele é muito mais do que isto.

Até mesmo coletar antigas relíquias para entregar ao Vulgrim em troca de recompensa é possível, o que torna o gameplay muito mais interessante, exigindo do jogador muito mais do que simplesmente apertar botões e bater em tudo o que vê pela frente. É óbvio que nem todos os itens coletáveis são obrigatórios, mas o trabalho para chegar até eles e pegá-los representa um extra bem interessante.

Gráficos e trilha sonora

Os gráficos de Darksiders são muito bonitos. Eles dão conta do recado muito bem, e em diversos momentos impressionam. As texturas dos prédios e das diversas construções são bem bonitas, apesar dos personagens muitas vezes não serem tão detalhados.

A trilha sonora é belíssima e totalmente orquestral. Isto, em minha opinião, é obrigatório em um game como este. As músicas são sempre obscuras em sua essência, mas se alternam conforme o gameplay, acompanhando a ação de forma espetacular.

Conclusão


Darksiders é um game que mistura vários gêneros diferentes e oferece ao jogador uma experiência inesquecível e única. O jogo conta com muita ação, puzzles e mistério, além de ser um título que não pode ser facilmente rotulado, o que é fantástico.

Ficha Técnica

Título: Darksiders
Gênero: Ação / Aventura / RPG
Desenvolvedora: Vigil Games
Distribuidora: THQ
Data de lançamento: 05 de Janeiro de 2010 (OBS: para PC foi lançado em 23 de Setembro de 2010)
Plataformas: PC, Xbox 360 e Playstation 3
Versão analisada: PC

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