Dead Rising 2 é um game de zumbis. Ou, um game com zumbis. Mas não se trata de mais um game de/com zumbis lançado no mercado. Não se trata de um caça-níqueis, nem tampouco de um game onde você terá apenas de matar zumbis sem parar e nada mais. Existe uma história. Existe um propósito em Dead Rising 2, game desenvolvido pela Blue Castle Games e distribuído pela Capcom, empresa responsável também por outra franquia que possui zumbis em seu enredo: Resident Evil.

O primeiro Dead Rising, de 2006, nos apresentava outro personagem. Outra história. Desta vez, em Dead Rising 2, somos apresentados a um outro protagonista, chamado Chuck Greene. Dead Rising 2 representa um novo fôlego em um gênero de games que já caiu na mesmice há tempos e que, muitas vezes, se “infiltra” em outros títulos e gêneros de maneira não muito adequada. O jogo da Blue Castle Games é divertido, desafiador, repleto de elementos surpresa e provoca, realmente, aquela aflição que bons games do gênero provocam, sem no entando causar medo. Mas não se engane: trata-se de um game difícil. Mas muito instigante.

Dead Rising 2 nos apresenta com maestria um enredo bem construído, gráficos muito bonitos, jogabilidade simples e, por incrível que pareça, muitos motivos para darmos boas gargalhadas. Sim, gargalhadas. E estamos falando de um game de ação, em primeira instância. Um game sério. Mas diversas situações neste título fantástico podem fazer com que você role de tanto rir.

História

Chuck Greene é um motoqueiro que, além de ter perdido sua esposa para um morto-vivo (no bom sentido, entendam bem: ela foi morta por um zumbi), tem de lidar com o fato de que sua filha, Katey, está infectada (ela possui até a cicatriz do ataque) e pode se transformar em um zumbi a qualquer momento, a menos que doses periódicas de um remédio chamado Zombrex lhe sejam ministradas. Chuck logo de início é acusado de ser o responsável por um atentado terrorista que fez com que milhares de zumbis fossem soltos em Fortune City, a cidade fictícia onde a trama se desenrola.

Ele tenta provar sua inocência no decorrer do gameplay, e vai descobrindo aos poucos que nem só os zumbis querem o mal dos humanos, em Dead Rising 2. Aliás, vale ressaltar que Fortune City é uma espécie de Las Vegas recriada com muito “bom gosto”, especialmente para Dead Rising 2. Tudo ali lembra a cidade norte americana repleta de cassinos, e até mesmo os mortos-vivos não resistem e sucumbem ao vício. Não é difícil passarmos por alguns dos cassinos de Fortune City e nos depararmos com zumbis “apostando” em caça-níqueis.

Voltando à história, todos os problemas começam a acontecer logo depois de uma participação de Greene no reality show Terror is Reality, apresentado por um cara chamado Tyrone King (ou TK), o qual lembra bastante o ator Wesley Snipes. Após tal show é que a “dose de dificuldades” na vida do pobre motoqueiro é aumentada. Uma matéria apresentada por uma repórter chamada Rebecca Chang dá início aos problemas, ou melhor, os apresenta, pois os estragos já foram feitos, tanto em Fortune City quanto na vida do Chuck e de sua filha.

A partir daí, o Chuck terá de lidar com missões e mais missões, valendo lembrar que os militares somente virão resgatar os sobreviventes dentro de 72 horas. Ou seja, este é o tempo de duração da história (não do gameplay). Você tem 3 dias para realizar todas as missões, sejam elas primárias ou paralelas, e o tempo restante pode ser sempre consultado pelo jogador. O fator “tempo” já era algo que os gamers mantinham sempre em mente no primeiro Dead Rising, e ele volta, agora, de uma forma mais brutal ainda, pois existem muito mais zumbis para dificultar a sua vida.

O enredo do game é muito bem construído, e você chega a se surpreender com o cuidado tomado com o mesmo. Existem inúmeras reviravoltas, inúmeros sobreviventes, diversas surpresas, e no final de tudo, você acaba ficando com a enorme sensação de que Dead Rising 2 é muito melhor do que seu antecessor, como já era de se esperar.

Jogabilidade

Falar da jogabilidade de Dead Rising 2 é o mesmo que falar da jogabilidade de qualquer outro game de tiro com visão em terceira pessoa. Não existem segredos, lembrando que este review foi escrito a partir da minha experiência com a versão para PC do jogo. A excessão fica por conta da utilização de alguns comandos/ações/acessórios extras. Isto é normal, é claro, como ocorre em qualquer outro game.

O Chuck conta com um relógio que sempre lhe fornece, por exemplo, o tempo de duração de cada dose de Zombrex ministrada à Katey. Basta pressionar “T”. Isto também permite que você acesse mensagens recebidas, as quais podem lhe conduzir a missões paralelas. Através do “E” você pode interagir com os mais diversos ítens. Use esta tecla para abrir portas, por exemplo, ou para salvar o game quando em um save point. Aliás, vale destacar o inusitado e engraçado fato de que os save points são… banheiros. 😉

É fato, entretanto, que o Chuck é meio lento. Existem milhares de zumbis à solta por Fortune City, e sua lentidão chega a irritar, às vezes, pois você muitas vezes pode se encontrar sem arma alguma em seu inventário, e escapar tentando derrubar zumbis famintos apenas com seus punhos é uma tarefa hercúlea. Esta questão da velocidade de movimentação do personagem poderia ter sido vista com mais cuidado, em minha opinião, principalmente em se tratando de um game onde a adrenalina corre solta.

Jogando Dead Rising 2

Não espere encontrar nada assustador em Dead Rising 2. Apesar de sua temática, muitas vezes você dará risadas, como por exemplo quando se deparar com dançarinas zumbi perambulando pelos cassinos, ou quando enfiar um cone de trânsito na cabeça de um morto-vivo e ele começar a andar a esmo, sem enxergar nada, com os braços extendidos. A própria trilha sonora ajuda bastante a retirar de Dead Rising 2 qualquer possibilidade de susto, e eu o considero um game de ação, e não um game de horror.

É claro que nem por este motivo jogar Dead Rising 2 deixa de causar aflição, em muitos momentos. Ser cercado por uma horda enorme de zumbis pode ser realmente assustador, principalmente quando eles conseguem te agarrar e morder. Aliás, é notável a quantidade de zumbis que se pode observar em tela. Existem muito mais zumbis em tela em Dead Rising 2 que em Dead Rising 1, e as aglomerações em alguns momentos são enormes. Caminhar sem trombar em nenhum zumbi é impossível, em muitos momentos, e eles se lançam contra você, com um grunhido, quando você passa perto deles.

Uma grande inovação introduzida na franquia é representada pelas Combo Cards. Dead Rising 2 permite que você evolua o personagem, aumentando seus atributos: ataque, velocidade, espaço no inventário, etc. A cada zumbi morto, ou a cada missão completada, você ganha PP, que nada mais são que pontos de experiência. Quanto mais PP você consegue, mais forte e ágil vai ficando o personagem, e você também ganha novas Combo Cards.

As Combo Cards permitem que você utilize as “Maintenance Rooms”, espalhadas por toda Fortune City, para combinar diversos ítens e formar Combo Weapons. As Combo Weapons são armas turbinadas, digamos, as quais além de serem mais poderosas, fornecem PP em dobro. Elas também contam com um ataque poderosíssimo (acionado se você manter o botão esquerdo do mouse pressionado), que fornece mais PP ainda.

Armas, em Dead Rising 2, não são problema. Você pode utilizar os mais diversos objetos espalhados pelo caminho: cadeiras, mesas, placas, tacos de baseball, monitores LCD, pedaços de pau, vidros de mostarda (é, você vai espirrar mostarda na “zombaiada”), vassouras, botijões de gás, cadeiras de rodas e inúmeros outros ítens. Diversos destes ítens podem ser combinados nas “Maintenance Rooms”, formando então as Combo Weapons. Por exemplo, se você “mixar” o taco de baseball com a caixa de pregos obterá um taco com pregos em sua ponta.

Uma CPU de um computador combinada com uma lanterna resulta em uma arma de choque. Uma caixa de pregos juntamente com um botijão de gás resulta em um pesado e poderoso botijão de gás “espinhoso”. Trata-se, ao mesmo tempo, de aumentar seu “poder de fogo” e também ganhar mais pontos de experiência.

Algo muito interessante em Dead Rising 2, também, é o fato de que todas as armas que você coleta e vai armazenando no seu inventário (utilize o botão de scroll do mouse para alternar entre elas) possuem durabilidade bem curta, ou seja, elas se estragam rapidamente. Se gastam conforme você as utiliza, ou seja, conforme você as vai utilizando para matar zumbis. Assim que uma determinada arma vai ficando gasta, seu indicador no canto superior direito vai se tornando vermelho, até que ela “deixa de existir”.

Vale ressaltar que utilizar armas brancas como espadas, por exemplo, em Dead Rising 2, é delicioso e divertido ao extremo. Cortar zumbis ao meio e observar o Chuck realizando movimentos muito bonitos com a arma em punho é muito bacana. Trata-se de um elemento elegante introduzido em meio à selvageria que os combates contra os zumbis representam.

Você pode (muitas vezes deve) resgatar sobreviventes espalhados por Fortune City e levá-los até a “Safe House”, local ainda seguro. Para fazer isto, você deve seguir as indicações fornecidas através de mensagens em seu celular e chegar até os sobreviventes. Muitas vezes eles estão cercados de zumbis (e até mesmo lutando contra os mesmos), e você deve então conversar com eles e convencê-los a te acompanhar.

Levar um sobrevivente até a “Safe House” faz com que você ganhe muitos pontos de experiência (PP). Vale destacar o fato de que você pode perder sobreviventes durante o caminho. Eles podem ser atacados por zumbis, por exemplo, e se você não defendê-los, eles morrem. Alguns deles lutam e/ou possuem armas, te ajudando no processo. Outros não. Um indicador da energia vital dos mesmos pode ser facilmente localizado. Ah, já ía me esquecendo: ataque consecutivamente (mesmo que sem querer) um sobrevivente, e ele se voltará contra você.

Lutar contra os zumbis em Dead Rising 2 representa sempre um verdadeiro banho de sangue, principalmente se você utilizar “Combo Weap0ns” ou armas como a espada, por exemplo. O próprio Chuck vai tendo sua roupa manchada de sangue, paulatinamente, conforme a ação acontece. É claro que o game dá um jeito de “limpar” o Chuck de tempos em tempos. 🙂

A questão dos diálogos fora das cut scenes poderia ter sido melhorada. Quando isto ocorre, você não ouve som algum. Não existe o som das vozes nem tampouco sincronismo labial, é claro. Existe apenas o texto exibido em tela. Outra questão um pouco irritante no game é em relação à alimentação. Para recuperar sua energia vital, o Chuck deve beber ou comer.

Isto é até que fácil: você encontra alimentos espalhados em diversos lugares. O grande defeito aqui, entretanto, é em relação aos gráficos. Observe o chuck comendo um sanduíche: sua boca nem ao menos se aproxima do lanche, e os movimentos de sua cabeça são bizarros.

Você pode também se deparar com ladrões (humanos), em Fortune City, os quais literalmente lhe levarão tudo, caso você se deixe pegar. Você ficará só com as roupas de baixo, sem armas e em uma situação muito ridícula. É por essas e outras que eu digo que Dead Rising 2 pode provocar muitas risadas.

Gráficos e trilha sonora

Os gráficos de Dead Rising 2 são muito bonitos e polidos. Tudo é muito bem detalhado, e apesar de certas quedas na taxa de frames por segundo, principalmente quando você se encontra em meio a um emaranhado de zumbis, a parte gráfica do game foi feita com muito esmero.

Percebe-se claramente, por exemplo, a movimentação dos bastões e/ou armas similares de forma bem clara, com a rapidez da respectiva movimentação representada de forma perfeita. Você consegue observar o “rastro” do movimento, digamos. A iluminação também é muito bonita, no jogo, e elementos como vidro sofreram um cuidado especial, e são muito reflexivos e interessantes. Muitas vezes você pode se sentir tentado a quebrar o vidro de uma loja apenas para observar o mesmo se estilhaçando.

A trilha sonora de Dead Rising 2 não chega a empolgar, mas é hilária. Pena que não seja muito variada. Basicamente é a mesma música, tocada enquanto você perambula por Fortune City, intercalada por músicas mais agitadas nos momentos de grande ação/tensão. Vale destacar que a música contribui, também, para fazer com que Dead Rising 2 não seja assustador. Muito pelo contrário. É como eu disse: ele pode provocar aflição, mas não medo.

Outros modos de jogo

Além do modo principal/singleplayer, é possível jogar Dead Rising 2 em um modo cooperativo muito bacana. Existem até slots para saves adicionais, para que você não “perturbe” sua campanha principal ao jogar o co-op. Existe também o modo “Terror is Reality”, o qual é muito divertido, por sinal. Nele, você competirá por dinheiro, e o objetivo, é claro, é matar o maior número de zumbis possível.

Aliás, você pode perfeitamente se utilizar do modo online “Terror is Reality” para ganhar dinheiro que poderá ser utilizado na campanha. Para comprar Zombrex para a Katey, por exemplo. Basta, antes de sair deste modo de jogo, escolher a opção “Cash Out” e definir para qual “save” irá o dinheiro, ou seja, para qual slot.

Feito isto, quando você começar a jogar novamente, o dinheiro adicionado aparecerá no canto superior esquerdo da tela. Trata-se de uma ótima e divertida maneira de ganhar dinheiro em Dead Rising 2.

No modo de jogo “Terror is Reality” você compete contra mais 4 jogadores, online, em espécies de arenas repletas de zumbis que devem ser mortos. Existem diversos jogos disponíveis, desde um onde você é preso dentro de uma bola metálica gigante (RamsterBall) e deve esmagar o maior número de zumbis que puder, até o último (Slicecycles), no qual você deve pilotar sua moto equipada com moto-serras laterais de encontro aos mortos-vivos, para matá-los.

Não se esqueça, entretanto, que para poder transferir o dinheiro ganho no “Terror is Reality” para o seu jogo singleplayer, você deve no modo ranked match. Assim sendo, todos os seus pontos são transformados em dinheiro vivo, e transferidos para o slot que você definir. Você pode  também competir em um touro mecânico em um dos cassinos para ganhar dinheiro, se preferir esta “modalidade”. Ela não é, entretanto, tão rentável quanto o “Terror is Reality”. Você pode também, é claro, jogar nos caça-níqueis, por exemplo. 🙂

Conclusão

Brutal, divertido e viciante. Dead Rising 2 foge do tradicional, e nos fornece uma experiência que requer não somente reflexos rápidos, mas pensamento estratégico e entendimento da história. Fuja (ou mate) os mortos-vivos neste divertido e impressionante game. 🙂

Ficha Técnica

Título: Dead Rising 2
Gênero: Ação / Survival Horror
Desenvolvedora: Blue Castle Games
Distribuidora: Capcom
Data de lançamento: 28 de Setembro de 2010
Plataformas: PC, Xbox 360 e Playstation 3
Versão analisada: PC

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